Habitação jovem em Viseu: Sonho acessível ou barreira ao futuro
A habitação para estudantes tem-se tornado um tema cada vez mais relevante no contexto do ensino superior português. Com o aumento do custo de vida em cidades como Porto, Lisboa e Coimbra, muitos jovens procuram alternativas em cidades universitárias de menor dimensão, onde os preços de arrendamento são mais acessíveis. Viseu, cidade tranquila do interior de Portugal, tem-se destacado como uma opção atrativa para estudantes que procuram qualidade de vida e custos mais baixos. Enquanto no Porto, o preço mínimo de um quarto pode chegar aos 400 euros, em Viseu é possível encontrar quartos a partir de 140 euros, uma diferença importante para quem tem um orçamento limitado.
Por: Francisco Buabuela (aluno do 1º ano de Comunicação Social)
Paulo Ricardo, de 57 anos, profissional da área imobiliária, considera que Viseu continua a ser uma cidade mais acessível quando comparada com os grandes centros urbanos. Segundo o mediador, que trabalha com diferentes tipos de habitação, desde quartos para estudantes até apartamentos para famílias, “o mercado em Viseu é mais tranquilo do que nas grandes cidades”, afirma. Para o profissional, a procura tem aumentado nos últimos anos, sobretudo por parte de estudantes do ensino superior.
“Muitos estudantes estão a vir para Viseu porque percebem que aqui podem estudar com qualidade e pagar uma renda que não compromete todo o orçamento”, explica.
A RE/MAX ExpoGroup Dimensão utiliza várias plataformas para divulgar imóveis, incluindo o Idealista, apontado como uma das principais ferramentas para estudantes que procuram quartos a preços acessíveis.
Alcione Mário, de 22 anos, estudante de Comunicação Social, paga 250 euros por mês de renda, sem incluir todas as despesas. “Só internet. A água, a energia e o gás são à parte. Se fosse incluído seria mais do que 250 euros”, explica.
Apesar de pagar cerca de mais 50 euros em despesas, Alcione considera que o valor compensa. A procura pelo quarto foi rápida e feita com ajuda de amigos. “A princípio comecei a perguntar a amigos, mas depois indicaram-me o Idealista. Foi a partir daí que encontrei o quarto e me interessei”, conta. A estudante não chegou a visitar vários apartamentos, porque precisava de encontrar casa rapidamente. “Não visitei vários apartamentos porque não tinha tempo. Só pesquisei aquele, o anúncio interessou-me e aluguei logo”, afirma.
Apesar de a comunicação com a proprietária ter sido rápida e positiva, Alcione não está totalmente satisfeita com o quarto, pois “é pequeno, não tem uma dimensão ampla”, admite. Por isso, pensa em mudar no futuro, principalmente por precisar de mais espaço e privacidade.
“Com as pessoas com quem vivo, a interação é boa, mas todos precisam de privacidade, como qualquer jovem que tem os seus momentos pessoais”, explica.
Leonor Lopes, também estudante de Comunicação Social, vive uma realidade diferente. Paga 140 euros por mês de renda, mais despesas de água, luz e, possivelmente, internet.
“Eu pago 140 euros por mês mais as despesas. Lá somos três e o valor é dividido pelas três, por isso fica sempre baixo”, explica.
Para Leonor, a renda é acessível. “É uma renda baixa, não é muito alta”, afirma. Tal como Alcione, também encontrou habitação através do Idealista. “Pesquisei as opções mais baratas porque não queria estar num local onde tivesse de pagar muito. Consegui arranjar este quarto e foi a minha melhor opção”, conta.
A estudante teve urgência em encontrar casa, porque no início de janeiro ainda vivia na casa do avô. Por isso, recomenda o Idealista a outros estudantes. “Acho que é das melhores opções, porque permite procurar pelo mais barato. Vais aos filtros, escolhes ‘os mais baratos primeiro’ e encontras facilmente aquilo que procuras”, aconselha.
Tanto Alcione como Leonor descrevem Viseu como uma cidade tranquila, adequada para quem pretende focar-se nos estudos.
Quando questionadas sobre o que diriam a um jovem que vem estudar em Viseu pela primeira vez, as estudantes deixam conselhos práticos.
Alcione recomenda que os estudantes façam uma pesquisa antes de se mudarem. “Aconselharia a fazer um estudo da localidade, saber os preços do arrendamento e como funcionam as coisas aqui. Se a pessoa procura uma cidade com muita diversão, talvez não seja a melhor escolha. Mas se quer estudar, Viseu é uma cidade tranquila e com poucas distrações”, afirma.
Leonor deixa uma mensagem mais direta: “Divirtam-se enquanto estudantes. Procurem no Idealista, mas também vejam os papéis de quartos alugados nas escadas da escola. Aqui é tranquilo, as pessoas são incríveis e não tenho nada a apontar de mal.”
Paulo Ricardo reforça a ideia de que Viseu pode ser uma boa solução para estudantes com orçamentos limitados. Para o mediador, a cidade permite estudar com qualidade e pagar uma renda mais equilibrada.
Apesar de considerar Viseu uma boa cidade para estudar, Etifania Ferraz, estudante de Fisioterapia no Instituto Piaget de Viseu, reforma que existem dificuldades económicas enfrentadas pelos estudantes. “No meu caso, o preço de 220 euros para uma estudante que trabalha a part-time. Recomendo, portanto, que quem venha a Viseu esteja preparado para todas as situações, especialmente no âmbito financeiro”, afirma.
Uma alternativa às grandes cidades as experiências de Alcione Mário, Leonor Lopes, Paulo Ricardo e Etifania Ferraz mostram que Viseu se apresenta como uma alternativa viável para estudantes que enfrentam dificuldades no acesso à habitação em Portugal. Com preços mais baixos do que os praticados em cidades como Porto e Lisboa, a cidade oferece quartos acessíveis, maior tranquilidade e um ambiente considerado seguro. O Idealista surge como uma das principais plataformas de procura, mas os anúncios afixados nas escolas também continuam a ser uma opção útil.
