Cavalhadas de Vildemoinhos: já sem moinhos públicos, mas há 374 anos a honrar um legado de agricultores

Por: Daniela Costa Fotografia: Facebook Cavalhadas de Vildemoinhos

“Enquanto o mundo for mundo a promessa é para cumprir” é o lema das Cavalhadas de Vildemoinhos, avançado por Carla Abibe, a presidente desta associação.

Carla Abibe e Manuela Rodrigues, coordenadora do grupo Zés Pereiras de Vildemoinhos, destacam-se no papel que desempenham na associação. Para a edição 374 ainda não há projetos, mas já passam muitas ideias pela direção, que andam muito à volta do mesmo, ou seja, “honrar o legado que os antepassados deixaram, imaginar que ficariam felizes por saber aquilo que está a ser feito”.  Não existem momentos que não se pense nas Cavalhadas, “dignificar muito o nome das Cavalhadas de Vildemoinhos e acima de tudo enquanto o mundo for mundo a promessa é para cumprir”, afirma Carla Abibe. 

As Cavalhadas de Vildemoinhos é uma tradição antiga que remonta ao ano de 1652, época em que a cidade de Viseu atravessava momentos de seca extrema e o rio Pavia não levava água. Vildemoinhos, terra de moleiros e padeiros, onde se produzia pão, viram os agricultores da parte norte de Viseu a impedirem a passagem do rio e, com isso, os moleiros subiram até Viseu e destruíram os açudes. Criou-se uma grande confusão que chegou ao tribunal do rei onde se fez uma promessa que se a decisão (no dia de S. João) fosse a favor do povo trambelo iriam em peregrinação agradecer a S. João Batista com três voltas à capela rezando as orações. 

Um dos objetivos da edição 374 poderá ser o de voltar a ter um moinho público a funcionar para produzir broa, sêmea ou carcaça, porque “Vildemoinhos não fez o que devia ter feito para preservar essa tradição. É uma falha, é uma mágoa”, diz. Contudo, considera que com a ajuda da população local e de amigos da terra será possível colocar um moinho a funcionar no futuro e “trazer escolas para verem como se produz o pão”.

Todas as manhãs do dia 24 de junho as Cavalhadas saem à rua em cortejo com os seus carros tradicionais, alegóricos, bandas filarmónicas, fanfarras, grupo de bombos e grupos convidados. Carla Abibe afirma que “é o momento mais bonito do ano” e que a cidade de Viseu para para assistir ao cortejo. O momento do regresso a casa é sempre um misto de tristeza, alegria, orgulho por mais uma missão e tradição cumprida. 

Os carros começam a ser construídos no pavilhão a partir de fevereiro onde se passam noites fantásticas, de colaboração e entreajuda das equipas apesar da pequena rivalidade que existe. Os carros tradicionais desfilam nas ruas com o intuito de lembrar as tradições de Vildemoinhos, mas qualquer pessoa pode construir o seu. Já os carros artísticos é algo maior e mais caro, e cada equipa elabora o seu tema. Os carros que vão a concurso recebem um prémio doado pela Cavalhadas de Vildemoinhos com o objetivo de cobrir as despesas e ficarem com uma recompensa pelo imenso trabalho desenvolvido.

Os Zés Pereiras são um grupo de bombos com 46 anos de existência, constituído por  um grupo jovem e dinâmico que conta com crianças dos 6 até aproximadamente 60 anos de idade. Encontram-se na mudança de época e a preparar mais dois anos com muita dedicação. 

Manuela Rodrigues afirma que “é um grupo maravilhoso, participa muito nos ensaios, tem atividades todas as semanas, com orgulho do símbolo que carrega e de levar as tradições a todos os cantos do mundo”.   

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