Comércio local: Impactos da primeira década de Pai Natal em Águeda
Por: Catarina Pereira Foto: Câmara Municipal de Águeda
Inaugurado em 2015, o maior Pai Natal do mundo em Águeda tem como principal objetivo dinamizar a cidade e desenvolver o turismo e comércio local. O êxito do projeto levou à criação de outro, o menor Pai Natal do mundo, apresentado ao público pela primeira vez em 2018. O aumento da dinamização da cidade trouxe desafios, nomeadamente na área da restauração. Em entrevista com alguns comerciantes de estabelecimentos locais, foi possível perceber um pouco mais sobre o impacto dos Pais Natais no comércio local de Águeda.
Antes de 2015, Águeda era uma cidade pouco ativa, apenas conhecida pelas suas cheias no inverno. Na procura de associar a cidade a algo mais positivo, a Câmara Municipal decidiu avançar com o projeto que mudou para sempre a vida dos Aguedenses. “Inicialmente Águeda em dezembro era um deserto onde não se passava nada, era apenas conhecida pelas cheias, mas atualmente não”, revela Ana Sapage, uma das comerciantes entrevistadas. A dinâmica que os Pais Natais trouxeram à cidade foi imediatamente visível, com os comerciantes a terem de se “adequar a responder a uma solicitação momentânea, onde a afluência é tão grande que toda a logística é diferente”, partilha Eduardo Chula, dono de um estabelecimento comercial. De acordo com os entrevistados, as multidões chegam assim que o Pai Natal é montado, e não apenas perto da quadra. A mudança de afluência nos períodos em que esta atração está montada e de quando não está é notória, verificando-se uma “avalanche” de pessoas que visitam a cidade.
Em 2025, celebram-se os 10 anos do Pai Natal gigante e, durante estes anos de projeto, Águeda apostou e desenvolveu a sua vertente turística. De acordo com Ana Sapage, a dinamização da cidade tem sido ótima, com o surgimento de novos cenários e aldeias natais todos os anos na baixa da cidade. Com uma opinião um pouco diferente, Eduardo Chula diz que os projetos são repetitivos e sempre “mais do mesmo”. Afirma ainda que os turistas, por vezes, acabam por ficar desiludidos, pois pensam, através da propaganda, que será um grande evento, mas quando chegam a maior parte das decorações encontram-se junto ao Pai Natal na baixa de Águeda. De um modo geral, os comerciantes estão satisfeitos com o desenvolvimento da cidade, que traz visibilidade tanto à localidade em si, mas também ao comércio. “Venham mais dez anos de Pai Natal”, afirma Eduardo Chula.
Na procura de dar mais resposta à procura turística, a Câmara Municipal de Águeda (CMA) tem apostado num período de exposição prolongado. A atração que no início só era exposta mais perto da quadra, é agora montada ainda durante o mês de outubro e inaugurada em meados de novembro, com fim oficial após o dia de reis, 6 de janeiro.
Águeda tem ambos os Pais Natais, tanto o maior como o mais pequeno. Será que o menor tem tanta visibilidade como o gigante? Os comerciantes de Águeda concordam unanimemente que o maior irá ter sempre mais visibilidade e popularidade. O maior obstáculo das visitas ao Pai Natal minúsculo é a espera. Os comerciantes afirmam que enquanto o Pai Natal gigante é de fácil acesso e possível de ser visitado e observado ao longe, o mais pequeno requer que se espere numa fila, que se olhe para ele através de um microscópio e se tenha paciência. Ana Sapage revela que “o Pai Natal gigante consegue ter uma abrangência maior porque é de mais fácil e rápido acesso”. Os entrevistados apontam para a falta de paciência e colaboração por parte da população numa sociedade “impaciente” e que “quer tudo muito rápido”. Segundo os entrevistados, muitas pessoas não veem o Pai Natal minúsculo porque não sabem que existe, deslocando-se à cidade apenas para ver o grande.
Após dez anos de projeto, a iniciativa da CMA é vista em geral como muito positiva. O comércio, nome e visibilidade da cidade cresceram desde 2015 até aos dias de hoje. Os entrevistados acham o projeto muito promissor, destacando que um dos fatores que mais sobressai todos os anos é a mudança de cenários e iluminações. Os comerciantes afirmam que, se esta aposta nos novos cenários se mantiver todos os anos, os Pais Natais vão continuar a ser focos de turismo e receita para a cidade. “Vai crescer e manter-se se continuar esta forma de acrescentar sempre algo novo, dinamizar sempre algo diferente”, declara Ana Sapage.
