{"id":9660,"date":"2020-06-18T12:58:40","date_gmt":"2020-06-18T12:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=9660"},"modified":"2020-06-18T12:58:44","modified_gmt":"2020-06-18T12:58:44","slug":"a-paixao-pelo-campo-nos-socalcos-do-douro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=9660","title":{"rendered":"A paix\u00e3o pelo campo nos socalcos do Douro"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Na zona demarcada do Douro, com as suas famosas vinhas e com produtos de excel\u00eancia, encontram-se os pequenos produtores agr\u00edcolas. Na freguesia de Sande, no concelho de Lamego, a popula\u00e7\u00e3o dedica-se ao cultivo dos seus terrenos. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por M\u00e1rcia Correia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O rel\u00f3gio toca todos os dias \u00e0 6:00 da manh\u00e3, \u00e9 hora de ir para o campo com os trabalhadores. \u201cHoje \u00e9 dia de pulverizar a vinha, dois homens a espalhar o rem\u00e9dio pelas videiras e duas mulheres a puxar as mangueiras\u201d, come\u00e7a Jos\u00e9 Monteiro, propriet\u00e1rio de uma quinta no Douro.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muitos anos, Jos\u00e9 Monteiro fazia o trabalho do campo com os seus\nfamiliares, era uma forma de poupar dinheiro, mas aos pouco todos foram\ndistanciando- se e tornou-se imposs\u00edvel fazer o trabalho sozinho com a sua\nesposa. \u201cOs meus filhos foram obrigados a emigrar e eu fiquei sem ningu\u00e9m,\nent\u00e3o tenho que pedir a outros trabalhadores que me venham ajudar a fazer os\ntrabalhos\u201d, continua o produtor. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem trabalhadores fixos, pois tudo vai depender se j\u00e1 t\u00eam outros\ntrabalhos para outros patr\u00f5es. \u201cGosto de trabalhar sempre com as mesmas\npessoas, mas \u00e0s vezes \u00e9 imposs\u00edvel porque v\u00e3o trabalhar para outros\ns\u00edtios\u201d, conta o agricultor. <\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Monteiro \u00e9 propriet\u00e1rio de uma quinta no Douro, sempre trabalhou no campo e n\u00e3o se imagina a fazer outra coisa. O produtor nasceu numa pequena aldeia do concelho de Lamego, sempre teve uma vida muito humilde, come\u00e7ou a trabalhar muito jovem para conseguir trazer dinheiro para casa. \u201cNunca tive a possibilidade de estudar muito, t\u00ednhamos de trabalhar, \u00e9ramos muitos irm\u00e3os e o dinheiro do meu pai n\u00e3o dava para alimentar todos\u201d, lembra Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cGostava muito de ter estudado, tinha uma boa cabe\u00e7a para a matem\u00e1tica, mas a necessidade fez com que deixasse os estudos de lado. Estudar era algo que n\u00e3o acontecia, \u00edamos para a escola para aprender a ler e a contar, porque n\u00e3o havia mais futuro para al\u00e9m disso\u201d. <\/p><cite>Jos\u00e9 Monteiro<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como era um dos irm\u00e3os mais velhos viu-se obrigado a trabalhar. \u201cLembro-me t\u00e3o bem de eu ter os meus 12 anos e levar dois sacos de adubo, um em cada m\u00e3o, para o alto de uma quinta, eram subidas muito grandes, pareciam que n\u00e3o tinham fim\u201d, continua o produtor. <\/p>\n\n\n\n<p>A 3 de setembro de 1974 foi para a tropa, cumpriu alguns meses, mas um\ngrave acidente retirou-o das op\u00e7\u00f5es para a Guerra do Ultramar. \u201cDurante um\ntreino levei um tiro no meu olho direito, fui logo retirado e j\u00e1 n\u00e3o fui para\no Ultramar. Fiquei com a minha vida condicionada\u201d, prossegue Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Aos 26 anos, Jos\u00e9 Monteiro decidiu expandir os seus terrenos, a sua \u00fanica\nforma de rendimento. \u201cH\u00e1 40 anos atr\u00e1s comprei uma quinta pequena, precisava\nde assegurar o futuro da minha fam\u00edlia. Dos meus pais s\u00f3 herdei um campo\nbastante pequeno e uma mata\u201d, afirma o agricultor. <\/p>\n\n\n\n<p>Sem dinheiro para pagar a trabalhadores, Jos\u00e9 Monteiro levou consigo para\no campo toda a sua fam\u00edlia. \u201cNo come\u00e7o n\u00e3o tinha hip\u00f3tese de pagar a\ntrabalhadores, ent\u00e3o era eu, a minha mulher e os meus 4 filhos que\ncultiv\u00e1vamos a quinta. Ensinei-lhes tudo\u201d, confessa Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Os 4 filhos de Jos\u00e9 Monteiro dedicaram toda a sua inf\u00e2ncia e\nadolesc\u00eancia ao campo, tudo para ajudar o pai com o neg\u00f3cio que sempre\nsonhou, ser um produtor de vinho. <\/p>\n\n\n\n<p>Patricia Monteiro, filha mais nova de Jos\u00e9 Monteiro, conhece outras\nrealidades, emigrada na Su\u00ed\u00e7a h\u00e1 mais de 12 anos confessa que apesar de\nmuito trabalho n\u00e3o trocaria a vida no campo por nada. \u201cEu e os meus irm\u00e3os\ntrabalhamos muito nestes terrenos. Quando cheg\u00e1vamos da escola, almo\u00e7\u00e1vamos,\ntroc\u00e1vamos de roupa e l\u00e1 \u00edamos n\u00f3s para a vinha com o meu pai e a minha\nm\u00e3e\u201d, come\u00e7a Patricia Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Os terrenos \u00edngremes e os socalcos da vinha trazem \u00e0 mem\u00f3ria um passado feliz.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA vida antigamente era muito dif\u00edcil, n\u00f3s s\u00f3 quer\u00edamos brincadeira e muitas vezes v\u00ednhamos contrariados, mas quando aqui cheg\u00e1vamos transform\u00e1vamos o trabalho em brincadeira para passar mais depressa ent\u00e3o compet\u00edamos para ver quem acabava primeiro. O primeiro a acabar tinha direito a ir para casa 15 minutos mais cedo\u201d. <\/p><cite>Patr\u00edcia Monteiro<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos o neg\u00f3cio come\u00e7ou a evoluir, Jos\u00e9 Monteiro\ncome\u00e7ou a ter os seus primeiros clientes. \u201cEram clientes do Porto, vieram at\u00e9\nminha casa e decidiram ajudar-me, eu levava vinho para casa deles no Porto e\neles vendiam no estabelecimento deles. Naquela altura foram uns anjos\u201d, afirmou\no agricultor. <\/p>\n\n\n\n<p>Os clientes come\u00e7aram a aparecer e depressa esses clientes tornaram-se\nbons amigos. Jos\u00e9 Monteiro recorda a \u00e9poca mais divertida do ano, as\nvindimas. \u201cQuando esses amigos vinham para a vindima era muita anima\u00e7\u00e3o,\ntraziam todos os seus familiares, cheguei a ter mais de 30 pessoas a vindimar\nna minha vinha. Eram muito trabalhadores e muito animados\u201d, recorda Jos\u00e9\nMonteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Com tantos trabalhadores a vindima fazia-se depressa, da parte da manh\u00e3 vindimava-se e de tarde era para pisar as uvas. \u201cNa hora de pisar as uvas, entravam para dentro do lagar mais de 10 homens, de bra\u00e7os dados e ao som da concertina marchavam e cantavam. Bons tempos\u201d, confessa o produtor. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2>A crise em 2009 e o neg\u00f3cio a decair<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante muitos anos, o agricultor transportava para o Porto, grandes\ncarregamentos de vinho para serem vendidos. \u201cO neg\u00f3cio estava a correr muito\nbem, tinha muitas encomendas, mas tudo voltou a cair quando veio a crise de\n2009, esses amigos tiveram que fechar o estabelecimento. Fiquei sem neg\u00f3cio e\nsem dinheiro\u201d, confessa Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Com a crise e com o neg\u00f3cio a decair, o produtor n\u00e3o sabia o que fazer,\nmais uma vez voltou \u00e0 estaca zero. \u201cEstava a ficar muito apertado em termos de\ndinheiro, ent\u00e3o a minha \u00fanica op\u00e7\u00e3o era vender as minhas uvas para a adega\ncooperativa de Lamego. O sonho de ser produtor independente estava cada dia\nmais longe\u201d, continua o lavrador. <\/p>\n\n\n\n<p>Os anos foram passando e sem a possibilidade de voltar a fazer vinho em\ncasa, continuou como s\u00f3cio da adega de Lamego, \u201cSer s\u00f3cio da adega fez com\nque n\u00e3o tivesse tantas dores de cabe\u00e7a, a verdade \u00e9 que o lucro n\u00e3o \u00e9 o\nmesmo, houve uma grande quebra, mas pelo menos o valor de tantos meses de\ntrabalho \u00e9 visto na hora\u201d, conta Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com todas as dificuldades que tinha enfrentado n\u00e3o desistiu facilmente do seu grande sonho. \u201cAtualmente fa\u00e7o vinho do Porto artesanal e azeite, devo dizer que s\u00e3o os melhores da regi\u00e3o\u201d, afirma o produtor. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2>A rotina do campo<\/h2>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Monteiro criou uma rotina no campo e cuidados especiais para ter\nprodutos de qualidade. \u201cPara ter qualidade \u00e9 preciso gastar muito dinheiro em\nprodutos de qualidade. \u00c9 para a vinha, \u00e9 para as oliveiras, para as\ncerejeiras, macieiras e pereiras\u201d, conta Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesta \u00e9poca do ano, a pulveriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo do cultivo das uvas\nmuito importante, \u00e9 feito de 15 em 15 dias devido ao calor para prevenir que\napare\u00e7am bichos nas videiras que fa\u00e7am com que a uva apodre\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201c\u00c9 dos trabalhos mais for\u00e7osos, temos de correr bardo a bardo, sem deixar escapar uma \u00fanica videira, normalmente vai o homem com a agulheta a espalhar o rem\u00e9dio pelas videiras e a mulher fica no meio do bardo a ajudar a puxar as mangueiras. \u00c9 preciso alguma for\u00e7a de bra\u00e7os\u201d.<\/p><cite>Jos\u00e9 Monteiro<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>F\u00e1tima Gouveia \u00e9 uma das trabalhadoras que vem ajudar Jos\u00e9 Monteiro com os trabalhos da vinha. \u201cSempre vivemos do campo, n\u00e3o sabemos fazer outra coisa. Temos de aproveitar todos os trabalhos que nos aparecem\u201d, come\u00e7a F\u00e1tima Gouveia. <\/p>\n\n\n\n<p>A vida do campo n\u00e3o d\u00e1 descanso a ningu\u00e9m, h\u00e1 trabalho durante todo o\nano, fa\u00e7o chuva, fa\u00e7a sol. \u201cAqui nunca trabalhei com temperaturas muito m\u00e1s,\nnem muito frio, nem muito calor, mas j\u00e1 tive patr\u00f5es que nos mandavam\ntrabalhar com um calor de 30 graus\u201d, confessa a trabalhadora. <\/p>\n\n\n\n<p>O barulho do motor que d\u00e1 for\u00e7a para o produto sair pelas mangueiras e a\nvoz dos trabalhadores que s\u00e3o obrigados a falar muito alto n\u00e3o passam\ndespercebidos. <\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os trabalhos decorrem, na casa do produtor Jos\u00e9 Monteiro, est\u00e1 a sua esposa M\u00e1rcia Monteiro, tamb\u00e9m ela agricultora, est\u00e1 a preparar o almo\u00e7o para os trabalhadores. \u201cHoje a ementa \u00e9 massa com carne. Temos que dar comidas consistentes para terem for\u00e7as para trabalhar\u201d, explica M\u00e1rcia Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Com a comida ao lume, M\u00e1rcia Monteiro recorda os bons tempos em que tinha\na casa cheia de pessoas prontas a ajudar. \u201cFazia-se tudo nesta garagem, temos\nos lagares onde ficavam as uvas e os pipos. Nunca tivemos coragem de nos\ndesfazer de nada\u201d, conta a agricultora. <\/p>\n\n\n\n<p>As vindimas era a \u00e9poca do ano de maior alegria para estes produtores. A\nsua casa transformava-se em uma adega cheia de volunt\u00e1rios. \u201cColoc\u00e1vamos\nmuitas mesas e com\u00edamos todos juntos, depois de comer era hora de entrar no\nlagar. Era uma anima\u00e7\u00e3o total\u201d, recorda M\u00e1rcia Monteiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o produtor cuida da sua propriedade, M\u00e1rcia Monteiro trata da sua\nhorta, cultiva de tudo sem qualquer produto qu\u00edmico. \u201cTenho batatas, alfaces,\ntomates, feij\u00e3o, favas, ervilhas, morangos, nabi\u00e7as e couves. N\u00e3o utilizo\nprodutos nestes alimentos, s\u00f3 \u00e1gua, com este calor precisam de muita \u00e1gua\u201d,\nconta a produtora. <\/p>\n\n\n\n<p>Por volta das 12:00 horas, com o trabalho conclu\u00eddo \u00e9 hora de ir\nalmo\u00e7ar. M\u00e1rcia Monteiro preparou a mesa e est\u00e1 pronta para servir o\nalmo\u00e7o. A massa com carne, especialidade de M\u00e1rcia Monteiro \u00e9 feita com\nmuitos produtos da sua horta, com batatas, com feij\u00e3o e com a couve. <\/p>\n\n\n\n<p>Todos sentados \u00e0 mesa, conversam sobre a vinha e como correu o trabalho.\nAlmo\u00e7o conclu\u00eddo, est\u00e1 na hora de regressar a casa e descansar. <\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Monteiro dedicou toda a sua vida ao cultivo dos seus terrenos e como\ntal est\u00e1 sempre preocupado com a possibilidade de alguma coisa correr mal.\n\u201cN\u00e3o consigo estar quieto em casa, vou mais um bocadinho at\u00e9 ao terreno\nconversar com as videiras\u201d, confessa o produtor. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO campo \u00e9 e sempre ser\u00e1 a minha grande paix\u00e3o, mesmo n\u00e3o tendo ajudas\nfa\u00e7o isto porque gosto mesmo\u201d, conclui Jos\u00e9 Monteiro. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na zona demarcada do Douro, com as suas famosas vinhas e com produtos de excel\u00eancia, encontram-se os pequenos produtores agr\u00edcolas.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":9661,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[462],"tags":[215,2769,157],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9660"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9660"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9662,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9660\/revisions\/9662"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}