{"id":9261,"date":"2020-03-30T12:36:54","date_gmt":"2020-03-30T12:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=9261"},"modified":"2020-03-30T12:37:07","modified_gmt":"2020-03-30T12:37:07","slug":"analise-do-filme-1984-relacao-com-o-presente-e-comparacao-com-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=9261","title":{"rendered":"An\u00e1lise do filme 1984: rela\u00e7\u00e3o com o presente e compara\u00e7\u00e3o com o futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>\u201cQuem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o futuro, controla o passado\u201d \u2013 George Orwell. O<\/em><\/strong><em><strong> filme 1984 come\u00e7a com uma frase interessante, a partir da qual \u00e9 poss\u00edvel compreender que o cen\u00e1rio \u00e9 de uma utopia ditatorial, onde as pessoas s\u00e3o controladas o tempo todo por uma autoridade chamada \u201cBig Brother\u201d, onde h\u00e1 tamb\u00e9m uma teletela, que \u201cdita\u201d as regras dentro dessa sociedade.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Fernanda Santana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"405\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/636263971181972003-1984.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9263\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/636263971181972003-1984.jpg 540w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/636263971181972003-1984-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nessa sociedade fict\u00edcia, o mundo \u00e9 dividido entre tr\u00eas super continentes, sendo eles a Oceania, a Eurasia e a Eastasia, que se encontram constantemente em guerra. Nessa realidade tudo o que acontece \u00e9 como o partido deseja que aconte\u00e7a. Nada al\u00e9m do amor ao partido deve existir, seja o sexo, seja as rela\u00e7\u00f5es humanas, tudo isso \u00e9 considerado abomin\u00e1vel dentro dessa realidade pois apenas o amor ao partido \u00e9 visto como importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores crimes que algu\u00e9m pode cometer nessa utopia ditatorial, \u00e9 o crime do pensamento, como se percebe numa das frases ditas durante o filme: \u201co crime de pensar n\u00e3o implica a morte. O crime de pensar \u00e9 a morte\u201d. Crian\u00e7as s\u00e3o doutrinadas desde cedo dentro desse contexto, para denunciar que cometesse tal crime, mesmo que fossem os seus pr\u00f3prios pais.<\/p>\n\n\n\n<p>O personagem principal \u00e9 o Winston Smith, membro do Partido Externo, que trabalha para o Minist\u00e9rio da Verdade, que \u00e9 respons\u00e1vel pela propaganda e pelo revisionismo hist\u00f3rico.\u00a0 Seu trabalho \u00e9 reescrever artigos de jornais do passado, de modo que o registro hist\u00f3rico sempre apoie a ideologia do partido, visto que o partido nunca erra, e que toda a propaganda feita \u00e9 para mostrar que o partido \u00e9 infal\u00edvel e inquestion\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de duplo pensamento \u00e9 vis\u00edvel no trabalho de Winston Smith, e um dos exemplos no filme \u00e9 visto na cena da ra\u00e7\u00e3o de chocolate, onde chega uma informa\u00e7\u00e3o de que a ra\u00e7\u00e3o vai ser reduzida, mas o Winston muda a informa\u00e7\u00e3o para algo positivo ao dizer que na verdade, a ra\u00e7\u00e3o de chocolate vai ser aumentada. Sendo assim, Winston sabe de toda a verdade, mas ao mesmo tempo ele precisa entrar uma contradi\u00e7\u00e3o porque ele precisa acreditar do que o partido diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem tamb\u00e9m \u00e9 um ponto important\u00edssimo a ser analisado no filme. Com o passar dos tempos, a l\u00edngua foi modificada para uma newspeak, que era uma l\u00edngua mais compacta. A linguagem \u00e9 a maior forma de express\u00e3o humana, com a l\u00edngua n\u00f3s podemos desenvolver o racioc\u00ednio, \u00e9 como podemos mostrar as nossas formas de express\u00e3o, e tirar isso faz com que a sociedade se torne inexpressiva e submissa, e ao querer criar uma novil\u00edngua, o partido busca exatamente criar uma sociedade bin\u00e1ria, sem pluralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos correlacionar a situa\u00e7\u00e3o da novil\u00edngua com o presente, pois ultimamente a pluralidade das ideias vem sendo limitada, por exemplo, quando uma pessoa diz que \u201cou voc\u00ea \u00e9 de direita, ou voc\u00ea \u00e9 de esquerda\u201d, dando a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe nada mais al\u00e9m dessas duas op\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existe outra forma de pensamento, n\u00e3o tem possibilidade de um meio termo ou cria\u00e7\u00e3o de novas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo entre guerras a democracia ainda era vista como uma experi\u00eancia e n\u00e3o como uma normalidade. Durante o filme \u00e9 poss\u00edvel reparar que os tr\u00eas super continentes existentes vivem numa constante guerra que parece n\u00e3o ter fim. Apesar da realidade constru\u00edda no filme mostrar semelhan\u00e7as com o estado sovi\u00e9tico, existem tamb\u00e9m cr\u00edticas ao regime totalit\u00e1rio de direita, que foi o nazismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande exemplo disso \u00e9 o Goldstein, que \u00e9 inimigo do partido, e, automaticamente, inimigo de toda a popula\u00e7\u00e3o. Durante o filme s\u00e3o mostrados os \u201c2 minutos de \u00f3dio\u201d, que consistem em tirar todos os dias 2 minutos para colocar Goldstein numa tela, apenas para a popula\u00e7\u00e3o criticar aquele que tenta quebrar o sistema. Uma curiosidade \u00e9 que Goldstein \u00e9 um nome judeu, e pode ser utilizado como uma refer\u00eancia ao que a Alemanha nazista fez com os judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Alemanha nazista, absolutamente tudo o que acontecia era culpa dos judeus, quer problemas na economia, quer problemas sociais. Ou seja, a cria\u00e7\u00e3o de um inimigo comum pode ser tamb\u00e9m uma cr\u00edtica ao nazismo, visto que o partido cria uma amea\u00e7a que n\u00e3o existe para que as pessoas canalizem todas as suas frustra\u00e7\u00f5es nesse inimigo que foi criado, que no filme \u00e9 Goldstein.<\/p>\n\n\n\n<p>Na minha concep\u00e7\u00e3o, o filme n\u00e3o \u00e9 apenas uma cr\u00edtica ao socialismo\/comunismo, mas sim a toda e qualquer forma de regimes totalit\u00e1rios que sejam um impedimento ao pensamento da popula\u00e7\u00e3o, um impedimento para a democracia. A obra de Orwell \u00e9 uma cr\u00edtica a tudo que possa fazer com que o ser humano n\u00e3o seja capaz de alcan\u00e7ar a raz\u00e3o, visto que toda a raz\u00e3o \u00e9 submetida no discurso do Big Brother.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho do Winston Smith \u00e9 algo crucial na obra e h\u00e1 uma frase que diz que \u201co jornalismo \u00e9 publicar aquilo que algu\u00e9m n\u00e3o quer que se publique. Todo o resto \u00e9 publicidade\u201d. Tudo o que Winston faz \u00e9 publicidade para o partido, pois os acontecimentos ver\u00eddicos s\u00e3o escondidos e tudo o que mostra a verdade, n\u00e3o \u00e9 repassado.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o pode ser utilizada para avaliar a comunica\u00e7\u00e3o social atualmente. Apesar de o filme e a obra serem antigos, infelizmente existem situa\u00e7\u00f5es que podem ser aplicadas para os dias de hoje, sobretudo face aos casos de informa\u00e7\u00f5es publicadas nas redes sociais que n\u00e3o s\u00e3o totalmente transparentes sobre determinados assuntos e que buscam sempre favorecer uma ideologia ou at\u00e9 mesmo, um partido.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme acaba com o Winston Smith sendo for\u00e7ado a acreditar que tudo o que ele percebeu sobre as mentiras contadas pelo partido eram apenas coisas criadas por ele mesmo. A frase \u201cliberdade \u00e9 a liberdade de dizer que dois mais dois s\u00e3o quatro\u201d \u00e9 o que Winston Smith fala enquanto \u00e9 torturado, mas o partido mostra que dois mais dois pode ser cinco, dois mais dois pode ser exatamente o que o partido quiser que seja. Enquanto Winston quer escolher a l\u00f3gica, o partido quer rejeitar a l\u00f3gica em prol de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse filme faz com que nos questionemos sobre diversas coisas, e nos faz conectar os acontecimentos do filme com a realidade em que vivemos, afinal de contas, no mundo de hoje com tanta tecnologia crescendo e a intelig\u00eancia artificial avan\u00e7ando cada vez mais, quem pode nos garantir que o Big Brother n\u00e3o est\u00e1 nos assistindo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o futuro, controla o passado\u201d \u2013 George Orwell. 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