{"id":582,"date":"2016-05-30T16:05:33","date_gmt":"2016-05-30T16:05:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=582"},"modified":"2016-05-30T16:05:33","modified_gmt":"2016-05-30T16:05:33","slug":"capelao-do-hospital-sao-teotonio-de-viseu-e-conforto-para-os-doentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=582","title":{"rendered":"Capel\u00e3o do Hospital S\u00e3o Teot\u00f3nio de Viseu \u00e9 conforto para os doentes"},"content":{"rendered":"<p><em>Chama-se Jo\u00e3o Cardoso, \u00e9 padre e tamb\u00e9m \u00e9 capel\u00e3o do Hospital de S\u00e3o Teot\u00f3nio, em\u00a0Viseu.\u00a0Foi numa conversa com o respons\u00e1vel, que fic\u00e1mos a conhecer como \u00e9 o conv\u00edvio com os doentes durante o dia todo e como se ajudam as pessoas, procurando confortar o seu sofrimento.\u00a0Jo\u00e3o Cardoso d\u00e1-nos ainda a sua perspetiva sobre a pol\u00e9mica da eutan\u00e1sia.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-583\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13288431_1318545481493141_2005318524_o-300x225.jpg\" alt=\"13288431_1318545481493141_2005318524_o\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13288431_1318545481493141_2005318524_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13288431_1318545481493141_2005318524_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13288431_1318545481493141_2005318524_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13288431_1318545481493141_2005318524_o.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 conviver todo o dia num hospital com doentes?<\/strong><br \/>\nTentando \u201cdissecar\u201d a palavra conviver, respondo dizendo que viver com os doentes nem sempre \u00e9 f\u00e1cil porque se lida com a fragilidade humana, num dos seus problemas mais delicados, a doen\u00e7a. Muitas das vezes vive-se um misto de sentimentos contrastante: dor e a perspetiva da cura. Sim porque quem est\u00e1 doente e sofre procura a cura. Uma das maiores dificuldades vividas \u00e9 a impot\u00eancia de querem ajudar quando, a n\u00edvel da sa\u00fade j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer. O que resta? Apenas dar conforto, uma palavra de esperan\u00e7a e, sobretudo, \u201cemprestar\u201d dois ouvidos para escutar dores e desabafos de quem precisa de falar de si, da sua fam\u00edlia, dos (ins)sucessos dos seus projetos e\/ou expetativas. E, no meio de tudo isto, deixar uma presen\u00e7a amiga e uma palavra (re)confortante.<\/p>\n<p><strong>O que sente quando \u00e9 chamado a sacramentar algu\u00e9m?<\/strong><br \/>\nO Sacramento da Un\u00e7\u00e3o dos Doentes \u00e9 um sacramento para pedir a prote\u00e7\u00e3o de Deus para aquela pessoa que sofre. Ainda hoje, as pessoas s\u00f3 chamam o sacerdote para sacramentar na reta final da vida. Este n\u00e3o \u00e9 um sacramento de mortos, mas de vivos. Temos que, em primeiro lugar, mudar a terminologia antiga \u201cextrema-un\u00e7\u00e3o\u201d (quando apenas se chamava o padre para a pessoa moribunda) para Un\u00e7\u00e3o ou Pastoral dos Doentes. No meu caso, quando sacramento algu\u00e9m e tem a fam\u00edlia por perto, envolvo-a na ora\u00e7\u00e3o para pedir a cura e nunca a morte. Esta \u00e9 a grande diferen\u00e7a do que se pensa do antigo para o que se faz no hoje. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil esta envolv\u00eancia familiar, uma vez que as pessoas pensam logo que, quando o padre chega, o doente vai morrer. Muitas vezes acontece que as pessoas seram e morrem, por\u00e9m tamb\u00e9m j\u00e1 aconteceu imensas vezes que as pessoas recuperaram a sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea esse processo da despedida do enfermo?<\/strong><br \/>\nMuitos doentes sentem que est\u00e3o a morrer. Alguns deles querem falar da morte, outros entram em nega\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 deixar falar, quando \u00e9 poss\u00edvel, o pr\u00f3prio doente e deix\u00e1-lo expressar os seus sentimentos. E depois tentar sempre, no processo da escuta e do di\u00e1logo, fazer com que o doente se sinta apaziguado e com muita serenidade. Muitos doentes quase que querem fazer (d)ali mesmo o que n\u00e3o puderam fazer antes: reconciliar-se com algu\u00e9m com quem n\u00e3o havia entendimento e ou fazer outras coisas que, segundo eles, lhes faltava fazer. O processo de despedida para muitos dos doentes \u00e9 um processo de liberta\u00e7\u00e3o, de serenidade e de paz.<\/p>\n<p><strong>Como lida com o sofrimento e a morte t\u00e3o de perto, acha que a eutan\u00e1sia poderia ser uma sa\u00edda para quem sofre?<\/strong><br \/>\nO c\u00f3digo deontol\u00f3gico, bem como o Juramento de Hip\u00f3crates, referem a vida como dom fundamental que deve ser vivido e preservado. Se calhar, ao falarmos de eutan\u00e1sia teremos que falar tamb\u00e9m da distan\u00e1sia. Se uma abrevia a vida (eutan\u00e1sia) a outra prolonga-a, \u201cinvestindo\u201d para al\u00e9m do que \u00e9 expect\u00e1vel, tendo consci\u00eancia que estamos a prolongar o sofrimento de algu\u00e9m. Para mim, como defensor natural da vida, penso que mais do que se investir na eutan\u00e1sia se deveria investir, isso sim, numa boa rede de cuidados paliativos que poder\u00e1 ajudar o doente a ter um final de vida com alguma \u201cqualidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Rita Miranda<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chama-se Jo\u00e3o Cardoso, \u00e9 padre e tamb\u00e9m \u00e9 capel\u00e3o do Hospital de S\u00e3o Teot\u00f3nio, em\u00a0Viseu.\u00a0Foi numa conversa com o respons\u00e1vel,<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[238,237,239,236,39],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/582"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=582"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":584,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/582\/revisions\/584"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}