Entre sabores e mentes: Duas paixões, uma tradição: O fumeiro e a Psicologia

Por: Lara Mateus

Vera Pinto, natural e residente em Chaves, é confecionadora de produtos tradicionais há cerca de nove anos. Licenciada em Psicologia pelo Instituto Superior da Maia, está no mundo do fumeiro desde criança. Foi através dos pais que sempre estiveram ligados à agricultura, criação de porcos e sempre fizeram fumeiro, que começou a ganhar gosto pela arte de o fazer.

“Com um bocadinho menos de trabalho na área da psicologia, decidi que ia tornar aquilo que a minha mãe fazia numa coisa mais sustentável e mais legal, por assim dizer, decidi criar a cozinha Sabores de Chaves”, recorda Vera Pinto.

Com a confirmação de poder abrir uma cozinha tradicional Vera Pinto diz sentir-se “muito contente” depois de imenso trabalho. 

Com estes dois desafios tão distintos (Psicologia e Fumeiro), que colocam Vera Pinto à prova, sabemos que consegue consolidar estas duas funções em simultâneo, afirmando que têm mais trabalho na cozinha na época de inverno, quando há um maior número de vendas. Assim, na época de Verão tem mais tempo para a área da psicologia. 

Vera Pinto é uma referência na área do Fumeiro na região de Chaves, uma vez que tem uma forte participação em feiras locais, tais como a Feira dos Santos, Feira dos Sabores, a tradicional Feira Semanal e até mesmo a Feira Quinzenal. 

Ao longo do tempo, Vera Pinto repara que os mais velhos são aqueles que frequentam as feiras com mais regularidade. Aborda ainda que a feira semanal e a feira quinzenal são feiras em que gosta mais de participar “porque dá para estar com o cliente, dá para estar à conversa, dá para ir vendendo”, conclui. 

Todos os anos, Vera Pinto tem notado que o número de visitantes na Feira dos Sabores tem vindo a aumentar, pois a cidade de Chaves está a ficar cada vez mais conhecida pela alheira tradicional de Chaves. Relativamente a outra feira realizada em novembro de 2025 e que marca a cidade pelos seus produtos tradicionais, a secular Feira dos Santos, Vera Pinto conta como foi o decorrer desses três dias: “sexta-feira choveu muito e foi fraco, mas sábado e domingo superou as expectativas, vendeu-se muito bem”. Sublinha ainda que, todos os anos, vende mais. 

Com alguma curiosidade relativamente à época de COVID19, Vera Pinto sentiu que houve uma diminuição “bruta nas vendas”, recorda que “toda a gente sentiu isso, ainda por cima numa primeira fase em que não sabíamos aquilo que íamos fazer”, no entanto adaptou-se como toda a gente. A produtora de fumeiro dá destaque como viveu esta época difícil, “estipulei tendo estipulado “dois  ou três dias por semana onde ia fazer entregas, tinha grupos de clientes”, reforçando ainda a ajuda do Município de Chaves. “Ajudou-nos muito e fez um site de Sabores de Chaves onde as pessoas podiam fazer as encomendas e nós mandávamos por transportadoras”, lembra.

Mais do que produtora de fumeiro, Vera Pinto é um exemplo de determinação e paixão pelas raízes. Consegue equilibrar duas vocações distintas, mostrando que seguir os sonhos e preservar as tradições podem andar de mãos dadas. A sua história é reflexo da alma transmontana feita de trabalho, coragem e amor pela terra.  


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