Mundial de MotoGP despede-se de circuito mítico
O Mundial de MotoGP despediu-se no passado fim-de-semana do Grande Prémio da Austrália em Phillip Island. Contudo, a despedida foi ingrata, já que a corrida principal não se realizou devido ao mau tempo, o que impediu Marc Márquez de se distanciar do seu principal adversário, Jorge Martín, que caiu na corrida sprint.
Por: Ângela Pais
No passado fim-de-semana, o Mundial de Moto GP despediu-se de um dos circuitos mais emblemáticos da competição. A despedida de Phillip Island é o resultado de uma “decisão comercial” já anunciada em fevereiro de 2026 pelo presidente da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), Jorge Viegas. A principal razão passa pelo pedido nunca atendido durante dez anos para a atualização das infraestruturas do circuito. Assim, o GP da Austrália passará a realizar-se a partir de 2027 no circuito urbano em Adelaide, na Austrália do Sul. No entanto, o presidente da FIM deixou a porta aberta a um eventual regresso a Phillip Island se as instalações forem melhoradas, já que o circuito é muito querido por todos os fãs de MotoGP. “Não é um adeus para sempre”, prometeu Jorge Viegas.
A saída desta pista do calendário de MotoGP, que já era esperada por todos, tornou-se ainda mais triste, já que as corridas principais não se realizaram. O último Grande Prémio em Phillip Island foi marcado por condições climáticas adversas, como chuva forte e falta de visibilidade, que levaram ao cancelamento das corridas de MotoGP, Moto2 e Moto3. “Devido à baixa visibilidade, que compromete a operação do helicóptero médico, as corridas foram canceladas” informou um comunicado da organização. Assim, a despedida deste circuito foi ainda mais dolorosa para os fãs, com a realização de um evento marcante em que os pilotos deram apenas duas voltas de honra atrás do safety car, parando na reta principal para saudar e agradecer aos adeptos ainda presentes nas bancadas.
Apesar da corrida principal de domingo ter sido cancelada, houve bastante emoção na corrida sprint de sábado. Depois de ter garantido a pole position e de ter triunfado na corrida sprint, Marc Márquez partia como claro favorito para a corrida principal, já que o seu rival direto, Jorge Martín, sofreu uma queda na corrida sprint e estava fora do GP da Austrália depois de ter sido considerado inapto pelos médicos, devido a uma fratura no rádio direito. O incidente aconteceu na oitava volta da prova curta. Numa altura em que Jorge Martín discutia a liderança com Marc Márquez, o piloto da Aprilia perdeu o controlo da moto, teve de abandonar a corrida e deixou o caminho livre para o triunfo tranquilo do piloto da Ducati. Depois da vitória na corrida sprint, em que conquistou a pontuação máxima de 12 pontos, Márquez chegou à liderança do campeonato relegando Martín, que chegou na liderança à Austrália, para a segunda posição.
O desfecho em Phillip Island acabou por ter um grande impacto nas contas do Mundial de Pilotos e ser agridoce para Marc Márquez, que com o cancelamento da corrida não se conseguiu distanciar do seu principal adversário. Se a prova principal tivesse acontecido, o piloto espanhol poderia ganhar uma vantagem pontual de 35 pontos se vencesse a corrida, para além dos 10 pontos de distância que já tinha conseguido depois da vitória na corrida sprint. Assim sendo, antes da deslocação à Malásia no próximo fim-de-semana, o piloto da Ducati permanece na liderança com 365 pontos, mantendo uma distância curta de dez pontos para o segundo lugar de Jorge Martín, que soma 355.
O cancelamento da prova na Austrália travou uma possível fuga de Márquez na classificação e manteve Jorge Martín na corrida pelo título mundial. Apesar de todas as dúvidas no decorrer da semana que questionavam se o piloto da Aprilia iria conseguir competir o que restava da temporada, esta quinta-feira, 29 de outubro, foi confirmado que o piloto está apto e vai correr este fim-de-semana no GP da Malásia. Desta forma, as contas para a fase decisiva da temporada passam a ter ainda mais importância. O número de pontos máximos disponíveis caiu de 173 para 148, numa altura em que só faltam disputar os Grandes Prémios da Malásia, do Qatar, de Portugal – realizado em Portimão entre os dias 20 e 22 de novembro – e de Valência.
