{"id":3641,"date":"2018-06-19T12:25:01","date_gmt":"2018-06-19T12:25:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3641"},"modified":"2018-06-19T12:25:01","modified_gmt":"2018-06-19T12:25:01","slug":"deixei-de-tocar-musica-nao-deixei-de-a-sentir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3641","title":{"rendered":"\u201cDeixei de tocar m\u00fasica, n\u00e3o deixei de a sentir\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Lu\u00eds Brand\u00e3o desde muito novo que \u00e9 um apaixonado pela m\u00fasica. No ano de 1991 tentou a sua sorte na banda de garagem \u201cHertz\u201d e, desde ent\u00e3o, tocou em conjuntos como \u201cSonjovem\u201d e \u201cBanda P\u00e1tria\u201d. H\u00e1 12 anos p\u00f4s o seu amor pela m\u00fasica de lado, mas conta como v\u00ea o panorama musical no nosso pa\u00eds.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3643\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao1.jpg 344w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Quando surgiu o seu gosto pela m\u00fasica e pela bateria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lu\u00eds Brand\u00e3o<\/strong> Eu n\u00e3o consigo dizer que o meu gosto tenha come\u00e7ado num momento espec\u00edfico. Desde muito cedo que me lembro de adorar a m\u00fasica. Eu n\u00e3o queria apenas ouvir, queria tocar. Lembro-me de que em pequeno j\u00e1 tocava nos tachos e nas panelas para tentar imitar os sons da bateria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se j\u00e1 em pequeno era um fascinado pela m\u00fasica, os seus familiares incentivaram-no a ser um m\u00fasico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB<\/strong> N\u00e3o. No que toca aos meus familiares, deram-me uma bateria quando eu tinha 8 anos. Mas uma bateria de brincar. Tirando isso nunca recebi grande incentivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foi ent\u00e3o uma iniciativa pr\u00f3pria seguir uma carreira na \u00e1rea da\u00a0m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Foi. Aos 19 anos fui eu pr\u00f3prio a comprar a minha primeira bateria, com o meu pr\u00f3prio dinheiro. E este \u00e9 que foi o meu verdadeiro in\u00edcio na m\u00fasica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3644\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao2-300x223.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao2-300x223.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao2.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O Lu\u00eds \u00e9 autodidata. Mas quando come\u00e7ou a aprender a tocar a bateria pensou em desistir? Ou achou f\u00e1cil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Nunca pensei em desistir. Nem uma \u00fanica vez. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vou mentir e dizer que foi f\u00e1cil, porque n\u00e3o foi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual foi o seu segredo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima. Mas tamb\u00e9m adorar o que estava a aprender a fazer foi meio caminho andado. Se n\u00e3o gostamos assim tanto, n\u00e3o temos grande motiva\u00e7\u00e3o e isso n\u00e3o nos leva a nenhum resultado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Chegou a frequentar a Escola de Jazz do Porto, posteriormente. Como foi a experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Andei s\u00f3 um ano e meio para ter mais umas bases e no\u00e7\u00f5es, mas infelizmente tive de desistir por causa do trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Preferiu o trabalho \u00e0 m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>O trabalho e a fam\u00edlia. A idade tamb\u00e9m j\u00e1 pesava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando \u00e9 que sentiu o seu talento a ser reconhecido pela primeira vez?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o sei mesmo como responder\u2026 quando me apercebi, as pessoas \u00e0 minha volta j\u00e1 gostavam de me ouvir. Se isso \u00e9 ver o meu talento a ser reconhecido ent\u00e3o \u00e9 a \u00fanica maneira que tenho como responder. Mas, na verdade, nunca liguei ao que os outros achavam. Se gostavam de mim e\/ou do que eu fazia, \u00f3timo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que sentiu ao enfrentar um p\u00fablico pela primeira vez?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Nervoso! Mas, felizmente, correu tudo bem. S\u00f3 custou come\u00e7ar. Depois \u00e0 medida que tocava j\u00e1 me sentia mais ligado \u00e0 m\u00fasica do que a mim pr\u00f3prio e aos meus receios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 passou por v\u00e1rias bandas. Qual acha ser o fator crucial para o sucesso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Humildade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o talento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>\u00c9 importante, mas \u00e9 preciso aceitar o facto de que n\u00e3o somos os melhores e que podemos sempre aprender. Assim crescemos, e assim conseguimos ent\u00e3o o sucesso. Existe muito talento, mas o que n\u00f3s somos tamb\u00e9m conta para termos mais portas abertas para n\u00f3s e para, l\u00e1 est\u00e1, crescermos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m da bateria, costumava ter outras fun\u00e7\u00f5es nas bandas por onde passou. Quais foram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Eu estava muitas vezes ligado \u00e0 percuss\u00e3o. Mas o nosso momento c\u00f3mico do concerto, era eu que o fazia. Tamb\u00e9m cantava algumas coisitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual foi, enquanto m\u00fasico, a experi\u00eancia que mais o realizou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>P\u00f4r mais de 5 mil pessoas a cantar e a dan\u00e7ar. Isto em v\u00e1rios concertos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 atuou na televis\u00e3o. N\u00e3o a considerou como uma experi\u00eancia que o realizasse?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Sinceramente n\u00e3o. Nem liguei muito a isso. Claro que \u00e9 giro, \u00e9 um outro mundo. Mas prefiro mesmo p\u00f4r as 5 mil pessoas de p\u00e9 a cantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 imposs\u00edvel faz\u00ea-lo na televis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>\u00c9 completamente diferente. Primeiro, est\u00e1s na televis\u00e3o um bocadinho e aquilo \u00e9 playback, porque infelizmente s\u00e3o muito poucos os que tocam ao vivo na televis\u00e3o. Um concerto \u00e9 um concerto. O p\u00fablico veio ali para te ver, eles sabem quem l\u00e1 est\u00e1 e querem ver quem l\u00e1 esta. O p\u00fablico da televis\u00e3o s\u00f3 que aparecer na TV, eles l\u00e1 querem saber de n\u00f3s.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3646\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao4-300x166.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"166\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao4-300x166.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao4.jpg 399w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>A bateria \u00e9 um instrumento menos valorizado e apreciado em rela\u00e7\u00e3o a instrumentos como a guitarra e o piano. Porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Porque esses instrumentos d\u00e3o mais melodia. Mas a bateria \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da banda, marca o ritmo e isso \u00e9 o que muito n\u00e3o apercebem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 se sentiu desvalorizado ou rebaixado por tocar bateria e n\u00e3o outro instrumento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o. Sei que preferem normalmente outros instrumentos, mas n\u00e3o. Mas j\u00e1 ouvi dizer que os bateristas n\u00e3o eram m\u00fasicos, eram s\u00f3 acompanhantes. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade. Tirando isso nunca sofri nenhum tipo de desvaloriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ao vivo, como pode o baterista influenciar o resto da banda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Um mau baterista pode desafinar a banda toda. Se eu, enquanto baterista, fa\u00e7o um erro m\u00ednimo, o resto da banda vira-se para tr\u00e1s e olha para mim, porque eu fiz com que eles perdessem ali o ritmo. Desgovernei tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando e porqu\u00ea decidiu deixar a m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Eu j\u00e1 tocava h\u00e1 muitos anos e a fam\u00edlia estava em primeiro lugar. Ainda aguentei alguns anitos a tentar equilibrar a m\u00fasica com a minha mulher e a minha filha, mas elas vinham em primeiro lugar. Entre 2006 e 2007 decidi deixar a m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Arrepende-se da sua decis\u00e3o na \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o. Deixei de tocar m\u00fasica, n\u00e3o deixei de a sentir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 muita concorr\u00eancia na m\u00fasica, at\u00e9 em bandas de garagem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>H\u00e1. Muitos tentam passar por cima dos outros. L\u00e1 est\u00e1 a falta de humildade das pessoas, querem fazer mais que os outros. Mas m\u00fasicos com M mai\u00fasculo s\u00e3o pessoas humildes, aceitam as cr\u00edticas, crescem e ajudam a crescer os outros. Eu aprendi a ser um m\u00fasico assim. E conheci muitos com M mai\u00fasculo, na escola de jazz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que m\u00fasicos com M mai\u00fasculo conheceu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>M\u00e1rio Barreiros por exemplo, que \u00e9 um produtor portugu\u00eas muito conhecido, e os irm\u00e3os dele, que s\u00e3o excelentes m\u00fasicos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esteve mais de uma d\u00e9cada ligado \u00e0 m\u00fasica. O que mudou nesse per\u00edodo de tempo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>A maneira de tocar mudou, os m\u00fasicos ficaram mais aplicados. Isto no melhor dos exemplos. Depois temos a mudan\u00e7a negativa. Enquanto uns cresciam e importavam-se mais com a parte instrumental, valorizou-se a parte t\u00e9cnica. O que pode ser bom, de uma maneira, mas mau por outra. Dos anos 90 para os anos 2000, vi mais material em palco, demasiado at\u00e9. \u00c0s vezes muito material serve para tapar lacunas musicais, e n\u00e3o para envolver mais o p\u00fablico. Mas cada um toca como quer.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Enquanto m\u00fasico tem uma outra perspetiva dos concertos. Consegue perceber como o equipamento \u00e9 na verdade uma t\u00e9cnica de distra\u00e7\u00e3o, enquanto o p\u00fablico geral n\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Acho que posso dizer que sim. Enquanto vejo pessoas maravilhadas com as luzes e aquelas coisas todas, eu fico horrorizado com as lacunas musicais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3645\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao3-300x179.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"179\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao3-300x179.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/brandao3.jpg 398w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Quais os maiores desafios para um m\u00fasico em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Viver da m\u00fasica. Em Portugal, tirando para muito poucos, \u00e9 imposs\u00edvel viver dela. O problema tamb\u00e9m passa pela nossa mentalidade, temos excelentes m\u00fasicos, muitos deles andam a tocar pelas ruas e n\u00e3o lhes passamos cart\u00e3o. Talvez porque o nosso pa\u00eds nunca investiu muito na cultura. S\u00f3 queremos saber do futebol, ou novelas. E, no entanto, temos qualidade \u00e0 porta de casa, muitos artistas est\u00e3o nas ruas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 mais exigido de um baterista f\u00edsica e psicologicamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Muitas vezes toquei durante 4 horas por noite, logo eu tinha de ter cuidado com a minha resist\u00eancia e prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Psicologicamente, eu acho que num dia de concerto eu tinha de me abstrair de tudo o que me prejudicava mentalmente. Um dia menos bom vai fazer passar ao p\u00fablico que est\u00e1s fora de ritmo, n\u00e3o h\u00e1 harmonia no que fazes. Transmite-se isso ao p\u00fablico. A alegria n\u00e3o existe. O cansa\u00e7o ent\u00e3o nem falemos. Isso passa logo tudo para o p\u00fablico. Quando o cansa\u00e7o e assim tomam conta do que n\u00f3s estamos a fazer, n\u00e3o h\u00e1 prazer. Pelo menos a mim influenciava-me. Queria fazer certas coisas, e elas n\u00e3o saiam. E depois isso frustrava-me, o que ainda piorava mais tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que incentiva algu\u00e9m a entrar numa banda e percorrer o pa\u00eds com ela?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>O que nos incentivava era conhecer pessoas, conhecer s\u00edtios, as festas. Ver a divers\u00e3o. E claro que o dinheiro tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Atualmente n\u00e3o h\u00e1 grandes apostas na cultura, em Portugal. Como era a rela\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com a m\u00fasica na sua altura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Nunca houve incentivos, nunca houve um apoio para quem queria fazer arte. Em rela\u00e7\u00e3o ao agora, acho que s\u00f3 os mi\u00fados \u00e9 que podem responder mais. Como eu sa\u00ed da m\u00fasica n\u00e3o tenho visto de que maneiras eles s\u00e3o apoiados nestes \u00faltimos anos, mas n\u00e3o acredito na aposta neles. Ali\u00e1s, como eu j\u00e1 disse, o talento ainda a\u00ed nas ruas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando come\u00e7ou a sua carreira, a internet ainda n\u00e3o era um dos apoios de um m\u00fasico. \u00c9 c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o a esta rela\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos atuais com a internet?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o, eu defendo a internet neste caso da m\u00fasica pelo menos. Por um lado, \u00e9 muito bom. Tanto para o m\u00fasico ou para o f\u00e3. Temos tudo ali dispon\u00edvel, e o m\u00fasico tem uma ferramenta onde p\u00f5e todo o seu trabalho. Com um clique estamos a ver tamb\u00e9m exerc\u00edcios, e aprendemos mais assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais os maiores preconceitos que uma banda de garagem sofre?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o ligo muito a essa parte negativa. S\u00f3 se for o medo que as pessoas n\u00e3o gostem daquilo, e as cr\u00edticas dos vizinhos, que n\u00f3s fa\u00e7amos barulho. N\u00e3o posso falar por todas as bandas, mas na minha altura associavam bandas de garagem a pessoas que tocavam uma cena qualquer. N\u00e3o estavam para a\u00ed viradas. Associavam a m\u00fasicas que s\u00f3 os amigos \u00e9 que ouvem e coisas do g\u00e9nero. \u00c9 s\u00f3 barulho, \u00e9 s\u00f3 latas, \u00e9 s\u00f3 berros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o nunca foi criticado pelas pessoas mais pr\u00f3ximas de si?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o, pensavam que \u00e9ramos s\u00f3 uns putos a bater nas latas. No meu caso at\u00e9 tinha muitos vizinhos que gostavam de nos ouvir a ensaiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que acha dos artistas que est\u00e3o em alta atualmente? O talento diminuiu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Diminuiu bastante! J\u00e1 n\u00e3o se fazem m\u00fasicas intemporais. S\u00e3o muito comercias. Na altura viv\u00edamos aquilo, agora n\u00e3o porque \u00e9 tudo muito pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais as suas maiores influ\u00eancias musicais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Bon Jovi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nunca houve nenhum familiar m\u00fasico que o inspirasse?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>N\u00e3o havia m\u00fasicos na fam\u00edlia. Eu fui aqui o pioneiro. O que eu via em pequeno eram os bateristas nos bailes e eu pensava \u201ceu quero estar ali\u201d!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 considerou regressar \u00e0 m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Ate me interessava voltar. Mas em bares e coisas de vez em quando, para matar o bichinho. Mas atua\u00e7\u00f5es como tinha antes, n\u00e3o. J\u00e1 chega de noitadas, tive a minha vida disso.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Com que artistas gostava de ter a oportunidade de trabalhar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Com artistas mesmo, n\u00e3o essas coisas comerciais. Bon Jovi, obviamente. Mas tamb\u00e9m portugueses como o Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa e etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Durante os anos em que esteve musicalmente ativo, v\u00edcios como a droga e \u00e1lcool\u00a0estavam muito presentes no panorama musical. Pode contar mais sobre a sua experi\u00eancia pessoal e das bandas onde esteve, sobre esse mundo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Era muito f\u00e1cil entrar nessa onda, eles pensavam que iam ser melhores com essas coisas. Muito sinceramente n\u00e3o sei como era t\u00e3o f\u00e1cil no nosso meio musical entrar, mas entrava muita droga. Mas agora tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 f\u00e1cil em todo o lado. Eu olhava para colegas meus e parecia uma moda. \u201cSe o meu \u00eddolo fuma, ou toma drogas, eu tamb\u00e9m tenho de o fazer\u201d, pensavam eles, acho eu. Mentalidades\u2026 eu, felizmente, nunca precisei dessas coisas para tocar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que algu\u00e9m quer entrar na m\u00fasica? Para ser estrela, ou para ser um artista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LB\u00a0<\/strong>Se for para ser estrela, n\u00e3o vai ter sucesso. S\u00f3 se os fizerem como tal. Mas isso j\u00e1 depende da cultura das pessoas, se \u00e9 isso que elas querem, que queiram. Tem de haver humildade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Patr\u00edcia Brand\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Brand\u00e3o desde muito novo que \u00e9 um apaixonado pela m\u00fasica. 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