{"id":22240,"date":"2026-06-26T11:15:53","date_gmt":"2026-06-26T11:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22240"},"modified":"2026-06-26T11:15:55","modified_gmt":"2026-06-26T11:15:55","slug":"um-visto-para-ficar-um-lar-para-encontrar-os-desafios-na-adaptacao-dos-estudantes-internacionais-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22240","title":{"rendered":"Um visto para ficar, um lar para encontrar: os desafios na adapta\u00e7\u00e3o dos estudantes internacionais em Portugal."},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Sentada numa pequena mesa-redonda no centro de sua sala de estar, Ant\u00f4nia Lima inicia sua rotina de estudos para o est\u00e1gio que frequenta no curso de Enfermagem. Vivendo em Portugal h\u00e1 3 meses, a brasileira conta sobre sua primeira impress\u00e3o ao ingressar no ensino superior do pa\u00eds: &#8220;Foi bem dif\u00edcil, um choque de realidade.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: Keren Nascimento<\/strong> (aluna 1\u00ba ano Comunica\u00e7\u00e3o Social)<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nia Lima confessa que a parte mais complexa do processo foi a conviv\u00eancia. Passando 8 horas por dia no hospital em que estagiava, a estudante admite que a aus\u00eancia de proximidade com os colegas interferiu na decis\u00e3o de se deveria finalizar o semestre. Por muitas vezes sentiu vontade de regressar ao Brasil e \u00e0 fam\u00edlia pois reconhece que esta dificuldade de intera\u00e7\u00e3o prejudicou sua disposi\u00e7\u00e3o de aproveitar bons momentos em terras portuguesas. Durante a conversa, Ant\u00f4nia Lima reflete sobre os impactos que percebeu em sua sa\u00fade mental: \u201cSenti muita ansiedade, ficava bem nervosa de manh\u00e3 quando tinha de acordar para o est\u00e1gio. J\u00e1 tive muita alergia, muitas quest\u00f5es emocionais. \u201cTudo foi virando uma bola de neve.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s pensar v\u00e1rias vezes em desistir do interc\u00e2mbio, Ant\u00f4nia Lima revela que decidiu dar mais uma oportunidade ao sonho que tanto se dedicou a realizar e optou em concluir o ciclo de estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de adapta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser brutal para estudantes mais jovens que se veem diante de uma nova realidade educacional. Uma aluna brasileira do ensino secund\u00e1rio, exp\u00f5e que dois meses ap\u00f3s sua chegada al\u00e9m de lidar com a dificuldade de fazer novos amigos sofreu com epis\u00f3dios de xenofobia. A adolescente, na \u00e9poca com 14 anos, foi acusada de roubar uma loja da cidade:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cFalaram que era por eu ser brasileira e que eu roubei porque os brasileiros s\u00e3o sempre assim.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A estudante tamb\u00e9m diz ter enfrentado situa\u00e7\u00f5es de <em>bullying<\/em> e, por conta disso, passou a ter crises de ansiedade. A jovem ressalta a import\u00e2ncia do apoio que recebeu por parte dos profissionais da escola, em especial do seu diretor de turma: \u201cSempre quando eu me sentia mal por estar em outro pa\u00eds ele vinha e me confortava e fazia quest\u00e3o de me defender na frente dos que n\u00e3o me deixavam bem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos momentos delicados que vivenciou a estudante, atualmente com 17 anos, reflete como esta fase contribuiu para seu autoconhecimento e prop\u00f3sito. \u201cFoi essa jornada de conseguir me achar que eu pensei muitas vezes que o meu lugar era no Brasil, s\u00f3 que o meu lugar \u00e9 aonde eu quero estar e atualmente eu quero que o meu lugar seja Portugal\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a psic\u00f3loga cl\u00ednica, Sandra Oliveira, dos Servi\u00e7os de A\u00e7\u00e3o Social do Instituto Polit\u00e9cnico de Viseu, a perda da rede de suporte, rutura de v\u00ednculos afetivos e, em certos casos, a priva\u00e7\u00e3o financeira s\u00e3o algumas das principais dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o observadas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA mudan\u00e7a para um pa\u00eds com caracter\u00edsticas culturais, lingu\u00edsticas, sociais e institucionais diferentes das dos seus pa\u00edses de origem, a par com todas as outras tarefas relacionadas com as especificidades da adapta\u00e7\u00e3o ao contexto acad\u00e9mico, poder\u00e3o constituir-se como uma teia complexa de desafios para os estudantes internacionais\u201d, refere.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Maura Neves, estagi\u00e1ria cabo-verdiana de Enfermagem, assim como Ant\u00f4nia Lima, tamb\u00e9m cogitou desistir do percurso acad\u00e9mico. Residente em Portugal h\u00e1 3 anos a estudante destaca a import\u00e2ncia do suporte familiar durante os primeiros meses, pois no in\u00edcio foi um pouco estranho adaptar-se a uma nova rotina, mas com o tempo ficou mais f\u00e1cil, at\u00e9 porque a estudante j\u00e1 tinha fam\u00edlia a residir em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga, sentimentos de inseguran\u00e7a e incerteza, stress e fragilidades no estabelecimento de redes de apoio, no sentimento de perten\u00e7a e at\u00e9 mesmo ao n\u00edvel de autoestima, podem afetar a estabilidade emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a estas quest\u00f5es a estudante do secund\u00e1rio afirma que Portugal teve um papel crucial no desenvolvimento da sua reafirma\u00e7\u00e3o de identidade e ao entender que deveria seguir seu pr\u00f3prio caminho sem se preocupar com o que os outros diziam ou esperavam, e passou a gostar mais de si mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe eu pudesse dizer alguma coisa para minha antiga eu que chegou aqui ia falar calma, vai dar tudo certo e n\u00e3o precisa chorar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a estagi\u00e1ria Ant\u00f4nia Lima relata que o grande aspeto positivo de morar fora foi o sentimento de independ\u00eancia gerado com as novas responsabilidades da vida adulta, al\u00e9m disso elogia o significativo suporte que recebeu dos seus professores e orientadores como fundamentais na adequa\u00e7\u00e3o ao est\u00e1gio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Nesse sentido, Sandra Oliveira garante que as institui\u00e7\u00f5es de ensino devem apostar na forma\u00e7\u00e3o dos seus profissionais em compet\u00eancias interculturais e comunica\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica, e continuar a apostar na divulga\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade disponibilizados no \u00e2mbito dos seus campus e dos programas de mentoria com enfoque em estrat\u00e9gias de regula\u00e7\u00e3o emocional, resolu\u00e7\u00e3o de problemas, gest\u00e3o do stress e preven\u00e7\u00e3o do <em>burnout<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEm suma, na promo\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o de estudantes estrangeiros, dever-se-\u00e1 ter conta n\u00e3o apenas a dimens\u00e3o individual, mas apostar, tamb\u00e9m, em respostas integradas que considerem os contextos sociais e institucionais de acolhimento\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As estudantes internacionais mostram-se orgulhosas de terem persistido em seus objetivos pois, apesar dos obst\u00e1culos, perceberam que para se construir um lar \u00e9 necess\u00e1rio obstina\u00e7\u00e3o, coragem e pessoas que podem tornar o processo mais leve e, isto, conseguiram encontrar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentada numa pequena mesa-redonda no centro de sua sala de estar, Ant\u00f4nia Lima inicia sua rotina de estudos para o<\/p>\n","protected":false},"author":49,"featured_media":22258,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/49"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22240"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22389,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22240\/revisions\/22389"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}