{"id":22454,"date":"2026-07-01T16:51:53","date_gmt":"2026-07-01T16:51:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22454"},"modified":"2026-07-01T16:51:55","modified_gmt":"2026-07-01T16:51:55","slug":"envelhecer-sem-estar-sozinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22454","title":{"rendered":"Envelhecer sem estar sozinho"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/udio-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Numa ter\u00e7a-feira, ouve-se pelos corredores as vozes dos idosos a cantar &#8220;Ouvi um passarinho&#8221;. Numa sala decorada ao estilo dos Santos Populares, alguns cantam com entusiasmo, enquanto outros mostram-se mais reservados. A animadora incentiva-os a cantar e as vozes v\u00e3o-se juntando em coro. O centro de dia tornou-se um lugar de companhia para quem, de outra forma, passaria grande parte do tempo sozinho.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Bianca Dias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/729729219_17980430751013874_4649519302055134580_n-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22527\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/729729219_17980430751013874_4649519302055134580_n-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/729729219_17980430751013874_4649519302055134580_n-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/729729219_17980430751013874_4649519302055134580_n-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/729729219_17980430751013874_4649519302055134580_n.jpeg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Associa\u00e7\u00e3o Filantr\u00f3pica da Torreira (ASFITA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Portugal, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o tem contribu\u00eddo para o aumento do isolamento s\u00e9nior. Segundo o Instituto Nacional de Sa\u00fade Doutor Ricardo Jorge, mais de 2,5 milh\u00f5es de portugueses t\u00eam 65 ou mais anos. Embora a esperan\u00e7a de vida ap\u00f3s os 65 anos ultrapasse os 20 anos, apenas 8,4 s\u00e3o vividos com sa\u00fade, aumentando os desafios associados \u00e0 depend\u00eancia e aos cuidados, afetando os idosos e as suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Rosa Sim\u00f5es, de 76 anos, o centro de dia que frequenta h\u00e1 tr\u00eas anos ajuda-a a combater a solid\u00e3o que sentia enquanto a filha trabalhava. Com um sorriso no rosto e com um olhar cheio de vida e de felicidade, conta que, desde que come\u00e7ou a frequentar a institui\u00e7\u00e3o, uma parte dos seus dias \u00e9 preenchida pela conviv\u00eancia com os outros utentes, com quem conversa, canta e partilha atividades e experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>As limita\u00e7\u00f5es de mobilidade levaram-na, ao longo dos anos, a reduzir as sa\u00eddas fazendo-a perder o contacto regular com muitas das suas amigas. A entrada na institui\u00e7\u00e3o mudou esta realidade, permitindo-lhe recuperar algumas dessas liga\u00e7\u00f5es e recordar o passado. &#8220;Mato as saudades que j\u00e1 sentia h\u00e1 muito tempo&#8221;, afirma Rosa Sim\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitas fam\u00edlias, a perman\u00eancia dos idosos sozinhos em casa durante o dia, a aus\u00eancia de algu\u00e9m que cuide deles e a incapacidade de lhes prestar cuidados necess\u00e1rios quando a depend\u00eancia aumenta s\u00e3o motivos frequentes de preocupa\u00e7\u00e3o. No caso de Catarina Sim\u00f5es, a filha de Rosa Sim\u00f5es, uma das suas maiores inquieta\u00e7\u00f5es era a solid\u00e3o vivida pela m\u00e3e. Temia que esta sentisse isolada ou triste e que pudesse ocorrer alguma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia enquanto estivesse sozinha. Com o passar do tempo, come\u00e7ou tamb\u00e9m a perceber a sua m\u00e3e mais desanimada, verificando um impacto no seu estado emocional devido ao isolamento social que vivia.<\/p>\n\n\n\n<p>Envelhecer de forma ativa significa manter-se fisicamente ativo, mentalmente estimulado e socialmente envolvido. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, a capacidade de cada pessoa para realizar as atividades do dia-a-dia e manter a sua qualidade de vida depende n\u00e3o s\u00f3 das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e mentais de cada indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m do ambiente que o rodeia e das oportunidades que tem para manter-se aut\u00f3nomo e integrado na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Batista, fundador da associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Mais Feliz, desenvolve sess\u00f5es de risoterapia em institui\u00e7\u00f5es, levando risos \u00e0 rua e at\u00e9 ao domic\u00edlio. Segundo o respons\u00e1vel, o principal objetivo do seu trabalho \u00e9 proporcionar experi\u00eancias positivas que despertem emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis e criem novas mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/udio-2.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com Fernando Batista, os benef\u00edcios da risoterapia s\u00e3o vis\u00edveis. Muitos idosos relatam sentir-se mais leves, menos preocupados e, por momentos, afastados das dores e dificuldades que enfrentam no seu quotidiano. O riso estimula a produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias associadas ao bem-estar, contribuindo para um estado emocional mais positivo. Al\u00e9m disso, a iniciativa combate um dos maiores desafios da popula\u00e7\u00e3o idosa: o isolamento social. &#8220;Quando est\u00e3o a rir e a partilhar momentos em grupo, deixam de sentir-se sozinhos&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fernando Batista, o segredo de um envelhecimento mais feliz encontra-se na simplicidade dos gestos. Um sorriso, um abra\u00e7o ou um momento de aten\u00e7\u00e3o pode ter um impacto profundo na vida de quem envelhece, ajudando a recuperar sentimentos de perten\u00e7a, afeto e felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h5>Promover a continuidade da vida ativa ap\u00f3s a reforma<\/h5>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcia Vig\u00e1rio, diretora t\u00e9cnica da Associa\u00e7\u00e3o Filantr\u00f3pica da Torreira (ASFITA), explica que o principal objetivo dos centros de dia \u00e9 promover a continuidade de uma vida ativa ap\u00f3s a reforma. No entanto, refere que essa miss\u00e3o tem sido cada vez mais dif\u00edcil de concretizar. &#8220;A maioria dos idosos chega ao centro de dia j\u00e1 com dem\u00eancia e um elevado grau de depend\u00eancia&#8221;, explica M\u00e1rcia Vig\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/730373533_17980723350013874_6192800305086670191_n-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22526\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/730373533_17980723350013874_6192800305086670191_n-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/730373533_17980723350013874_6192800305086670191_n-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/730373533_17980723350013874_6192800305086670191_n-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/730373533_17980723350013874_6192800305086670191_n.jpeg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Atividades na Associa\u00e7\u00e3o Filantr\u00f3pica da Torreira (ASFITA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando ingressam no centro de dia, muitos utentes j\u00e1 apresentam limita\u00e7\u00f5es, o que dificulta a promo\u00e7\u00e3o do envelhecimento ativo. Para combater esta realidade, a ASFITA aposta em atividades de estimula\u00e7\u00e3o cognitiva, para atrasar a perda de capacidades cognitivas e estimular os seus utentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, a diretora destaca o impacto positivo que o centro de dia tem na vida dos idosos. Muitos chegam \u00e0 institui\u00e7\u00e3o ap\u00f3s longos per\u00edodos de isolamento e, inicialmente, demonstram resist\u00eancia \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de algumas atividades. No entanto, com o tempo, acabam por criar la\u00e7os, integrar-se no conv\u00edvio di\u00e1rio e demonstram vontade de realizar certas atividades de forma aut\u00f3noma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Juliana Costa, animadora sociocultural, o objetivo do seu trabalho na institui\u00e7\u00e3o passa por preservar as capacidades existentes dos idosos e, sempre que poss\u00edvel, recuperar as compet\u00eancias que perderam com o avan\u00e7ar da idade. Para isso, s\u00e3o promovidos programas adaptados \u00e0s necessidades de cada um, procurando garantir a participa\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A programa\u00e7\u00e3o semanal est\u00e1 organizada em v\u00e1rias oficinas tem\u00e1ticas. Algumas atividades s\u00e3o feitas diariamente, como exerc\u00edcios de orienta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica e a dimens\u00e3o espiritual tamb\u00e9m ocupa um lugar importante na rotina dos utentes da ASFITA, pois a ora\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o \u00e9 um momento que ocorre todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a animadora, as mudan\u00e7as mais vis\u00edveis verificam-se ao n\u00edvel da comunica\u00e7\u00e3o e da confian\u00e7a. Muitos idosos tornam-se mais participativos, criam novas amizades e sentem-se mais motivados para realizar atividades f\u00edsicas. O conv\u00edvio entre pares desempenha um papel essencial neste processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais li\u00e7\u00f5es que Juliana Costa aprendeu com os idosos foi a import\u00e2ncia de aproveitar a vida e valorizar cada momento. Uma mensagem frequentemente transmitida pelos pr\u00f3prios idosos, que incentiva as gera\u00e7\u00f5es mais jovens a viverem plenamente enquanto ainda t\u00eam a sua autonomia e independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/udio-3.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao final da tarde, muitos destes idosos regressa ao sil\u00eancio de casa, enquanto outros reencontram a companhia da fam\u00edlia. Mas todos encontram no centro de dia, durante algumas horas, aquilo de que mais sentem falta: companhia, partilha, atividades e a certeza de que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa ter\u00e7a-feira, ouve-se pelos corredores as vozes dos idosos a cantar &#8220;Ouvi um passarinho&#8221;. 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