{"id":3648,"date":"2018-06-15T15:48:35","date_gmt":"2018-06-15T15:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3648"},"modified":"2018-06-15T15:51:14","modified_gmt":"2018-06-15T15:51:14","slug":"e-natural-que-uma-coisa-que-te-provoca-emocoes-seja-algo-que-queiras-repetir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3648","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 natural que uma coisa que te provoca emo\u00e7\u00f5es, seja algo que queiras repetir\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Quando aos cinco anos o inscreveram no conservat\u00f3rio de m\u00fasica, Jos\u00e9 Miguel Amaral estava longe de imaginar que a m\u00fasica se tornaria a sua vida. Depois de completar o Curso Complementar de Piano do Conservat\u00f3rio Regional de M\u00fasica de Viseu \u201cDr. Jos\u00e9 de Azeredo Perdig\u00e3o\u201d, saiu de Viseu para estudar piano numa das mais prestigiadas e conceituadas escolas de Paris. Durante os seis anos que estudou na cidade, obteve o Dipl\u00f4me Superieur d&#8217;Enseignement de Piano pela \u00c9cole Normale de Musique de Paris \u2013 Alfred Cortot e completou o Curso Superior de Piano do Conservat\u00f3rio Superior de M\u00fasica de Paris, na classe do professor Olivier Gardon, obtendo o \u201c1er prix\u201d. Regressou a Portugal e desde ent\u00e3o \u00e9 docente da disciplina de piano e pianista acompanhador no Conservat\u00f3rio de M\u00fasica de Viseu.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Como surgiu o estudo da m\u00fasica na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Miguel Amaral\u00a0<\/strong>Iniciei o estudo da m\u00fasica n\u00e3o por vontade pr\u00f3pria, porque eu n\u00e3o manifestava nenhum interesse na altura, mas porque os meus pais, aos cinco anos, na sequ\u00eancia da abertura do conservat\u00f3rio aqui em Viseu, resolveram inscrever-me, tal como me podiam ter inscrito noutra atividade qualquer. Por acaso, fui ficando e o gosto foi aparecendo \u00e0 medida do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que o fez optar pelo piano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA<\/strong>\u00a0Tamb\u00e9m n\u00e3o fui eu que escolhi o piano naturalmente, mas foi-se tornando uma op\u00e7\u00e3o clara para mim. Para al\u00e9m disto, n\u00e3o equacionava outra coisa, porque na altura a escola n\u00e3o tinha uma oferta t\u00e3o diversificada como a que tem actualmente, nem eu tinha uma cultura musical familiar que me permitisse conhecer muito mais coisas. O meu av\u00f4 tocou saxofone de forma rudimentar, por isso n\u00e3o tinha grandes refer\u00eancias musicais e eu era um menino muito bem comportado, que fazia o que me impingiam e a m\u00fasica foi mais uma dessas coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a ideia de ir estudar para Paris?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Para isso \u00e9 preciso voltar um bocadinho atr\u00e1s. Ap\u00f3s terminar os estudos no Conservat\u00f3rio, e pese embora tivesse vontade e manifestasse interesse em seguir m\u00fasica, inicialmente fui para Direito e ingressei na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Estive a\u00ed muito pouco tempo, at\u00e9 que, em conjunto com os meus pais, tomei a decis\u00e3o, muito custosa em termos pessoais e familiares, de sair do curso e passei uma esp\u00e9cie de ano zero em Viseu. Eu sabia que precisava de estudar de uma forma muito s\u00e9ria pois n\u00e3o possu\u00eda o n\u00edvel que eu precisava para ingressar onde acabei por ingressar. Estudar oito horas por dia, todos os dias, para tentar chegar a um n\u00edvel minimamente aceit\u00e1vel. No final desse ano zero, surgiu a possibilidade de tocar para um professor da \u00c9cole Normale de Musique de Paris, que me aceitou na sua classe. E foi assim que, passado um ano, acabei por ir para Paris. Quando fui para Paris, fui ainda naqueles moldes antigos do emigrante que vai para um pa\u00eds que n\u00e3o tinha a mesma moeda, tinha uma casa para mim, o meu pr\u00f3prio est\u00fadio,\u2026 peguei na realidade que tinha aqui e fui para uma coisa totalmente diferente e foi assim que fui parar a Paris sozinho com dezoito anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esteve na \u00c9cole Normale de Musique de Paris e no Conservat\u00f3rio de M\u00fasica de Paris. Como foi a experi\u00eancia nas duas escolas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA<\/strong>\u00a0\u00c9cole Normale devo dizer que \u00e9 uma prova de fogo em termos de resist\u00eancia psicol\u00f3gica. Foi a\u00ed que tomei no\u00e7\u00e3o da realidade de onde eu vinha, daquilo que \u00e9 o ensino da m\u00fasica e daquilo que \u00e9 a performance num n\u00edvel europeu e mundial. O sistema da escola era um sistema que punha \u00e0 prova os alunos\u2026 Para tu veres o impacto que isso teve, eu ainda hoje sonho com os meus exames, com a chamada para o palco\u2026 N\u00f3s \u00e9ramos chamados para o palco por um n\u00famero, nem sequer t\u00ednhamos nome e o j\u00fari que nos ouvia era um j\u00fari de professores que n\u00e3o pertencia ao corpo docente da escola, eram professores convidados para garantir uma certa imparcialidade. \u00c9 um bom princ\u00edpio, agora o que h\u00e1 de mais frio poss\u00edvel em termos de ambiente de exames estava ali. Havia inclusive uma campainha que ditava quando o j\u00fari n\u00e3o queria ouvir mais a nossa presta\u00e7\u00e3o, seja porque est\u00e1vamos a tocar muito mal, seja porque eramos uns g\u00e9nios e n\u00e3o precisavam de ouvir mais. Isto tudo porque na \u00c9cole Normale, como se costuma dizer, \u00e9 f\u00e1cil entrar mas \u00e9 dif\u00edcil sair com alguma coisa. O sistema franc\u00eas funciona na base do concurso portanto para sa\u00edres duma escola como essa com um diploma precisas de alguma forma ter um pr\u00e9mio no concurso. H\u00e1 provas eliminat\u00f3rias, h\u00e1 pe\u00e7as impostas que saem m\u00eas e meio antes e que temos de aprender de repente\u2026 e eu confesso que cheguei a um ponto que me fartei um bocadinho. Da escola, desse sistema todo e tamb\u00e9m pelo facto de a \u00c9cole Normale ser uma esp\u00e9cie de \u00abf\u00e1brica de dinheiro\u00bb que era j\u00e1 mais uma marca de prest\u00edgio do que propriamente uma escola de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foi a\u00ed que decidiu ingressar no Conservat\u00f3rio de Paris\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>A dada altura senti-me descontente e notei que tinha chegado ao fim de um ciclo de ensino e precisava de qualquer coisa que me fizesse renascer, que me fizesse sentir bem comigo pr\u00f3prio e foi nessa sequ\u00eancia que fiz a admiss\u00e3o ao Conservat\u00f3rio de Paris onde estudei com um professor excelente, diametralmente oposto ao meu anterior professor. Mudei para esse novo professor que era um aut\u00eantico \u201canimal\u201d como pessoa, mas altamente competente. Eu acho que nunca lhe arranquei uma palavra de apre\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o\u00a0ao que eu fiz na aula. Talvez tenha dito \u00ab<em>c\u2019\u00e9tait pas mal<\/em>\u00bb, ou seja, \u00abbom\u2026 foi mais ou menos\u00bb isto mesmo depois de eu ter tido algum sucesso nessa escola e ter tido o diploma mais alto da escola.\u00a0Foi um ciclo de seis anos de estudo, dos dezoito aos vinte e quatro, em que fui crescendo, fui aprimorando coisas e fui sobretudo buscar o que eu queria de cada escola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3650\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral2-300x175.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"175\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral2-300x175.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral2.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>Com Alexei Grynyuk (\u00e0 esquerda), Inin Barnatan (ao piano) e Yoshihiko Nakagawa (atr\u00e1s) em Mim\u00e9rand, Cernoy-en-Berry, Fran\u00e7a, durante uma participa\u00e7\u00e3o num festival de ver\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ainda em Paris, integrou a classe de M\u00fasica de C\u00e2mara do Quator Ysa\u00ffe. Como surgiu esta oportunidade e o que lhe trouxe esta experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Isso foi muito bonito. Foi no Conservat\u00f3rio de Paris e era uma classe que tinha acabado de se iniciar nessa altura. O Quarteto Ysa\u00ffe era, na altura, um quarteto important\u00edssimo em Fran\u00e7a. Era uma classe muito livre, em termos de programa e em termos de estrutura curricular, e eu e mais um grupo de colegas fizemos um trio (piano, clarinete e violoncelo) e t\u00ednhamos uma aula todas as semanas. Foi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica porque, pela primeira vez, assim de uma forma mais regular, pude ouvir conselhos de um instrumentista que n\u00e3o \u00e9 da minha \u00e1rea, na altura era o senhor Miguel da Silva que era da viola de arco, que me dava aulas fascinantes, e sobretudo porque eram pessoas que, pese embora o seu alto rendimento em termos de performance, eram muito mais compreensivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas falhas, \u00e0s nossas hesita\u00e7\u00f5es nas aulas e em concerto do que um professor que est\u00e1 habituado \u00e0quela coisa toda da doc\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De que forma \u00e9 que o tempo que esteve em Paris o influenciou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA: <\/strong>Influenciou-me muito\u2026 de uma forma muito directa, eu ainda hoje leio em franc\u00eas porque tenho vontade de continuar a aprimorar o meu franc\u00eas.<\/p>\n<p>Por outro lado, como eu dizia h\u00e1 bocado, as oito horas de estudo do ano zero tamb\u00e9m foram as oito horas de estudo em Paris e at\u00e9 mais, portanto eu n\u00e3o fui propriamente algu\u00e9m que viveu em Paris, fui mais um turista em Paris durante seis anos. Nunca estive propriamente ali durante o dia todo nas ruas. No in\u00edcio eu era extremamente s\u00e9rio e muito aquilo que eu hoje em dia sou em termos de doc\u00eancia, fui tamb\u00e9m para comigo pr\u00f3prio, fui extremamente severo. J\u00e1 mais tarde tinha uma exce\u00e7\u00e3o: ao domingo era um prazer poder sair e ir ao Centro Georges Pompidou ver a exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria que l\u00e1 est\u00e1 ou ent\u00e3o poder ver as exposi\u00e7\u00f5es de jovens criadores na arte contempor\u00e2nea. O meu tempo em Paris permitiu-me contactar com essas coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E com pessoas ligadas ao mundo da m\u00fasica\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Sim, contactei com gente em termos de m\u00fasica, nomeadamente piano, que eu nunca esperava ter conhecido na vida. O meu professor tinha muitos contactos e, por isso, os afinadores que iam a minha casa eram os afinadores dos principais teatros e salas de concertos de Paris. \u00c0s vezes n\u00f3s nem sab\u00edamos como \u00e9 que ele arranjava aquilo\u2026 n\u00f3s t\u00ednhamo-los em casa a um pre\u00e7o que ainda hoje eu pergunto como \u00e9 que eles l\u00e1 iam! Mas eles gostavam de ir ouvir os estudantes aos nossos pr\u00f3prios est\u00fadios, a nossa casa, gostavam de nos ajudar a fazer melhor. Tive um afinador japon\u00eas\u2026 era uma com\u00e9dia s\u00f3 para marcar uma afina\u00e7\u00e3o com ele porque ele falava um franc\u00eas ou ingl\u00eas rudimentar. Esse afinador foi o primeiro que eu vi que me tirou a temperatura do piano. Tirou a temperatura e fez-me o relat\u00f3rio todo em japon\u00eas em que eu s\u00f3 percebi os n\u00fameros. (risos) S\u00e3o coisas assim que marcam.<\/p>\n<p>Mas Paris tamb\u00e9m me marcou muito enquanto pessoa. Aquela abertura toda&#8230; Eu vim um homem completamente diferente. Regressei a Paris algumas vezes e, n\u00e3o sei porqu\u00ea, quando volto fico um bocado \u00abrevoltado\u00bb com a nossa tacanhez, com a nossa falta de esp\u00edrito de abertura\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Porque regressou a Portugal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Eu regressei a Portugal\u2026 Quando me contactou pensei um bocadinho nessa pergunta\u2026 Na verdade, nunca deixei de sair de Portugal porque eu sempre mantive o cord\u00e3o umbilical especificamente com o conservat\u00f3rio. Eu fazia concertos aqui todos os anos e, por isso, o meu ano lectivo n\u00e3o terminava em Paris, mas sim aqui. Houve sempre essa rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e resolvi voltar porque achei que estava na altura de terminar um ciclo e porque tenho consci\u00eancia que n\u00e3o haveria condi\u00e7\u00f5es para viver da m\u00fasica exclusivamente. Enquanto pianista h\u00e1 milh\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o milhares, s\u00e3o milh\u00f5es de pianistas muito melhores do que eu tal como existem milh\u00f5es de professores muito melhores do que eu. Mas achei que podia ser um bom ponto de partida, voltar para Viseu e de alguma forma fazer aquilo que \u00e9 o retorno, um ato de gratid\u00e3o ou como queiramos interpretar, e houve essa abertura por parte da escola e pouco a pouco fui ficando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando voltou ingressou na licenciatura em Aveiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>A estrutura curricular em Fran\u00e7a \u00e9 completamente diferente da nossa, o curso de professores \u00e9 um curso \u00e0 parte, deve haver duas universidades ou as escolas de m\u00fasica que t\u00eam a vertente de ensino integrada, de resto temos de fazer a forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de professores. E, quando voltei, tive s\u00e9rios problemas e acabei por ter de voltar a estudar para\u2026 tranquilizar as autoridades de que eu estava devidamente certificado, o que acabou por se verificar. Tive de fazer a licenciatura novamente, eu digo novamente porque na teoria eu j\u00e1 teria duas, uma da \u00c9cole Normale outra do Conservat\u00f3rio de Paris, mas eu n\u00e3o lamento isso. \u00c9 \u00f3bvio que na altura custou bastante em termos de sacrif\u00edcio pessoal, mas \u00e9 preciso ver isso na perspectiva enriquecedora, e isso foi o ponto de partida para o facto de eu ainda hoje estar a estudar e ter seguido essa via do enriquecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hoje em dia \u00e9 docente no Conservat\u00f3rio de Viseu ao lado do professor Jorge Martins, que foi durante v\u00e1rios anos seu professor de piano. Como \u00e9 que ele influenciou o seu percurso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA: <\/strong>O professor Jorge Martins acompanhou-me desde os meus nove anos. De uma forma complementar ao in\u00edcio, porque n\u00e3o era o meu professor base. A minha professora era Dona Alice Namorado e depois ela dizia &#8211; \u00abV\u00e3o ali tocar para aquele professor que ele sabe muito\u00bb &#8211; e l\u00e1 \u00edamos n\u00f3s tocar para o senhor professor todos cheios de medo. Posteriormente, por causa da restrutura\u00e7\u00e3o do ensino da m\u00fasica e de os professores terem forma\u00e7\u00e3o adequada, acabei por transitar para a classe dele. Ele foi sempre uma pessoa que me desafiou a seguir m\u00fasica. Numa fase muito avan\u00e7ada das coisas quando eu j\u00e1 estava em Direito, l\u00e1 em casa parecia que ele tinha sido, um bocado \u00e0 moda do Clube dos Poetas Mortos, o respons\u00e1vel por alguma desgra\u00e7a. Mas eu nunca cortei o cord\u00e3o umbilical com ele tamb\u00e9m na altura em que estava em Paris e ele ia muitas vezes \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como foi passar de aluno a colega?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>A rela\u00e7\u00e3o professor-aluno digamos que n\u00e3o passou, continua. Isso \u00e9 uma coisa que n\u00e3o desaparece. A rever\u00eancia n\u00e3o deve ter idade, por isso eu continuo a trat\u00e1-lo por voc\u00ea pesa embora poder\u00edamos tratar-nos por tu desde h\u00e1 d\u00e9cadas, mas s\u00e3o coisas que n\u00e3o mudam.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3651\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral3-300x225.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral3.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>A ensaiar no Conservat\u00f3rio Regional de M\u00fasica de Viseu \u201cDr. Jos\u00e9 de Azeredo Perdig\u00e3o\u201d, onde \u00e9 actualmente professor.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ao longo dos anos participou em diversas <em>masterclasses<\/em> e concursos internacionais, ganhando alguns pr\u00e9mios. Quais as participa\u00e7\u00f5es que mais o marcaram e porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>As que marcam mais n\u00e3o t\u00eam de ser necessariamente aquelas em que n\u00f3s tivemos sucesso. Houve uma participa\u00e7\u00e3o num concurso internacional em Marrocos que foi fant\u00e1stica enquanto experi\u00eancia de vida. And\u00e1mos entre tr\u00eas cidades, mas em vez de fazermos apenas aquele turismo de visitar as cidades, foi fazer isso tudo a tocar piano, no ambiente concurso. Mas o concurso que me marcou mais foi o concurso Flame, em Paris, onde eu arrecadei um pr\u00e9mio. Depois de uma fase complicada, de ter deixado a \u00c9cole Normale e ter ingressado no Conservat\u00f3rio de Paris, foi a confirma\u00e7\u00e3o daquilo que eu tinha vindo a fazer como trabalho e que eu comecei a desenvolver com o novo professor que tive, o Olivier Gardon. Foi a\u00ed que eu disse: \u00abOk, \u00e9 isto. Afinal ainda tocas qualquer coisa\u00bb. Era um concurso importante no Centro Cultural Calouste Gulbenkian em Paris e isso marcou-me pela positiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ainda se sente nervoso antes de tocar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Se eu lhe disser que ainda hoje, quando vou tocar, nunca sei se vou fazer uma aut\u00eantica desgra\u00e7a ou algo genial n\u00e3o lhe estou a mentir. Est\u00e1 muita coisa para tr\u00e1s, mas eu acho que \u00e9 sempre imprevis\u00edvel a forma que vamos tocar e portanto tudo pode acontecer. O banco pode partir, pode-te dar qualquer coisa,\u2026 e sobretudo h\u00e1 sempre uma falta de confian\u00e7a que te pode atacar em qualquer altura. Ou ent\u00e3o sentes-te um g\u00e9nio, e portanto, de repente est\u00e1s a planar. S\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es que alternam\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sei que para al\u00e9m de professor de piano \u00e9 tamb\u00e9m pianista acompanhador no conservat\u00f3rio\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Eu quando comecei a dar aulas n\u00e3o comecei a ser pianista acompanhador, fui-me incorporando nessa outra tarefa pouco a pouco. Comecei pelos sopros, depois passei para aqui para acol\u00e1 e, hoje em dia, o meu hor\u00e1rio virou completamente ao contr\u00e1rio e sou mais acompanhador do que professor de piano. Mas \u00e9 bom porque continuo a tocar e sinto-me de alguma forma a evoluir, mas \u00e9 muito mais desafiante naquilo que n\u00f3s podemos dar aos alunos. Eu consigo explicar muito melhor aos alunos nos ensaios o quanto eu gosto da m\u00fasica porque \u00e9 mais livre, n\u00e3o \u00e9 uma aula e eu n\u00e3o tenho de o fazer tocar ao fim daquilo. Estamos a aprimorar, estamos a cuidar de detalhes e eu conto muito mais hist\u00f3rias, falo muito mais arquitetura musical do que numa aula de piano propriamente dita.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3653\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral6-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral6-300x225.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/amaral6.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>A acompanhar uma aluna do Conservat\u00f3rio Regional de M\u00fasica de Viseu \u201cDr. Jos\u00e9 de Azeredo Perdig\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que o faz gostar tanto de m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMA\u00a0<\/strong>Ainda h\u00e1 pouco tempo, depois de um ensaio, eu estava a demonstrar qualquer coisa e eu fixei a aluna e disse: \u00abV\u00ea este estado de esp\u00edrito. Olha para n\u00f3s\u00bb\u2026 Isto s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o existem noutro dom\u00ednio, julgo eu, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na m\u00fasica, mas na arte em geral. E n\u00f3s temos acesso a coisas completamente inenarr\u00e1veis,\u2026 s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es muito fortes. A oscila\u00e7\u00e3o e a altern\u00e2ncia de estado de esp\u00edrito s\u00e3o uma coisa fant\u00e1stica\u2026 Qualquer bom m\u00fasico, provavelmente ser\u00e1 um bom ator, estou a falar em termos de int\u00e9rprete, porque \u00e0s vezes temos de saltar de uma coisa para a outra muito repentinamente e de uma maneira convincente tamb\u00e9m. Mas a verdade \u00e9 que est\u00e1 l\u00e1 tudo, tudo aquilo que foi escrito em termos de literatura tamb\u00e9m est\u00e1 no piano e na m\u00fasica em geral. Quando l\u00eas um livro tamb\u00e9m te emocionas. \u00c9 natural que uma coisa que te provoque emo\u00e7\u00f5es seja uma coisa que tu queres repetir\u2026 Porqu\u00ea\u2026? Porque o amor \u00e9 assim\u2026 Uma pessoa quando se casa quer repetir aquilo por muitos anos. E fazer disso o nosso trabalho \u00e9 fant\u00e1stico n\u00e3o \u00e9\u2026? Poderes dar o corpo \u00e0 emo\u00e7\u00e3o assim todos os dias\u2026 N\u00e3o \u00e9 que isso aconte\u00e7a todos os dias, porque em termos da doc\u00eancia ou ensaios as coisas n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o po\u00e9ticas quanto eu estou a relatar, mas acontece esporadicamente um momento mais forte, um momento que nos diz: \u00ab\u00c9 mesmo isto\u00bb. Mas eu n\u00e3o me imagino a fazer outra coisa, \u00e9 o que eu costumo dizer. N\u00e3o sei se sou muito bom ou muito mau, fa\u00e7o outras coisas muito bem, mas eu n\u00e3o me imagino a fazer outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Rafaela Sousa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando aos cinco anos o inscreveram no conservat\u00f3rio de m\u00fasica, Jos\u00e9 Miguel Amaral estava longe de imaginar que a m\u00fasica<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":3649,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[965,213,1129,72,1130],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3648"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3648"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3656,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3648\/revisions\/3656"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}