{"id":3527,"date":"2018-07-04T12:40:06","date_gmt":"2018-07-04T12:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3527"},"modified":"2018-07-04T12:40:06","modified_gmt":"2018-07-04T12:40:06","slug":"vivemos-numa-sociedade-de-surdos-em-que-toda-a-gente-quer-falar-mas-ninguem-e-ouvido-nem-ouve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3527","title":{"rendered":"\u201cVivemos numa sociedade de surdos, em que toda a gente quer falar, mas ningue\u0301m e\u0301 ouvido, nem ouve\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong><em>Bernardo Almeida, natural de Viseu, tem 21 anos e estuda na Universidade de Aveiro. Tem uma licenciatura em Biotecnologia e esta\u0301, atualmente, num mestrado em Biotecnologia Alimentar.\u00a0Comec\u0327ou a fazer teatro aos 10 anos, no Clube Celta, em Viseu. O Clube estava a\u0300 procura de um narrador para uma pec\u0327a e o Bernardo ja\u0301 tinha a fama, na escola prima\u0301ria, de ler a cantar e acabou por ser o escolhido para o papel. Na passagem para o ensino secunda\u0301rio, integrou-se num projeto do Teatro Viriato, onde teve a oportunidade de trabalhar com dois nomes bastante conhecidos por Viseu: Graeme Pulleyn, encenador e ator independente, e Jorge Fraga, professor e tambe\u0301m encenador. Mas a verdadeira aventura e aprendizagem aconteceu quando o Bernardo foi para a universidade e entrou no GrETUA (Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro), onde esta\u0301 ja\u0301 ha\u0301 4 anos e onde diz que comec\u0327ou a sentir o teatro de uma forma completamente diferente.<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3530\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/teatro2-300x204.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/teatro2-300x204.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/teatro2.jpg 330w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>Hoje em dia o poder da representac\u0327a\u0303o em Portugal e\u0301 muito pouco, no entanto, existem muitas pessoas com talento, mas sem visibilidade, o que as deixa apenas com a experie\u0302ncia. Qual e\u0301 a sua opinia\u0303o em relac\u0327a\u0303o a isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bernardo Almeida<\/strong> Comec\u00e7ou por tocar num grande problema nesta a\u0301rea hoje em dia, algo que visto deste lado artista, tem duas faces. Primeiro, em relac\u0327a\u0303o a\u0300 visibilidade dos artistas: hoje em dia para seres um artista reconhecido tens de te vender um pouco a\u0300s coisas que, na minha opinia\u0303o, te\u0302m fraca qualidade, mas vendem, como e\u0301 o exemplo das novelas. As novelas sa\u0303o um exemplo claro de fraca qualidade de realizac\u0327a\u0303o, interpretac\u0327a\u0303o e ate\u0301 de escrita. Vendo do ponto de vista te\u0301cnico, e\u0301 horri\u0301vel fazer e ver aquilo. No entanto, se quiseres ter o teu nome na boca dos portugueses, vais acabar por te obrigar a faze\u0302-lo. Por outro lado, coisas como teatro ou mesmo o cinema portugue\u0302s, esta\u0303o um pouco esquecidas na mente da nossa populac\u0327a\u0303o, pelo menos da mais velha ou ate\u0301 da dos nossos pais. Isto e\u0301 horri\u0301vel para no\u0301s, porque quando aprendes a fazer algo bom e bem, na\u0303o vais querer meter-te em projetos que te tirem esse sentimento. Basicamente, numa ma\u0303o acabamos por ter atores incri\u0301veis, mas que como na\u0303o se querem sujeitar a coisas pe\u0301ssimas, na\u0303o va\u0303o ter visibilidade. Na outra ma\u0303o temos atores horri\u0301veis, que acabam por ter imensa \u201cfama\u201d apenas pela cara laroca, que vende, mas que nem sabem o que e\u0301 fazer boa representac\u0327a\u0303o. Este e\u0301 o primeiro problema.<\/p>\n<p>O segundo problema, que tem muito\u00a0a ver tambe\u0301m com a tal questa\u0303o do que esta\u0301 esquecido na mente da nossa populac\u0327a\u0303o, relaciona-se com os \u201ccriadores\u201d de arte do nosso pai\u0301s, ou seja, os homens e mulheres que esta\u0303o a\u0300 frente de companhias de cultura, mas que sa\u0303o o tipo de pessoa que apenas se conformou com a frase \u201cas pessoas ja\u0301 na\u0303o gostam de ir ao teatro\u201d e esta\u0303o sentadas no seu sofa\u0301, apenas a queixarem-se disso e a coc\u0327ar a barriga pelo trabalho que ja\u0301 fizeram. A verdade na\u0303o e\u0301 o facto de que as pessoas ja\u0301 na\u0303o gostam de vir ao teatro, mas sim que estes mesmos criadores deixaram de tentar chamar o interesse das pessoas para irem ao teatro. Na\u0303o querem tentar mudar os seus me\u0301todos de publicidade, digamos assim, para o pu\u0301blico que existe agora, que e\u0301 a camada jovem, e que realmente pode trazer uma revoluc\u0327a\u0303o na cultura portuguesa. Os criadores conformaram-se com o pensamento de que esta camada na\u0303o entende a cultura. O que eu quero dizer e\u0301 que esta questa\u0303o da visibilidade na\u0303o esta\u0301 muitas vezes so\u0301, e maioritariamente, na culpa do pu\u0301blico, mas tambe\u0301m nas pessoas a frente das companhias, que na\u0303o se querem dar ao trabalho de voltar a interessar o pu\u0301blico para vir aos teatros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como diz Ruy de Carvalho, a cultura e\u0301 a arca do tesouro de um povo. Acha que nos dias de hoje existem oportunidades suficientes para os jovens que querem seguir esta carreira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BA<\/strong> Existir, existem. Ha\u0301 tre\u0302s ou quatro escolas em Portugal que profissionalizam pessoas nesta a\u0301rea. No entanto, na\u0303o existem grandes sai\u0301das. Eu conhec\u0327o imensa gente sem cursos que vingam muito mais nesta a\u0301rea do que pessoas com cursos, porque hoje em dia o que conta nem sempre e\u0301 a experie\u0302ncia e, por isso, acabamos por ter tanta coisa de fraca qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 3\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>Tem planos futuros ligados ao teatro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BA<\/strong> Esta pergunta assusta-me um pouco, porque toca no ponto que sempre me fragilizou, que sa\u0303o os meus sonhos. Desde miu\u0301do sempre sonhei em ser algo de genial, de diferente e impactante. Sempre quis sentir que fazia a diferenc\u0327a, acho que e\u0301 um pouco o que todos queremos. Foi isso que eu encontrei no teatro: a capacidade de levar ao impacto, de fazer as pessoas sentirem algo e sai\u0301rem do teatro com algo diferente. Enta\u0303o foi tambe\u0301m assim que decidi que esta seria, um dia, a minha profissa\u0303o e a minha vida. Tenho grandes planos para isto, grandes expectativas. Apesar de estar a tirar um mestrado em Biotecnologia Alimentar espero que, mal acabe, possa ir fazer as provas para entrar nas melhores escolas de drama do mundo, ou em Londres ou nos Estados Unidos, porque tentar tirar algo em Portugal e\u0301 o equivalente a na\u0303o tirar nada. Sinto que ainda tenho tanto que aprender e que sou ignorante em tanta coisa, como na escrita, na simbologia (algo incrivelmente importante nesta a\u0301rea) ou na pro\u0301pria interpretac\u0327a\u0303o de textos. Na\u0303o quero isso. Quero poder olhar para os textos e sentir tudo o que la\u0301 esta\u0301 e ter o conhecimento para entender tudo o que esta\u0301 escrito entre as linhas. Quero aprender com os melhores. Aprender a sentir mais, aprender a movimentar-me melhor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 3\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>O meu objetivo na\u0303o e\u0301 ser medi\u0301ocre, nem e\u0301 ser um bom ator, e\u0301 ser um excelente ator, e\u0301 ser extraordina\u0301rio. Estou pronto para arriscar o que quer que seja e dar o que precise de dar para isto acontecer. Quero ter a certeza de que vou tocar as pessoas quando forem ver pec\u0327as ou filmes, da mesma forma que eu me sinto tocado quando vejo algum filme incri\u0301vel. Mas isto e\u0301 algo assustador, no sentido em que todos sabemos como o mundo das artes e\u0301 o inconstante que e\u0301. Ter sonhos nesta a\u0301rea e\u0301 como estares previamente a escolher hipotecar o teu futuro, de certa forma. E\u0301 um jogo onde seres o melhor nem sempre basta: tens de ser genial e tens de fazer os outros verem a tua genialidade, com o \u201csuor e la\u0301grimas\u201d. Nunca podes parar de lutar. E\u0301 dolorosamente bom, no entanto (risos).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3528\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/teatro.jpg\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"292\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 4\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>Fale-me sobre esta fotografia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>BA<\/strong> Esta personagem e\u0301 extremamente pessoal para mim, na\u0303o so\u0301 pelo sucesso que foi e o impacto que teve, mas principalmente pelo que significou para mim, pelo que me ensinou e tambe\u0301m pelo trabalho todo que tive para chegar ate\u0301 ele. Este e\u0301 o Emi\u0301lio, Mil para os amigos. Foi a primeira vez que chorei imenso (e ainda choro) ao deixar de fazer uma personagem, porque e\u0301 como dizeres adeus a algue\u0301m que faz parte de ti. E\u0301 um \u201cputo, como os outros\u201d, com capacidades promissoras, mas concluiu que essa vida e\u0301 algo que na\u0303o queria, porque so\u0301 significa falhanc\u0327os, e acaba por largar tudo e levar a vida pela heroi\u0301na. E\u0301 das pessoas mais fortes que ja\u0301 conheci, por ter uma \u201ccoragem acima da me\u0301dia\u201d em conseguir escolher o que quer fazer na sua vida, mesmo que isso muitas vezes na\u0303o seja visto como o melhor. Para esta personagem, tive de caminhar um percurso um pouco duro, desde falar com va\u0301rias pessoas que ja\u0301 estiveram ou ainda estavam metidas no vi\u0301cio das drogas, ate\u0301 passar dois dias a vestir-me de mendigo e a pedir dinheiro pelas ruas de Aveiro. Toda esta experie\u0302ncia foi teve tanto assustadora como de enriquecedora, porque me fez ver imensa coisa de outras formas, principalmente como no\u0301s exclui\u0301mos certas pessoas da sociedade e o nojo que muitos de no\u0301s mostramos em relac\u0327a\u0303o a essas mesmas pessoas. Foi a primeira vez que senti o que e\u0301 ser a voz de pessoas que na\u0303o sa\u0303o ouvidas, que consegui perceber o poder do teatro. E\u0301 uma sensac\u0327a\u0303o magnifica. Esta personagem levou-me ao limite em va\u0301rios aspetos, mas principalmente a ni\u0301vel emocional. Foi lindo, apaixonei-me por ele e tenho saudades dele todos os dias.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 4\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<div class=\"page\" title=\"Page 4\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 4\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>Os artistas no geral te\u0302m uma capacidade criativa diferente do resto das pessoas e, para criarem, inspiram-se em algo ou algue\u0301m. Quem ou o que e\u0301 que o inspira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BA<\/strong> Isto vai parecer um pouco piroso, mas tudo no geral me inspira para isto. O comportamento humano e\u0301 a coisa mais enigma\u0301tica de sempre. A nossa complexidade, a forma como no\u0301s conseguimos fazer coisas ta\u0303o bonitas e ao mesmo tempo ta\u0303o tristes e\u0301 impressionante. Falando mais dentro do campo, enta\u0303o existem dois ou tre\u0302s casos que me da\u0303o imensa inspirac\u0327a\u0303o para continuar nisto. Um deles realc\u0327a-se acima de qualquer outro, o do Heath Ledger. Sei que o seu suici\u0301dio pode tornar esta frase um pouco assustadora, mas a dedicac\u0327a\u0303o que este homem mostrou em relac\u0327a\u0303o a\u0300 arte e\u0301 das coisas mais inspiradoras para mim. De forma a conseguir alcanc\u0327ar a loucura, ele trancou-se dentro de um quarto de hotel, para estuda-la e percebe-la. O facto de ele ter de fazer isso tudo para conseguir fazer as pessoas sentirem essa mesma loucura&#8230; arriscar a sua sanidade pela arte, sei que isto pode parecer algo duvidoso e extremo, mas e\u0301 neste tipo de riscos que muitas vezes esta\u0301 a diferenc\u0327a entre os grandes artistas e os me\u0301dios. E\u0301 o que no\u0301s damos de no\u0301s mesmos pela arte, e\u0301 andar sempre a roc\u0327ar nos limites e a testa\u0301-los, fazendo coisas incri\u0301veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 5\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>Dizem que o maior medo do ser humano e\u0301 falar em publico. O segundo e\u0301 o medo da morte. Isso quer dizer que temos mais medo de apresentar algo para um publico grande do que temos de morrer. Que nervosismo sente antes das atuac\u0327o\u0303es?<\/strong><\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 5\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>BA<\/strong> E\u0301 engrac\u0327ado, eu nunca me senti nervoso antes de uma pec\u0327a. Apenas durante, naqueles cinco segundos antes de ser eu falar. Foi uma das grandes razo\u0303es porque sempre amei fazer teatro, porque nunca me senti nervoso antes de entrar em palco e falar para as pessoas, apenas feliz e maravilhado. Isto acontece tambe\u0301m porque sei que vou ser ouvido, o que na\u0303o e\u0301 algo que me assusta, mas sim que me motiva. Hoje em dia vivemos numa sociedade de surdos, em que toda a gente quer falar, mas ningue\u0301m e\u0301 ouvido, nem ningue\u0301m ouve. Menos ali. Entrar em palco e\u0301 uma descarga de adrenalina, pelo ato de coragem que vou acabar por fazer. Acho que nervoso mesmo so\u0301 me senti uma vez, porque achei que na\u0303o ia conseguir sentir o que necessitava e, isso sim, era horri\u0301vel e iria estragar o espeta\u0301culo. Ja\u0301 cheguei a estragar o espeta\u0301culo por nervosismo, mas apenas por esse nervosismo ter aparecido a meio de uma cena que estava a correr mal. Ai\u0301 esta\u0301 o complicado, porque tu na\u0303o podes ser tu, na\u0303o podes largar a personagem e pensar como ti pro\u0301prio. Isso e\u0301 que e\u0301 um exerci\u0301cio difi\u0301cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 6\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>O que faz do teatro um lugar t\u00e3o especial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BA<\/strong> Penso que, no fundo, o teatro e as representac\u0327o\u0303es demonstram muito o desejo primordial do ser humano: sentir, porque e\u0301 isso que no\u0301s fazemos. Fazemos as pessoas sentirem muitas vezes coisas que nem elas sabem que podem sentir. Acabamos por ser as vozes das pessoas que na\u0303o podem falar por si mesmas ou que, de outra forma, ningue\u0301m as ouviria. O meu encenador disse-me algo uma vez que nunca mais esqueci: chamou-nos \u201cprostitutos de emoc\u0327o\u0303es\u201d. Acho que isso define perfeitamente o que no\u0301s fazemos. No\u0301s prostitui\u0301mos e vendemos emoc\u0327o\u0303es para que as pessoas as va\u0303o sentir, para que as pessoas riam, chorem, se assustem ou enraivec\u0327am, porque na realidade e\u0301 isso que todos queremos sentir. Foi por isso mesmo que eu pro\u0301prio me apaixonei, na\u0303o so\u0301 por fazer o outro sentir, mas tambe\u0301m em eu pro\u0301prio aprender a magia de descobrir sentimentos que nunca na vida pensei ter, estudar muitos outros que ja\u0301 sabia que tinha e usa\u0301- los para dar voz a outras peles, a outras pessoas. Odeio quando dizem que teatro e\u0301 fingimento. E\u0301 mentira. Quando realmente esta\u0301s a fazer algo bom, na\u0303o esta\u0301s a fingir um sentimento, esta\u0301s mesmo a senti-lo, esta\u0301s a sofrer e esta\u0301s a viver como se fosses aquela pessoa. Isso e\u0301 algo aterrador, mas bonito ao mesmo tempo. E e\u0301 essa a magia desta arte.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Andrea Gon\u00e7alves<\/strong><\/p>\n<p><strong>Imagens: DR<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Almeida, natural de Viseu, tem 21 anos e estuda na Universidade de Aveiro. 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