Santo Aleixo continua isolada depois de tempestades que causaram prejuízos elevados em Tabuaço

Por: Márcia Sampaio (Aluna do 1º ano de Comunicação Social)

A estrada que liga Santo Aleixo a Tabuaço permanece cortada, com blocos de cimento a impedir a passagem, vários meses após as tempestades que marcaram a último inverno. A localidade é uma das mais afetadas no concelho de Tabuaço, enfrentando um cenário de isolamento, acessos condicionados e danos significativos em infraestruturas essenciais.

Prejuízos elevados e danos generalizados

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Tabuaço, João Patrício, o levantamento dos estragos, realizado em articulação com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), aponta para prejuízos que rondam os 800 mil euros. Um valor bastante elevado para um município de pequena dimensão. 

Grande parte dos danos concentra-se na rede viária e em caminhos agrícolas, embora também se verifiquem perdas no setor agrícola e em estruturas públicas. 

O caso mais crítico regista- se em Santo Aleixo, onde uma derrocada afetou a Estrada Nacional 323, levando ao seu corte por razões de segurança, embora haja quem arrisque. A situação acabou por dividir a aldeia, obrigando os habitantes a percorrer cerca de 26 km para fazer um trajeto que antes era de poucas dezenas de metros. 

“É uma aldeia pequena que ficou dividida a meio”, explica Anabela Bessa, representante da Junta de Freguesia, sublinhando o impacto diário desta realidade, sobretudo no tempo e nos custos de deslocação.

Cemitério destruído e inacessível 

Para além da estrada, o deslizamento de terras causou danos graves no cemitério local. Os muros encontram- se em rotura e o espaço está interdito por questões de segurança.

Uma habitante relata que “algumas campas estão em estado deplorável e a porta deu-se, as paredes deram-se, está lá de pé, mas está inacessível”, evidenciando o impacto emocional da situação, especialmente de quem tem familiares sepultados no local. Já houve a necessidade de realizar funerais noutra localidade devido à inacessibilidade.

Apesar da urgência, a intervenção no terreno depende de estudos técnicos especializados. Estão em curso análises geológicas e hidráulicas para avaliar a estabilidade do talude e definir soluções seguras.

Segundo o autarca, já foram investidos 60 mil euros apenas em estudos e projetos. No entanto estes estudos demoram, pois são muito complexos e a segurança da população sempre estará em causa. 

A dimensão dos estragos revela também limitações nos meios disponíveis. A autarquia teve de recorrer a empresas externas para dar resposta às várias frentes de intervenção, uma vez que os recursos municipais são insuficientes para situações desta escala. 

A escassez de mão de obra e os procedimentos de contratação pública têm contribuído para atrasar algumas intervenções, num cenário que exige respostas rápidas, mas tecnicamente rigorosas

População envelhecida enfrenta isolamento

Com cerca de meia centena de habitantes, maioritariamente idosos, Santo Aleixo vive agora uma situação de isolamento preocupante. A dificuldade de acesso levanta desafios no dia a dia e em emergências. 

“Tenho ali a minha sogra com 88 anos, que diz mesmo que está prisioneira”, descreve a familiar de uma residente com idade avançada. A aldeia é já apontada por alguns moradores como uma “aldeia fantasma”, devido à redução do movimento e à degradação visível. 

O efeito das tempestades estende-se ao quotidiano da população. Há casos de residentes que ficaram temporariamente sem acesso às suas viaturas, obrigando à aquisição de novos meios de transporte ou à dependência de boleias.

Agricultores enfrentam também dificuldades acrescidas, sendo obrigados a percorrer distâncias significativamente maiores para aceder aos seus terrenos.

Confiança na resposta institucional

Apesar das dificuldades, a população reconhece a presença e o apoio das entidades locais. A Câmara Municipal e a Proteção Civil têm acompanhado a situação desde o primeiro momento, mantendo uma comunicação próxima com os habitantes.

“Sempre que ligávamos por alguma ocorrência, eles estavam sempre presentes”, refere a representante da Junta em relação às respostas das autoridades.

A abertura da estrada afetada poderá acontecer numa fase inicial de forma provisória, dependendo dos resultados dos estudos técnicos. Contudo, o autarca João Patrício reforça que qualquer intervenção será feita com máxima cautela.

“A palavra segurança é crucial”, sublinha João Patrício, lembrando que a segurança de trabalhadores e população é a prioridade absoluta.

Olhar para o futuro

Além da resolução dos danos atuais, o município pretende implementar medidas de prevenção para reduzir o impacto de fenómenos semelhantes no futuro. As alterações climáticas são apontadas como um fator que agrava este tipo de ocorrências, tornando-as mais frequentes e intensas.

Enquanto aguardam soluções, os habitantes de Santo Aleixo adaptam-se a uma realidade difícil, marcada pela distância, pelo isolamento e pela incerteza, mas também pela esperança de que a normalidade possa ser restabelecida em breve.

a