Imigrantes enfrentam desafios com novas leis de imigração em Portugal
Texto: Sara Daniel
As recentes alterações nas leis da imigração e da nacionalidade em Portugal têm provocado incertezas entre os imigrantes que tentam regularizar a sua situação no país.
Entre avanços administrativos e novas exigências, muitos afirmam que os processos se tornaram mais lentos e burocráticos, dificultando o acesso a documentos essenciais para viver e trabalhar legalmente.
Beatriz Raquel, imigrante angolana residente em Portugal há sete meses, partilha a sua experiência e diz que o processo de legalização “tem sido lento e desgastante”. Segundo a estudante, a demora nas respostas da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) e o elevado número de processos pendentes “têm deixado muitos imigrantes inseguros quanto ao futuro”.
“Estou em Portugal há sete meses, a caminho de oito. Vim em busca de uma vida mais estável e de melhores oportunidades profissionais”, diz Beatriz Raquel, que se diz atenta às notícias sobre as novas leis.
“Quem é imigrante acompanha tudo, porque sabe que qualquer mudança pode afetar diretamente o nosso processo”, acrescenta.
Beatriz Raquel considera que as novas regras “facilitam para uns, mas dificultam para outros”. Para ela, o principal problema está na correspondência e na lentidão dos processos de legalização: “No meu caso, tem sido difícil porque a AIMA está com muito atraso e o tribunal tem recebido cada vez mais pedidos desde as atualizações da lei. Isso trava todo o processo”, explica.
A imigrante também destaca o impacto das novas exigências no mercado de trabalho.
“Se uma pessoa for despedida, torna-se quase impossível conseguir outro emprego sem o cartão de residente. Mesmo com o NIF e o NISS, muitas empresas não contratam sem esse documento e a resposta da AIMA demora meses”, lamenta.
Apesar das dificuldades, a imigrante acredita que mudanças positivas ainda são possíveis.
“Na minha opinião, o que precisa mudar é a resposta da AIMA. Eles precisam atender os processos com mais rapidez, para evitar o descaso que estamos a ver”, apela.
Como mensagem final, Beatriz Raquel deixa um conselho aos imigrantes que pretendem vir para Portugal:
“Primeiro, tirem o visto certo. Já não venham com visto de turismo, porque está muito difícil. E depois, tenham força, fé, foco e determinação. No início é complicado, mas com coragem e persistência, é possível conquistar uma vida melhor.”
A história de Beatriz Raquel reflete o sentimento de muitos estrangeiros que procuram estabilidade e reconhecimento em território português.
As novas leis representam uma tentativa de modernizar o sistema migratório, mas também revelam a necessidade de maior eficiência e sensibilidade no atendimento aos imigrantes que chamam Portugal de casa.
Apesar das críticas, há quem veja as mudanças como um passo em direção a uma integração mais estruturada. Carla Sousa, ativista da comunidade cabo-verdiana, acredita que “a legislação atual obriga o Estado a olhar para o imigrante não apenas como mão de obra, mas como cidadão com direitos”.
