{"id":22420,"date":"2026-06-26T21:59:09","date_gmt":"2026-06-26T21:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22420"},"modified":"2026-06-26T21:59:11","modified_gmt":"2026-06-26T21:59:11","slug":"partir-para-vencer-regressar-para-viver-a-vida-do-emigrante-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22420","title":{"rendered":"Partir para vencer, regressar para viver: a vida do emigrante portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Entre a procura de uma vida melhor e a saudade de casa, quatro hist\u00f3rias mostram o porqu\u00ea de tantos portugueses partiram para o estrangeiro e porque acabaram por voltar.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alicia Gra\u00e7a (aluna do 1\u00ba ano de Comunica\u00e7\u00e3o Social)<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, milhares de portugueses deixaram o pa\u00eds em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. A emigra\u00e7\u00e3o tornou-se uma realidade comum em diferentes gera\u00e7\u00f5es, motivada sobretudo pela procura de emprego, sal\u00e1rios mais elevados, maior estabilidade financeira ou ainda por obriga\u00e7\u00e3o. No entanto, para muitos emigrantes, a partida nunca significou um abandono definitivo de Portugal. Pelo contr\u00e1rio, o objetivo era quase sempre regressar um dia \u00e0 sua terra natal.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das diferen\u00e7as de idade, \u00e9poca e destino, as hist\u00f3rias de Yolande Batista, Arminda Neves, C\u00e2ndido Fernandes e Ricardo Martins revelam alguns pontos em comum. Todos procuraram uma vida melhor fora de Portugal, enfrentaram dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o e acabaram por regressar. As suas experi\u00eancias mostram que, por vezes, emigrar pode trazer oportunidades, mas tamb\u00e9m desafios que nem sempre s\u00e3o vis\u00edveis para quem observa de fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 70, Arminda Neves deixou Portugal a caminho de Fran\u00e7a. A decis\u00e3o n\u00e3o partiu totalmente dela. Foi influenciada por familiares e acompanhou o marido, que tinha decidido emigrar em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. O in\u00edcio foi particularmente dif\u00edcil. A adapta\u00e7\u00e3o a um novo pa\u00eds, longe da fam\u00edlia e dos h\u00e1bitos conhecidos, revelou-se mais complicada do que imaginava.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Procur\u00e1vamos uma vida melhor, mas afinal, no in\u00edcio correu tudo mal&#8221;, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades iniciais, a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou gradualmente a melhorar. Quando finalmente estavam mais estabilizados, surgiu-lhes uma nova decis\u00e3o: regressar para Portugal. Segundo Arminda, foi o marido quem tomou essa decis\u00e3o, tanto de partir como de ir. Hoje, com 81 anos, olha para a experi\u00eancia com alguma nostalgia e acredita que, em certos aspetos, a vida na Fran\u00e7a oferecia mais oportunidades e melhores condi\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora afirme que atualmente n\u00e3o voltaria a emigrar devido \u00e0 idade, reconhece que, se fosse mais nova, provavelmente tomaria a mesma decis\u00e3o. Ainda assim, o conselho que deixa aos jovens de hoje \u00e9 diferente: considera que, perante as condi\u00e7\u00f5es atuais, talvez seja prefer\u00edvel permanecer em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Yolande Batista, tamb\u00e9m ela est\u00e1 ligada \u00e0 procura de uma vida financeiramente mais est\u00e1vel. Nos anos 90, mudou-se para os Estados Unidos com o marido. O plano era simples: trabalhar durante alguns anos, juntar dinheiro e regressar para Portugal com melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a realidade acabou por se tornar diferente daquilo que o casal tinha imaginado. Embora tenha conseguido encontrar um trabalho mesmo estando gr\u00e1vida de quatro meses, os objetivos financeiros n\u00e3o foram totalmente alcan\u00e7ados. Pouco tempo depois da chegada, o marido acabou por receber uma oportunidade de emprego em Portugal e decidiu regressar. Yolande permaneceu nos Estados Unidos mais algumas semanas para tratar dos assuntos pendentes antes de voltar tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o considerar a sua experi\u00eancia negativa, acredita que viver fora do pa\u00eds a ajudou a valorizar ainda mais Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aqui est\u00e1-se muito melhor. Estamos no nosso pa\u00eds, n\u00e3o tem nada a ver&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, n\u00e3o pondera emigrar novamente. Considera que os mais jovens podem beneficiar da experi\u00eancia de conhecer novas culturas e diferentes formas de viver, mas n\u00e3o aconselharia uma mudan\u00e7a desse tipo numa fase mais avan\u00e7ada da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9cadas depois, as raz\u00f5es que levam os portugueses a emigrar continuam semelhantes. Em 2015, C\u00e2ndido Fernandes decidiu partir para o Canad\u00e1. Ao contr\u00e1rio de muitos emigrantes do passado, a sua decis\u00e3o foi essencialmente pessoal e motivada pela procura de uma melhor qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a implicou come\u00e7ar praticamente do zero. Teve de se adaptar a uma nova l\u00edngua, a uma nova cultura, a um novo trabalho e at\u00e9 a um novo grupo de amigos. Como acontece na maioria dos casos entre os emigrantes, os primeiros tempos foram os mais dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi uma mudan\u00e7a de tudo&#8221;, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, C\u00e2ndido conseguiu alcan\u00e7ar alguns dos seus objetivos que o levaram a emigrar. A sua qualidade de vida melhorou significativamente e a sua experi\u00eancia permitiu-lhe crescer tanto a n\u00edvel profissional como pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o seu regresso acabou por acontecer durante a pandemia de Covid-19. Sendo filho \u00fanico, decidiu voltar para Portugal para poder acompanhar o pai, que atravessava problemas de sa\u00fade. Atualmente, sente-se feliz por ter regressado e garante que n\u00e3o voltaria a emigrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, reconhece que o estrangeiro pode oferecer oportunidades dif\u00edceis de encontrar em Portugal. Por isso, n\u00e3o desencoraja quem o deseja fazer. Na sua opini\u00e3o, quem procura melhores condi\u00e7\u00f5es de vida pode encontrar no estrangeiro oportunidades que nem sempre existem no pa\u00eds de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Ricardo Martins apresenta uma perspetiva bem diferente. Tinha apenas alguns anos quando o pai decidiu emigrar para a Su\u00ed\u00e7a, nos anos 80. Na altura, Portugal enfrentava dificuldades econ\u00f3micas significativas e os sal\u00e1rios eram insuficientes para muitas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro partiu o pai e, mais tarde, quando conseguiu estabilidade profissional e quando aprendeu a l\u00edngua francesa, o resto da fam\u00edlia juntou-se a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ricardo, a sua adapta\u00e7\u00e3o foi relativamente f\u00e1cil devido \u00e0 sua jovem idade. Como crian\u00e7a, integrou-se rapidamente na escola e fez novos amigos. A presen\u00e7a de outro aluno portugu\u00eas facilitou ainda mais esse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos 37 anos que viveu na Su\u00ed\u00e7a, testemunhou uma melhoria significativa das condi\u00e7\u00f5es de vida da fam\u00edlia. O acesso a sal\u00e1rios mais elevados permitiu uma maior estabilidade econ\u00f3mica e melhores oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O seu regresso a Portugal aconteceu mais tarde, motivado por raz\u00f5es de sa\u00fade. Viver com uma doen\u00e7a no estrangeiro tornou-se complicado e o custo de vida mais baixo em Portugal acabou por pesar na decis\u00e3o que tomou.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de preferir viver atualmente em Portugal, admite que a experi\u00eancia de d\u00e9cadas no estrangeiro alterou profundamente a sua forma de olhar para o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vejo Portugal como se fosse pela vis\u00e3o de um estrangeiro&#8221;, explica. Tendo emigrado em crian\u00e7a e passado maior parte da vida na Su\u00ed\u00e7a, habituou-se a uma realidade diferente. Ao regressar, percebeu que poucas eram as recorda\u00e7\u00f5es que ele tinha de Portugal, isso, levou-o a observar o pa\u00eds com o olhar de quem o descobre pela primeira vez: como um estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>As quatro hist\u00f3rias mostram que a emigra\u00e7\u00e3o continua a ser uma realidade complexa nos dias de hoje. Embora as raz\u00f5es econ\u00f3micas sejam frequentemente o principal motivo da partida de cada um, a decis\u00e3o de regressar est\u00e1 muitas vezes relacionada com fatores emocionais, familiares ou pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>A saudade da fam\u00edlia, a vontade de regressar \u00e0s origens, problemas de sa\u00fade ou simplesmente a procura de uma maior qualidade de vida numa fase diferente da vida acabam por desempenhar um papel importante no regresso deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, todos eles revelam que a experi\u00eancia da emigra\u00e7\u00e3o deixa marcas profundas. Os emigrantes regressados falam de crescimento pessoal, aprendizagem, adapta\u00e7\u00e3o e, ainda, descoberta de novas formas de viver. Mesmo aqueles que enfrentaram dificuldades reconhecem que a experi\u00eancia contribuiu para uma vis\u00e3o bem mais ampla do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Num pa\u00eds que continua a assistir \u00e0 sa\u00edda de milhares de jovens todos os anos, estas hist\u00f3rias recordam que, emigrar n\u00e3o significa necessariamente partir para sempre. Para muitos portugueses, a viagem tem sempre dois destinos: o pa\u00eds onde procuram oportunidades e a terra onde esperam regressar um dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a ambi\u00e7\u00e3o de construir uma vida melhor e o desejo de voltar para a casa, a emigra\u00e7\u00e3o continua a ser uma das experi\u00eancias mais marcantes da hist\u00f3ria de muitas fam\u00edlias portuguesas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"22422\" data-full-url=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?attachment_id=22422\" class=\"wp-image-22422\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/canada_comprimida-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a procura de uma vida melhor e a saudade de casa, quatro hist\u00f3rias mostram o porqu\u00ea de tantos portugueses<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22420"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22420"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22423,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22420\/revisions\/22423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}