{"id":7493,"date":"2019-07-05T12:39:54","date_gmt":"2019-07-05T12:39:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=7493"},"modified":"2019-07-05T12:39:54","modified_gmt":"2019-07-05T12:39:54","slug":"a-igualdade-de-generos-nao-e-utopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=7493","title":{"rendered":"A Igualdade de g\u00e9neros n\u00e3o \u00e9 utopia"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>A igualdade de g\u00e9neros \u00e9 uma luta com mais de 100 anos de hist\u00f3ria que ainda tem um longo caminho por percorrer. Nos \u00faltimo 3 anos, Portugal tem tomado medidas que prometem melhorar as estat\u00edsticas apresentadas e garantir a paridade entre homens e mulheres. A humanidade acredita que a igualdade de g\u00e9neros \u00e9 poss\u00edvel.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Anita\u00a0de Almeida Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-7494\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/imagereportagem.png\" alt=\"\" width=\"961\" height=\"934\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/imagereportagem.png 961w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/imagereportagem-300x292.png 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/imagereportagem-768x746.png 768w\" sizes=\"(max-width: 961px) 100vw, 961px\" \/><\/p>\n<p>Foi na passagem do s\u00e9c. XIX para o s\u00e9c.XX que surgiram, os primeiros movimentos \u00a0que lutavam pela igualdade entre homens e mulheres. Nessa \u00e9poca, as reivindica\u00e7\u00f5es passavam, essencialmente pela pol\u00edtica, nomeadamente pelo direito \u00e0 escolha e participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica por parte das mulheres. Com o passar do tempo, as lutas come\u00e7aram a ser feitas para a conquista de outros direitos. Foi assim que se come\u00e7ou a falar de feminismo, movimento que tem sido cada vez mais debatido nas redes sociais e que, por isso, tem perdido o seu verdadeiro significado. Muita gente acredita que o feminismo defende a superioridade das mulheres, no entanto, tal como referiu a secret\u00e1ria de Estado para a Cidadania e Igualdade ao <em>Sapo24,<\/em> \u201cFeminismos [forma como a autarca se refere ao feminismo] n\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio de machismo. Machismo \u00e9 discrimina\u00e7\u00e3o, (\u2026) assenta num regime patriarcal que exclui, discrimina e coloca em desvantagem as mulheres relativamente aos homens. Ora, os feminismos desde sempre reivindicaram precisamente a igualdade. (\u2026) O feminismo \u00e9 promo\u00e7\u00e3o e defesa da igualdade\u201d. Entenda-se ent\u00e3o, de acordo com o dicion\u00e1rio Priberam, feminismo como \u201cmovimento ideol\u00f3gico que preconiza a amplia\u00e7\u00e3o legal dos direitos civis e pol\u00edticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem\u201d.<\/p>\n<p>Outro problema que tem sido levantando, fruto da corrente discuss\u00e3o da igualdade nas redes sociais, \u00e9 a acusa\u00e7\u00e3o de que o debate deste tema \u00e9 exagerado, o que leva a uma consequente desvaloriza\u00e7\u00e3o do mesmo. Para este problema Rosa Monteiro, declara que, \u201cDesde quando \u00e9 exagero reivindicar direitos humanos? Exagero s\u00e3o os discursos xen\u00f3fobos e mis\u00f3ginos (\u2026), \u00e9 a intoler\u00e2ncia, a desigualdade, a discrimina\u00e7\u00e3o, o discurso de \u00f3dio. Tudo o que sejam discursos de ativismo, propostas de melhoria\u00a0da\u00a0sociedade, de reconhecimento dos direitos das pessoas, dos homens e das mulheres, n\u00e3o pode ser classificado nunca como\u00a0exagero&#8221;.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7500\" aria-describedby=\"caption-attachment-7500\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-7500\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/i038880.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/i038880.jpg 350w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/i038880-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7500\" class=\"wp-caption-text\">Rosa Monteiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>A chave para resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da paridade entre homens e mulheres, ou pelo menos, parte deles, pode passar, de acordo com Paula Lobo, investigadora na \u00e1rea da igualdade de g\u00e9neros e doutorada em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, pela consciencializa\u00e7\u00e3o de que esta \u00e9 uma quest\u00e3o que afeta homens e mulheres \u201ca consci\u00eancia da import\u00e2ncia da igualdade de oportunidades t\u00eam de ser de ambas as fa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o. Homens e mulheres. \u00c9 uma mudan\u00e7a que vem do fundo da estrutura social\u201d.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a da estrutura social, a (r)educa\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de mentalidades podem ser fatores determinantes na melhoria de condi\u00e7\u00f5es das mulheres na sociedade. Mafalda Alves, membro da Plataforma J\u00e1 Marchavas (movimento de cidad\u00e3s\/\u00e3os e coletivos que defendem os direitos Humanos, o Ambiente e os Animais), acredita que \u201cpassa muito pela mudan\u00e7a de mentalidade,\u00a0 pelas mulheres n\u00e3o se subjugarem com medo, (\u2026) t\u00eam de fazer valer os seus direitos e n\u00e3o se podem deixar\u00a0 espezinhar\u201d.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara Xavier, membro da Rede de Jovens para a Igualdade, concorda e acrescenta que \u00e9 essencial atuar na escola formal, \u201cEu tenho no\u00e7\u00e3o que o programa \u00e9 muito pesado. No entanto isto s\u00e3o quest\u00f5es que nos v\u00e3o afetar a todos e a todas. Na escola formal, esta disciplina [Cidadania e Desenvolvimento], deveria ter muito mais import\u00e2ncia. N\u00f3s continuamos a ter muitos estere\u00f3tipos e muitos preconceitos continuam a ser passados para as crian\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>Rosa Monteiro, adiantou \u00e0 Sapo 24 que \u201cestamos a fazer forma\u00e7\u00e3o numa articula\u00e7\u00e3o entre a CIG [Comiss\u00e3o para a Cidadania e Igualdade de G\u00e9nero] e a Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Educa\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito da Estrat\u00e9gia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o para a Cidadania(\u2026) , com enfoque nas metodologias que devem ser utilizadas pelos docentes e pelas docentes na nova disciplina, chamada Cidadania e Desenvolvimento, sendo que a igualdade de g\u00e9nero \u00e9 apenas uma das v\u00e1rias \u00e1reas abordadas\u201d. Mafalda afirma que Portugal deve \u201ccome\u00e7ar pelas crian\u00e7as, come\u00e7ar a educ\u00e1-las. Talvez elas transmitam essas ideias em casa, talvez seja melhor assim do que tentarmos mudar mentalidades de pessoas mais idosas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Portugal + Igual?<\/strong><\/p>\n<p>Para al\u00e9m da \u201cEstrat\u00e9gia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o para a Cidadania\u201d, o governo aprovou ainda, a 8 de mar\u00e7o de 2018, a \u201cEstrat\u00e9gia Nacional para a Igualdade e N\u00e3o Discrimina\u00e7\u00e3o 2018-2030\u201d que tem como slogan <em>\u201cPortugal + Igual\u201d<\/em> e cont\u00e9m 3 planos de a\u00e7\u00e3o, sendo um deles para a igualdade entre homens e mulheres. De acordo com um documento publicado no site da CIG, esta estrat\u00e9gia visa promover, entre outras medidas, a participa\u00e7\u00e3o plena e igualit\u00e1ria na esfera p\u00fablica e privada por parte dos sexos, desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico inclusivo, desenvolver uma participa\u00e7\u00e3o completa e parit\u00e1ria de mulheres e homens no mercado de trabalho e na atividade profissional, combater os estere\u00f3tipos sexistas presentes na sociedade. B\u00e1rbara Xavier acredita que estes tipos de estrat\u00e9gias s\u00e3o importantes e podem ajudar na mudan\u00e7a caso sejam aplicadas com rigor. Mafalda Alves \u00e9 da mesma opini\u00e3o, referindo ainda que \u201cO ser humano est\u00e1 em constante muta\u00e7\u00e3o vamos descobrir sempre novas formas de criar \u00f3dio, (\u2026) n\u00f3s queremos sempre a nossa supremacia em rela\u00e7\u00e3o ao outro e por isso essas medidas n\u00e3o s\u00e3o suficientes, mas por enquanto talvez sejam as necess\u00e1rias\u201d. Clara Silva, ilustradora feminista conhecida como Clara N\u00e3o, diz que estas medidas s\u00e3o importantes, uma vez que \u201cPelo menos, fazem com que as pessoas estejam mais atentas ao problema, pois abre a discuss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para financiar a estrat\u00e9gia, o governo disponibilizou, em setembro de 2018, 7 milh\u00f5es de euros, vindos do mecanismo Espa\u00e7o Econ\u00f3mico Europeu. Na sess\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o do programa, Rosa Monteiro destacou que \u201csem este financiamento algumas coisas ficariam necessariamente por fazer\u201d, sendo agora poss\u00edvel avan\u00e7ar com medidas urgentes, nomeadamente em \u00e1reas como \u201co refor\u00e7o do sistema estat\u00edstico nacional em mat\u00e9ria de igualdade, sendo ainda uma pe\u00e7a chave em mat\u00e9ria de concilia\u00e7\u00e3o da vida profissional, pessoal e familiar\u201d. Algum deste dinheiro j\u00e1 foi aplicado, tal como foi previsto para o desenvolvimento de pol\u00edticas de igualdade no mercado trabalho e estudar as pr\u00e1ticas da Isl\u00e2ndia. A verba ir\u00e1 ainda ser usada para a integra\u00e7\u00e3o da perspetiva da igualdade e combater a segrega\u00e7\u00e3o sexual no ensino superior; ser\u00e1 promovido pela Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Ensino Superior\u201d e para a melhoria dos estudos estat\u00edsticos relativos a desigualdade.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituo Europeu para a Igualdade de G\u00e9neros, o \u00edndice (0 a 100), de igualdade de g\u00e9neros em Portugal em 2017, foi de 56, menos 10,2 do que na Uni\u00e3o Europeia (UE). \u00c9 importante referir que tem havido uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente em diminuir estes dados e que alguns estados-membros como a Isl\u00e2ndia e Alemanha, j\u00e1 deram largos passos na longa caminhada que a humanidade ainda tem para fazer para alcan\u00e7ar a paridade entre mulheres e homens.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-7501\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/indice.png\" alt=\"\" width=\"622\" height=\"573\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/indice.png 622w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/indice-300x276.png 300w\" sizes=\"(max-width: 622px) 100vw, 622px\" \/><\/p>\n<p>O que se defende, de forma geral, \u00e9 que a igualdade de g\u00e9neros \u00e9 poss\u00edvel. No entanto, t\u00eam de ser feitas mudan\u00e7as na estrutura social, na mentalidade, eliminar estere\u00f3tipos e perceber que esta n\u00e3o \u00e9 uma luta apenas do sexo feminino.<br \/>\n<strong>Linguagem Inclusiva \u2013 um desafio <\/strong><\/p>\n<p>Um assunto que tem vindo a ser discutido pelos defensores da igualdade, \u00e9 a forma como usamos as palavras. A verdade \u00e9 que muitas vezes usamos palavras no masculino, por exemplo usamos a palavra \u201ccidad\u00e3o\u201d para homens e mulheres e deixamos a palavra \u201ccidad\u00e3\u201d na prateleira a apanhar p\u00f3, ou quando estamos perante uma situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o presentes mulheres e homens dizemos \u201celes est\u00e3o juntos\u201d, quando pod\u00edamos usar \u201celes e elas est\u00e3o juntos\u201d.<\/p>\n<p>Tal como refere B\u00e1rbara Xavier, \u201ctemos tend\u00eancia a pensar no masculino e isso \u00e9 uma coisa que infelizmente \u00e9 normal na nossa sociedade. Temos que nos ir relembrando disso todos os dias, e \u00e9 normal as vezes falhar (\u2026) temos \u00e9 que ser cr\u00edticos quanto a essa viv\u00eancia, mas n\u00e3o temos que nos julgar constantemente\u201d.<\/p>\n<p>Para Rosa Monteiro, em entrevista para a Sapo24, o defeito est\u00e1 em \u201ctermos um uso do masculino universal como sendo neutro. J\u00e1 h\u00e1 muitas d\u00e9cadas que se procura intervir sobre ele, inclusivamente com resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Ministros que alertem para essa quest\u00e3o e que remetam para a necessidade de se utilizar uma linguagem neutra ou que seja efetivamente inclusiva e igualit\u00e1ria. H\u00e1 um conjunto de dicas comunicacionais que facilitam a ado\u00e7\u00e3o desta linguagem neutra e n\u00e3o apenas do masculino\u201d.<\/p>\n<p>Como \u00e9 f\u00e1cil de perceber, esta \u00e9 uma mudan\u00e7a muito desafiante uma vez que faz parte da nossa l\u00edngua o uso de termos no masculino. \u201c\u00c9 um caminho dif\u00edcil, porque s\u00e3o h\u00e1bitos de linguagem muito enraizados e n\u00e3o \u00e9 imediata ou f\u00e1cil a utiliza\u00e7\u00e3o de neutros ou de todas as formas. A linguagem \u00e9 muito importante, porque representa o mundo e a vida. E do mundo e da vida n\u00e3o est\u00e3o exclu\u00eddos 52% da popula\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7a a governante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Igualdade na Pol\u00edtica <\/strong><\/p>\n<p>Estamos habituamos a ver no poder, seja como presidentes da rep\u00fablica, da c\u00e2mara, da junta ou qualquer outro organismo pol\u00edtico, pessoas do sexo masculino. No entanto, nem a pol\u00edtica foge a todas as altera\u00e7\u00f5es que emergem na sociedade relativas \u00e0 paridade de g\u00e9nero. Pelo contr\u00e1rio, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica tende a ganhar cada vez mais for\u00e7a e \u00e9 um assunto que \u00e9 cada vez mais debatido no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em Portugal, a mar\u00e7o de 2018, registou-se aumentou de 33% para 40% (valor m\u00ednimo recomendado pelo Concelho Europeu) da quota m\u00ednima de representa\u00e7\u00e3o por g\u00e9nero nas listas para as elei\u00e7\u00f5es parlamentares europeias, da Assembleia da Rep\u00fablica, c\u00e2maras e assembleias de freguesia, assim como para os vogais das juntas de freguesia. Segundo declara\u00e7\u00f5es de Rosa Monteiro ao jornal <em>P\u00fablico<\/em>, a raz\u00e3o pela qual as quotas s\u00e3o um assunto dif\u00edcil de resolver deve-se ao preconceito que ainda se sente na estrutura do pa\u00eds. A secret\u00e1ria de estado refere ainda que \u201cgrande parte do problema est\u00e1 do lado dos partidos e quem decide nos partidos. Quando quem manda nos partidos estiver convencido, tudo ser\u00e1 mais f\u00e1cil\u201d.<\/p>\n<p>Clara N\u00e3o acredita que a dificuldade reside na velha cren\u00e7a de que existe uma maior confian\u00e7a nos homens quando se trata de cargos de mais responsabilidade, pois \u201cas pessoas tendem a confiar mais facilmente para altos cargos em homens. \u00c9 uma for\u00e7a de h\u00e1bito com base no machismo e patriarcado que construiu o protocolo da sociedade. H\u00e1 muito mais mulheres na pol\u00edtica do que parece, s\u00f3 n\u00e3o chegam a ter visibilidade. E mesmo tendo visibilidade, t\u00eam tend\u00eancia a serem secundarizadas pelos homens\u201d, diz.<\/p>\n<p>Se analisarmos as listas para as Elei\u00e7\u00f5es Europeias do corrente ano, das 17 listas candidatas, apenas uma delas tinha como cabe\u00e7a de lista uma mulher. J\u00e1 em 2014, de 16 listas concorrentes, 2 tinham cabe\u00e7as de listas mulheres. Analisando os 21 eurodeputados eleitos em ambos os anos, percebemos que neste mandato iremos ser defendidos por mais uma mulher, com um total de 9 eurodeputadas. Em percentagem, o sexo feminino fica com uma representatividade de 43%, percentagem in\u00e9dita no painel de eurodeputadas\/os portugueses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As mulheres e a lideran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala de igualdade entre mulheres e homens, parece quase obrigat\u00f3rio falar do sexo feminino em cargos de lideran\u00e7a. Ao longo da hist\u00f3ria as mulheres sempre foram vistas como \u201cincapazes\u201d de liderar, tendo como obriga\u00e7\u00e3o cuidar dos filhos e tratar das tarefas dom\u00e9stica. Esse \u00e9 dos maiores estere\u00f3tipos associados \u00e0s mulheres. Para al\u00e9m desse estere\u00f3tipo, a natalidade \u00e9 outro fator que impede as mulheres de chegar mais longe na hora de liderar. Paula Lobo afirma que em profiss\u00f5es como o jornalismo, que exigem uma dedica\u00e7\u00e3o extra e hor\u00e1rios flex\u00edveis, as mulheres t\u00eam dificuldade em chegar a l\u00edderes porque vivemos \u201c numa sociedade que est\u00e1 organizada ou que ainda se continua a organizar, em que a maior parte do trabalho dom\u00e9stico \u00e9 assegurado pelas mulheres e\u00a0 elas tipicamente continuam a ter menos disponibilidade para se dedicar \u00e0 carreira em rela\u00e7\u00e3o aos homens\u201d . Para al\u00e9m disso, o facto de a mulheres engravidarem, de forma geral, em fases em poderia chegar a cargos de lideran\u00e7a \u00e9 outro fator que lhes pode dificultar a carreira, segundo a investigadora de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7499\" aria-describedby=\"caption-attachment-7499\" style=\"width: 864px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-7499\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/27752472_10211802405275348_1293893630269874043_n.jpg\" alt=\"\" width=\"864\" height=\"864\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/27752472_10211802405275348_1293893630269874043_n.jpg 864w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/27752472_10211802405275348_1293893630269874043_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/27752472_10211802405275348_1293893630269874043_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/27752472_10211802405275348_1293893630269874043_n-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7499\" class=\"wp-caption-text\">Paula Lobo<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), conclu\u00eddo no corrente ano, entre os anos de 2005 e 2015, as penaliza\u00e7\u00f5es com origem na maternidade registaram um aumento de 38,4%.<\/p>\n<p>Mais grave do que as tarefas dom\u00e9sticas e a maternidade prejudicarem a chegada da mulher \u00e0 lideran\u00e7a, \u00e9 a dificuldade que as mesmas t\u00eam de arranjar emprego na idade f\u00e9rtil. Ainda \u00e9 real o problema de que as entidades empregadoras evitam contratar mulheres, caso estas possam vir a engravidar. \u201cQuem emprega diz que n\u00e3o arrisca contratar mulheres em idade f\u00e9rtil, v\u00e3o ter filhos, v\u00e3o pedir licen\u00e7as. \u00c9 como se elas tivessem um valor menor de mercado o que \u00e9 profundamente errado, at\u00e9 porque as crian\u00e7as e as tarefas dom\u00e9sticas s\u00e3o responsabilidade de toda a sociedade. Mas l\u00e1 est\u00e1, \u00e9 uma realidade cultural que tem foi constru\u00edda ao longo de muitos anos e que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de desmontar\u201d, esclarece Paula Lobo.<\/p>\n<p>O mesmo estudo, revelou ainda que, apesar de o n\u00famero de mulheres a lidar ser inferior ao dos homens, o sexo feminino consegue alcan\u00e7ar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a mais rapidamente que os homens e s\u00e3o, na maior parte das vezes, um ano mais novas quando o atingem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Remunera\u00e7\u00f5es Desiguais <\/strong><\/p>\n<p>Aliadas \u00e0s dificuldades de lideran\u00e7a, v\u00eam as quest\u00f5es salariais. Fruto da \u201cEstrat\u00e9gia Nacional Para a Igualdade e N\u00e3o-Discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, foi aprovada, em fevereiro deste ano, uma lei que visa promover a igualdade no mercado de trabalho e empresas e que ir\u00e1 multar as empresas que n\u00e3o cumpram o pagamento de sal\u00e1rios iguais para pessoas que desempenhem a mesma fun\u00e7\u00e3o. A lei dita que as empresas devem provar que a est\u00e3o a cumprir \u00e0s\/aos suas\/seus funcion\u00e1rias\/os, aos tribunais, \u00e0 Autoridade para as Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho (ACT) e \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).<\/p>\n<p>Esta lei vem tentar alterar, os dados fornecidos pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, Solidariedade e Seguran\u00e7a Social ao <em>P\u00fablico, <\/em>que apresentam uma desigualdade salarial (considerando subs\u00eddios, pr\u00e9mios e trabalho extra) de 18,3%. Em euros, representa uma diferen\u00e7a de 225\u20ac mensais. No que toca ao sal\u00e1rio base, a diferen\u00e7a \u00e9 de 150\u20ac\/m\u00eas.<\/p>\n<p>Para B\u00e1rbara Xavier, a diferen\u00e7a salarial aumenta quando s\u00e3o adicionadas as remunera\u00e7\u00f5es extra. \u201cIsto \u00e9 aquele tipo de coisas que \u00e9 decidido muito mais subjetivamente\u201d, afirma a representante da Rede e Jovens para a Igualde, desvalorizando\u00a0 a velha cren\u00e7a de que as mulheres t\u00eam menos capacidades que os homens: \u201cse formos as estat\u00edsticas da educa\u00e7\u00e3o, as mulheres s\u00e3o as melhores alunas, as mulheres acabam os cursos primeiro, como \u00e9 que isso depois no mercado de trabalho n\u00e3o est\u00e1 refletido?\u201d.<\/p>\n<p>Outro estudo, desta vez da Polar Insight, em parceria com o Centro de Estudos obre Pessoas e Culturas de Express\u00e3o Portuguesa da Universidade Cat\u00f3lica, mostra que 78,9% das cidad\u00e3s e cidad\u00e3os com remunera\u00e7\u00f5es superiores a 3550\u20ac\/m\u00eas s\u00e3o homens e que 75% das trabalhadoras e trabalhadoras com sal\u00e1rio mensal inferior a 500\u20ac s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>Os valores lan\u00e7ados pelo Eurostat em 2018, que apontam para uma disparidade salarial entre mulheres e homens de 17,5%, mais 1,3% do que a m\u00e9dia da UE, tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser esquecidos, uma vez que o primeiro objetivo pode passar pela descida das diferen\u00e7as salariais para valores inferiores \u00e0 m\u00e9dia da UE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o e os estere\u00f3tipos<\/strong><\/p>\n<p>Os estere\u00f3tipos s\u00e3o, em todas as dimens\u00f5es da sociedade, uma das maiores barreiras ao desenvolvimento da sociedade e da humanidade. No caso dos estere\u00f3tipos de g\u00e9nero, podemos v\u00ea-los desde as\/os apresentadoras\/res e jornalistas de televis\u00e3o at\u00e9, como j\u00e1 foi referido, a nossa linguagem. Paula Lobo, refere que \u201cno caso da comunica\u00e7\u00e3o social, temos pivots que n\u00e3o s\u00e3o propriamente modelos da Victoria Secret\u2019s, n\u00e3o est\u00e3o dentro dos padr\u00f5es t\u00edpicos de beleza masculina, mas que, no entanto, s\u00e3o muito valorizados pelos p\u00fablicos, pela audi\u00eancia e pelos colegas. No caso das mulheres, existe desde sempre uma tend\u00eancia muito grande para colocar a frente das c\u00e2maras mulheres bonitas\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00e9 importante perceber que os meios de comunica\u00e7\u00e3o, enquanto formadores de opini\u00e3o p\u00fablica, podem ter um papel importante no desmontar dos estere\u00f3tipos de g\u00e9nero. Essa mudan\u00e7a pode partir desde os \u201c\u00e2ngulos de an\u00e1lise, diversidade das fontes, uma vez que temos muito mais fontes do sexo masculino atualmente em televis\u00e3o por exemplo do que mulheres\u201d, esclarece Paula Lobo.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que o jornalismo procura essencialmente, o sensacionalismo, e o sensacionalismo faz-se, nem sempre, mas muitas vezes a custa de estere\u00f3tipos de g\u00e9nero. Nomeadamente, quando queremos provocar como\u00e7\u00e3o, em algumas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 explorada a imagem da mulher\u201d, explica a investigadora. Clara Silva, concorda que os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes na luta da igualdade, \u201cdevem dar mais tempo de antena \u00e0s mulheres. Felizmente, isto tem vindo mais a acontecer, pelo menos na comunica\u00e7\u00e3o Portuguesa. Outra coisa importante, \u00e9 n\u00e3o descredibilizar o lado da mulher quando est\u00e1 a contrariar a posi\u00e7\u00e3o de um homem de poder. Outra quest\u00e3o importante, \u00e9 tratar as esposas, namoradas, filhas, \u2026, de homens em altos cargos tamb\u00e9m pelo nome, e n\u00e3o s\u00f3 como \u201cesposa do homem x\u201d, \u201cfilha do homem x\u201d (E o mesmo quando os pap\u00e9is se invertem)\u201d.<\/p>\n<p>No futuro, a altera\u00e7\u00e3o do modo como os meios de comunica\u00e7\u00e3o constroem os seus conte\u00fados, pode ser um fator determinante para a maneira como a sociedade encara os estere\u00f3tipos e a igualdade de g\u00e9nero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A igualdade de g\u00e9neros \u00e9 uma luta com mais de 100 anos de hist\u00f3ria que ainda tem um longo caminho<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7497,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[2291,578,1964,2290,271],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7493"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7493"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7493\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7502,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7493\/revisions\/7502"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}