Jovem empreendedora dá nova vida a aldeia de Lamego
Texto e Foto: Isaura Amaral
Num país onde o interior está esquecido, ainda há jovens que estão a optar por abrir negócios nesta região, principalmente devido a um custo de vida inferior e ao apoio governamental, como o Empreende XXI e o Investe Jovem, que oferecem financiamento e apoio técnico para empreendedores entre os 18 e os 35 anos.
É o caso de Laura Silva, uma jovem de 28 anos, que há cerca de 2 anos decidiu abraçar um projeto desafiante. A empreendedora tornou-se proprietária do único estabelecimento comercial existente em Figueira do Douro, uma aldeia situada em Lamego, terra que viu a jovem nascer e crescer e onde ainda habita atualmente.
A proprietária confessa que foram as pessoas que a fizeram ficar e não procurar novas oportunidades em outro lugar. “Todas elas já me conhecem desde pequenina, conheço toda a gente, toda a gente gosta muito de mim, eu gosto muito das pessoas”, conta a jovem empresária.
À procura de um horário flexível, devido aos problemas de saúde da filha e por esta andar a ser seguida, em consultas, no Porto, diz que viu no seu próprio negócio uma solução, pois pode gerir os seus próprios horários, relata que “já tinha estado aqui a trabalhar”, sendo um dos motivos que levou a jovem a abrir o seu negócio, aliado ao facto de precisar “mesmo de facilidade de troca de horários”.
Sempre atenta às tendências do Tik Tok, Laura Silva recria várias receitas e tenta trazer sempre as novidades à população, admite ter tido inúmeras encomendas dos “morangos do amor”, uma das receitas mais virais do momento, ao ponto de ter de recusar outras tantas.
Sobre o olhar atento de quem a rodeia, revela que, sobretudo, os mais jovens aderem bastante às dinâmicas que tenta trazer, como por exemplo sorteios. Já junto dos mais velhos, sente que não consegue chegar tanto e até é alvo de uma certa desconfiança.
A jovem empresária afirma ainda que é preciso “muita paciência e muita calma” para lidar da melhor forma com todos os clientes, apesar de todos a conhecerem desde pequena, aponta que este ponto positivo também pode ser um ponto negativo, pois “acham-se no direito de opinar sobre tudo, de dizer tudo, de qualquer forma”.
Questionada sobre quais são as suas expectativas futuras, a jovem partilha que quer sem dúvida aumentar a equipa de trabalho e quem sabe expandir o negócio a outras aldeias que tenham também poucos recursos, como Figueira do Douro. Procura num futuro próximo alguém em quem possa confiar para trabalhar, de modo a poder dedicar-se mais à vida de mãe.
Laura Silva garante que a rede de apoio que tem da família é fundamental para conseguir levar este projeto avante, pois inicialmente a ideia era ter horários mais flexíveis, mas admite que ser dona de um supermercado lhe ocupa mais tempo do que imaginava.
Histórias como a de Laura mostram que o interior pode ser sinónimo de novas oportunidades, onde se podem criar projetos que possam unir tradição e inovação.
