Caos e Tensão nas ruas de França: O maior protesto estudantil em décadas
Com mais de 500 estabelecimentos de ensino encerrados, a revolta dos estudantes franceses ganha dimensão universitária. Governo suspende o uso de granadas de atordoamento após jovens sofrerem ferimentos graves.
Por Maria Vilas Boas
As manifestações estudantis que afetam a França desde setembro registraram um forte agravamento nos últimos dias. Mais de 500 escolas e estabelecimentos de ensino continuam total ou parcialmente encerrados, 6.500 pessoas detidas desde o início dos protestos, a maioria são menores de idade.
Os estudantes exigem melhorias urgentes no sistema educativo público francês, denunciando infraestruturas degradadas nas escolas e universidades, falta de professores e recursos pedagógicos, cargas horárias excessivas e falta de investimento público na educação.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, reconheceu que as reivindicações dos estudantes são “legítimas”, mas classificou os recentes confrontos como a mais violenta das últimas décadas.
Dois incidentes graves envolvendo a atuação policial aumentaram a indignação pública: um adolescente de 15 anos perdeu uma mão após o lançamento de uma granada de atordoamento disparada pela polícia e um jovem de 14 anos sofreu uma fratura na mandíbula e perdeu vários dentes após a explosão de gás lacrimogéneo a curta distância.
Diante estes episódios, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão temporária do uso de granadas de atordoamento em protestos estudantes. A Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) já instaurou 18 investigações internas para apurar eventuais abusos de força por parte dos agentes.
