169 anos de caminho de ferro em Portugal: o papel central do Entroncamento na história ferroviária nacional
Por: Leonor Falcão. Foto: Museu Nacional Ferroviário
O Museu Nacional Ferroviário (MNF), instalado no coração do complexo ferroviário do Entroncamento, é um dos mais importantes espaços de memória ferroviária em Portugal. Com uma área de cerca de 4,5 hectares e 19 linhas ferroviárias, o museu assinalou, em outubro, os 169 anos dos caminhos de ferro em Portugal com uma programação especial que celebra e glorifica a importância do transporte ferroviário.
Desde 1862 que a cidade abraça os caminhos de ferro e os seus trabalhadores, tendo crescido em torno do acolhimento desses funcionários e das suas famílias, que contribuíram de forma decisiva para a construção dos caminhos de ferro, bairros, armazéns e, acima de tudo, da própria cidade que preserva a memória ferroviária no país. “Para que as pessoas viessem para o Entroncamento, para a construção do caminho de ferro, foram construídos bairros, escolas e um supermercado que servia para os funcionários fazerem compras a custos mais baixos. A cidade foi crescendo, sobretudo com pessoas que vinham da Beira Baixa e do Alto Alentejo”, conta.
Dilma Miguel, técnica superior de comunicação do MNF, responsável por divulgar e promover o museu através dos meios de comunicação, afirma que, com o intuito de celebrar a data comemorativa, o museu assume a responsabilidade de divulgar o património português, reforçando a parceria com as comunidades escolares, famílias e visitantes. “Um espaço essencial de preservação e divulgação da história dos caminhos de ferro em Portugal”, acrescenta a técnica.
Numa semana de programação especial, o museu promove a entrada gratuita entre os dias 28 de outubro e 2 de novembro de 2025, com o objetivo de garantir que “o custo não é uma razão para as pessoas não virem”. O MNF é um “veículo de promoção não só da história dos caminhos de ferro, mas também de desenvolvimento da cidade”, a nível cultural, económico e social. O recinto é também palco de grandes eventos da cidade, como o “Festival Vapor”, um festival que celebra tradição, música e cultura.
Entre atividades comemorativas, exposições especiais e o reencontro do público com locomotivas que marcaram gerações, o espaço demonstra que a história ferroviária não é apenas transmitida, é identidade viva. “É sempre muito importante comemorarmos o aniversário dos caminhos de ferro, mas também a oferta de visitas para a comunidade escolar. Temos sempre uma atividade, que é a visita ao comboio real, uma peça emblemática do caminho de ferro que pretedemos valorizar, exclusiva para algumas pessoas e a única que é paga”, acrescenta.
Assim, ao celebrar 169 anos de caminhos de ferro, o museu comprova que continua a ser um ponto de partida essencial para compreender a evolução de Portugal e a importância que os caminhos de ferro tiveram, e continuam a ter, na construção do país. “O MNF é um espaço turístico e muitas pessoas que passam pelo Entroncamento, se o museu não existisse não passavam por cá. Além do mais, o MNF cria também trabalho, o que faz desenvolver a economia local. Por exemplo, também na nossa loja promovemos os artistas locais”. Tudo formas de contribuir para a economia local.
