{"id":7777,"date":"2019-10-03T10:48:44","date_gmt":"2019-10-03T10:48:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=7777"},"modified":"2019-10-03T10:48:44","modified_gmt":"2019-10-03T10:48:44","slug":"se-rio-subir-ate-ao-fim-costa-ou-descola-ou-e-engolido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=7777","title":{"rendered":"Se Rio subir at\u00e9 ao fim, Costa ou descola ou \u00e9 engolido"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Precisamente quatro anos depois das \u00faltimas, aproximam-se as elei\u00e7\u00f5es legislativas no pr\u00f3ximo domingo, dia 6 de outubro. Ser\u00e1 mais um julgamento do povo portugu\u00eas expresso nas urnas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade vis\u00edvel e aos acontecimentos da \u00faltima legislatura. Na minha opini\u00e3o e na de muitas pessoas, foi uma legislatura singular, uma das mais particulares da nossa democracia e sobretudo perita em cambalhotas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por Jorge Afonso<\/p>\n<p>No in\u00edcio da mesma, \u00e0 esquerda t\u00ednhamos um Partido Socialista fr\u00e1gil derrotado em elei\u00e7\u00f5es e que um fresco Bloco de Esquerda e um consolidado Partido Comunista Portugu\u00eas tiveram a iniciativa de p\u00f4r fim ao que consideravam as \u201cduras pol\u00edticas de austeridade da direita\u201d ao formar um bloco maiorit\u00e1rio no Parlamento para a estabilidade governativa, mas com o passar do tempo n\u00e3o s\u00f3 se sentiu que a austeridade n\u00e3o tinha acabado, como passou a ser o PS a ficar com os cr\u00e9ditos de alguma devolu\u00e7\u00e3o de rendimentos, descida do desemprego e redu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do d\u00e9fice p\u00fablico e os dois parceiros externos de governa\u00e7\u00e3o(nomeadamente o PCP) a ficarem reduzidos apenas aos seus protestos por n\u00e3o haver mais coisas boas e por vezes, a terem o papel refor\u00e7ado de serem oposi\u00e7\u00e3o para al\u00e9m de parceiros do executivo.<\/p>\n<p>\u00c0 direita t\u00ednhamos uma oposi\u00e7\u00e3o saudosista por parte do PSD(que n\u00e3o aceitava a realidade de ter passado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o) e criativa por parte do CDS(pois fora o \u00fanico que n\u00e3o tinha ficado preso ao passado recente), mas que com o tempo se tornou nula pelo facto do PSD ter desgastado muito do seu tempo em guerrilhas internas pela lideran\u00e7a e ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Rui Rio houve muitas acusa\u00e7\u00f5es de ser uma oposi\u00e7\u00e3o frouxa e de querer um putativo bloco central com o PS e o CDS foi ficando para tr\u00e1s(como se viu nas elei\u00e7\u00f5es europeias) por vezes fazendo uma oposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 porque sim e gritando sem efeitos, pois tudo o que se passava de mal na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, agricultura, finan\u00e7as e variados casos pol\u00e9micos \u00e0 volta do Governo n\u00e3o tinha qualquer efeito nas sondagens e no esp\u00edrito do executivo.<\/p>\n<p>Vale at\u00e9 a pena dizer que, nestes \u00faltimos seis meses a lideran\u00e7a de Rui Rio foi ficando mais forte e coerente aos olhos das pessoas do que a de Assun\u00e7\u00e3o Cristas que foi ficando para tr\u00e1s, entre outras coisas por se referir apenas ao eleitorado do centro-direita, ao contr\u00e1rio de Rio que procura buscar votos ao grande centro, tanto \u00e0 esquerda como \u00e0 direita e sobretudo por concordar com os advers\u00e1rios quando tem de ser, o que s\u00f3 passa \u00e0s pessoas uma imagem de entendimento, independ\u00eancia e honestidade.<\/p>\n<p>A \u00faltima cambalhota mais recente \u00e9 a dos dois partidos do \u201ccentr\u00e3o\u201d, com o PS a aplicar uma austeridade invis\u00edvel que juntando \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de alguns rendimentos, crescimento do emprego e descida total do d\u00e9fice, d\u00e1 a Ant\u00f3nio Costa a imagem pouco comum de Primeiro-Ministro socialista muito rigoroso nas contas(roubando totalmente discurso a PSD e CDS). O PSD(o CDS tamb\u00e9m um pouco) viu em cima dos seus ombros sempre a carga simb\u00f3lica da austeridade e depois qualquer proposta relacionada com baixa de impostos sem querer tocar nos benef\u00edcios sociais e fiscais \u00e9 logo colada ao despesismo (muito ligada ao PS do passado recente).<\/p>\n<p>Mas o que fica agora na reta final da legislatura e depois desta campanha eleitoral, \u00e9 a diferen\u00e7a que os debates e arruadas fazem na nossa tend\u00eancia de voto. O PS passou de sondagens a dar quase maioria absoluta a resultados \u00e0 tangente depois do desgaste de v\u00e1rias pol\u00e9micas (Tancos e familiares) e o PSD do seu quase esvaziamento devido a uma oposi\u00e7\u00e3o nula, a resultados mais taco-a-taco devido a propostas mais impactantes. Como digo no t\u00edtulo, se Rio crescer at\u00e9 ao fim, Costa ou descola ou \u00e9 engolido.<\/p>\n<p>Temos agora uma reta final que chama mais a nossa a aten\u00e7\u00e3o devido a esta incerteza quanto ao vencedor e acho sobretudo muito importante saber, qual ser\u00e1 a terceira for\u00e7a pol\u00edtica. O Bloco, a CDU ou o CDS v\u00e3o ficar com todos os focos em cima de si, se ficarem em terceiro e com uma percentagem entre os 9% e os 11% sobre se far\u00e3o ou n\u00e3o uma alian\u00e7a com o partido vencedor para a estabilidade governativa e o que dos tr\u00eas ficar em 5\u00ba com um resultado entre os 5% ou 7% vai ficar com a lideran\u00e7a amea\u00e7ada, sem d\u00favida alguma. O PAN ir\u00e1 em principio renovar o seu grupo parlamentar devido ao seu discurso cativante e por vezes populista e veremos se partidos como Livre, Alian\u00e7a, Chega\/Basta ou Iniciativa Liberal se ir\u00e1 juntar ao partido de Andr\u00e9 Silva na l\u00f3gica do rompimento da tradi\u00e7\u00e3o que vigorava desde 1999 dos 5 partidos(PSD, PS, BE, CDS e PCP\/PEV).<\/p>\n<p>No c\u00f4mputo geral, em termos de propostas temos o Governo atual que com certos ajustes nos oferece continuidade, o centro-direita oferece descida de impostos, mais investimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos e manter o incentivo ao investimento privado, a extrema-esquerda vai reclamar o que n\u00e3o conseguiu na perfei\u00e7\u00e3o nesta \u00faltima legislatura nomeadamente sal\u00e1rios mais elevados e combate \u00e0s desigualdades e do PAN espera-se s\u00f3 a continua\u00e7\u00e3o do seu combate pelos animais, alimenta\u00e7\u00e3o vegan e oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s touradas. Destaco acima de todos Rui Rio, porque ao contr\u00e1rio de Costa, Cristas, Catarina, Jer\u00f3nimo e Silva que falaram maioritariamente para pessoas ligadas \u00e0s suas cores e ideologia, Rio falou para o pa\u00eds em geral, prop\u00f5e reformas profundas e necess\u00e1rias na justi\u00e7a, comunica\u00e7\u00e3o social e sobretudo foi o \u00fanico pol\u00edtico no ativo que entendeu que este regime chegou a um ponto de esgotamento e necessita de uma revitaliza\u00e7\u00e3o. Juntando a isto o seu rigor em contas j\u00e1 demonstrado na C\u00e2mara Municipal do Porto e n\u00e3o cedendo ao populismo, Rio passa a ser um excelente candidato a Primeiro-Ministro a meu ver.<\/p>\n<p>\u00c9 un\u00e2nime por todos os partidos o combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e9 prov\u00e1vel o retorno da quest\u00e3o da eutan\u00e1sia e se virmos um fracasso das pol\u00edticas de descentraliza\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser marcado um novo referendo \u00e0 regionaliza\u00e7\u00e3o. Todas s\u00e3o quest\u00f5es diferentes, mas admito sem problema que embora reconhe\u00e7a a legitimidade da aprova\u00e7\u00e3o de uma quest\u00e3o social fraturante (eutan\u00e1sia) ou econ\u00f3mico-social(regionaliza\u00e7\u00e3o) por referendo ou por aprova\u00e7\u00e3o no Parlamento se estiver no programa de algum partido, prefiro o referendo. Porqu\u00ea? Porque quest\u00f5es como aborto, eutan\u00e1sia, casamento e ado\u00e7\u00e3o homossexuais, legaliza\u00e7\u00e3o de drogas, touradas, regionaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ou restri\u00e7\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o s\u00e3o tudo quest\u00f5es que ultrapassam os partidos pol\u00edticos e perguntar ao povo \u00e9 sempre mais justo a meu ver, embora seja preciso saber fazer campanha e saber ler os resultados.<\/p>\n<p>Independentemente do partido que ven\u00e7a e de quem o auxilie no poder, gostaria de ver nesta pr\u00f3xima legislatura menos casos pol\u00e9micos, carga fiscal diminu\u00edda, d\u00edvida p\u00fablica a n\u00e3o crescer mais e come\u00e7ar a ver mudan\u00e7as estruturais para o nosso funcionamento enquanto Estado e n\u00e3o dar mais import\u00e2ncia a quest\u00f5es secund\u00e1rias.<\/p>\n<p>Quero tamb\u00e9m referir que um fator muito importante para PS ou PSD ganharem e CDU, CDS e BE lutarem pelo terceiro lugar \u00e9 a geografia em que apostam. Os dois grandes t\u00eam de se aguentar bem e liderar as duas grandes \u00e1reas metropolitanas(Lisboa e Porto), ter um excelente comportamento no Minho(Braga e Viana do Castelo), consolidar-se e procurar crescer na \u00e1rea mais conservadora do centro do pa\u00eds tanto a litoral(Aveiro e Leiria) como no interior(Viseu e Guarda), segurar Tr\u00e1s-os-Montes(PSD) e o Alentejo e Pen\u00ednsula de Set\u00fabal(PS) e lutarem pelo eleitorado mais ao centro de distritos como Coimbra, Santar\u00e9m e Faro. Esta receita para a vit\u00f3ria juntando as habituais surpresas que podem surgir em algum distrito ou ilha, tamb\u00e9m servem os partidos mais pequenos para a luta pelo 3\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Termino este artigo dizendo que \u00e9 mais uma vez que irei votar, s\u00e3o as s\u00e9timas que voto desde que tenho idade para tal(18 anos em 2013) e as segundas legislativas. Voto sempre por convic\u00e7\u00f5es fortes, ideologia e compet\u00eancia dos candidatos, nunca me abstive e assim me pretendo manter. Costumo dizer que s\u00f3 se estiver em coma \u00e9 que n\u00e3o voto! Deixo um apelo final a todos os meus leitores, colegas, professores, amigos, familiares etc\u2026 a que n\u00e3o se abstenham nestas elei\u00e7\u00f5es legislativas, pois \u00e9 a nossa vida que est\u00e1 em causa.<\/p>\n<p>Digo sempre que quando decidimos n\u00e3o ir votar porque \u00e9 in\u00fatil, no dia seguinte s\u00f3 temos um direito\u2026 o de ser gozados porque permitimos que os outros decidissem por n\u00f3s. Nunca o fa\u00e7am!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Precisamente quatro anos depois das \u00faltimas, aproximam-se as elei\u00e7\u00f5es legislativas no pr\u00f3ximo domingo, dia 6 de outubro. 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