Lar São Pedro é exemplo de companhia e cuidado para envelhecer com dignidade

Durante o período da tarde, no Lar São Pedro, situado em Castelo de Penalva, o ambiente era silencioso, mas não vazio. Existia uma calma própria de quem já viveu muito, acompanhada por um sentimento nostálgico. No jardim, ouviam-se diálogos entre os idosos e pequenas conversas que davam vida ao espaço. À volta, era possível observar uma instituição espaçosa, acolhedora e dinâmica, com zonas verdes, espaços de convívio e uma relação próxima entre os utentes, a equipa técnica e os funcionários.

Por: Matilde Fernandes (aluna do 1º ano de Comunicação Social)

A visita ao local aconteceu para compreender o impacto que as instituições residenciais têm na promoção do envelhecimento ativo e no combate ao isolamento social da população idosa. Os idosos, a diretora técnica e a animadora cultural mostram de que forma se desenrola o dia a dia numa instituição, que pode contribuir para o bem-estar físico, psicológico e social dos mais velhos.

No gabinete técnico, situado no rés do chão, o ambiente era calmo. Foi aí que decorreu a conversa com a diretora técnica do Lar São Pedro, Lurdes Ferreira. A responsável explicou que a instituição procura criar um ambiente familiar, onde os idosos não se sintam sozinhos nem afastados da vida em comunidade. “Estão inseridos como grupos, vivemos aqui em comunidade, onde somos uma família e, desse modo, acho que conseguimos combater o isolamento das pessoas”, conta.

Para Lurdes Ferreira, o combate ao isolamento passa pela criação de rotinas, e pela realização de atividades socioculturais. “Temos várias atividades socioculturais, que são adaptadas caso a caso”, explicou. Estas atividades procuram responder às necessidades e capacidades de cada utente, respeitando o ritmo e as capacidades de cada pessoa.

A diretora mostrou ainda preocupação com o bem-estar dos idosos e destacou a importância de promover iniciativas que contribuam para o desenvolvimento psicológico, físico e emocional de cada residente. Para além das atividades, a instituição tem vindo a apostar em novos espaços, como “jardins geriátricos”, “ginásio” e “sala de fisioterapia”, todos devidamente equipados para salvaguardar a saúde dos utentes.

Depois da conversa com a diretora, o percurso seguiu pelo corredor que dava acesso à sala de convívio. O espaço era iluminado por grandes janelas, por onde entrava a luz natural, tornando o ambiente mais acolhedor. À medida que se avançava, era possível perceber que aquele corredor não era apenas uma zona de passagem, mas também um ponto de encontro entre funcionários e utentes.

Na sala de convívio, os idosos encontravam-se reunidos. Alguns conversavam, outros observavam o movimento à sua volta e havia ainda quem participasse em jogos e atividades. Foi neste espaço que surgiram algumas opiniões dos residentes sobre a vida na instituição.

Elisabete Fernandes afirmou sentir-se bem no lar. “Sinto-me bem”, disse, acrescentando que gosta das atividades realizadas na instituição, principalmente de jogar “às cartas”. A utente referiu ainda que existem momentos de atividade orientada, como a ginástica, e mostrou satisfação com o ambiente vivido no espaço. Para Elisabete, estes momentos ajudam a ocupar o tempo e a manter o contacto com os outros residentes.

Conheça as instalações do Lar São Pedro:

A opinião de Celeste Costa reforça a importância da instituição no quotidiano dos idosos. A utente afirmou que vive “muito melhor” do que quando estava em casa. “Eu não paro um segundo”, contou, explicando que gosta de se manter ativa e de fazer as suas próprias tarefas. “Faço as minhas coisinhas, ninguém me faz nada”, disse, mostrando o valor que dá à sua autonomia.

Para Celeste, o envelhecimento deve ser vivido com movimento e força de vontade. “Viver o dia a dia da melhor maneira que podemos”, afirmou. A utente deixou ainda uma reflexão sobre a importância de não desistir perante as dificuldades: “Se a gente se metesse muitas das vezes a nós não queremos, não ficamos pior… eu vou sempre em frente.”

As palavras de Celeste revelam também o papel afetivo que a instituição pode ter na vida dos residentes. “Muita gente não sabe dar valor ao carinho dos nossos superiores”, afirmou, referindo-se aos funcionários e responsáveis da instituição. Para a utente, no Lar São Pedro, os idosos recebem atenção, cuidado e afeto: “Aqui dão-nos vida, dão-nos amor, dão-nos tudo.” A frase mostra que, para alguns residentes, o lar não representa apenas um local de cuidados, mas também um espaço de companhia e proteção.

Ainda assim, nem todos os testemunhos anulam a saudade da casa e da vida anterior. Maria Helena, outra utente da instituição, afirmou: “Sinto-me cá bem, mas não há nada que chegue à nossa casinha.” A frase revela uma realidade comum entre muitos idosos institucionalizados: apesar do cuidado, da companhia e das atividades, permanece a memória do lar de origem, dos hábitos antigos e da vida construída ao longo dos anos.

O Lar São Pedro mostra, assim, que uma instituição residencial pode ser mais do que um espaço de cuidados. Pode ser também um local de pertença, onde os idosos encontram companhia, rotinas, apoio e novas formas de participação. Apesar do silêncio sentido em alguns momentos, a instituição revela sinais de vida através das conversas, dos jogos, das atividades e da proximidade entre todos.

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