{"id":695,"date":"2016-06-28T21:07:24","date_gmt":"2016-06-28T21:07:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=695"},"modified":"2016-06-28T21:07:24","modified_gmt":"2016-06-28T21:07:24","slug":"as-oportunidades-surgiram-porque-as-procurei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=695","title":{"rendered":"\u201cAs oportunidades surgiram porque as procurei\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Hor\u00e1cio Ferreira, 27 anos, nasceu em Santa Comba D\u00e3o, distrito de Viseu, e fez sucesso na m\u00fasica, mais especificamente com o clarinete. O primeiro contacto que teve com a m\u00fasica foi durante a Escola Prim\u00e1ria, quando teve a oportunidade de entrar para a banda filarm\u00f3nica da sua terra, aos oito anos. Hoje, este jovem clarinetista encontra-se entre os mais prestigiados m\u00fasicos da sua \u00e1rea, com v\u00e1rios pr\u00e9mios distin\u00e7\u00f5es internacionais. Um caminho que conquistou, confessa, com \u201cmuita a dedica\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-697\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio1-200x300.jpg\" alt=\"horacio1\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio1.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/p>\n<p>Porque escolheu o clarinete como instrumento?<br \/>\nO clarinete acabou por ser o instrumento que estava dispon\u00edvel. Gostava muito de saxofone, mas como n\u00e3o podia aprender saxofone, na banda sugeriram-me o clarinete. Desde a\u00ed, fiquei logo encantado com o clarinete.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a carreira em Santa Comba D\u00e3o?<br \/>\nExatamente.<\/p>\n<p>Come\u00e7ar em Santa Comba D\u00e3o facilitou ou dificultou, de alguma forma, o seu percurso?<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil responder, mas o certo \u00e9 que podia ter escolhido entre o futebol e a banda. Na altura, escolhi a banda. Depois, n\u00e3o comecei a estudar clarinete profissional, ou seja, s\u00f3 tinha aulas com pessoas ligadas \u00e0 banda, pessoas amadoras. S\u00f3 comecei a estudar clarinete mais tarde. Da\u00ed o facto de n\u00e3o ter ajudado ter come\u00e7ado, em Santa Comba D\u00e3o. Tenho muitos amigos na zona Norte, onde vivo, que come\u00e7aram logo a aprender com algu\u00e9m profissional do instrumento.<\/p>\n<p>Quais foram as suas influ\u00eancias mais importantes?<br \/>\nOs meus colegas e o carinho que sempre demonstraram na banda eram importantes para que continuasse a gostar daquilo que fazia, independentemente de ser a um alto n\u00edvel ou n\u00e3o. Depois, cada professor influenciou bastante a minha aprendizagem. Ajudaram-me a manter focado e a aprender a gostar de m\u00fasica. Houve duas pessoas que me marcaram bastante. O meu professor da Escola Profissional de Espinho, Lu\u00eds Carvalho, com quem ainda hoje mantenho uma grande amizade. A um n\u00edvel diferente, o meu \u00faltimo professor, Michel Arrignon, um dos maiores clarinetas de sempre.<\/p>\n<p>Teve muitas oportunidades para trabalhar no pa\u00eds e no estrangeiro em institui\u00e7\u00f5es importantes. Como descreve estas experi\u00eancias?<br \/>\nDesde que fui para a Escola Profissional, em 2002, as coisas foram acontecendo porque estava num meio diferente onde existiam mais oportunidades. As oportunidades surgem porque tamb\u00e9m procurei por elas. Posso dizer que o primeiro grande projeto em que estive inserido foi a Banda Sinf\u00f3nica Portuguesa, que ajudei a fundar. Fiz o primeiro concerto com eles e hoje \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o e uma banda de refer\u00eancia nacional. Depois, todas as outras oportunidades que fui tendo, desde tocar a solo, com orquestras ou apresentar-me em recital nesta ou naquela sala tem a ver com cursos, com o facto de as pessoas reconhecerem o meu trabalho e o meu valor. Mas, essencialmente, tem a ver tamb\u00e9m com o facto de ter ganho concursos nacionais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-698\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio2-300x244.jpg\" alt=\"horacio2\" width=\"300\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio2-300x244.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio2-768x624.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio2.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Esses concursos tiveram um papel importante tamb\u00e9m na sua vida profissional?<br \/>\nSim, acima de tudo, porque confirmam o trabalho que dedico diariamente \u00e0 profiss\u00e3o.<br \/>\nRecentemente, fui finalista de um dos maiores concursos de sempre do clarinete. Foi a 67\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Concurso de M\u00fasica de Praga, na Rep\u00fablica Checa. No ano passado, tamb\u00e9m recebi o pr\u00e9mio para a Melhor Interpreta\u00e7\u00e3o, na raps\u00f3dia Debussy, num concurso em Fran\u00e7a que \u00e9 um dos maiores meios do clarinete e sinto-me muito feliz.<\/p>\n<p><strong>A chave do\u00a0sucesso<\/strong><br \/>\nQual \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de representar Portugal?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 bem representar Portugal, mas sinto-me gratificado por poder ser portugu\u00eas e chegar onde, muitas vezes, pensamos que s\u00f3 os estrangeiros chegam.<\/p>\n<p>Quais foram as dificuldades por que passou?<br \/>\nH\u00e1 sempre adversidades. Quando me iniciei no clarinete, gostava de ter come\u00e7ado a estudar m\u00fasica mais cedo com algu\u00e9m qualificado. Isto n\u00e3o aconteceu porque em Santa Comba D\u00e3o n\u00e3o havia o Conservat\u00f3rio, que agora j\u00e1 existe. Depois, h\u00e1 outras dificuldades como, por exemplo, requerer um investimento muito grande porque temos que ir a master classes, temos de investir muito em material, mesmo para fazer concursos e audi\u00e7\u00f5es \u00e9 sempre despesas que tens e isso acaba por ser uma dificuldade.<br \/>\nA grande dificuldade em Portugal \u00e9 o facto de n\u00e3o haver muitos apoios para quem queira estudar ou bolsas de estudo, mesmo nacionais porque h\u00e1 muita gente que se calhar n\u00e3o investe um bocadinho mais na sua pr\u00f3pria carreira porque n\u00e3o tem possibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mudar isso em Portugal podia ser um projeto futuro?<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil porque a cultura depende de muitas outras coisas e come\u00e7ar a investir num projeto que d\u00ea ambi\u00e7\u00f5es a um maior investimento, principalmente nos jovens, \u00e9 complicado. Penso que talvez com a melhoria do panorama financeiro e pol\u00edtico nacional, pode ser que as coisas melhorem e haja um maior investimento, at\u00e9 por parte de privados.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma hist\u00f3ria ou algum momento que o tenha marcado de forma positiva?<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil lembrar-me agora de algum em especial mas houve um momento muito marcante e gostei muito de o ter vivido, que foi o facto de num concurso em Praga, quando acabei de fazer a primeira eliminat\u00f3ria, um senhor que eu n\u00e3o conhecia de lado nenhum que estava a assistir veio dar-me os parab\u00e9ns. A curiosidade \u00e9 que esse senhor era cego e ficou muito emocionado com a minha presta\u00e7\u00e3o e para mim \u00e9 sem d\u00favida muito gratificante.<\/p>\n<p>E de forma negativa?<br \/>\nPor vezes, existem cr\u00edticas que s\u00e3o inevit\u00e1veis. No entanto, \u00e9 normal. Cada um de n\u00f3s tem que viver com isso, mas quando por vezes recebemos uma cr\u00edtica de algu\u00e9m que te influenciou e passou tamb\u00e9m pela tua carreira nunca \u00e9 bom de viver.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 que se olhou ao espelho e disse: \u2018\u00c9 isto que eu quero para a minha vida!\u2019 ?<br \/>\nDecidi que queria seguir clarinete quando andava no 9.\u00ba ano, recebia muito carinho e era bastante respeitado l\u00e1 na banda na minha terra e era algo gostava de fazer. Achei que podia ser minha profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da m\u00fasica, qual o seu segundo maior talento?<br \/>\nDesde os 14 anos que me dedico exclusivamente \u00e0 m\u00fasica ou a alguma coisa ligada \u00e0 m\u00fasica. Para mim, um sucesso \u00e9 ver hoje a banda sinf\u00f3nica portuguesa com um grande n\u00edvel. \u00c9 tamb\u00e9m um sucesso pessoal colaborar com todas as institui\u00e7\u00f5es em Portugal, como a Orquestra Sinf\u00f3nica Portuguesa e tamb\u00e9m estou inserido na orquestra 21. Tudo isso s\u00e3o objetivos alcan\u00e7ados, inerentes \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 qual dedico exclusivamente o meu tempo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-696\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio-300x261.jpg\" alt=\"horacio\" width=\"300\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio-300x261.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/horacio.jpg 526w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Tem algum conselho para quem esteja a iniciar a sua carreira na m\u00fasica?<br \/>\nO \u00fanico conselho que posso dar, que acho que poder\u00e1 chegar a todos, \u00e9 que se sentem que a m\u00fasica \u00e9 mesmo aquilo que querem, sejam persistentes e procurem fazer sempre melhor e dar o m\u00e1ximo porque se fizerem isso v\u00e3o alcan\u00e7ar os objetivos desejados.<\/p>\n<p>Para concluir, mediante a sua experi\u00eancia, qual \u00e9 o segredo para o sucesso?<br \/>\nO segredo para qualquer trabalho ou para qualquer sucesso \u00e9 a dedica\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia. S\u00f3 assim \u00e9 que as coisas v\u00e3o surgindo. Por vezes, nem sempre corre tudo bem, mas se formos persistentes, se continuarmos a trabalhar naquilo que realmente queremos, as coisas v\u00e3o acabar por acontecer mais cedo ou mais tarde.<\/p>\n<p><strong>Leandro Coutinho<\/strong><\/p>\n<p>Imagens: Hor\u00e1cio Ferreira Oficial<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hor\u00e1cio Ferreira, 27 anos, nasceu em Santa Comba D\u00e3o, distrito de Viseu, e fez sucesso na m\u00fasica, mais especificamente com<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":698,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[282,213,283,72],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/695"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=695"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":699,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/695\/revisions\/699"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}