{"id":3472,"date":"2018-06-22T11:13:59","date_gmt":"2018-06-22T11:13:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3472"},"modified":"2018-06-22T11:13:59","modified_gmt":"2018-06-22T11:13:59","slug":"entre-a-ideia-de-haver-uma-so-marca-criou-se-uma-diversidade-de-12-formas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=3472","title":{"rendered":"\u201cEntre a ideia de haver uma s\u00f3 marca, criou-se uma diversidade de 12 formas\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Nicolau Tudela formou-se em Pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa. Professor na Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Viseu e Respons\u00e1vel pelo gen\u00e9rico de abertura da RTP da EXPO 98 e um dos respons\u00e1veis pela remodela\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da RTP em 2004, Nicolau Tudela foi tamb\u00e9m o respons\u00e1vel pela imagem gr\u00e1fica da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Festival Eurovis\u00e3o.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 professor na Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Viseu. O que leciona?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nicolau Tudela<\/strong> Estou a lecionar duas cadeiras. Artes Pl\u00e1sticas e Multim\u00e9dia e Cultura Visual. Tamb\u00e9m j\u00e1 lecionei Desenho e Design de Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que consiste a disciplina que ensina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> No fundo, a Cultura Visual \u00e9 dar um pouco de tudo aquilo que faz parte de um contexto hist\u00f3rico e est\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte de evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma maneira de olhar e de ver as coisas, isto \u00e9, todos n\u00f3s temos o nosso gosto, mas h\u00e1 efetivamente durante os s\u00e9culos e durante os tempos uma evolu\u00e7\u00e3o natural e uma forma de ver o mundo que nos rodeia. No fundo, \u00e9 criar esse lado. Alertar as pessoas para verem um pouco melhor aquilo que nos rodeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m de ser professor na escola, \u00e9 diretor de arte na RTP. Fale-nos da sua fun\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> No fundo \u00e9 ser quase como um guardi\u00e3o na medida em que tenho de criar regras numa identidade gr\u00e1fica que \u00e9 a televis\u00e3o. Criar um contexto gr\u00e1fico e cenogr\u00e1fico, quer no pr\u00f3prio guarda roupa ou na forma como um apresentador apresenta um telejornal. Com um grupo de designs, estilistas e cenografistas, no fundo a minha ideia e aquilo que \u00e9 a minha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 criar regras e condutas que identifiquem um determinado canal ou uma determinada forma de comunicar. A RTP tem um determinado padr\u00e3o. \u00c9 um servi\u00e7o p\u00fablico de televis\u00e3o que n\u00e3o se rege da mesma forma como uma TVI ou um canal privado. N\u00e3o s\u00f3 porque h\u00e1 determinadas formas e determinadas maneiras, mas tamb\u00e9m porque h\u00e1 uma conduta e uma obriga\u00e7\u00e3o onde temos que dar uma resposta. \u00c9 um canal p\u00fablico, logo todo o contexto e a pr\u00f3pria forma de comunicar \u00e9 um pouco diferente porque tem um lado mais popular de comunicar. H\u00e1 algum cuidado em termos est\u00e9ticos, em como as coisas s\u00e3o reenquadradas&#8230; Por muito que um canal seja popular, como a RTP1, h\u00e1 algum cuidado de uma certa conten\u00e7\u00e3o e de um certo bom gosto. No fundo \u00e9 esse o meu papel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 quanto tempo est\u00e1 na esta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Estou h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que mudou no grafismo do canal nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Muita coisa. Ali\u00e1s, a minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 de pintura. O in\u00edcio da televis\u00e3o era uma coisa mais prim\u00e1ria, mais artesanal porque n\u00e3o havia a tecnologia que existe atualmente. Havia uma rela\u00e7\u00e3o entre o fazer e o resultado que se tinha. Dando um exemplo muito concreto, atualmente faz-se fotografias com o telem\u00f3vel. Podemos fazer 35 mil fotografias e sabemos sempre que vemos o resultado imediato. Podemos apagar e manusear de uma forma incr\u00edvel. Naquela altura n\u00e3o era assim. No in\u00edcio n\u00f3s t\u00ednhamos de ter uma ideia precisa, n\u00e3o s\u00f3 por quest\u00f5es de custo e da forma como as coisas eram feitas, mas t\u00ednhamos de ter uma ideia muito precisa porque depois seria filmado, seria revelado e entre outros processos. Era muito mais complicado ter que repetir tudo novamente. N\u00e3o havia facilidade, para o bem e para o mal, agora mudou muito. Voltando ao in\u00edcio da hist\u00f3ria, mudou a forma de olhar, a maneira como as coisas interagem, como est\u00e3o interligadas em termos de comunica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muito mais ricas e s\u00e3o muito mais estimulantes do que necessariamente pequenas ilhas que se criavam h\u00e1 uns anos atr\u00e1s que era s\u00f3 grafismo, era s\u00f3 ilumina\u00e7\u00e3o e agora est\u00e1 tudo ligado. E quanto mais ligadas as coisas tiverem, melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Atualmente, est\u00e1 a trabalhar em algum grafismo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Estou. Para o mundial de futebol. Vai haver uma s\u00e9rie de programas diretos na RTP que t\u00eam a exclusividade de transmiss\u00e3o das emiss\u00f5es dos jogos e \u00e9 nesse sentido que estou a trabalhar com uma equipa de designers e cen\u00f3grafos para programas em torno do mundial de futebol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acompanha trabalhos relacionados com a sua \u00e1rea fora do pa\u00eds? Se sim, quais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Sim e j\u00e1 tive oportunidade de estagiar fora. Os da BBC s\u00e3o uma refer\u00eancia, onde estagiei l\u00e1 durante alguns valentes meses. Ainda h\u00e1 pouco tempo tive num congresso da EBU que \u00e9 a uni\u00e3o das televis\u00f5es europeias p\u00fablicas que se juntam anualmente para debater diretamente as correntes e as tend\u00eancias que cada televis\u00e3o est\u00e1 a fazer, n\u00e3o s\u00f3 do lado est\u00e9tico mas tamb\u00e9m do lado de conte\u00fados. H\u00e1 algumas refer\u00eancias que s\u00e3o \u00f3timas, como por exemplo a BBC como j\u00e1 referi, e televis\u00f5es francesas como a TIFF e a RT, que s\u00e3o grandes canais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as dificuldades que mais lhe surgem no trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> A metodologia. Continuamos a ter esse grave problema de criar m\u00e9todos de trabalho. Est\u00e1-nos no ADN. Quando vamos para uma reuni\u00e3o, dispersamos imenso e em vez de nos focarmos dentro do assunto, \u00e9 mais em termos de metodologia. O trabalho que se fez para a Eurovis\u00e3o foi uma grande escola que se teve de criar desde o primeiro dia. N\u00e3o havia hip\u00f3tese de as coisas acontecerem sem que houvesse esta metodologia de trabalho. Portanto, um dos problemas que existem \u00e9 saber exatamente o que se quer e criar um bom m\u00e9todo que consiga o objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Nicolau foi o autor da imagem gr\u00e1fica da Eurovis\u00e3o. Conte como isto surgiu. <\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Surgiu h\u00e1 um ano atr\u00e1s. Faz exatamente agora um ano, em finais de junho, e tudo come\u00e7ou com um passeio na praia. Um diretor de arte teria esse papel, como eu disse atr\u00e1s, de fazer um trabalho em conjunto com uma equipa que trabalhava uma imagem da Eurovis\u00e3o. Nas minhas f\u00e9rias e sabendo que o tema era o mar, num passeio pela praia, perguntei a mim pr\u00f3prio \u201cporque \u00e9 que n\u00e3o sou eu a desenvolver a imagem? Porque \u00e9 que n\u00e3o apresento uma ideia?\u201d. Foi exatamente isso. Eu lembrei-me de um contexto dentro do mar. \u00a0O que d\u00e1 vida ao mar? Porqu\u00ea que existem peixinhos dentro de \u00e1gua? Porque existe uma coisa que se chama pl\u00e2ncton, que no fundo s\u00e3o aqueles microorganismos invis\u00edveis que d\u00e3o a vida ao mar. Com a diversidade das formas e a ideia que havia da Eurovis\u00e3o ser uma diversidade, isto \u00e9, trazer imensas culturas, etnias e tantas coisas t\u00e3o diferentes para uma coisa que era cantar, lembrei-me que essa diversidade de formas dava uma imagem bestial. Apresentei a ideia e foi aceite. Entre a ideia de haver uma s\u00f3 marca, criou-se uma diversidade de 12 formas que criaram a diferen\u00e7a este ano. Foi assim, um passeio pela praia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3478\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico6-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico6-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico6.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O que acha que destacou a forma da imagem gr\u00e1fica escolhida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Aquilo que foi muito bem aceite a n\u00edvel internacional foi exatamente isso. Havia uma marca, mas tamb\u00e9m uma possibilidade de se brincar com isso. 12 mais um dava 13, que remetia tamb\u00e9m para os 13 c\u00e2nticos. No fundo essa riqueza estava na forma de poder criar. Portugal, para al\u00e9m da sua geografia, est\u00e1 perto do mar e tem imensa luz, tem essa riqueza. Riqueza de haver essa possibilidade de ser-se mais leve e foi isso que singrou, que deu esta <em>twist<\/em> numa coisa menos s\u00e9ria e a possibilidade de fazer essa brincadeira em torno das formas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estava \u00e0 espera que a imagem gr\u00e1fica fosse aprovada por unamidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> N\u00e3o. Teve imensa gra\u00e7a porque fizemos uma apresenta\u00e7\u00e3o muito bem fundamentada e foi apresentada em Berlim num encontro dessas entidades da EBU que eram representantes de cada televis\u00e3o europeia. A EBU \u00e9 um grupo magno de todas\u00a0 televis\u00f5es e n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos mesmo \u00e0 espera. Havia uma grande possibilidade porque houve um encontro com o diretor geral da EBU que veio a Portugal perceber como \u00e9 que as coisas estavam a andar. Tive uma reuni\u00e3o com ele e com mais um grupo de trabalho, onde se apresentou a ideia. O diretor disse que tinha pernas para andar e para que continuasse a desenvolver a imagem e depois fal\u00e1vamos. Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, foi aprovado e mostrado ao p\u00fablico no ocean\u00e1rio de Lisboa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3476\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico4-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico4-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico4.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O que acha que torna a imagem ic\u00f3nica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Quando se trabalha com seriedade e quando se fundamenta muito bem o que se quer mostrar, isto \u00e9, que exista uma estrutura bem fundamentada. Acima de tudo, criar esse lado mais ic\u00f3nico, que \u00e9 a credibilidade do que se est\u00e1 a apresentar. Quanto ao resto \u00e9 adorno, \u00e9 adornar e para isso existem as t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em entrevista \u00e0 ESC Portugal (eurovision song contest) afirmou que preferiu fazer uma imagem mais pict\u00f3ria e n\u00e3o high tech como se viu nas edi\u00e7\u00f5es anteriores da Eurovis\u00e3o. Porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Isso passa tudo exatamente pelo que \u00e9 a minha forma\u00e7\u00e3o. Eu sou um pintor e a minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a Pintura. Portanto, aquilo que mais me preocupou foi n\u00e3o criar uma imagem tridimensional, mais fria, e criar algo mais pessoal, algo mais ligado \u00e0 forma, \u00e0 cor e ao desenho. Uma forma tridimensional por mais fant\u00e1stica que seja, tem por tr\u00e1s o desenho mais b\u00e1sico poss\u00edvel e eu quis ficar nisso. O outro lado \u00e9 no espet\u00e1culo. Temos o cen\u00e1rio, temos toda a parte tecnol\u00f3gica, mas a base foi mesmo apostar na coisa mais prim\u00e1ria, mais fant\u00e1stica e mais dif\u00edcil que \u00e9 desenhar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3477\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico5-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico5-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico5.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Na mesma entrevista disse que a \u201cimagem da Eurovis\u00e3o vai criar excelentes momentos de televis\u00e3o\u201d. Em que sentido se referia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Naquilo que se viu. Para mim e para o grupo todo, ver acontecer o trabalho de um ano foi traduzir numa economia de meios. Foi pintar cada m\u00fasica com desenhos pr\u00f3prios de luz e desenhos pr\u00f3prios cenogr\u00e1ficos, isto \u00e9, os momentos pr\u00f3prios e muito ricos. Cada m\u00fasica foi personalizada por um desenho pr\u00f3prio, com um jogo de luz e com um jogo cenogr\u00e1fico. Todos os trabalhos cenogr\u00e1ficos foram feitos para cada momento musical, da\u00ed ter sido distintivo e t\u00e3o apreciado pela diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que sente ao ver o seu trabalho espalhado pelo mundo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Uma alegria imensa. Perceber como \u00e9 que coisas t\u00e3o pequenas de repente passam a ter uma dimens\u00e3o t\u00e3o grande. \u00c9 bom e assustador ao mesmo tempo. Perceber que vai haver agora um encontro em Hamburgo onde me convidaram por causa da imagem do festival, e esta dimens\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 feita por mim como referi anteriormente, acaba sempre por ser \u00f3timo. Estarmos numa semi-final e ver aquilo tudo a arrancar \u00e9 comovente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que feedback sentiu das pessoas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Foi bom. Vou ser muito franco. No in\u00edcio, os coment\u00e1rios nas redes sociais n\u00e3o foram os melhores. As pessoas diziam que tamb\u00e9m conseguiam fazer isto e que era muito estranho e infantil. O mais interessante nisto foi o primeiro contacto e a primeira rea\u00e7\u00e3o que tiveram. As pessoas est\u00e3o formatadas a outro tipo de coisa. Se pegarmos na imagem anterior, as pessoas aderem mais facilmente a uma coisa que \u00e9 mais complexa e uma coisa que seja menos complexa obriga a pensar mais. Depois as pessoas foram vendo gradualmente que por tr\u00e1s desse desenho infantil estava um conceito. Achei piada haver gradualmente essa mudan\u00e7a de atitude.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3474\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/nico2.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Sente que arriscou no desenho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Arrisquei mesmo. Quando se cria, faz-se por tentantiva e erro. Errar \u00e9 fant\u00e1stico e isto foi falado muito antes de ser apresentado. Eu tinha dois caminhos ou tr\u00eas e quis arriscar num, mas os outros eram mais f\u00e1ceis. Arrisquei no mais dif\u00edcil e ficou fant\u00e1stico. Resultou bastante bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual foi o maior desafio\/dificuldade que teve durante o processo?<\/strong><\/p>\n<p>Foi o tempo. Parece muito tempo mas n\u00e3o \u00e9. A metedologia funciona muito bem. Tinha de acontecer uma coisa e havia prazos a serem cumpridos. Aquilo que mais me custou foi perceber que teria de ter um papel din\u00e2mico e <em>timings<\/em> a cumprir. Definir o tempo a\u00ed \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil porque n\u00f3s tendemos sempre a esticar as coisas numa tentativa de melhorar. \u00c0s vezes somos tra\u00eddos pelo tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foi um sonho concretizado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Claro que sim. Acho que \u00e9 um momento bom na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que ponto acha que o que criou ir\u00e1 ficar marcado na hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NT<\/strong> Ser\u00e1 que fica? Eu acho que as coisas s\u00e3o t\u00e3o vol\u00e1teis. T\u00eam um auge assim t\u00e3o grande e podem ficar como podem n\u00e3o ficar. Eu espero que fique porque acreditei numa coisa. Acreditei que o trabalho foi s\u00e9rio e que se h\u00e1 essa seriedade, as coisas duram. Percebemos que h\u00e1 tanta coisa h\u00e1 nossa volta que \u00e0 medida que vamos avan\u00e7ando no tempo, pomos de lado aquilo que \u00e9 acess\u00f3rio e fica sempre o que \u00e9 bom. Agora que isto marcou uma imagem, uma diferen\u00e7a? Eu espero que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Ana Catarina Machado<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nicolau Tudela formou-se em Pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa. 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