{"id":5832,"date":"2019-02-11T11:59:34","date_gmt":"2019-02-11T11:59:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=5832"},"modified":"2019-02-11T11:59:34","modified_gmt":"2019-02-11T11:59:34","slug":"a-luta-dos-enfermeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=5832","title":{"rendered":"A luta dos enfermeiros"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Artigo de opini\u00e3o por In\u00eas Melo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os enfermeiros encontram-se numa grande batalha para concretizarem os seus objetivos que, nos \u00faltimos tempos, n\u00e3o t\u00eam sido f\u00e1ceis de alcan\u00e7ar. Contudo, mant\u00eam-se firmes at\u00e9 ao fim, declarando que sentem todos os dias na pele o peso e o risco da sua profiss\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente \u201cdar inje\u00e7\u00f5es e medir tens\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o um elo central, uma pe\u00e7a chave e fundamental nas rela\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>Em 2009 foi elaborado um question\u00e1rio tendo sido este distribu\u00eddo por v\u00e1rios elementos da enfermagem. A amostra foi constitu\u00edda por cerca de 85% de enfermeiros do sexo feminino e 15% do sexo masculino. Como resultado deste question\u00e1rio foi poss\u00edvel concluir que:<\/p>\n<ul>\n<li>27% n\u00e3o se encontravam a exercer a profiss\u00e3o.<\/li>\n<li>77% nunca receberam nenhuma oferta profissional<\/li>\n<li>enfermeiros formados em 2006 e 2007, apenas cerca de 1% se encontrava sem emprego<\/li>\n<li>dos indiv\u00edduos sem emprego, houve 71 enfermeiros que referiram j\u00e1 ter recebido ofertas de emprego, mas recusaram, justificando com o facto de as propostas de remunera\u00e7\u00f5es serem baixas (26,7%), m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e falta de estabilidade (18%).<\/li>\n<li>dos enfermeiros que se encontram a exercer a profiss\u00e3o 95% praticam no territ\u00f3rio nacional, sendo que 5% exercem fora do Pa\u00eds.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Relativamente ao tipo de contrato foi poss\u00edvel averiguar que apenas 31% dos indiv\u00edduos possuem contrato com tempo indeterminado ou com liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Dos restantes, cerca de 42,8% t\u00eam um contrato com data final definida e 17,8% est\u00e3o a prestar servi\u00e7os de forma independente ou sob a forma de passar recibos a institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Atualmente, os enfermeiros encontram-se em greve devido \u00e0s seguintes raz\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>dignifica\u00e7\u00e3o e respeito pelos cuidados de sa\u00fade que prestam e exigem respeito do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, pelos pol\u00edticos e pelo governo- proclamam que s\u00e3o desvalorizados e desrespeitados, nomeadamente pelo governo : \u201cN\u00e3o podemos confundir aquilo que \u00e9 o exerc\u00edcio da atividade sindical, o exerc\u00edcio leg\u00edtimo do direito \u00e0 greve, com pr\u00e1ticas que n\u00e3o s\u00e3o de greves cir\u00fargicas, mas s\u00e3o greves selvagens, que visam simplesmente atentar contra a dignidade dos doentes e contra as fun\u00e7\u00f5es do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, que s\u00e3o absolutamente ilegais e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ficar impass\u00edveis\u201d- primeiro ministro, Ant\u00f3nio Costa; \u201cA greve dos enfermeiros \u00e9 cruel \u201d-ministra da sa\u00fade Marta Temido.<\/li>\n<li>S\u00e3o funcion\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, licenciados e muitos com mestrado e doutoramento, com valor remunerat\u00f3rio de ingresso mais baixo, mal remunerado ao longo de toda a carreira, em compara\u00e7\u00e3o com outras classes e carreiras- muitos enfermeiros licenciados afirmam que ganham 6,5 euros \u00e0 hora, bem menos do que alguns funcion\u00e1rios de limpeza. Salientam, tamb\u00e9m, que se querem ser especialistas t\u00eam de pagar pelo menos mais 6000 euros de propinas e, de seguida, esperar que sejam aceites numa institui\u00e7\u00e3o, que abram concursos, que se desbloqueiem verbas, entre outros. Apesar disto, real\u00e7am a ideia de que se querem tirar o mestrado ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o arriscam-se a tirar tempo de fam\u00edlia e, n\u00e3o esquecendo de que t\u00eam mais 3000 euros ou 6000 euros de propinas e que, em troca, afirmam receber 0 euros ao fim do m\u00eas.<\/li>\n<li>N\u00e3o possuem uma carreira profissional digna e atual;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>N\u00e3o progridem nas suas carreiras h\u00e1 cerca de 14 anos;<\/li>\n<li>A situa\u00e7\u00e3o existente n\u00e3o contempla as categorias diferenciadas de enfermeiro especialista e enfermeiro-chefe\/gestor;<\/li>\n<li>Tempo de trabalho excessivo e n\u00e3o recompensado nem valorizado- os enfermeiros devem exercer entre 35 horas a 40 horas semanais, cerca de 140 horas por m\u00eas. Contudo, \u00e9 referido que estes fazem horas extraordin\u00e1rias (aproximadamente 160 horas ou mais por m\u00eas) e n\u00e3o recebem mais por tal situa\u00e7\u00e3o, apenas acumulam horas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os enfermeiros t\u00eam uma profiss\u00e3o que acompanha as pessoas no seu ciclo vital, desde o seu nascimento at\u00e9 \u00e0 sua morte.<\/p>\n<p>Estes lutam, frequentemente, para a obten\u00e7\u00e3o daquilo a que t\u00eam direito e que, durante aproximadamente 14 anos, nunca possu\u00edram<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de opini\u00e3o por In\u00eas Melo Os enfermeiros encontram-se numa grande batalha para concretizarem os seus objetivos que, nos \u00faltimos<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[116],"tags":[1874,1873,1749,39],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5832"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5832"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5834,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5832\/revisions\/5834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}