{"id":744,"date":"2016-07-05T16:03:20","date_gmt":"2016-07-05T16:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=744"},"modified":"2016-07-05T16:03:20","modified_gmt":"2016-07-05T16:03:20","slug":"abandono-animal-uma-tragedia-sem-resolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=744","title":{"rendered":"Abandono Animal: uma trag\u00e9dia sem resolu\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><em>A GNR registou, no primeiro trimestre de 2016, um aumento de 25% no n\u00famero de den\u00fancias a maus-tratos e a abandono animal, comparativamente ao mesmo\u00a0per\u00edodo do ano anterior. O flagelo do abandono animal n\u00e3o p\u00e1ra de aumentar e o que antes seria apan\u00e1gio das f\u00e9rias de Ver\u00e3o, agora \u00e9 uma constante ao longo do ano. A\u00a0principal raz\u00e3o \u00e9 a falta de identifica\u00e7\u00e3o nos animais que s\u00e3o encontrados. <\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-745\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/animais-226x300.jpg\" alt=\"animais\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/animais-226x300.jpg 226w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/animais.jpg 540w\" sizes=\"(max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><br \/>\nSegundo Ana Maria Vaz, diretora do Cantinho dos Animais de Viseu desde 1993, \u201co abandono \u00e9 todo o ano, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 \u00e9pocas mais altas. Os jovens, porque s\u00e3o o nosso futuro, n\u00e3o se preocupam em esterilizar\/castrar os seus animais. Acham que estes v\u00e3o perder as suas qualidades e j\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o &#8216;prestar&#8217;. Esquecem-se \u00e9 do mais importante, que as cadelas n\u00e3o t\u00eam um filho, t\u00eam v\u00e1rios. O abandono n\u00e3o se vai resolver t\u00e3o cedo e isso deve-se, sobretudo, a donos que rejeitam a ideia de p\u00f4r microchip e registar os seus animais, com o intuito de n\u00e3o arcarem com as culpas, se houver algum problema com os seus animais&#8221;. Segundo a respons\u00e1vel, Em Portugal faltam bases de dados. &#8220;Nos pa\u00edses como a Holanda ou Inglaterra os jovens querem os animais, responsabilizando-se por eles tendo-os devidamente esterilizados\/castrados\u201d, aponta.<\/p>\n<p><strong>Voluntariado de alma e cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Estela Lopes, de\u00a0apenas 17 anos, faz voluntariado desde os 15. \u201cTinha 15 anos quando a minha prima, que fez voluntariado numa associa\u00e7\u00e3o de apoio animal, me pediu para ir com ela ao abrigo, porque precisava de ajuda para limpar as boxes e alimentar os c\u00e3es. Esse dia foi marcante para mim, pois vi a quantidade de animais que precisavam de algu\u00e9m que tomasse conta deles\u201d. A jovem relata assim o seu primeiro contacto num canil na zona de Mangualde.<\/p>\n<p>Roberta Almeida, advogada de profiss\u00e3o, sempre teve uma grande liga\u00e7\u00e3o com os animais, em particular com os c\u00e3es. Conta que com cerca de 7 anos resgatou o seu primeiro c\u00e3o beb\u00e9, quando andava com a sua fam\u00edlia num pinhal. \u201cTirei o casaco e embrulhei-o nele. J\u00e1 ia a entrar no carro com ele escondido, quando os meus pais se aperceberam que eu tinha um c\u00e3ozinho beb\u00e9 ao colo. Trouxemo-lo e permaneceu connosco at\u00e9 arranjar uma fam\u00edlia\u201d, conta, entre sorrisos.\u00a0No entanto, quanto mais crescia, mais a preocupa\u00e7\u00e3o pelo bem-estar dos patudos se ia intensificando. \u201cChegava a entrar em caf\u00e9s comprar um bolo de arroz ou lancheiras para dar a animais que via na rua e pareciam ter fome\u201d, recorda\u00a0a advogada.<\/p>\n<p>\u201cSei que todas as associa\u00e7\u00f5es passam por dificuldades financeiras, por falta de apoios e de voluntariado. Aquela onde fui volunt\u00e1ria n\u00e3o era exce\u00e7\u00e3o. Infelizmente, aquilo que me fez mesmo desistir do voluntariado foi o facto de a associa\u00e7\u00e3o ter uma presidente que n\u00e3o colocava os interesses dos animais em primeiro plano. Uma presidente que n\u00e3o ajuda, nem quer ajudar. Impedia os volunt\u00e1rios de fazer o melhor pelos animais, n\u00e3o assegurando o m\u00ednimo de cuidados veterin\u00e1rios aos animais\u201d, lamenta Roberta Almeida.<\/p>\n<p>Atualmente a advogada n\u00e3o faz voluntariado em nenhuma associa\u00e7\u00e3o, no entanto, continua ativa no que diz respeito a proteger animais, encaminhando-os para um lar onde exista amor e os animais sejam tratados como membros da fam\u00edlia. \u201cContinuo a alimentar os c\u00e3es da aldeia, felizmente s\u00f3 h\u00e1 uma f\u00eamea e vou apanhando as ninhadas que esta costuma ter. O meu foco de aten\u00e7\u00e3o agora \u00e9 esterilizar a f\u00eamea, mas ela n\u00e3o deixa que ningu\u00e9m se aproxime. Para al\u00e9m disso, juntamente com uma amiga, vou resgatando outros animais que apare\u00e7am por Viseu\u201d, salienta Roberta Almeida.<\/p>\n<p>PAN com voz ativa no Parlamento.<\/p>\n<p>O PAN &#8211; Pessoas Animais e Natureza juntou-se, nas legislativas de 2015, aos outros cinco partidos j\u00e1 com representa\u00e7\u00e3o parlamentar. Contribu\u00edram para a entrada em vigor da lei que criminaliza os maus-tratos, que pode \u00a0punir aqueles que maltratarem animais\u00a0com pena de pris\u00e3o at\u00e9 um ano ou com pena de multa at\u00e9 120 dias. Ana Maria Vaz est\u00e1 dececionada com este partido. \u201cCome\u00e7aram por falar no n\u00e3o abate nos canis municipais. O nosso (Cantinho) \u00e9 particular e temos tantos animais a entrar aqui. Se, uma pessoa nos liga a dizer que tem um animal \u00e0 porta de sua casa e que tem trela, n\u00f3s n\u00e3o o vamos buscar, pode ter fugido de casa e voltar passado uns momentos. Os canis n\u00e3o abatem, mas a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer o animal ali a rondar, talvez v\u00e1 ser maltratado ou pior, envenenado e coisas do g\u00e9nero. N\u00e3o h\u00e1 provas que o animal \u00e9 maltratado, \u00e9 a palavra do dono, se assim o pudemos chamar, contra a da testemunha\u201d, refere.<\/p>\n<p><strong>O Facebook e o (re)encontro com os donos<\/strong><\/p>\n<p>No Facebook existem in\u00fameras p\u00e1ginas com apelos a animais que foram abandonados ou perdidos. Francisca Laranjeira, de 23 anos, e licenciada em Psicologia, \u00e9 uma das gestoras da p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Animais-perdidosabandonados-VISEU-795242600605124\/\">Animais perdidos\/abandonados VISEU<\/a>. O motivo mais importante e que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina foi a inexist\u00eancia de uma p\u00e1gina s\u00f3 com este tema em Viseu. Inicialmente, o que seria apenas um grupo fechado no facebook causou\u00a0tanto interesse aos cibernautas que foi criada uma p\u00e1gina aberta, tornando mais f\u00e1cil a pesquisa e a partilha de an\u00fancios atrav\u00e9s de l\u00e1.<\/p>\n<p>Tendo sido criada em novembro de 2015, n\u00e3o havia expectativas, se iria ter ades\u00e3o\u00a0ou n\u00e3o. Ao longo do tempo a hist\u00f3ria mudou\u2026 \u201cFelizmente este &#8216;passa a palavra&#8217; funciona muito bem no Facebook e tem sido muito bom ver que ainda h\u00e1 pessoas dedicadas a ajudar estes animais seja tirando-os da rua, alimentando-os ou fazendo esfor\u00e7os para lhes encontrar fam\u00edlias. D\u00e1-nos a sensa\u00e7\u00e3o que o abandono de animais \u00e9 cada vez maior, mas \u00e9 tamb\u00e9m cada vez maior a procura de animais para adotar\u201d, conclui assim a psic\u00f3loga, que sempre teve uma rela\u00e7\u00e3o mais sens\u00edvel com animais.<\/p>\n<p><strong>Ado\u00e7\u00e3o com cabe\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Mel \u201cfoi abandonada num pinhal dentro de um saco, assim que nasceu\u2026 \u00c9 f\u00e1cil adivinhar o que lhe teria acontecido, se a pessoa que a resgatou n\u00e3o estivesse ali a passar\u201d, relata Estela, que adotou h\u00e1 pouco tempo o animal indefeso.\u00a0\u201cA Mel, nome escolhido por mim e pelo meu irm\u00e3o, adaptou-se muito bem \u00e0 sua nova fam\u00edlia e ao que a rodeia. Ao inicio era desconfiada, mas com o passar dos dias viu que n\u00e3o lhe ir\u00edamos fazer mal. Atualmente, \u00e9 de uma meiguice extrema e muito astuta\u201d conclui a jovem.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o damos a estudantes sem a presen\u00e7a de progenitores, ou seja, j\u00e1 podem ter atingido a maioridade, no entanto, se n\u00e3o tiverem depend\u00eancia financeira para n\u00f3s os respons\u00e1veis s\u00e3o os pais. N\u00e3o damos tamb\u00e9m a desempregados. O pa\u00eds est\u00e1 a atravessar uma crise econ\u00f3mica e um animal tem sempre despesas. A imagem de um sem-abrigo agarrado ao seu c\u00e3o \u00e9 bonita, mas n\u00e3o t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es que pretendemos dar aos nossos animais. Se pudermos arranjar um lar onde o dono lhes d\u00e1 cama, comida e os passeia com trela, melhor\u201d. \u00c9 assim que a Diretora do Cantinho age em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis adotantes. \u201cJ\u00e1 me chegaram a dizer que \u00e9 mais f\u00e1cil adotar um filho em Viseu, do que um animal aqui no Cantinho. E ainda bem que assim \u00e9!\u201d, conclui Ana Maria Vaz.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-746\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/animais1-300x235.jpg\" alt=\"animais1\" width=\"300\" height=\"235\" \/><\/p>\n<p>\u201cViseu reconhece o nosso trabalho e a maioria das pessoas s\u00e3o generosas com as recolhas de bens alimentares. A popula\u00e7\u00e3o que lida connosco e que nos conhece h\u00e1 muitos anos sabe o trabalho que \u00e9 feito diariamente no albergue\u201d, conta Ana Maria Vaz.<\/p>\n<p>No que diz respeito a s\u00f3cios, o Cantinho conta com pouco mais de tr\u00eas mil apoiantes, no entanto, nem todos t\u00eam as quotas em dia. \u201cS\u00e3o os nossos queridos s\u00f3cios, que nos ajudam quando estamos mais enrascados. Ajudam-nos com os testes de Leishmaniose, com os testes de FELV e com outros tipos de ajuda\u201d, explica.<\/p>\n<p>Neste momento o Cantinho dos Animais alberga 350 c\u00e3es e 50 gatos. A explica\u00e7\u00e3o de Ana Maria em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros serem d\u00edspares, deve-se ao facto de os gatos n\u00e3o serem t\u00e3o dependentes dos seus donos, a n\u00edvel de passeio e de higiene.<\/p>\n<p>A diretora do Cantinho leva o seu trabalho bastante a s\u00e9rio e n\u00e3o v\u00ea com bons olhos as pessoas que pensam que a associa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma montra onde podem ver e escolher os animais que querem. Assim sendo, existem dias abertos para visitar o Cantinho. \u201cEm mar\u00e7o quando o Cantinho celebra anivers\u00e1rio e em outubro no Dia do Animal, fazemos tr\u00eas ou quatro dias de visita. Temos tamb\u00e9m visitas com as escolas, mas s\u00f3 a partir da primavera que \u00e9 quando o tempo come\u00e7a a melhorar\u201d, relembra a respons\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Denunciar \u00e9 um dever<\/strong><\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os quando quiserem denunciar alguma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia animal t\u00eam ao seu dispor uma linha SOS e em n\u00famero azul- 808\u00a0200 520, que est\u00e1 ativa 24 horas por dia e pertence \u00e0 GNR. Ou ainda, o email da sepna- sepna@gnr.pt.<\/p>\n<p><strong>In\u00eas Loureiro (texto e fotos)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A GNR registou, no primeiro trimestre de 2016, um aumento de 25% no n\u00famero de den\u00fancias a maus-tratos e a<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":746,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[302,181,271],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/744"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=744"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/744\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":747,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/744\/revisions\/747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}