{"id":9090,"date":"2020-03-03T14:53:57","date_gmt":"2020-03-03T14:53:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=9090"},"modified":"2020-03-03T14:54:03","modified_gmt":"2020-03-03T14:54:03","slug":"imigrantes-venezuelanos-o-regresso-a-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=9090","title":{"rendered":"Imigrantes venezuelanos: o regresso a Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Ol\u00edvia, Manuel, Yaneth, Josu\u00e9, Margarita, Luteiro e Jonathan t\u00eam em comum o amor \u00e0 Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, mas nem esse carinho os demoveu na hora de abandonar o territ\u00f3rio venezuelano em busca de uma vida melhor. S\u00e3o hist\u00f3rias que conhecemos na reportagem \u00e1udio e que fazem parte dos milh\u00f5es que abandonaram o pa\u00eds devido \u00e0 crise que se faz sentir na Venezuela e que tem a sua maior visibilidade com problemas como escassez de alimentos e de medicamentos, hiperinfla\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. De acordo com a Ag\u00eancia Lusa, a 7 de Fevereiro de 2019, o secret\u00e1rio de Estado das Comunidades Portuguesas dava conta de que \u201ccerca de 10 mil regressaram a Portugal\u201d. Nas regi\u00f5es Centro e Norte de Portugal regista-se maior incid\u00eancia no regresso de cidad\u00e3os com origem venezuelana.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Ana Isabel Costa, Carla Almeida, F\u00e1bio Gomes, Jo\u00e3o Costa, Mara Coimbra e Sim\u00e3o Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"fitvids-video\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kQMUYA2PedE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Quarenta e tr\u00eas anos depois de terem rumado \u00e0 Venezuela em busca de um futuro mais risonho, Ol\u00edvia Soares Silva, de 67 anos e Manuel Vilar da Silva, de 68, decidiram voltar \u00e0 terra que os viu nascer, em Lourosa, Santa Maria da Feira. A 1 de Novembro de 2018, voltaram a pisar terras lusitanas e desta vez voaram para ficar. Com eles veio um dos frutos do seu amor, a filha Yaneth, que embora tenha passado a vida quase toda no continente americano, j\u00e1 tinha vindo a Portugal tr\u00eas vezes. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Olivia-e-Manuel-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9099\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Olivia-e-Manuel-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Olivia-e-Manuel-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Olivia-e-Manuel-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ol\u00edvia Soares Silva e Manuel Vila da Silva<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A\nprecariedade e a inseguran\u00e7a em muito pesaram na decis\u00e3o de voltar a Portugal,\nmas sobretudo o estado de sa\u00fade do casal. A mobilidade de Ol\u00edvia est\u00e1 limitada por\nproblemas na coluna, que j\u00e1 lhe valeram uma opera\u00e7\u00e3o. Manuel \u00e9 diab\u00e9tico h\u00e1 25\nanos e conforme explica, \u201c<em>tinha que trabalhar um ano e guardar todo esse\ndinheiro para comprar insulina para um m\u00eas<\/em>\u201d. A fome est\u00e1 a assolar o pa\u00eds e\nOl\u00edvia garante que h\u00e1 mais de vinte anos que via pessoas a comerem do lixo \u00e0\nporta da casa onde vivia. Apesar da desgra\u00e7a que a rodeava, gostava muito de\nvoltar ao pa\u00eds onde passou a maior parte da vida, mas a esperan\u00e7a j\u00e1 \u00e9 pouca\ndevido \u00e0 fragilidade da coluna. <\/p>\n\n\n\n<p>Yaneth Soares, de 31 anos, nasceu em Caracas e \u00e9 formada em Assist\u00eancia Social e em Educa\u00e7\u00e3o de Inf\u00e2ncia. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"624\" height=\"415\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Yaneth.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9096\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Yaneth.jpg 624w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Yaneth-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><figcaption>Yaneth Soares<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Josu\u00e9 Pa\u00fal, de 40 anos, trabalhou na Aula Magna da Universidade Central da Venezuela, em Caracas, durante tr\u00eas anos, embora tamb\u00e9m tenha sido banc\u00e1rio. Licenciado em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, Josu\u00e9 n\u00e3o vinha a Portugal h\u00e1 23 anos. Desempregado, a ganhar a vida a fazer \u201c<em>biscates<\/em>\u201d e iludido pela esperan\u00e7a de uma vida melhor no outro lado do mundo, partiu com um amigo para Candel\u00e1ria, uma zona de Caracas lotada por portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Margarita dos Santos n\u00e3o tem a sorte de Yaneth de ter os pais ao seu lado. Ali\u00e1s, j\u00e1 n\u00e3o os v\u00ea h\u00e1 tr\u00eas anos. Filha de m\u00e3e colombiana e pai portugu\u00eas, a jovem de 25 anos tem descend\u00eancia luso-venezuelana. Nascida na Venezuela, Margarita viveu at\u00e9 aos 22 anos na Ilha que lhe deu o nome \u2013 Margarita. A 14 de Maio de 2019, viu Portugal pela primeira vez. Veio para cuidar da av\u00f3 paterna, que acabou por falecer, e \u00e9 na casa que herdou, em Argoncilhe, Santa Maria da Feira, que a jovem se mant\u00e9m at\u00e9 agora. Gostava de voltar para a Venezuela, mas enquanto c\u00e1 estiver quer \u201c<em>aprender portugu\u00eas e estudar, fazendo uma especializa\u00e7\u00e3o em alguma coisa<\/em>\u201d para que, quer seja em Portugal ou na Venezuela, possa \u201c<em>ser a sua pr\u00f3pria chefe<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Margarita-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9094\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Margarita-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Margarita-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Margarita-768x511.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Margarita.jpg 1322w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Margarita dos Santos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Luteiro Fernandes dos Reis \u00e9 filho de madeirenses. A fam\u00edlia deu amparo a Luteiro quando ele mais precisava. Quando veio j\u00e1 estava empregado numa frutaria, gra\u00e7as ao cunhado, precisamente a fazer o mesmo que fazia em Caracas. O luso-venezuelano ficou durante um m\u00eas para perceber se teria condi\u00e7\u00f5es para assegurar o bem-estar da fam\u00edlia. Percebeu que sim e menos de um ano depois dessa viagem j\u00e1 estava estabelecido em Perosinho, uma freguesia de Vila Nova de Gaia, com a sua mulher e as filhas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Jonatham-e-Luteiro-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9092\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Jonatham-e-Luteiro-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Jonatham-e-Luteiro-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Jonatham-e-Luteiro-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Jonathan Raga e Luteiro Fernandes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Jonathan\nRaga tem 21 anos, mas muitas hist\u00f3rias para contar. Na Venezuela fez uma\ncarreira em Direito, ainda que tenha que l\u00e1 voltar para conseguir o t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Imerso\nna inseguran\u00e7a e na falta de bens de primeira necessidade, o povo\nluso-venezuelano v\u00ea-se obrigado a sair do pa\u00eds que outrora tantos emigrantes\nacolheu. Os territ\u00f3rios com os quais faz fronteira, como Brasil, Equador,\nCol\u00f4mbia e Peru, s\u00e3o os destinos mais requisitados, mas Portugal \u00e9, para\nalguns, uma escolha evidente. No s\u00e9culo XX foram muitos os portugueses a construir\nvida na Venezuela. Os que n\u00e3o retornaram a terras lusas antes da crise atingir\no pa\u00eds veem agora em Portugal a possibilidade de escapar.<\/p>\n\n\n\n<p>De\nacordo com um relat\u00f3rio sobre a crise dos migrantes e refugiados venezuelanos,\nque data de mar\u00e7o de 2019 e \u00e9 da autoria da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos\n(OEA), no ano de 2018 pelo menos 3,4 milh\u00f5es de venezuelanos tinham emigrado, o\nque corresponde a mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o da Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>(Reportagem realizada em Dezembro de 2019)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00edvia, Manuel, Yaneth, Josu\u00e9, Margarita, Luteiro e Jonathan t\u00eam em comum o amor \u00e0 Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, mas nem<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":9091,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,11],"tags":[920,919],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9090"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9100,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9090\/revisions\/9100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}