{"id":675,"date":"2016-06-26T14:02:15","date_gmt":"2016-06-26T14:02:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=675"},"modified":"2016-06-26T14:02:15","modified_gmt":"2016-06-26T14:02:15","slug":"a-musica-para-mim-e-um-hobby-que-eu-levo-mais-a-serio-que-a-minha-propria-profissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=675","title":{"rendered":"\u201cA m\u00fasica para mim \u00e9 um hobby, que eu levo mais a s\u00e9rio que a minha pr\u00f3pria profiss\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Dom Rubirosa \u00e9 rapper, tem 34 anos, \u00e9 natural da Murtosa. Conta ao #dacomunica\u00e7\u00e3o o porqu\u00ea de uma carreira a solo, uma vez que integra o grupo Governo Sombra e, tamb\u00e9m, quais as fontes de inspira\u00e7\u00e3o para as suas letras. Desabafa sobre as dificuldades que os m\u00fasicos t\u00eam, atualmente.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-676\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-1-300x168.jpg\" alt=\"Dom Rubirosa 1\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-1-768x431.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-1-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-1-800x445.jpg 800w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-1.jpg 1441w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Quando surgiu a paix\u00e3o pela m\u00fasica?<br \/>\nNa altura em que andava no sexto ano da escola, ou melhor foi quando comecei a prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica. Depois mais tarde, a partir do oitavo ano foi quando quis aprender a tocar um instrumento. A\u00ed sim, foi quando foi cimentado este gosto pela m\u00fasica e por tentar fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p>Que instrumento?<br \/>\nGuitarra. Eu tinha pedido um saxofone, mas o meu pai comprou-me um \u00f3rg\u00e3o e nunca dei o devido uso \u00e0quilo. Aprendi a tocar os \u201cparab\u00e9ns\u201d e a \u201cnoite feliz\u201d. Hoje em dia, arrependo-me porque teria-me dado bastante jeito.<\/p>\n<p>As suas m\u00fasicas s\u00e3o escritas por si? Quais as fontes de inspira\u00e7\u00e3o? As letras s\u00e3o baseadas na sua experi\u00eancia pessoal?<br \/>\nAs letras s\u00e3o escritas por mim, podem n\u00e3o ser na totalidade porque, por exemplo, a quest\u00e3o dos refr\u00f5es depende de quem esteja presente na m\u00fasica, ou seja, se houver um convidado, a parte do refr\u00e3o poder\u00e1, eventualmente, ser escrita em conjunto ou nem sequer ser escrita por mim mas sim por essa pessoa. No que diz repeito aos meus raps, exceto se eu estiver a fazer um cover, a letra \u00e9 escrita por mim. As fontes de inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo o que me rodeia. Pode parecer uma resposta um bocado clich\u00e9, mas \u00e9 isso, \u00e9 tudo o que me rodeia. \u00c0s vezes pode acontecer o seguinte: eu estar a falar na terceira pessoa ou para a terceira pessoa e na realidade estou a falar de mim, ou estar a falar na primeira pessoa e na realidade estar a falar de alguma hist\u00f3ria que eu conhe\u00e7a ou que seja, eventualmente, de outra pessoa. Mas normalmente, s\u00e3o coisas que est\u00e3o diretamente relacionadas comigo ou com os meus.<br \/>\nQual \u00e9 origem do nome art\u00edstico, Dom Rubirosa?<br \/>\nTem a ver com a alcunha que foi atribu\u00edda ao meu pai. O nome Rubirosa surge de um magnata, playboy das ilhas das Caribenhas que era o Porf\u00edrio Rubirosa. O meu pai chamava-se Ant\u00f3nio Porf\u00edrio e na altura esse senhor estava muito em voga e pelo meu pai ter a particularidade de ter o nome Porf\u00edrio, come\u00e7aram a chamar-lhe Porf\u00edrio Rubirosa. N\u00e3o era um nome que eu gostava muito quando era mi\u00fado mas depois comecei a utilizar. Quando o meu pai faleceu achei por bem assumir este nome por completo e \u00e9 o meu alterego principal.<br \/>\n\u00c9 usual os artistas terem um single que os identifica perante o p\u00fablico. Qual foi a sua m\u00fasica de sucesso? Qual o tema que ainda hoje lhe pedem para cantar?<br \/>\nOs meus maiores sucessos foram tr\u00eas m\u00fasicas por tr\u00eas motivos diferentes. A \u201cAzul e Branco\u201d que \u00e9 uma m\u00fasica que foi feita numa altura em que o Porto (FCP) estava a ganhar tudo em 2010\/2011. E como tal, muita gente que n\u00e3o \u00e9 relacionada com o rap mas que \u00e9 portista se identificou bastante e ent\u00e3o teve um grande sucesso. Depois, tenho uma outra m\u00fasica que \u00e9 com o Philly e com o Mohad que foi o \u201cSaco de Erva\u201d. Secalhar \u00e9 a m\u00fasica no Youtube que tem mais plays. O que ajudou esta m\u00fasica a ter tanto sucesso foi a controv\u00e9rsia e o videoclipe. E por final, o \u201cBem-vindo ao facebook\u201d porque teve uma explos\u00e3o muito grande num curto espa\u00e7o de tempo.<br \/>\nCom os concertos \u00e9 inevit\u00e1vel cantar as m\u00fasicas in\u00fameras vezes. Qual \u00e9 a m\u00fasica que j\u00e1 cantou mais vezes?<br \/>\nAcho que foi a \u201cSempre Pronto\u201d porque \u00e9 das m\u00fasicas mais antigas e est\u00e1 sempre no nosso alinhamento, seja em banda seja em DJ.<br \/>\nSabemos que \u00e9 um elemento integrante no Governo Sombra. Porqu\u00ea um caminho a solo?<br \/>\nPorque como grupo \u00e9 preciso respeitar e ir de acordo com a un\u00e2nimidade da opini\u00e3o de todos os elementos e permite-nos explorar um tipo de coisas. A solo, n\u00f3s podemos fazer as coisas mais \u00e0 nossa vontade e n\u00e3o estar t\u00e3o dependente de terceiros. Acho que \u00e9 natural. N\u00e3o quer dizer que tenha sido por ter havido alguma pol\u00e9mica ou alguma chatice. \u00c9 s\u00f3 porque queres fazer mais e se o pessoal n\u00e3o consegue estar a acompanhar o teu ritmo, tu respeitas isso e vais fazer as coisas a teu gosto. Quando o pessoal estiver para fazer em conjunto, fazemos tudo em conjunto, que \u00e9 isso que est\u00e1 delineado entre n\u00f3s.<br \/>\nQual \u00e9 a principal diferen\u00e7a art\u00edstica entre o Governo Sombra e o seu projeto a solo?<br \/>\nNo meu projeto a solo, sou mais relaxado, descontra\u00eddo e c\u00f3mico. No projeto Governo Sombra abordamos as coisas de uma maneira mais s\u00e9ria. No meu caminho a solo, independentemente, de estar na tanga, abordo as coisas de uma maneira s\u00e9ria ou pelo menos com profissionalismo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-678\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-3-127x300.jpg\" alt=\"Dom Rubirosa 3\" width=\"127\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-3-127x300.jpg 127w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-3.jpg 352w\" sizes=\"(max-width: 127px) 100vw, 127px\" \/><br \/>\n\u00c9 muito cr\u00edtico quanto aos problemas na sua profiss\u00e3o. Quais as principais dificuldades dos m\u00fasicos?<br \/>\nNeste momento estamos a viver uma era em que as pessoas t\u00eam como dado adquirido que a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 paga mas gratuita. Eu acho que o problema dos m\u00fasicos \u00e9 que est\u00e3o a investir bastante dinheiro nas suas carreiras e depois a maneira para rentabilizar esse investimento est\u00e1 mais limitada. Acho que isso \u00e9 uma das maiores dificuldades, hoje em dia, que \u00e9 conseguir rentabilizar o investimento que \u00e9 feito em fazer videoclipes, promo\u00e7\u00f5es, publicidade, em conseguir manter um n\u00edvel art\u00edstico, pagar os est\u00fadios, a masteriza\u00e7\u00e3o, a eletricidade. A maior dificuldade \u00e9 tentar rentabilizar ao m\u00e1ximo o investimento que fazem com a m\u00fasica.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9, assim, t\u00e3o ativo quanto a esses assuntos no seu dia-a-dia?<br \/>\nTem dias. Ali\u00e1s, na m\u00fasica \u201cVoc\u00eas sabem\u201d do primeiro single do Vol.2, eu digo que \u00e9 um hobby. A m\u00fasica para mim \u00e9 um hobby que eu levo mais a s\u00e9rio que a minha pr\u00f3pria profiss\u00e3o. Tem dias em que no meu dia a dia, na minha atividade profissional sou ativo, tem outros dias que nem por isso e tem dias que, secalhar, sou mais ativo na minha profiss\u00e3o do que na parte musical. Acho que a melhor resposta \u00e9 mesmo: tem dias, tem a ver com o estado de esp\u00edrito com que uma pessoa est\u00e1 nesse dia.<br \/>\nO tema \u201cBem-vindo ao facebook\u201d satiriza o uso da rede social. O single refere a publica\u00e7\u00e3o de fotos de moda como as de comida e animais, afirma\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es, a busca fren\u00e9tica de likes, entre outras a\u00e7\u00f5es. Sendo, tamb\u00e9m, utilizador dessa mesma rede social, o qu\u00e3o culpado \u00e9 dessas cr\u00edticas?<br \/>\nTotalmente culpado. Ali\u00e1s, aquilo \u00e9 uma cr\u00edtica geral a muita coisa que eu vejo no meu feed de not\u00edcias mas quem me conhece sabe que, principalmente, no videoclipe eu n\u00e3o me co\u00edbo de meter algumas piadas internas e, portanto, alguns amigos meus v\u00e3o entender que eu pr\u00f3prio estou a dar tanga a mim mesmo na parte do videoclipe porque na letra n\u00e3o d\u00e1 para transparecer tanto. O objetivo n\u00e3o era colocar-me acima do resto da sociedade ou das pessoas que usam o facebook. \u00c9, precisamente, ridicularizar muitos dos comportamentos nessa rede social, at\u00e9 porque eu n\u00e3o me dou muito bem com moralismos sendo que, \u00e0s vezes, ao estar a criticar moralistas sou um pouco moralista, mas eu sou t\u00e3o culpado quanto essas pessoas que fazem o uso daquela maneira do facebook.<br \/>\nTodos os seus trabalhos t\u00eam nomes invulgares, mas que ficam no ouvido do p\u00fablico. Um desses trabalhos \u00e9 a mixtape \u201cA tua m\u00e3e curte-me t\u00f3til\u201d. Porqu\u00ea esse nome?<br \/>\nO nome surge como tributo a m\u00e3es de amigos meus. Quando eu era mais novo passava muito tempo fora de casa, na rua e tinha muito mais prazer em estar em casa de amigos meus. Este nome surge numa altura em que estou a morar juntamente com um elemento da minha banda, mas nesse m\u00eas est\u00e1vamos num processo de transi\u00e7\u00e3o para uma casa e fic\u00e1mos na casa da m\u00e3e dele. Num certo momento, estamos em est\u00fadio a gravar as m\u00fasicas e nem sequer tinha nome para a mixtape. Est\u00e1vamos na brincadeira e a frase surgiu tipo \u201cest\u00e1 calado, a tua m\u00e3e curte-me t\u00f3til\u201d. Pensei em pegar no nome e tranform\u00e1-lo numa imagem de marca para os meus trabalhos. Queria fugir \u00e0 norma e pareceu-me bem este nome surgir assim e porque prestava tributo a pessoas que foram importantes na minha vida. \u00c9 um nome fora do vulgar, c\u00f3mico, \u00e0 imagem da minha postura a solo. Pelo menos para a atribui\u00e7\u00e3o de um nome para um CD n\u00e3o me podem acusar de falta de originalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estou a jogar em casa mas entendo isso como uma necessidade<\/strong><br \/>\n\u00c9 murtoseiro. O p\u00fablico da Murtosa \u00e9 conhecido por ser muito acolhedor. Recentemente atuou no Museu da Comur. Qual \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de cada vez que volta \u201ca casa\u201d para dar um concerto?<br \/>\nA press\u00e3o, para mim, \u00e9 maior. Estou a jogar em casa mas entendo isso como uma necessidade de ter que dar mais de mim e de que nada n\u00e3o pode falhar mais do que em qualquer outro concerto. N\u00e3o que sinta isso por parte do p\u00fablico mas \u00e9 algo que parte de dentro de mim. J\u00e1 toquei em cidades, aldeias, vilas. Quando vamos a uma cidade maior nota-se um tipo de press\u00e3o mas o facto de estar a tocar para os meus significa que tudo tem que soar perfeito, n\u00e3o porque eles me obriguem mas porque, de certa meneira, eu me obrigo a mim pr\u00f3prio. N\u00e3o quero com isto dizer que as pessoas das outras terras est\u00e3o em segundo plano. N\u00e3o tem nada a ver com isso. \u00c9 diferente, estamos a tocar para os nossos e apesar de poder estar mais relaxado e ter muito mais margem para falhas, eu encaro isso de uma maneira oposta.<\/p>\n<p>Sente que a Murtosa tem orgulho no Dom Rubirosa?<br \/>\nAt\u00e9 agora e pelos coment\u00e1rios que tenho recebido mais que orgulho acho que t\u00eam carinho e isso \u00e9 bastante importante. N\u00e3o s\u00f3 pela m\u00fasica \u201cA Murtoseira\u201d mas pelo trabalho que tenho feito com outros temas e com videoclipes porque s\u00e3o as coisas mais facilmente vis\u00edveis e que as pessoas conseguem relacionar mais rapidamente.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que um professor de inform\u00e1tica se torna rapper?<br \/>\nCronologicamente eu fazia m\u00fasica e entretanto tornei-me professor de inform\u00e1tica e hoje em dia, infelizmente, j\u00e1 n\u00e3o exer\u00e7o com muita pena minha porque era uma profiss\u00e3o que me dava muito prazer.<\/p>\n<p>As m\u00e3es s\u00e3o as nossas maiores cr\u00edticas. Sabemos que a sua m\u00e3e n\u00e3o foge \u00e0 regra. O que \u00e9 que a sua m\u00e3e lhe diz cada vez que escreve uma m\u00fasica nova ou lhe mostra um novo videoclipe?<br \/>\nNormalmente, ela s\u00f3 fala dos concertos. N\u00e3o costumo muito mostrar aquilo que escrevo ou os videoclipes que fa\u00e7o. S\u00f3 quando entendo que ela ir\u00e1 perceber uma ou outra piada. Tendo em conta os concertos, ela pergunta-sempre isto: \u201cSer\u00e1 que vale a pena todo o trabalho que tu tens com esta coisa?\u201d, \u00e9 exatamente isto. Pergunta-me se \u201cvale a pena fazer tantos quil\u00f3metros para ir l\u00e1 cantar?\u201d. Vale a pena no sentido monet\u00e1rio porque no sentido se me preenche, ela sabe que vale a pena porque que tenho gosto em faz\u00ea-lo. Na cr\u00edtica e como \u00e9 \u00f3bvio, dado ao facto de a Murtosa ser uma terra pequena, ela tem preocupa\u00e7\u00e3o com a minha imagem. H\u00e1 mais de vinte anos que a minha imagem n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o ou pelo menos aquilo que as pessoas possam pensar de mim. Como m\u00e3e e com uma diferen\u00e7a de idades grande tem um tipo de sensibilidade. N\u00e3o \u00e9 muito cr\u00edtica. S\u00f3 pergunta se \u201cn\u00e3o est\u00e1s a gastar mais dinheiro do que est\u00e1s a ganhar?\u201d, \u00e9 mais nesse sentido.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-677\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-2-300x168.jpg\" alt=\"Dom Rubirosa 2\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-2-300x168.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-2-768x431.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-2-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-2-800x445.jpg 800w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Dom-Rubirosa-2.jpg 1441w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>A\u00a0n\u00edvel musical tenho a minha imagem e tenho a minha qualidade<\/strong><br \/>\nCom o avan\u00e7o da tecnologia acabamos por consumir m\u00fasica pela internet. O facto de disponibilizar todos os seus trabalhos online \u00e9 uma maneira de se antecipar \u00e0 pirataria?<br \/>\nNormalmente, s\u00f3 disponibilizava os meus trabalhos depois de os CD\u2019s estarem esgotados. Em 2011 com o Vol.1 s\u00f3 disponibilizei depois de o CD estar esgotado, foi rapidamente, portanto, n\u00e3o houve grande trabalho com isso. No Vol.2, em 2013, h\u00e1 um acompanhamento do comportamento por parte do ouvinte que \u00e9: em 2011 ainda h\u00e1 muito aquele h\u00e1bito de se comprar o CD ainda que haja muito a cultura do download. Em 2013, j\u00e1 h\u00e1 um avan\u00e7o muito grande da tecnologia e os artistas come\u00e7am a adotar um pol\u00edtica de \u201ceu vou oferecer a minha m\u00fasica\u201d. No Vol.3, que saiu em 2015, deixei o CD \u00e0 venda durante tr\u00eas meses, ap\u00f3s tr\u00eas meses deixei o trabalho no Spotify para que as pessoas possam ouvir gratuitamente, n\u00e3o conseguem fazer o download do Spotify mas conseguem ouvir tudo por stream, que \u00e9 uma tecnologia que est\u00e1 bastante em voga. O objetivo para o Vol.4, que estar\u00e1 para breve, \u00e9 que vai haver na mesma o CD para venda mas no mesmo dia em que eu lan\u00e7ar o CD as pessoas poder\u00e3o fazer download gratuito no meu site desse Vol.4, ou seja, n\u00e3o t\u00eam que comprar o CD, poder\u00e3o eventualmente, comprar o CD para continuar a cole\u00e7\u00e3o at\u00e9 porque um dos meus objetivos \u00e9 que possam fazer cole\u00e7\u00e3o das minhas mixtapes. A quest\u00e3o \u00e9: ser\u00e1 que vale a pena estar para download gratuito ou ser\u00e1 prefer\u00edvel apostar mais no stream? Nessa altura, vamos ver qual ser\u00e1 a melhor maneira. Acho que, antigamente, faziam-se tourn\u00e9es para vender \u00e1lbuns, hoje em dia, fazem-se \u00e1lbuns para se vender concertos. Acho que os m\u00fasicos t\u00eam que entender que o paradigma da m\u00fasica mudou. Voltando \u00e0 quest\u00e3o de me antecipar \u00e0 pirataria, estou num patamar que quanto mais gente expandir a minha m\u00fasica, ainda que seja atrav\u00e9s da pirataria, n\u00e3o estou muito importando com isso. Logo que espalhem a minha m\u00fasica e que me deem o devido cr\u00e9dito, como \u00e9 \u00f3bvio.<br \/>\nAinda assim, consegue ter lucro com a venda dos \u00e1lbuns em formato f\u00edsico ou a \u00fanica receita \u00e9 a dos concertos?<br \/>\nSim, ainda consigo ter. O que acontece \u00e9 que quanto mais n\u00f3s vamos ganhando mais vamos investindo. Eu n\u00e3o consigo amealhar para o meu bolso o dinheiro que eu ganho com a venda dos CD\u2019s ou com o merchandising porque utilizo esse dinheiro para voltar a investir na m\u00fasica. Na quest\u00e3o da m\u00fasica quando eu vendo um CD \u00e9 para pagar ao designer que me fez a capa, \u00e9 para pagar o tempo de est\u00fadio, os videoclipes, a publicidade que tenho que fazer em jornais e revistas, no facebook, cartazes e autocolantes e uma coisa paga-se \u00e0 outra. Para j\u00e1, n\u00e3o tem dado preju\u00edzo e o lucro que d\u00e1 a mais, n\u00e3o o chego a ver, porque estou a investir.<\/p>\n<p>Em termos profissionais, o que falta para atingir os seus objetivos?<br \/>\nFalta ter mais dinheiro para investir ainda mais. Eu defendo que para se fazer dinheiro \u00e9 preciso que se gaste dinheiro e \u00e9 preciso que se investa dinheiro. E o neg\u00f3cio da m\u00fasica est\u00e1, de tal maneira, feito para que n\u00e3o basta ter talento, n\u00e3o basta saber tocar bem, \u00e9 preciso ter algo mais, \u00e9 necess\u00e1rio ter exposi\u00e7\u00e3o, de estar presente em eventos, revistas, televis\u00f5es e tudo isto engloba dinheiro. Modestia \u00e0 parte, acho que a n\u00edvel musical tenho a minha imagem e tenho a minha qualidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 trabalhos futuros?<br \/>\nJ\u00e1 h\u00e1. O Vol.4, est\u00e1 em fase de constru\u00e7\u00e3o, espero que seja lan\u00e7ado no final do ver\u00e3o, pelo menos entre outubro e novembro. E h\u00e1 o \u201cBandalismo\u201d, que \u00e9 o trabalho que vamos gravar em est\u00fadio com a banda, \u00e9 um trabalho muito particular porque a banda que toca comigo ao vivo pegou nos meus temas e fez a sua pr\u00f3pria vers\u00e3o. Da\u00ed chamar-se bandalismo e n\u00e3o vandalismo. Tamb\u00e9m estou a trabalhar no primeiro \u00e1lbum a solo que se vai chamar \u201cUma j\u00f3ia de mo\u00e7o\u201d. Ainda que eu encare as mixtapes como \u00e1lbuns, pelos menos a n\u00edvel profissional e a n\u00edvel de seriedade do projeto, a conce\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum tem um misto que \u00e9 a banda e um misto que \u00e9 estar a trabalhar com produtores de rap. Para mim um \u00e1lbum ser\u00e1 explorar tudo aquilo que eu gosto musicalmente. O \u00e1lbum ser\u00e1 uma mistura dos dois mundos: do mundo da banda e do mundo de estar a trabalhar com produtores que fazem, normalmente, beats de rap e al\u00e9m disso demora muito mais tempo.<\/p>\n<p><strong>Catarina Rebimbas<\/strong><\/p>\n<p>Imagens: Dom Rubirosa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rubirosa \u00e9 rapper, tem 34 anos, \u00e9 natural da Murtosa. 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