Habitação em Portugal com rendas altas para salários baixos: “A pessoa ou mora ou come”

O aumento dos preços das casas e das rendas tem dificultado o acesso à habitação em Portugal sobretudo para os jovens e para as famílias mais necessitadas. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço médio das casas vendidas em Portugal atingiu valores de 2.076 euros, por metro quadrado, enquanto que a renda média dos novos contratos chegou a 9,29 euros por metros quadrados, mais 9,7% que em 2024 (dados da INE). O preço das rendas muda consoante a zona do país, na Grande Lisboa, o preço mediano atingiu cerca de 3.500 euros por metro quadrado, enquanto na região do Algarve chegou aos 3.200 euros por metro quadrado. No concelho de Viseu os valores são inferiores, mas continuam a representar um esforço financeiro importante para quem procura casa (valores que rondam os 1.595 euros).

Por: Diogo Loureiro, Simão Francisco e Guilherme Ramalho

Sílvia Dias, imigrante que reside em Portugal há 8 meses, considera que os salários não são suficientes para acompanhar o custo de vida: “um T0 que dizem que é um T1 está na faixa dos 300/400 euros, enquanto o salário mínimo está nos 920 euros”. Para a entrevistada, o aumento da renda e dos alimentos obriga as pessoas a fazerem escolhas difíceis: “A pessoa ou mora ou come”, acrescentando ainda que, segundo o marido que vive há 5 anos em Viseu o custo associado à vida na cidade também tem aumentado.

A dificuldade em sair de casa dos pais é outra das preocupações apontada por Sílvia Dias. Na sua opinião, conciliar os estudos com o trabalho e ainda pagar uma renda tornou-se um desafio para muitos jovens: “Se não tivéssemos uma base que é o pai e a mãe ou algum parente, tínhamos que ir trabalhar para pagar uma renda”.

Sílvia Dias realça ainda que esta realidade leva muitos jovens a adiar a independência financeira, por não conseguirem suportar uma renda e as restantes despesas.

Chris Muller, empresário imigrante em Portugal, apresenta uma perspetiva diferente sobre o problema: “há investidores, há dinheiro para construir, há vontade, só que não está a ser aproveitado”, refere o entrevistado.

Os testemunhos revelam duas formas distintas de olhar para a crise da habitação, enquanto Sílvia Dias destaca o peso das rendas e das despesas nos rendimentos nas famílias, já Chris Muller aponta a organização do investimento e a utilização dos recursos como um aspeto importante para enfrentar o problema, chegando á conclusão que num contexto de preços elevados, permanece a questão de como tornar a habitação mais acessível.

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