{"id":3677,"date":"2018-07-10T09:17:53","date_gmt":"2018-07-10T09:17:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3677"},"modified":"2018-07-10T09:17:53","modified_gmt":"2018-07-10T09:17:53","slug":"para-o-rugby-ser-considerado-violento-teria-de-ser-praticado-por-pessoas-violentas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3677","title":{"rendered":"\u201cPara o rugby ser considerado violento teria de ser praticado por pessoas violentas\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em><b>Jo\u00e3o Pedro Catulo, tem 45 anos e \u00e9 o atual treinador da Sele\u00e7\u00e3o Nacional Feminina Sevens Sub 18 de rugby. Vive na Lous\u00e3 e \u00e9 diretor t\u00e9cnico de um centro de inspe\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel. Est\u00e1 ligado ao rugby desde os sete anos e at\u00e9 agora nunca mais o largou. Desde jogador, a capit\u00e3o, treinador adjunto, treinador principal e selecionador nacional, Jo\u00e3o Pedro Catulo confessa o porqu\u00ea de gostar tanto deste desporto. Depois de 28 anos a jogar rugby, ele revele alguns dos melhores momentos que a modalidade lhe trouxe e como come\u00e7ou esta aventura.<\/b><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3683\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby6.jpg\" alt=\"\" width=\"241\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby6.jpg 241w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby6-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/p>\n<p><strong>Quando come\u00e7ou a jogar e porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><b>Jo\u00e3o Pedro Catulo<\/b>\u00a0Comecei a jogar rugby aos sete anos, influenciado por um primo mais velho que tamb\u00e9m jogava e que me incentivou a ir ao primeiro treino. Al\u00e9m disso o campo de rugby, naquela altura, era muito pr\u00f3ximo da casa dos meus pais, o que facilitou a decis\u00e3o de ir experimentar a modalidade. At\u00e9 essa idade eu praticava regularmente judo e nata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como foi ir \u00e0 sele\u00e7\u00e3o? O que sentiu no seu primeiro jogo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Eu fui chamado pela primeira vez a uma Sele\u00e7\u00e3o Nacional de Rugby com 12 anos \u2013 na altura chamava-se Sele\u00e7\u00e3o Nacional de Iniciados \u2013 e desde ent\u00e3o fui sempre convocado para as diferentes sele\u00e7\u00f5es de todos os escal\u00f5es existentes no rugby portugu\u00eas. Depois de dois anos na Sele\u00e7\u00e3o de Iniciados, seguiu-se a de Juvenis, por um ano, e logo de seguida fui chamado \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o de J\u00faniores por tr\u00eas anos \u2013 no primeiro ano que joguei pelos juniores, o meu escal\u00e3o ainda era o dos Juvenis. Nos dois \u00faltimos anos na Sele\u00e7\u00e3o Nacional Junior fui o seu capit\u00e3o de equipa. Ap\u00f3s isso estive um ano na Sele\u00e7\u00e3o Sub 22. Depois de um treino em conjunto entre a Sele\u00e7\u00e3o Sub 22 e a Sele\u00e7\u00e3o S\u00e9nior A, e ainda com 19 anos, tive a minha primeira chamada \u00e0 sele\u00e7\u00e3o principal. Fui concovado pelo Selecionador Nacional, que na altura era o Escoces Andrew Cushing, para um jogo contra a Romenia no campo de honra do Estadio Nacional, no Jamor. Entretanto e tamb\u00e9m desde os 12 anos, fui tamb\u00e9m jogador e capit\u00e3o nas v\u00e1rias Sele\u00e7\u00f5es Regionais Centro e Norte\/Centro.<\/p>\n<p>Como desde muito cedo comecei a jogar nas sele\u00e7\u00f5es mais jovens j\u00e1 estava um pouco habituado e foi com naturalidade, embora com algum nervosismo, que encarei o meu primeiro jogo pela Sele\u00e7\u00e3o A de Portugal, mesmo sendo esse um jogo contra a Rom\u00e9nia, uma equipa muito poderosa e bem cotada internacionalmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s les\u00f5es: teve muitas? Qual foi a mais grave?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Sim, infelizmente tive v\u00e1rias les\u00f5es ao longo da minha carreira desportiva. A mais grave foi num jogo entre o Rugby Clube Lous\u00e3 e o Grupo Dram\u00e1tico Sportivo de Cascais, onde sofri uma rutura dos ligamentos da cervical, o que teoricamente me iria afastar da modalidade para sempre. No entanto, e devido ao amor pelo jogo, ap\u00f3s um ano de recupera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 estava novamente a jogar, mas n\u00e3o mais voltei \u00e0 alta competi\u00e7\u00e3o, deixei ent\u00e3o de jogar na Sele\u00e7\u00e3o Nacional e passei a jogar apenas no meu clube de sempre, o Rugby Clube da Lous\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3679\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby2-300x192.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby2.jpg 348w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><em>Equipa S\u00e9nior do Rugby Clube da Lous\u00e3 em 1997\/98<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como foi lidar com as les\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Era complicado, porque eu era um jogador muito empenhado e nunca faltava a um treino, mesmo quando estava lesionado. Sempre fui, desde muito cedo, capit\u00e3o de equipa nas equipas ou sele\u00e7\u00f5es onde jogava, o que me dava ainda mais sentido de dever e responsabilidade. Como sempre treinei muito para conseguir estar bem fisicamente, o treino tornou-se um v\u00edcio para mim. Quando n\u00e3o podia treinar, notava mudan\u00e7as no meu humor e senti-a falta de todas aquelas subst\u00e2ncias saud\u00e1veis que o treino ajuda a libertar no nosso corpo ap\u00f3s o exerc\u00edcio f\u00edsico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais foram as hist\u00f3rias mais engra\u00e7adas que teve com os seus colegas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Ao longo de 28 anos a jogar rugby acabamos por colecionar muitas hist\u00f3rias engra\u00e7adas e torna-se dif\u00edcil destacar umas em rela\u00e7\u00e3o a outras, at\u00e9 porque a mem\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o me ajuda a ser 100% fidedigno em qualquer hist\u00f3ria que conte (risos). Mas todas as desloca\u00e7\u00f5es ou digress\u00f5es que faz\u00edamos eram recheadas de hist\u00f3rias engra\u00e7adas. Uma das enormes vantagens desde desporto \u00e9 que requer muitos jogadores por equipa, logo ficamos sempre a conhecer muitas pessoas que ficam amigos para a vida toda e que mais tarde nos fazem recordar todos aqueles momentos divertidos que vivemos em conjunto.<\/p>\n<p>Numa digress\u00e3o a Paris, com a equipa s\u00e9nior do meu clube, ap\u00f3s um jogo com uma equipa local, j\u00e1 no jantar de conv\u00edvio, a dita 3.\u00aa parte do rugby, fui eleito pela equipa advers\u00e1rio como o \u201cHomem do Jogo\u201d. Como tal teria que cumprir um desejo da minha equipa. Eles desejaram que do restaurante at\u00e9 ao hotel fosse sempre todo nu. Isto claro que acabou por ser muito engra\u00e7ado. Na entrada do hotel tive que pedir ajuda a duas senhoras, que estavam na entrada, para se colarem a mim, uma \u00e0 frente e outra atr\u00e1s, para que pudesse deslocar-me at\u00e9 ao meu quarto sem ser preso (risos).<\/p>\n<p>Numa outra ocasi\u00e3o, numa desloca\u00e7\u00e3o a Roma, tamb\u00e9m com a equipa s\u00e9nior, ao visitar o Coliseu, reparei que existia uma segunda porta sem fila de pessoas para entrar. Li numa placa que era destinada a grupos em excurs\u00e3o com um guia oficial e acreditado. Dirigi-me \u00e0 portaria e convenci o porteiro que era um guia oficial portugu\u00eas e que tinha um grupo excursionista ao meu encargo, toda a minha equipa. Resultado? Entr\u00e1mos sem esperar e sem pagar bilhete. Mas durante toda a visita tive que andar \u00e0 frente da equipa a gesticular e a falar alto com os meus colegas como se soubesse o que dizia em rela\u00e7\u00e3o a cada uma daquelas paredes, algumas em ru\u00ednas, que nos rodeavam no interior do coliseu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foi capit\u00e3o em v\u00e1rias sele\u00e7\u00f5es. Acha que era um exemplo a seguir?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Julgo que sim. Eu sempre fui muito certinho, muito correto e talvez at\u00e9 demasiado adulto para a idade que tinha \u2013 isto at\u00e9 aos 30, ap\u00f3s essa idade passei de anjinho a diabinho (risos). N\u00e3o bebia \u00e1lcool, nunca fumei e treinava duas vezes por dia \u2013 de manh\u00e3 bem cedo antes de ir para a escola e outra vez ao final do dia. Entre treinos de campo, treinos de corrida e treinos de gin\u00e1sio, treinava em m\u00e9dia 10 vezes ao longo da semana. Sempre fui muito respons\u00e1vel e talvez por isso era sempre escolhido para desempenhar esse papel de l\u00edder nas equipas onde jogava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Trabalhava muito para atingir os seus objetivos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Como j\u00e1 disse antes, eu sempre treinei muito para estar em boa forma f\u00edsica e para poder jogar a um bom n\u00edvel. No meu clube eu jogava sempre no meu escal\u00e3o e no escal\u00e3o et\u00e1rio acima. Com 17 anos, primeiro ano s\u00e9nior, j\u00e1 era o capit\u00e3o de equipa, equipa da primeira divis\u00e3o. Desde os 12 at\u00e9 aos 16 anos eu era sempre o \u00fanico jogador fora de Lisboa que ficava nos jogadores escolhidos para cada uma das sele\u00e7\u00f5es. Sendo eu da prov\u00edncia era mais dif\u00edcil me impor no grupo. Como tal tinha que estar melhor e treinar melhor que qualquer um dos outros jogadores de Lisboa, para que me pudesse salientar pela positiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando deixou de jogar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Deixei de jogar aos 35 anos, numa altura em que os meus objetivos enquanto jogador e dos meus colegas eram um pouco diferentes dos objetivos da dire\u00e7\u00e3o do clube e ent\u00e3o achei que essa seria a altura para deixar de jogar e come\u00e7ar a fazer outras coisas. Comecei entretanto a jogar t\u00e9nis, squash e a frequentar diariamente um gin\u00e1sio. Durante dois anos n\u00e3o voltei a ver rugby. Mais tarde fui convidado para ajudar a treinar os s\u00e9niores da Escola Agr\u00e1ria de Coimbra, onde ainda joguei por mais 2 \u00e9pocas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3680\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby3.jpg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"213\" \/><em>Jo\u00e3o Catulo com o Prof. Rui Carvoeira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como e quando se tornou treinador da sele\u00e7\u00e3o feminina s\u00e9nior?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Em abril de 2009, ap\u00f3s a nomea\u00e7\u00e3o do Professor Rui Carvoeira pela Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Rugby [FPR] para o cargo de Selecionador Nacional S\u00e9nior Feminino, fui convidado, por ele, a ser seu treinador adjunto, cargo que mantive at\u00e9 2011. Em 2012, 2013 e 2014, ap\u00f3s a sa\u00edda do Prof. Rui Carvoeira da Sele\u00e7\u00e3o Feminina, fui convidado pela FPR a ocupar esse lugar.<\/p>\n<p>Em 2014 inici\u00e1mos o projeto das Academias Regionais Femininas e cri\u00e1mos tamb\u00e9m a Sele\u00e7\u00e3o Nacional Sub 18 Feminina. Nessa altura, estando eu a trabalhar e a viver na Lous\u00e3, deixava de fazer sentido a minha desloca\u00e7\u00e3o semanal para Lisboa para treinar a Academia de Lisboa e a Sele\u00e7\u00e3o S\u00e9nior Feminina, que era composta maioritariamente por jogadoras da regi\u00e3o de Lisboa, enquanto que a Academia do Centro e a rec\u00e9m criada Sele\u00e7\u00e3o Nacional Sub 18 Feminia, eram compostas maioritariamente por jogadoras da regi\u00e3o Centro o que me levou a optar por deixar o cargo de Selecionador Nacional S\u00e9nior e a abra\u00e7ar este novo projecto e a trabalhar em exclusivo com a Sele\u00e7\u00e3o Nacional Sub 18 e a Academia Regional Feminina do Centro, deixando a sele\u00e7\u00e3o s\u00e9nior feminina a cargo do atual Selecionador Nacional, Jo\u00e3o Mirra, que na altura era o treinador da Academia Regional Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O primeiro campeonato que teve com essa sele\u00e7\u00e3o como foi? O que sentiu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Todos os campeonatos da Europa onde estive presente, s\u00e9niores e Sub 18 tiveram sempre um sabor especial. Tenho muito boas recorda\u00e7\u00f5es de muitos torneios dos Europeus onde participei, seja como treinador adjunto ou treinador principal, seja na Sele\u00e7\u00e3o S\u00e9nior ou Sub 18. No entanto gostaria de destacar os cinco Europeus (de 2014 a 2018) com a Sele\u00e7\u00e3o Nacional Feminina Sub 18, porque obtivemos excelentes resultados, na maioria deles, e porque tive oportunidade de trabalhar e ajudar a &#8220;formatar&#8221; algumas das atuais melhores jogadoras nacionais, o que me enche de orgulho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3681\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby4.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"217\" \/><em>O selecionador com uma das sele\u00e7\u00f5es Sub 18<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como foi trabalhar com as atletas mais novas? \u00c9 muito diferente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Sim \u00e9 bastante diferente. Quando trabalhamos com jogadoras mais novas, com menos experi\u00eancia na modalidade, temos oportunidade de trabalhar as jogadoras sem \u201cv\u00edcios\u201d e podemos fazer um trabalho mais completo. As pr\u00f3prias jogadoras est\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a, \u00e0 altera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como jogam nos clubes e podemos moldar as jogadoras \u00e0 imagem do que achamos melhor para a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual foi o seu melhor momento enquanto jogador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Tive muitos momentos fant\u00e1sticos enquanto jogador de rugby, nomeadamente com a Sele\u00e7\u00e3o Nacional, mas os momentos que recordo com maior saudade foram quase todos passados com a minha equipa, com o meu clube em torneios de Sevens Internacionais como o Madrid Sevens, Corunha Sevens, Lisboa Sevens, Arcos Sevens, Coimbra Sevens etc. Jogar com o Waisali Serevi [atleta de Fiji] na mesma equipa, onde eu era simultaneamente jogador, capit\u00e3o e treinador no Madrid Sevens em 2012, e vencer a final de clubes desse fant\u00e1stico torneio, foi sem d\u00favida um dos melhores fins de semana enquanto jogador de rugby.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3682\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby5-300x206.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby5-300x206.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby5-130x90.jpg 130w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby5.jpg 359w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><em>Jo\u00e3o Pedro Catulo com colegas de equipa e com o atleta Waisali Serevi<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2026e enquanto treinador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Enquanto treinador tenho muitos momentos felizes com as equipas masculinas da Lous\u00e3 que treinei e com as Sele\u00e7\u00f5es Nacionais Femininas, mas gostaria de destacar quatro momentos particularmente felizes: em 2014, no \u00faltimo torneio enquanto Selecionador Nacional S\u00e9nior Feminino, em Moscovo, alcan\u00e7\u00e1mos o 4.\u00ba lugar no torneio. Ap\u00f3s termos derrotado a Fran\u00e7a nos quartos de final da CUP, perdemos contra a Holanda j\u00e1 depois do apito final. Por escassos segundos n\u00e3o conseguimos trazer a medalha de bronze para Portugal.<\/p>\n<p>Outros dois momentos foram em 2015 em Li\u00e9ge (B\u00e9lgica) e em 2017 em Vichy (Fran\u00e7a) os 4\u00ba lugares tamb\u00e9m alcan\u00e7ados no campeonato da Europa de 7s Femininos Sub 18. O outro momento foi em 2016. No decorrer de toda a \u00e9poca com a Sele\u00e7\u00e3o Nacional Feminina Sevens Sub 18, ao longo dos 10 est\u00e1gios de prepara\u00e7\u00e3o realizados, nos torneios de prepara\u00e7\u00e3o e no Campeonato Europeu realizado em setembro de 2016, em Vichy (Fran\u00e7a). Esta foi uma sele\u00e7\u00e3o, uma equipa, um grupo de amigas muito especial e que me vai ficar para sempre no cora\u00e7\u00e3o. Esta equipa, este conjunto de jogadoras, destacou-se por ser uma equipa muito homog\u00e9nea, recheada de excelentes jogadoras que j\u00e1 trabalhavam comigo, na sua grande maioria h\u00e1 mais de 3 \u00e9pocas consecutivas e que hoje em dia s\u00e3o algumas das melhores jogadoras nacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3684\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rugby7.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"192\" \/><em>A equipa que Jo\u00e3o Catulo considerava a melhor at\u00e9 agora<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E o pior?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Tive poucos, felizmente. Mas posso dizer que fico triste quando sinto falta de respeito pelo meu trabalho, falta de respeito pelas equipas que treino, seja por parte de jogadores, seja por parte de qualquer outra pessoa. A falta de gratid\u00e3o, a falta de reconhecimento do esfor\u00e7o e do empenho que coloco em tudo o que fa\u00e7o, de algumas pessoas (poucas felizmente) tamb\u00e9m \u00e9 algo que me deixa um pouco triste. Mas o facto de em 2016 no Campeonato da Europa Sevens Sub 18, em Fran\u00e7a, terem inclu\u00eddo a Fran\u00e7a e o Canad\u00e1 (que participavam pela primeira vez no europeu) no nosso grupo, juntamente com a Holanda, impossibilitando-nos assim de poder disputar um dos oito primeiros lugares nas 16 sele\u00e7\u00f5es em competi\u00e7\u00e3o, foi um momento muito triste para mim, pois queria dar um grande resultado \u00e0quela equipa que eu considerava a minha melhor equipa de sempre. Apesar de tudo nessa competi\u00e7\u00e3o ainda conquist\u00e1mos a ta\u00e7a Bowl (9.\u00ba lugar) com excelentes resultados no 2\u00ba dia de competi\u00e7\u00e3o, o que aliviou a minha tristeza nesse Europeu.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que acha que o rugby traz de bom aos jogadores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Este desporto, para al\u00e9m dos valores que apregoa e que na maior parte das vezes se refletem nas a\u00e7\u00f5es de todos os intervenientes na nossa modalidade, tem tamb\u00e9m uma forte componente de trabalho em equipa, o que \u00e9 fundamental para ter sucesso nesta modalidade e que nos prepara para a vida profissional, em qualquer empresa nos mais variados setores de atividade. Temos ainda aquela que eu acho uma das maiores qualidades deste desporto, que s\u00e3o as amizades que ficam para toda a vida, com os jogadores que jogaram ao teu lado, os atletas que treinamos ao longo da carreira e tamb\u00e9m com os advers\u00e1rios com quem jog\u00e1mos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As pessoas que n\u00e3o conhecem este desporto acham-no muito violento. Concorda com isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>N\u00e3o, violento n\u00e3o. \u00c9 sem d\u00favida um desporto duro e que requer uma boa forma f\u00edsica e para isso somos obrigados, para diminuir e minimizar as poss\u00edveis les\u00f5es, a trabalhar regularmente no gin\u00e1sio para fortalecer o corpo e melhorar a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Para ser considerado violento teria que ser praticado por pessoas violentas e mal-intencionadas, o que n\u00e3o \u00e9 de todo o caso. Desde cedo aprendemos como nos devemos comportar em campo, com os colegas, com os \u00e1rbitros e com os nossos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que acha do rugby feminino em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Julgo que em Portugal, neste momento, com algum investimento financeiro, mas acima de tudo com algum investimento humano por parte das pessoas ligadas ao rugby feminino e ao rugby em geral (clubes e Federa\u00e7\u00e3o) ainda poder\u00edamos acompanhar as restantes sele\u00e7\u00f5es Europeias e dar melhores resultados ao rugby Nacional. N\u00e3o estamos muito longe do que se faz de melhor na Europa, temos jogadoras naturalmente capazes de jogar esta variante mas falta algum dinheiro, mas acima de tudo falta vontade para trabalhar mais e melhor no rugby feminino.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Acha que d\u00e3o a import\u00e2ncia merecida ao rugby e toda a gente conhece este desporto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>N\u00e3o, julgo que no nosso pa\u00eds \u00e9 pouco divulgado pela comunica\u00e7\u00e3o social. Esta modalidade tem muitos atributos, muitas qualidades em detrimento de outras bem mais conhecidas e divulgadas. O rugby deveria fazer parte, desde cedo, das aulas de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica na escola. O rugby deveria ser um dos principais desportos escolares em Portugal como \u00e9 em muitos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Porqu\u00ea este desporto e n\u00e3o outro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JPC\u00a0<\/strong>Eu gosto da maioria dos desportos e depois de deixar de jogar rugby, aos 35 anos, pratiquei v\u00e1rios desportos, mas o rugby \u00e9 realmente \u201ca escola da vida\u201d e tem caracter\u00edsticas \u00fanicas, como a amizade que se gera em todos aqueles que a praticaram juntos ou que simplesmente jogaram esta modalidade em \u201cqualquer canto\u201d do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Sandra Dias<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Catulo, tem 45 anos e \u00e9 o atual treinador da Sele\u00e7\u00e3o Nacional Feminina Sevens Sub 18 de rugby.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":3678,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13],"tags":[213,1138,725,822],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3677"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3677"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3685,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3677\/revisions\/3685"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}