{"id":7802,"date":"2019-10-11T10:21:43","date_gmt":"2019-10-11T10:21:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=7802"},"modified":"2019-10-11T10:21:43","modified_gmt":"2019-10-11T10:21:43","slug":"coragem-portugueses-ja-so-vos-faltam-as-virtudes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=7802","title":{"rendered":"Coragem portugueses, j\u00e1 s\u00f3 vos faltam as virtudes!"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>No \u00faltimo dia 6 de outubro, Portugal foi \u00e0s urnas falar e decidir a composi\u00e7\u00e3o da nossa Casa da Democracia para a pr\u00f3xima legislatura, que em nome da estabilidade se espera que cumpra os 4 anos de mandato. Umas elei\u00e7\u00f5es em que pode-se dizer, que foram as primeiras em muitos anos em que as sondagens n\u00e3o falharam em toda a linha, pois todos os lugares dos partidos na tabela classificativa pol\u00edtica foram confirmados.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Por Jorge Afonso<\/strong><\/p>\n<p>O Partido Socialista venceu de forma inequ\u00edvoca subindo a sua percentagem em rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 quatro anos. O Partido Social Democrata depois de uma fraca oposi\u00e7\u00e3o, acordou para a vida de alternativa pol\u00edtica muito tarde e s\u00f3 tr\u00eas semanas de boa campanha n\u00e3o serviram para contrariar uma tend\u00eancia derrotista. O Bloco de Esquerda consolidou-se como terceira for\u00e7a pol\u00edtica. A CDU e o CDS-PP sofreram ambos a maior derrota e esvaziamento de sempre, sobretudo os centristas. O PAN foi a par dos socialistas, o \u00fanico partido com assento parlamentar que subiu a vota\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o na AR e viu-se surpreendentemente, tr\u00eas partidos a conseguirem eleger um deputado cada para o Parlamento e cada um a representar uma tend\u00eancia um pouco esquecida pelos partidos j\u00e1 existentes, Chega, Iniciativa Liberal e Livre.<\/p>\n<p>Acompanhei as elei\u00e7\u00f5es at\u00e9 \u00e0s tantas da manh\u00e3, atrav\u00e9s de um mapa interativo de um jornal online e indo geograficamente ao nosso mapa partido a partido, para os resultados eleitorais eu fa\u00e7o uma an\u00e1lise com base naquilo que achei que ia ser a receita para o \u00eaxito eleitoral dos partidos, quer para um ganhar, quer para outro ficar como terceira for\u00e7a.<\/p>\n<p>O PS ganhou confortavelmente nas duas \u00e1reas metropolitanas, Lisboa e Porto, caso contr\u00e1rio nunca teria sido o partido mais votado, porque ganhar elei\u00e7\u00f5es em Portugal sem ganhar estes dois c\u00edrculos \u00e9 quase imposs\u00edvel. Teve um excelente comportamento no Minho, metendo oito deputados em Braga e vencendo em Viana do Castelo ao mil\u00edmetro. Aguentou-se lindamente na \u00e1rea mais conservadora do centro do pa\u00eds, tanto no interior como no litoral, perdendo, mas tendo um resultado honroso em Leiria e Viseu e vencendo \u00e0 tangente em Aveiro e na Guarda. Segurou os seus basti\u00f5es, Castelo Branco, alto e baixo Alentejo e Pen\u00ednsula de Set\u00fabal e ganhou a maioria do voto ao centro em distritos como Coimbra, Santar\u00e9m e Faro. Representado em todos os c\u00edrculos, o PS parece ser para j\u00e1 o partido com melhor sa\u00fade a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>O PSD segurando apenas os seus basti\u00f5es tradicionais, Vila Real, Bragan\u00e7a, Viseu, Leiria e Madeira, n\u00e3o subiu em particamente distrito nenhum e apenas se aguentou bem e melhor do que se esperava, tamb\u00e9m por se ter batido pelo voto ao centro em muitos distritos(Exemplos: No Porto, perde o distrito, mas vence o concelho. Aveiro a mesma coisa), mas sobretudo por causa do voto \u00fatil e do CDS nada ter subido.<\/p>\n<p>O Bloco, perde cerca de cinquenta mil votos(curiosamente, quase o mesmo n\u00famero de votos do Livre), mas nada se notou visto que os dois deputados que perdeu no Porto e na Madeira, recuperaram-se elegendo mais um deputado em Braga e outro em Aveiro. Mas afirma-se como um partido urbano.<\/p>\n<p>A CDU e o CDS-PP foram a desilus\u00e3o destas elei\u00e7\u00f5es. Os comunistas perdem cerca de 120 mil votos e 5 deputados, mostrando ter sido a for\u00e7a pol\u00edtica mais afetada pela cria\u00e7\u00e3o da geringon\u00e7a, precisamente por ser dos tr\u00eas, o partido mais ideol\u00f3gico. Os centristas sofreram a maior hecatombe de sempre, tendo tido menos votos do que o m\u00edtico partido do t\u00e1xi dos tempos do cavaquismo, perdeu treze deputados e tendo-lhe sobrado apenas cinco dos distritos do litoral, onde tem mais milit\u00e2ncia e onde \u00e9 mais f\u00e1cil eleger(Lisboa, Porto, Braga e Aveiro). Mas ficou a humilha\u00e7\u00e3o de ter ficado atr\u00e1s do PAN em Lisboa, Porto e Set\u00fabal e n\u00e3o tendo elegido o seu L\u00edder Parlamentar(Nuno Magalh\u00e3es).<\/p>\n<p>O PAN sobe cerca de noventa mil votos, elege mais tr\u00eas deputados(Lisboa, Porto e Set\u00fabal) e afirma-se como partido pol\u00edtico fora do sistema que pretende ir mudando a sociedade por fatores e causas mais sociais e fraturantes.<\/p>\n<p>Fora de quest\u00f5es geogr\u00e1ficas, quero dizer que sa\u00fado a vinda de mais partidos para a AR, mas lamento que s\u00f3 um \u00e9 que n\u00e3o tenha um programa radical e n\u00e3o tenha descido o n\u00edvel tanto na campanha como agora na entrada para o Parlamento, o Iniciativa Liberal. Quanto aos outros dois, n\u00e3o me pronuncio muito pois corro o risco de ser mal interpretado e agressivo, apenas digo que um aposta na manipula\u00e7\u00e3o e reacionarismo, o outro no antipatriotismo e vitimiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas quest\u00f5es pol\u00edticas, creio que Ant\u00f3nio Costa vai confortavelmente formar governo pois n\u00e3o existe qualquer alternativa, mas vai estar desta vez, dependente de todo o Parlamento. Se for para aumentos salariais e quest\u00f5es sociais, Costa ir\u00e1 pedir ajuda ao Bloco, CDU e Livre, se for para acordos de concerta\u00e7\u00e3o social, pactos de regime ou evitar descalabros no d\u00e9fice ou contas do Estado, l\u00e1 ir\u00e1 pedir ajuda ao PSD.<\/p>\n<p>O PSD e o CDS v\u00e3o estar mortos politicamente com vista \u00e0 mudan\u00e7a nas duas lideran\u00e7as, at\u00e9 estarem definidas s\u00f3 depois haver\u00e1 de novo oposi\u00e7\u00e3o dura ao Governo. Tenho a convic\u00e7\u00e3o(como tenho h\u00e1 muito tempo) que Lu\u00eds Montenegro ser\u00e1 o novo l\u00edder dos sociais-democratas e a lideran\u00e7a dos democratas-crist\u00e3os ser\u00e1 de um destes tr\u00eas pol\u00edticos relevantes das v\u00e1rias esferas do partido: Adolfo Mesquita Nunes, Jo\u00e3o Almeida ou Francisco Rodrigues dos Santos.<\/p>\n<p>O Bloco e a CDU v\u00e3o estar numa guerra aberta para ver quem \u00e9 mais de esquerda, se um deles consegue um bom acordo com o Governo para a classe m\u00e9dia e para os trabalhadores, o outro tem de votar a favor para n\u00e3o ser chamado de traidor da classe. E se houver uma mo\u00e7\u00e3o de censura apresentada por um, o outro ser\u00e1 visto como burgu\u00eas se segurar o Governo.<\/p>\n<p>O PAN ir\u00e1 bater-se pelas suas causas animalistas, como fim das touradas, alimenta\u00e7\u00e3o vegan imposta aos poucos e alguns sinais ecologistas. Do Iniciativa Liberal espero uma oposi\u00e7\u00e3o construtiva ao Governo e com propostas concretas de reduzir o peso do Estado na vida financeira das pessoas.<\/p>\n<p>Confesso que n\u00e3o resisto em terminar por dizer, por que raz\u00e3o \u00e9 que escolhi este t\u00edtulo e decido iniciar este artigo pelo assunto da absten\u00e7\u00e3o. Acusa-se muitas vezes os partidos pol\u00edticos de estarem distantes da realidade por conveni\u00eancia ou ignor\u00e2ncia. Mas a verdade \u00e9 que esta campanha mostrou que todos os partidos, da esquerda \u00e0 direita e dos mais antigos aos mais recentes, deram a sua aten\u00e7\u00e3o a todos os temas que eram precisos abordar em pleno 2019, nomeadamente as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. J\u00e1 para n\u00e3o falar do facto de que, o n\u00famero de homens e mulheres estar quase igualit\u00e1rio na Assembleia da Rep\u00fablica e ter havido mais juventude nas listas.<\/p>\n<p>Apesar de todas as mudan\u00e7as, ainda assim houve mais absten\u00e7\u00e3o do que em 2015. N\u00e3o digo que n\u00e3o haja raz\u00e3o para os portugueses se sentirem desiludidos com os partidos e o sistema pol\u00edtico, mas se querem que os mesmos sintam isso na pele, existe uma solu\u00e7\u00e3o: Vai-se \u00e0 urna e vota-se em branco. Agora, ficar sentando no sof\u00e1 nada vai resolver.<\/p>\n<p>Sempre tive algumas d\u00favidas sobre a implementa\u00e7\u00e3o do voto obrigat\u00f3rio em Portugal, mas come\u00e7o a achar uma solu\u00e7\u00e3o v\u00e1lida. Se formos a ver, \u00e9 sempre assim: se as elei\u00e7\u00f5es forem no ver\u00e3o, a absten\u00e7\u00e3o \u00e9 porque foi toda a gente para a praia; se as elei\u00e7\u00f5es forem no inverno, a absten\u00e7\u00e3o \u00e9 porque estava chuva e frio e n\u00e3o quiseram sair de casa; se as elei\u00e7\u00f5es forem na primavera, a absten\u00e7\u00e3o \u00e9 porque estava bom tempo e aproveitou-se para ir \u00e0 terra visitar a fam\u00edlia e se as elei\u00e7\u00f5es forem no outono, a absten\u00e7\u00e3o \u00e9 porque com a mudan\u00e7a das temperaturas toda a gente estava doente de cama. O curioso \u00e9 que s\u00e3o quase sempre os mesmos que v\u00e3o votar e s\u00e3o quase sempre os mesmos que n\u00e3o v\u00e3o votar, tamb\u00e9m por isso \u00e9 que o nosso pa\u00eds pouco muda.<\/p>\n<p>Termino o assunto da absten\u00e7\u00e3o dizendo que os 45% de abstencionistas que decidiram n\u00e3o ir votar, n\u00e3o s\u00f3 nada podem reclamar como s\u00f3 t\u00eam um direito a partir de dia 7 de outubro: o de ser gozados, por terem permitido que os outros decidissem por eles.<\/p>\n<p>Aqui chego \u00e0 l\u00f3gica do meu t\u00edtulo, que \u00e9 uma parte da frase do nosso Almada Negreiros: \u201ca grandeza de um povo faz-se de virtudes e defeitos, <strong>coragem portugueses, j\u00e1 s\u00f3 vos faltam as virtudes!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 6 de outubro, Portugal foi \u00e0s urnas falar e decidir a composi\u00e7\u00e3o da nossa Casa da Democracia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7803,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[116,12],"tags":[2229,2372,598,1749],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7802"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7802"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7805,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7802\/revisions\/7805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7803"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}