Entre tradição e convívio: a Festa das Freguesias de São Cipriano e Vil de Souto
Numa altura em que muitas aldeias lutam contra o despovoamento, há comunidades que resistem unidas pela força das suas tradições. Neste contexto, festas e atividades promovidas pelas juntas de freguesia e associações desempenham um papel central na preservação de convívio, da cultura, e da vida das aldeias.
Por Daniela Costa (aluna do 1º ano de Comunicação Social)
A festa da freguesia de São Cipriano e Vil de Souto realizou-se nos dias 23 e 24 de maio, num espaço amplo de convívio, pensado para acolher pessoas de várias gerações. Nos dois dias de festa o evento contou com várias atrações, destinadas a diversas faixas etárias, desde insufláveis para crianças até atuações de grupo culturais e musicais da freguesia: grupo de bombos “Os amigos de Vizeu”, Grupo de Cantares de Figueiró, Grupo k7 e Grupo Soma e Segue.
Entre o verde das árvores e a sombra acolhedora que envolvia o recinto, a Festa das Freguesias de São Cipriano e Vil de Soito proporcionou dois dias marcado pelo convívio, pela alegria e pelo reencontro entre a comunidade. O parque de merendas encheu-se de famílias e amigos que, entre conversas animadas e momentos de partilha, desfrutavam do ambiente descontraído e festivo.
As barracas das associações locais davam cor e movimento ao espaço, testemunhando o dinamismo e a participação da comunidade, enquanto o aroma dos frangos no churrasco se espalhava pelo ar, convidando os visitantes a saborear uma das tradições mais apreciadas destes encontros.
Pelo recinto, as crianças corriam e brincavam nos insufláveis, enchendo o ambiente de gargalhadas e entusiasmo, onde não faltaram sorrisos, abraços e momentos de confraternização. Num espaço amplo, acolhedor e rodeado pela natureza, viveu-se mais uma celebração que reforçou os laços de amizade, o espírito de união e o orgulho nas tradições das freguesias de São Cipriano e Vil de Soito.
A origem e evolução da festa da freguesia
Segundo o presidente de junta, Carlos Rodrigues, a festa realiza-se há cerca de 21 anos, num período em que os aglomerados mais pequenos da freguesia de São Cipriano já não tinham a sua festa anual.
A organização desta festa partiu da necessidade de colmatar a ausência dessas atividades populares, tendo sido estruturada pelos antigos executivos. A primeira festa foi na Portela, na freguesia de São Cipriano, mas com a reorganização da freguesia em 2013, passou a realizar-se num parque de merendas apropriado para convívios.
Assim sendo, a festa evoluiu para um “espaço de excelência”, afirma o presidente de junta.
A programação inclui atuações de grupos musicais, grupos de bombos, grupos de cantares, artistas da freguesia e a grande novidade deste ano foi o primeiro encontro de bombos da freguesia. Também estão presentes barracas das associações locais, que angariam fundos para as suas atividades e ajudam na organização e animação.
“Promover a cultura, ajudar as associações”, é segundo o presidente o principal objetivo da festa.
Para Vanessa Martins, residente na freguesia, este evento tem um significado especial. “É um orgulho ver a freguesia reunida no sentido em que acabamos por ver pessoas que às vezes só se vê de ano a ano”, refere.
Além disso, mantém a tradição de realizar um piquenique em família, prática realizada não só por si, mas também por outros residentes, destacando um momento aprazível de convívio entre todos. “Normalmente costumamos fazer o piquenique em família “, aponta Vanessa Martins.
A importância dos jovens na dinamização cultural
Rita Marques, presidente da Assembleia Geral da Associação de Sarzedelo, destaca o envolvimento dos jovens para permitir uma aldeia ativa.
“Acho importante os jovens estarem ativos porque é sempre bom ter uma ideia jovem, uma mente jovem e traz mais dinâmicas à aldeia”, afirma.
Também refere que tenta participar nas atividades das outras associações, mas que nem sempre consegue devido ao trabalho na sua associação ser extenso.
Contudo, a responsável também refere que a participação das pessoas mais velhas continua a ser essencial para garantir a transmissão de tradições.
Para as próximas edições, o objetivo é de envolver e acolher mais a sociedade civil. Ainda assim, este novo executivo quer melhorar e mudar esta festa, e, com isso, já tem ideias novas para os próximos anos, e contam com a ajuda da população. Tudo passa por “cultivar as raízes que vêem desde há 21 anos atras”, diz o presidente.
As festas e atividades promovidas na freguesia de São Cipriano e Vil de Souto constituem um exemplo significativo no papel da cultura e dinamização das comunidades rurais.
