Portugueses querem o Chega, mas não no seu quintal

Nas últimas legislativas o partido Chega reforçou a sua presença no parlamento e conquistou mais de 1,3 milhões de votos (22,5%) o que o levou a empatar com o PS em número de deputados. Porém, não foi isso que se refletiu nas urnas locais: nas autárquicas o partido conquistou apenas 207 mil votos, equivalentes a 4,16% do total, um resultado muito distante das expectativas de André Ventura.

Por: Gabriela Alonso; Daniela Iordache; Maria Eduarda

Nas semanas que antecederam as eleições autárquicas, o líder do Chega afirmou em diversos meios de comunicação que “o Chega já conseguiu furar o bipartidarismo entre PS e PSD, tornou-se na segunda força nacional, era importante que nestas autárquicas o Chega se transformasse num partido autárquico”. A realidade revelou-se bem mais modesta, pois o Chega conseguiu apenas três câmaras municipais entre elas, Albufeira, Entroncamento e Santana, sem alcançar maioria em nenhum grande concelho do país.

Contudo a análise distrital mostra que o partido mantém a sua base mais sólida no norte do país, com 25,07% dos votos autárquicos. Distritos como Porto, Braga e Aveiro continuam a ser cidades importantes, embora o peso autárquico seja muito inferior ao que o partido alcança nas legislativas.

O centro representa 15% do total, enquanto o sul, incluindo Lisboa, Setúbal e o Alentejo, concentra mais de metade dos votos nacionais (56,11%), fruto da maior densidade populacional e do investimento mediático nas candidaturas. Já as regiões autónomas dos Açores e Madeira somam 3,9%, um peso relativamente mais estável face a ciclos anteriores. Isto mostra que o partido continua a ter um eleitorado nacional expressivo, mas pouca implantação local.

Os resultados mostram que apesar da ascensão do Chega no panorama nacional, o partido continua a ter mais presença mediática do que estrutura política local. Com 653 mil votos, mostrou capacidade de mobilização, mas também revelou os limites da sua implantação territorial, visto que as autárquicas exigem um voto mais pessoal e
próximo. Os portugueses querem o Chega, mas não no seu quintal, pois o país pode ouvir Ventura, mas quando o voto se decide à porta de casa, os portugueses preferem quem conhece o caminho da aldeia.

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