{"id":774,"date":"2016-07-11T15:53:17","date_gmt":"2016-07-11T15:53:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=774"},"modified":"2016-07-11T15:53:17","modified_gmt":"2016-07-11T15:53:17","slug":"historias-ha-muitas-mas-algumas-a-gente-so-quer-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=774","title":{"rendered":"&#8220;Hist\u00f3rias h\u00e1 muitas, mas algumas a gente s\u00f3 quer esquecer\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Gil Manuel Pereira Francisco tem 64 anos e \u00e9 natural da P\u00f3voa do Forno, conselho de Oliveira do Bairro. Filho de um casal bairradino com oito filhos, foi militar na tropa portuguesa durante dois anos e nove meses. Em 1972 foi combater para a Guerra do Ultramar, na Guin\u00e9-Bissau, onde esteve durante dois anos. Atualmente est\u00e1 reformado, depois de ter tido uma empresa de constru\u00e7\u00e3o civil, e reside na freguesia da Palha\u00e7a, tamb\u00e9m pertencente ao Conselho de Oliveira do Bairro. \u00c9 casado, tem tr\u00eas filhos e tr\u00eas netos. De uma forma sucinta, a guerra da Guin\u00e9 corresponde ao per\u00edodo de confrontos entre as For\u00e7as Armadas Portuguesas e as For\u00e7as organizadas pelos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o das antigas Prov\u00edncias Ultramarinas de Angola, Guin\u00e9-Bissau e Mo\u00e7ambique entre 1963 e 1974. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de\u00a0um ex &#8211; \u00a0combatente da Guerra do Ultramar.<\/em><\/p>\n<p><strong>O\u00a0que o levou a entrar na Tropa Portuguesa?<\/strong><br \/>\nNada me levou a entrar para a tropa, entrei porque fui obrigado. Naquela altura eramos obrigados a ir \u00e0 tropa. Toda a gente, ningu\u00e9m escapava.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que se sente quando se \u00e9 chamado para combater no Ultramar? <\/strong><br \/>\nA minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi, com certeza, um bocado assustadora. Tive muito medo porque aquilo n\u00e3o era brincadeira, j\u00e1 era uma guerra a s\u00e9rio. No ano em que eu fui, em dezembro de 1972, a Guin\u00e9 j\u00e1 estava numa guerra a s\u00e9rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-775\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil1-300x205.jpg\" alt=\"gil1\" width=\"300\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil1-300x205.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil1-130x90.jpg 130w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil1.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Mas algum dia pensou em ir combater para guerra?<\/strong><br \/>\nDepois de l\u00e1 estar, combater era o meu papel. Mas antes de ir para l\u00e1 nunca me passou pela cabe\u00e7a. Ali\u00e1s, naquela altura, se pudesse fugir antes de ir, n\u00e3o ia. Alguns iam como volunt\u00e1rios, mas eu n\u00e3o, eu ia como combatente obrigado.<\/p>\n<p><strong>Ir para a guerra e pensar que podia n\u00e3o voltar vivo \u00e9, com certeza, um pensamento dif\u00edcil e assustador. Pensou nisso muitas vezes?<\/strong><br \/>\nAi quantas vezes! Pensava nisso principalmente quando sa\u00edamos. Quando \u00edamos para sa\u00eddas perigosas para o mato pensava nisso muitas vezes, tanto eu como os meus colegas. Era muito complicado, mas tent\u00e1vamos abstrairmos disso apoiando-nos uns aos outros.<\/p>\n<p><strong>Ao chegar ao local e ver o qu\u00e3o diferente \u00e9 de Portugal, o que lhe passou pela cabe\u00e7a?<\/strong><br \/>\nOra bem, aquilo a \u00fanica diferen\u00e7a que tem de Portugal \u00e9 o calor. A Guin\u00e9 a n\u00edvel de prov\u00edncia era muito pobrezinho, n\u00e3o tinha nada. As popula\u00e7\u00f5es viviam praticamente \u00e0 custa da tropa, era a tropa que lhes fornecia o arroz, a\u00e7\u00facar, enfim, os bens alimentares necess\u00e1rios. E isto tudo porque eles n\u00e3o podiam semear nada. Os terroristas destru\u00edam tudo, portanto eles n\u00e3o cultivavam e o governo portugu\u00eas \u00e9 que lhes fornecia a comida praticamente toda.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-776\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil2-300x200.jpg\" alt=\"gil2\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil2.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Quanto tempo, no total, esteve na Guerra da Guin\u00e9?<\/strong><br \/>\nEstive na guerra exatamente 21 meses.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que mais lhe custou fazer enquanto esteve a combater?<\/strong><br \/>\nO que mais me custou foram as sa\u00eddas noturnas para o mato. Sempre que ia podia estar \u00e0 espera de encontrar ou n\u00e3o o inimigo. Tamb\u00e9m foi muito dif\u00edcil a altura dos bombardeamentos, t\u00ednhamos muito medo, porque n\u00e3o sab\u00edamos quando \u00edamos ser bombardeados. Quando as bombas come\u00e7avam a cair ao p\u00e9 de n\u00f3s, muitas das vezes perd\u00edamos a no\u00e7\u00e3o do tempo, foi muito complicado e assustador.<\/p>\n<p><strong>No que \u00e9 que pensava nos momentos de maior afli\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPensava sempre na minha fam\u00edlia, porque tinha sempre aquele medo enorme de n\u00e3o conseguir chegar vivo para junto das pessoas que mais gostava, daquelas que s\u00e3o mais importantes para mim (sil\u00eancio). Agarrava-me tamb\u00e9m muito \u00e0 Nossa Senhora, porque, ainda hoje, tenho f\u00e9 e sou muito crente. Mas pronto, tinha que me habituar a estar longe e mentalizar-me de que as coisas podiam correr bem ou mal. Depois de l\u00e1 estar j\u00e1 estava pronto para tudo e por tudo, tinha e n\u00e3o tinha medo, ia em frente como se nada fosse. L\u00e1 no fundo tinha sempre um bocadinho de receio, mas de qualquer das maneiras tinha que me habituar.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 imagem que nos chocam e nos marcam para o resto da vida. Viu muita gente morrer?<\/strong><br \/>\nMorrer n\u00e3o vi, porque na altura em que a minha companhia esteve nos ataques a s\u00e9rio eu estava em Bissau, ent\u00e3o fui simplesmente visitar alguns companheiros ao hospital, onde um deles inclusivamente j\u00e1 n\u00e3o tinha pernas nem bra\u00e7os. Mas ver morrer, n\u00e3o vi ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>E momentos de descontra\u00e7\u00e3o, havia? <\/strong><br \/>\nAh isso havia muito. Era mais ao fim do dia, n\u00f3s faz\u00edamos as nossas farras para esquecer tudo (risos).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-778\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil4-300x196.jpg\" alt=\"gil4\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil4-300x196.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil4.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que vivia o povo da Guin\u00e9? <\/strong><br \/>\nO povo da Guin\u00e9 estava praticamente sempre com a tropa. Quem d\u00e1 p\u00e3o \u00e9 amigo, n\u00f3s d\u00e1vamos e eles estavam connosco. Ali\u00e1s, quando viemos embora, depois do 25 abril, houveram pessoas pretas, pertencentes ao povo da Guin\u00e9, que disseram que se matavam se vi\u00e9ssemos, porque, no fundo, \u00e9ramos n\u00f3s que os ajud\u00e1vamos.<\/p>\n<p><strong>Achou a guerra justa? <\/strong><br \/>\nA guerra justa ou n\u00e3o justa, era na altura a press\u00e3o sob a pol\u00edtica. Na altura foi justa porque era para defender o que era portugu\u00eas, o resto sobre a pol\u00edtica isso a\u00ed j\u00e1 era um bocadinho mais complicado, porque n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos a abertura e a comunica\u00e7\u00e3o que temos hoje, o conhecimento era pouco. As na\u00e7\u00f5es unidas n\u00e3o queriam, mas guerra colonial queria que Portugal desistisse. Mas a guerra come\u00e7ou com a morte de muita gente e n\u00f3s, tropas, tivemos que ir para l\u00e1 para meter ordem naquilo, para assegurar a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Viveu ou conheceu algu\u00e9m que tenha tido um problema traum\u00e1tico p\u00f3s-guerra?<\/strong><br \/>\nHouve muita gente nessas circunst\u00e2ncias. Ali\u00e1s, um colega meu que, infelizmente, j\u00e1 morreu. Quando voltou para Portugal vinha maluco, chegou a andar nu em Lisboa. Com situa\u00e7\u00f5es deste g\u00e9nero foi para o manic\u00f3mio e, entretanto, morreu.<\/p>\n<p><strong>Foi militar durante quanto tempo?<\/strong><br \/>\nFui militar durante 33 meses, ou seja, dois anos e nove meses.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o viu os seus amigos camaradas morrer, mas se tivesse visto, tinha tido vontade de largar tudo para os conseguir ajudar, mesmo sabendo que podia morrer a qualquer momento?<\/strong><br \/>\nEu ia ajudar sem problema nenhum! Uma vez n\u00e3o estava de servi\u00e7o, era domingo, e na v\u00e9spera \u00e0 noite a companhia foi atacada e ao outro dia de manh\u00e3 foi a tropa africana fazer a seguran\u00e7a \u00e0 estrada e depois, um colega meu disse-me que um negro se estava a sentir mal e pediu para o ir ajudar, porque dizia que eu era um gajo cheio de sorte. Eu fui sem problema nenhum e fomos 8 num cami\u00e3o Mercedes e n\u00f3s andamos por ali fora e, ainda por cima, era um dia em que havia futebol. Era um jogo do Sporting contra o Benfica e a malta a ir para o local a discutir o futebol. N\u00e3o sabiam o sitio para onde iam, s\u00f3 eu e o meu colega \u00e9 que sab\u00edamos e como eles estavam a fazer muito barulho eu disse-lhes para n\u00e3o fazerem muito barulho, porque o barulho era uma das coisas que nos localizavam e n\u00f3s t\u00ednhamos que ir o mais discretos poss\u00edvel. Fomos andando e nunca encontramos ningu\u00e9m, at\u00e9 que chegamos ao fim da estrada, que era onde tinham sido atacados \u00e0 poucas horas, e vimos que os africanos n\u00e3o estavam l\u00e1 e era ali que deviam estar. Quando voltamos para tr\u00e1s j\u00e1 os fomos apanhar \u00e0 sa\u00edda do quartel, n\u00e3o tive medo nenhum em ir socorrer o camarada.<\/p>\n<p><strong>Quando sentiu que a guerra estava a chegar ao fim, qual foi a primeira coisa em que pensou?<\/strong><br \/>\nQuando senti que a guerra ia acabar deu-se o 25 abril. A partir da\u00ed pensamos logo que ela iria acabar e s\u00f3 quer\u00edamos vir embora o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, porque n\u00f3s s\u00f3 quer\u00edamos voltar para casa, para ao p\u00e9 das nossas fam\u00edlias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-777\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil3-300x202.jpg\" alt=\"gil3\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil3-300x202.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/gil3.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 voltar s\u00e3o e salvo para junto da fam\u00edlia?<\/strong><br \/>\n\u00c9, sem d\u00favida, uma grande alegria. Tanto para n\u00f3s como para a fam\u00edlia. Voltar para casa s\u00e3os e salvos \u00e9 sin\u00f3nimo de estar em seguran\u00e7a. Chegar a casa e ver que chegamos ao nosso conforto e aos bra\u00e7os daqueles de quem mais gostamos \u00e9 a melhor sensa\u00e7\u00e3o que se pode sentir quando se regressa da guerra.<\/p>\n<p><strong>Que g\u00e9nero de perguntas lhe faziam quando chegou da guerra?<\/strong><br \/>\nNormalmente as pessoas pouco ou nada perguntavam, porque n\u00e3o queriam tocar muito no assunto. No fundo sabiam que n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o gost\u00e1vamos de falar, porque a guerra \u00e9 uma coisa que nos marca de uma forma muito profunda.<\/p>\n<p><strong>Nessa altura j\u00e1 namorava?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. S\u00f3 encontrei realmente o amor da minha vida depois de vir da guerra.<\/p>\n<p><strong>Voltava a ir combater para a guerra?<\/strong><br \/>\nSe fosse necess\u00e1rio e por uma causa justa, com certeza que n\u00e3o tinha problema nenhum em ir, ia com certeza e sem d\u00favida.<\/p>\n<p><strong>Acha que a guerra de hoje em dia \u00e9 igual \u00e0 de antigamente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, \u00e9 muito diferente. Os anos avan\u00e7aram e as coisas e m\u00e9todos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que mudou?<\/strong><br \/>\nMudou a maneira de fazer a guerra. Atualmente \u00e9 totalmente diferente. Agora existem m\u00e1quinas, existe artilharia e outros meios que quando precisam atacam s\u00f3 onde querem. Embora saibam onde est\u00e3o os inimigos e atirem as bombas para o s\u00edtio certo, antigamente n\u00e3o era assim.<\/p>\n<p><strong>Tendo em vista que foi militar, o que mudaria no servi\u00e7o militar portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nPara o servi\u00e7o militar de hoje em dia s\u00f3 v\u00e3o volunt\u00e1rios, por isso devia continuar a ser obrigat\u00f3rio e fazia bem a toda a gente. Agora \u00e9 diferente, a no\u00e7\u00e3o de ir para a guerra ou n\u00e3o j\u00e1 vai de pessoa para pessoa. Pelo menos meio ano devia ser obrigat\u00f3rio, nem que seja s\u00f3 para a disciplina.<\/p>\n<p><strong>Hoje, sendo pai e av\u00f4, gostaria que os seus filhos e netos fossem para o servi\u00e7o militar portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nPara a tropa eu gostava, para a guerra n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Porque n\u00e3o para a guerra?<\/strong><br \/>\nNa guerra j\u00e1 se correm muitos riscos e na tropa \u00e9 diferente. A tropa n\u00e3o far\u00e1 mal a ningu\u00e9m, nem que seja apenas meio ano s\u00f3 para se ver e sentir o rigor, a disciplina e o saber e obriga\u00e7\u00e3o das coisas. Para a guerra s\u00f3 devem ir os que s\u00e3o obrigados ou ent\u00e3o aqueles que t\u00eam muita for\u00e7a e valentia para se voluntariar.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma hist\u00f3ria que queira contar? <\/strong><br \/>\nHist\u00f3rias h\u00e1 muitas, mas algumas\u00a0a gente s\u00f3 quer esquecer (sil\u00eancio). Tudo aquilo pelo que passamos na vida s\u00e3o hist\u00f3rias que ficam e que nos marcam, sejam elas positivas ou negativas. Estar na guerra e vivenciar todo aquele ambiente \u00e9 uma grande hist\u00f3ria. Mas \u00e9 uma hist\u00f3ria que, na maior parte das vezes, queremos guardar s\u00f3 para n\u00f3s, porque marcou-nos de uma forma muito pessoal e intimista.<\/p>\n<p>Sara Pereira (texto)<\/p>\n<p>Imagens: Arquivo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gil Manuel Pereira Francisco tem 64 anos e \u00e9 natural da P\u00f3voa do Forno, conselho de Oliveira do Bairro. 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