{"id":22233,"date":"2026-06-25T18:14:16","date_gmt":"2026-06-25T18:14:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22233"},"modified":"2026-06-25T18:14:18","modified_gmt":"2026-06-25T18:14:18","slug":"recomecar-em-viseu-entre-o-acolhimento-e-os-desafios-da-integracao-dos-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22233","title":{"rendered":"Recome\u00e7ar em Viseu: entre o acolhimento e os desafios da integra\u00e7\u00e3o dos refugiados"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Em Viseu, longe das manchetes e dos grandes debates pol\u00edticos sobre imigra\u00e7\u00e3o, o acolhimento concretiza-se atrav\u00e9s de pequenos gestos quotidianos: uma vaga num alojamento, uma aula de portugu\u00eas, uma consulta m\u00e9dica, um emprego ou simplesmente algu\u00e9m disposto a ajudar.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Maria Eduarda Caetano (aluna do 1\u00b0 ano de Comunica\u00e7\u00e3o Social)<\/p>\n\n\n\n<p>Fugir da guerra, da persegui\u00e7\u00e3o religiosa, da viol\u00eancia ou da pobreza extrema \u00e9 uma realidade para milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. Segundo dados internacionais, o n\u00famero de pessoas deslocadas \u00e0 for\u00e7a tem vindo a aumentar de forma consistente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, impulsionado por conflitos armados, instabilidade pol\u00edtica, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e crises humanit\u00e1rias. Para muitos, abandonar o pa\u00eds de origem n\u00e3o representa uma escolha, mas sim a \u00fanica alternativa poss\u00edvel para garantir a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal tem sido um dos pa\u00edses europeus que recebe requerentes de asilo e refugiados provenientes de diferentes regi\u00f5es do mundo. Ucr\u00e2nia, Afeganist\u00e3o, S\u00edria, Nig\u00e9ria, G\u00e2mbia, Iraque, Paquist\u00e3o e China s\u00e3o apenas alguns dos pa\u00edses de origem das pessoas que chegam ao territ\u00f3rio nacional em busca de prote\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Viseu, decorre diariamente um trabalho de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o desenvolvido por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. A Seguran\u00e7a Social, em articula\u00e7\u00e3o com a C\u00e1ritas, o Instituto do Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional (IEFP), os servi\u00e7os de sa\u00fade, as escolas e diversas entidades locais, acompanha refugiados desde a sua chegada at\u00e9 \u00e0 tentativa de autonomiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a integra\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser um processo linear. Entre hist\u00f3rias de sucesso e percursos marcados por dificuldades, o caminho de quem procura reconstruir a vida num pa\u00eds desconhecido \u00e9 frequentemente feito de obst\u00e1culos, incertezas e adapta\u00e7\u00f5es constantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Abdala Bah conhece essa realidade melhor do que ningu\u00e9m. Tinha apenas 13 anos quando percebeu que n\u00e3o queria continuar a viver na G\u00e2mbia. A decis\u00e3o de partir levou-o a atravessar v\u00e1rios pa\u00edses africanos, a enfrentar o deserto do Saara e a arriscar a vida no Mediterr\u00e2neo. Hoje, aos 20 anos, trabalha numa empresa em Viseu, joga futebol nos tempos livres e sonha reencontrar a fam\u00edlia que deixou para tr\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando cheguei a Portugal sentia-me perdido. N\u00e3o sabia o que fazer&#8221;, recorda.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A sua hist\u00f3ria \u00e9 apenas uma entre dezenas acompanhadas pelos servi\u00e7os da Seguran\u00e7a Social na regi\u00e3o de Viseu. <\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja uma das cidades portuguesas mais associadas aos fluxos migrat\u00f3rios, Viseu tem recebido, nos \u00faltimos anos, refugiados e requerentes de prote\u00e7\u00e3o internacional provenientes de diferentes regi\u00f5es do mundo. A cidade beneficia de uma rede de apoio composta por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, organiza\u00e7\u00f5es sociais e entidades locais que procuram criar condi\u00e7\u00f5es para a integra\u00e7\u00e3o destas pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p>A dimens\u00e3o interm\u00e9dia do concelho e a exist\u00eancia de respostas de acolhimento t\u00eam permitido distribuir refugiados para fora dos grandes centros urbanos, transformando Viseu num dos territ\u00f3rios onde se procura concretizar, na pr\u00e1tica, o desafio da integra\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refugiados em Portugal: uma realidade em crescimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> Embora Portugal n\u00e3o seja tradicionalmente um dos principais destinos europeus para requerentes de asilo, o pa\u00eds tem assumido um papel crescente no acolhimento de refugiados e benefici\u00e1rios de prote\u00e7\u00e3o internacional. <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a participa\u00e7\u00e3o portuguesa em programas europeus de reinstala\u00e7\u00e3o e recoloca\u00e7\u00e3o permitiu receber milhares de pessoas provenientes de zonas de conflito e crise humanit\u00e1ria.&nbsp;Em Portugal, o n\u00famero de pessoas acolhidas aumentou significativamente nos \u00faltimos anos. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Governo portugu\u00eas, desde 2015 o pa\u00eds recebeu mais de 72 mil refugiados e benefici\u00e1rios de prote\u00e7\u00e3o internacional, incluindo mais de 56 mil cidad\u00e3os deslocados da Ucr\u00e2nia ap\u00f3s a invas\u00e3o russa iniciada em 2022. Foram tamb\u00e9m acolhidas mais de duas mil pessoas atrav\u00e9s de programas de recoloca\u00e7\u00e3o europeia, mais de mil refugiados atrav\u00e9s de programas de reinstala\u00e7\u00e3o e mais de mil cidad\u00e3os afeg\u00e3os ao abrigo de mecanismos de admiss\u00e3o humanit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia representou um ponto de viragem no sistema de acolhimento portugu\u00eas. Entre 2022 e 2024, dezenas de milhares de cidad\u00e3os ucranianos receberam prote\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria em Portugal, tornando-se o maior grupo de refugiados acolhidos no pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Em 2024, estimava-se que Portugal tivesse recebido mais de 63 mil refugiados, dos quais a grande maioria era proveniente da Ucr\u00e2nia.&nbsp;Apesar destes n\u00fameros, especialistas em migra\u00e7\u00f5es sublinham que a integra\u00e7\u00e3o continua a ser o principal desafio. Garantir alojamento, acesso \u00e0 sa\u00fade e documenta\u00e7\u00e3o constitui apenas a primeira etapa. <\/p>\n\n\n\n<p>A verdadeira integra\u00e7\u00e3o passa pela aprendizagem da l\u00edngua portuguesa, pela entrada no mercado de trabalho, pelo acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e pela constru\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es sociais que permitam aos refugiados reconstruirem uma vida aut\u00f3noma e digna.&nbsp;\u00c9 precisamente esse processo que se desenrola diariamente em cidades como Viseu, onde o acolhimento deixa de ser uma estat\u00edstica e passa a ter rosto, nome e hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Por de tr\u00e1s de cada processo acompanhado pela Seguran\u00e7a Social existe uma pessoa que procura recuperar aquilo que perdeu: seguran\u00e7a, estabilidade e a possibilidade de voltar a construir um futuro. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que significa pedir asilo? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O direito de asilo est\u00e1 consagrado na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa e em diversos instrumentos internacionais de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Destina-se a pessoas que s\u00e3o perseguidas ou cuja vida e integridade f\u00edsica est\u00e3o amea\u00e7adas devido a conflitos armados, persegui\u00e7\u00f5es religiosas, \u00e9tnicas, pol\u00edticas ou outras situa\u00e7\u00f5es de risco grave.Quando um cidad\u00e3o estrangeiro chega a Portugal e solicita prote\u00e7\u00e3o internacional, inicia-se um processo administrativo destinado a avaliar a sua situa\u00e7\u00e3o. Durante a fase inicial, o acolhimento \u00e9 assegurado pela Ag\u00eancia para a Integra\u00e7\u00e3o, Migra\u00e7\u00f5es e Asilo (AIMA) e pelo Centro Portugu\u00eas para os Refugiados (CPR).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesta etapa que s\u00e3o garantidas as necessidades b\u00e1sicas, incluindo alojamento tempor\u00e1rio, alimenta\u00e7\u00e3o e acompanhamento jur\u00eddico.Ap\u00f3s a admiss\u00e3o do pedido, a responsabilidade pelo acompanhamento passa para a Seguran\u00e7a Social, que coordena o processo de integra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma rede de parceiros locais.Segundo Paula Fernandes, t\u00e9cnica da Seguran\u00e7a Social respons\u00e1vel pelo acompanhamento de refugiados e requerentes de asilo em Viseu, a maioria das pessoas chega \u00e0 regi\u00e3o ap\u00f3s permanecer algumas semanas nos centros de acolhimento de Braga ou da Bobadela, em Lisboa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando terminam o per\u00edodo inicial de acolhimento, os servi\u00e7os centrais procuram vagas em diferentes zonas do pa\u00eds. Somos contactados para verificar se temos condi\u00e7\u00f5es para receber novas pessoas.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O processo exige uma articula\u00e7\u00e3o permanente entre v\u00e1rias entidades. Antes da chegada de cada refugiado, \u00e9 necess\u00e1rio confirmar a exist\u00eancia de alojamento dispon\u00edvel, garantir acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e preparar o acompanhamento social que ser\u00e1 necess\u00e1rio nos meses seguintes. Em Viseu, este trabalho \u00e9 desenvolvido atrav\u00e9s de uma rede de institui\u00e7\u00f5es que inclui unidades hoteleiras, refeit\u00f3rios sociais, centros de sa\u00fade, escolas, centros de emprego e organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade social. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muito mais do que apoios financeiros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitas vezes \u00e9 percecionado, o trabalho desenvolvido pela Seguran\u00e7a Social n\u00e3o se resume \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de apoios econ\u00f3micos. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Paula Fernandes, os primeiros dias s\u00e3o normalmente os mais exigentes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;\u00c9 preciso tratar da documenta\u00e7\u00e3o, dos cuidados de sa\u00fade, da inscri\u00e7\u00e3o na Seguran\u00e7a Social, do n\u00famero de contribuinte, da escola das crian\u00e7as e da aprendizagem da l\u00edngua portuguesa&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para quem chega sem conhecer o idioma, sem rede familiar e sem qualquer conhecimento sobre o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es portuguesas, tarefas simples podem transformar-se em desafios complexos. Os refugiados recebem apoio para encontrar alojamento, aceder aos servi\u00e7os de sa\u00fade, matricular os filhos na escola, frequentar cursos de portugu\u00eas e procurar emprego. Em muitos casos, o alojamento inicial \u00e9 assegurado em hot\u00e9is ou residenciais protocoladas com os servi\u00e7os sociais. A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 garantida atrav\u00e9s de cantinas e refeit\u00f3rios sociais, sendo tamb\u00e9m atribu\u00eddos apoios financeiros para despesas b\u00e1sicas. Existe ainda um complemento destinado ao pagamento de alojamento quando as fam\u00edlias conseguem encontrar uma habita\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, a Seguran\u00e7a Social articula-se com o IEFP para facilitar o acesso ao mercado de trabalho e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional. O objetivo \u00e9 claro: criar condi\u00e7\u00f5es para que cada pessoa alcance autonomia econ\u00f3mica e deixe gradualmente de depender dos apoios sociais. <\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a realidade nem sempre segue o percurso previsto. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre hist\u00f3rias de sucesso e percursos interrompidos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, dezenas de fam\u00edlias passaram pelos programas de acolhimento em Viseu. Algumas conseguiram integrar-se plenamente. Outras continuam a enfrentar dificuldades significativas. Paula Fernandes recorda o caso de duas fam\u00edlias iraquianas que chegaram ao pa\u00eds atrav\u00e9s de programas de reinstala\u00e7\u00e3o e que hoje vivem de forma completamente aut\u00f3noma. Os adultos encontraram emprego, os filhos foram integrados no sistema educativo e, gradualmente, deixaram de necessitar dos apoios atribu\u00eddos na fase inicial. &#8220;Neste momento est\u00e3o totalmente autonomizados&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem todas as hist\u00f3rias t\u00eam o mesmo desfecho. Outra fam\u00edlia iraquiana acompanhada pelos servi\u00e7os sociais nunca conseguiu adaptar-se plenamente \u00e0 realidade portuguesa. As dificuldades lingu\u00edsticas, a aus\u00eancia de integra\u00e7\u00e3o profissional e a depend\u00eancia prolongada dos apoios sociais impediram a conquista da autonomia.Segundo a t\u00e9cnica, a fam\u00edlia continua atualmente dependente do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o (RSI) e de uma presta\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a um filho com defici\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s problemas relacionados com a habita\u00e7\u00e3o, conseguiram encontrar uma nova casa com o apoio da comunidade isl\u00e2mica local. Para Paula Fernandes, estes casos demonstram que a exist\u00eancia de apoios, por si s\u00f3, n\u00e3o garante o sucesso da integra\u00e7\u00e3o.A situa\u00e7\u00e3o repete-se em algumas fam\u00edlias afeg\u00e3s acompanhadas na regi\u00e3o. Uma dessas fam\u00edlias decidiu abandonar Portugal ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo inicial de acolhimento. Perante a perspetiva de perder os apoios atribu\u00eddos durante o programa, os membros da fam\u00edlia partiram para a Alemanha. As filhas interromperam os estudos e a fam\u00edlia deixou subitamente a habita\u00e7\u00e3o disponibilizada pelas institui\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Meses mais tarde regressaram a Portugal. Como possu\u00edam estatuto de refugiado atribu\u00eddo pelas autoridades portuguesas, as autoridades alem\u00e3s determinaram o seu retorno ao pa\u00eds respons\u00e1vel pelo acolhimento inicial. Outro caso envolve uma fam\u00edlia afeg\u00e3 cuja integra\u00e7\u00e3o continua a revelar-se particularmente dif\u00edcil. Ap\u00f3s dezoito meses de acompanhamento intensivo, os progressos permaneceram reduzidos. As dificuldades lingu\u00edsticas continuam a ser um dos maiores obst\u00e1culos e a depend\u00eancia dos apoios sociais mant\u00e9m-se. A fam\u00edlia chegou mesmo a abandonar Portugal para tentar recome\u00e7ar na Su\u00ed\u00e7a, onde tinha familiares. <\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, acabou por regressar ap\u00f3s interven\u00e7\u00e3o das autoridades locais. Segundo Paula Fernandes, situa\u00e7\u00f5es como estas demonstram a complexidade dos processos de integra\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Os direitos existem, mas tamb\u00e9m existem deveres. \u00c9 necess\u00e1rio procurar trabalho, frequentar forma\u00e7\u00f5es e participar ativamente no processo de integra\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Especialistas na \u00e1rea das migra\u00e7\u00f5es alertam, contudo, que o sucesso ou insucesso da integra\u00e7\u00e3o raramente depende de um \u00fanico fator. A adapta\u00e7\u00e3o a um novo pa\u00eds pode ser condicionada por experi\u00eancias traum\u00e1ticas vividas antes da chegada, pela separa\u00e7\u00e3o familiar, pelas diferen\u00e7as culturais, pelas dificuldades lingu\u00edsticas e pela aus\u00eancia de redes de apoio. Em muitos casos, os refugiados chegam ap\u00f3s anos de desloca\u00e7\u00e3o e incerteza, trazendo consigo marcas emocionais que tornam o processo de reconstru\u00e7\u00e3o particularmente exigente. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova realidade: o aumento dos pedidos de cidad\u00e3os chineses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos tempos, os servi\u00e7os de acolhimento registaram tamb\u00e9m um aumento significativo de requerentes de asilo provenientes da China. Segundo os relatos, muitos afirmam ter abandonado o pa\u00eds devido a persegui\u00e7\u00f5es relacionadas com a pr\u00e1tica religiosa crist\u00e3.Grande parte destes cidad\u00e3os passou anteriormente pela Cro\u00e1cia, onde iniciou processos de pedido de asilo. <\/p>\n\n\n\n<p>Muitos descrevem experi\u00eancias negativas durante a perman\u00eancia nesse pa\u00eds e referem ter escolhido Portugal devido \u00e0 imagem de acolhimento que ouviram junto de outras comunidades migrantes. No entanto, a integra\u00e7\u00e3o desta popula\u00e7\u00e3o apresenta desafios espec\u00edficos. As barreiras lingu\u00edsticas s\u00e3o particularmente significativas. Muitos chegam sem conhecimentos de portugu\u00eas ou ingl\u00eas, dificultando a comunica\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os p\u00fablicos, o acesso ao mercado de trabalho e a participa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, muitos demonstram receio e desconfian\u00e7a resultantes das experi\u00eancias vividas durante o percurso migrat\u00f3rio. <\/p>\n\n\n\n<p>Para a Paula Fernandes, a adapta\u00e7\u00e3o desta comunidade exige um acompanhamento ainda mais pr\u00f3ximo e personalizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sete anos longe de casa. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os casos de integra\u00e7\u00e3o bem-sucedida encontra-se Abdala Bah. O jovem deixou a G\u00e2mbia quando tinha apenas 13 anos. A decis\u00e3o foi motivada pela procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e pela esperan\u00e7a de construir um futuro diferente. A viagem que o trouxe at\u00e9 \u00e0 Europa durou v\u00e1rios anos. &#8220;Da G\u00e2mbia para o Senegal fui de autocarro. Do Senegal para o Mali tamb\u00e9m. Mas depois, do Mali para a Arg\u00e9lia, foi pelo deserto. Foram tr\u00eas dias de viagem. Foi uma loucura. Muito dif\u00edcil&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A travessia do Saara continua gravada na mem\u00f3ria. O calor extremo, a escassez de \u00e1gua e o medo constante de n\u00e3o chegar ao destino marcaram uma das etapas mais perigosas do percurso. Da Arg\u00e9lia seguiu para a L\u00edbia. &#8220;Tamb\u00e9m foi muito dif\u00edcil. Naquela altura eu s\u00f3 pensava que precisava continuar. &#8220;Na L\u00edbia permaneceu cerca de tr\u00eas anos. S\u00f3 mais tarde conseguiu atravessar o Mediterr\u00e2neo.&#8221; Fui num barco pequeno primeiro. Depois num barco maior. Estive quase duas semanas no mar.&#8221; A travessia foi um dos momentos mais perigosos da viagem. Como milhares de migrantes que tentam chegar \u00e0 Europa todos os anos, enfrentou condi\u00e7\u00f5es extremamente prec\u00e1rias e viveu dias marcados pelo medo. Ap\u00f3s chegar a Fran\u00e7a, acabou por vir para Portugal.Mas a chegada n\u00e3o correspondeu \u00e0s expectativas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando cheguei sentia-me perdido. Ningu\u00e9m me explicava o que estava a acontecer&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o revelou-se dif\u00edcil. Durante algum tempo chegou mesmo a ponderar abandonar Portugal. &#8220;Cheguei a comprar bilhetes para sair daqui. Pensei em voltar para Fran\u00e7a. Achava que Portugal n\u00e3o era para mim.&#8221; Apesar disso, decidiu permanecer. A mudan\u00e7a aconteceu quando foi encaminhado para Viseu. &#8220;Foi aqui que a minha vida mudou.&#8221;, confessa.Gradualmente conseguiu encontrar trabalho, aprender portugu\u00eas e criar uma rede de rela\u00e7\u00f5es. Hoje trabalha na empresa Vidro Comfort e descreve Portugal como um pa\u00eds seguro. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando vim para c\u00e1 procurava uma nova vida. Queria coisas diferentes. Hoje vejo que consegui encontrar isso.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar da estabilidade alcan\u00e7ada, continua a existir uma aus\u00eancia dif\u00edcil de preencher. H\u00e1 sete anos que n\u00e3o v\u00ea a m\u00e3e nem os irm\u00e3os. A dist\u00e2ncia continua a ser uma das consequ\u00eancias mais dolorosas da decis\u00e3o que tomou ainda adolescente. O maior sonho \u00e9 simples: regressar temporariamente \u00e0 G\u00e2mbia para reencontrar a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Aqui posso construir o meu futuro&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m Destiny Omoaregba encontrou em Portugal uma oportunidade para recome\u00e7ar. Natural da Nig\u00e9ria, chegou ao pa\u00eds em agosto de 2023, fugindo da viol\u00eancia, da inseguran\u00e7a, dos conflitos religiosos e da discrimina\u00e7\u00e3o que afirma existir no seu pa\u00eds.Tal como muitos refugiados, deixou para tr\u00e1s a fam\u00edlia, os amigos e toda uma vida constru\u00edda ao longo dos anos. &#8220;Vim para conseguir ganhar a vida, para me tornar uma pessoa melhor e alcan\u00e7ar o que n\u00e3o consegui no meu pa\u00eds. Achei que Portugal me iria proporcionar isso&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando fala da decis\u00e3o de partir, Destiny Omoaregba recorda que a mudan\u00e7a foi motivada n\u00e3o apenas por raz\u00f5es econ\u00f3micas, mas tamb\u00e9m pela procura de seguran\u00e7a e estabilidade. A chegada a Portugal marcou o in\u00edcio de uma transforma\u00e7\u00e3o profunda. &#8220;A forma como cheguei n\u00e3o \u00e9 a mesma forma como estou hoje. N\u00e3o me arrependo de ter vindo para Portugal.&#8221; Os primeiros tempos foram marcados pela solid\u00e3o. Sem familiares ou amigos pr\u00f3ximos, teve de aprender sozinho a lidar com uma nova realidade. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando precisas de alguma coisa vais ter com a tua m\u00e3e ou com o teu pai. Aqui n\u00e3o tens ningu\u00e9m. Tudo depende de ti.&#8221;, sublinha. A adapta\u00e7\u00e3o exigiu esfor\u00e7o e persist\u00eancia. &#8220;No in\u00edcio vai ser intenso e dif\u00edcil. \u00c9 muito solit\u00e1rio. Mas se estiveres determinado e motivado, consegues&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>A primeira impress\u00e3o de Portugal permanece viva na mem\u00f3ria. &#8220;Quando cheguei vi um mundo diferente. No meu pa\u00eds h\u00e1 muitas estradas em mau estado e edif\u00edcios degradados. Aqui parecia que tinha entrado noutro mundo. Era como estar no para\u00edso.&#8221; Apesar dessa admira\u00e7\u00e3o inicial, os primeiros meses foram dif\u00edceis. Passou por Lisboa, Guarda, Alij\u00f3, Aveiro e outros locais antes de chegar a Viseu. Durante esse per\u00edodo viveu em alojamentos tempor\u00e1rios destinados a requerentes de prote\u00e7\u00e3o internacional. &#8220;A experi\u00eancia n\u00e3o foi boa. Especialmente por causa da comida.&#8221;A instabilidade constante dificultava a adapta\u00e7\u00e3o. Cada mudan\u00e7a significava recome\u00e7ar novamente.&nbsp; A situa\u00e7\u00e3o alterou-se quando chegou a Viseu. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Viseu \u00e9 agrad\u00e1vel. \u00c9 uma cidade tranquila. Foi um ponto de viragem. &#8220;Foi tamb\u00e9m aqui que encontrou pessoas que facilitaram a integra\u00e7\u00e3o. &#8220;No in\u00edcio n\u00e3o tinha ningu\u00e9m. Depois conhecemos pessoas que tornaram tudo muito mais f\u00e1cil&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Atualmente trabalha, vive sozinho e sente que alcan\u00e7ou a estabilidade que procurava quando deixou a Nig\u00e9ria. &#8220;O trabalho est\u00e1 a correr bem. Tenho um lugar s\u00f3 para mim.&#8221; Ao contr\u00e1rio do que muitas vezes surge nos debates sobre imigra\u00e7\u00e3o, Destiny afirma nunca ter sentido discrimina\u00e7\u00e3o em Portugal. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os portugueses s\u00e3o acolhedores. Nunca senti preconceito ou exclus\u00e3o.&#8221; Ainda assim, acompanha com preocupa\u00e7\u00e3o as not\u00edcias que chegam do pa\u00eds natal. &#8220;Vejo not\u00edcias de raptos, assassinatos de pessoas inocentes e viol\u00eancia contra crian\u00e7as. \u00c9 muito triste.&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p>O futuro passa por permanecer em Portugal. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quero trabalhar, poupar dinheiro, visitar a minha fam\u00edlia, casar e ter filhos. Quero construir a minha vida aqui&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Integrar \u00e9 muito mais do que acolher<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala de refugiados, a aten\u00e7\u00e3o centra-se frequentemente no momento da chegada. Contudo, para os especialistas, o verdadeiro desafio come\u00e7a precisamente depois. Encontrar um local seguro para viver representa apenas o primeiro passo de um percurso longo e complexo que pode durar v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho Portugu\u00eas para os Refugiados (CPR), uma das principais entidades respons\u00e1veis pelo acolhimento e apoio a requerentes de asilo em Portugal, defende que a integra\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar desde o primeiro momento em que a pessoa chega ao pa\u00eds. O acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 aprendizagem da l\u00edngua portuguesa e ao mercado de trabalho s\u00e3o considerados elementos fundamentais para que os refugiados possam reconstruir as suas vidas de forma aut\u00f3noma.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas dos apoios disponibilizados pelas institui\u00e7\u00f5es. Trata-se de um processo que envolve tanto quem chega como a sociedade que acolhe. O objetivo final n\u00e3o \u00e9 apenas garantir prote\u00e7\u00e3o, mas permitir que cada pessoa participe plenamente na comunidade, usufruindo dos mesmos direitos e oportunidades que qualquer cidad\u00e3o residente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores que estudam os processos de integra\u00e7\u00e3o referem que este percurso acontece de forma gradual e pode prolongar-se durante muitos anos. Nos primeiros meses, os refugiados s\u00e3o frequentemente confrontados com a perda de tudo aquilo que deixaram para tr\u00e1s: fam\u00edlia, profiss\u00e3o, estatuto social, l\u00edngua, cultura e rotinas. <\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma fase marcada pelo choque emocional, pela inseguran\u00e7a e pelo sentimento de desorienta\u00e7\u00e3o.&nbsp;Numa segunda fase, surgem os desafios da adapta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o per\u00edodo em que as pessoas procuram compreender o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es, aprender uma nova l\u00edngua e reconstruir a sua vida quotidiana. S\u00f3 mais tarde, ao longo dos anos, come\u00e7a a consolidar-se um verdadeiro sentimento de perten\u00e7a \u00e0 sociedade de acolhimento.&nbsp;Segundo estudos sobre integra\u00e7\u00e3o de refugiados, a adapta\u00e7\u00e3o plena raramente acontece de forma r\u00e1pida. Os primeiros dois anos s\u00e3o geralmente dedicados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da estabilidade perdida. <\/p>\n\n\n\n<p>Apenas ao fim de quatro ou cinco anos muitas pessoas conseguem alcan\u00e7ar um n\u00edvel significativo de autonomia, enquanto a consolida\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o pode prolongar-se por uma d\u00e9cada.&nbsp;Esta realidade ajuda a compreender alguns dos testemunhos recolhidos em Viseu. Tanto Abdala Bah como Destiny Omoaregba descrevem sentimentos de solid\u00e3o, confus\u00e3o e incerteza durante os primeiros meses em Portugal. Embora as suas hist\u00f3rias tenham terminado com sucesso, o percurso at\u00e9 \u00e0 autonomia foi marcado por dificuldades que v\u00e3o muito al\u00e9m da obten\u00e7\u00e3o de documentos ou de um emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>A aprendizagem da l\u00edngua portuguesa continua a ser um dos maiores desafios identificados pelas institui\u00e7\u00f5es de acolhimento. Sem dominar o idioma, torna-se mais dif\u00edcil encontrar trabalho, frequentar forma\u00e7\u00e3o profissional, estabelecer rela\u00e7\u00f5es sociais ou compreender procedimentos administrativos. Por essa raz\u00e3o, os cursos de Portugu\u00eas L\u00edngua de Acolhimento s\u00e3o considerados uma das ferramentas mais importantes para a integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio recorrente \u00e9 o isolamento social. Muitos refugiados s\u00e3o colocados em cidades m\u00e9dias ou pequenas, como Viseu, numa l\u00f3gica de distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica que procura evitar a concentra\u00e7\u00e3o excessiva em grandes centros urbanos. Esta estrat\u00e9gia permite repartir os recursos dispon\u00edveis e promover uma integra\u00e7\u00e3o mais equilibrada no territ\u00f3rio nacional. No entanto, tamb\u00e9m pode aumentar a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a familiares, comunidades da mesma nacionalidade ou redes de apoio j\u00e1 estabelecidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, o acolhimento de refugiados continua a ser um fen\u00f3meno relativamente discreto quando comparado com outros pa\u00edses europeus. Ainda assim, nos \u00faltimos anos, o n\u00famero de pessoas recebidas atrav\u00e9s de programas de reinstala\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o internacional aumentou significativamente, obrigando institui\u00e7\u00f5es locais a desenvolver respostas cada vez mais especializadas.&nbsp;Para Paula Fernandes, t\u00e9cnica da Seguran\u00e7a Social em Viseu, esta realidade confirma aquilo que observa diariamente no terreno.&#8221; O acolhimento \u00e9 importante, mas a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo muito mais longo. N\u00e3o basta garantir casa e alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que as pessoas consigam viver de forma aut\u00f3noma e participem na comunidade.&#8221; As hist\u00f3rias acompanhadas em Viseu mostram precisamente essa complexidade. Algumas fam\u00edlias conseguem reconstruir a vida em poucos anos. Outras permanecem dependentes dos apoios sociais durante muito tempo ou acabam por procurar novas oportunidades noutros pa\u00edses europeus. <\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os casos, por\u00e9m, a integra\u00e7\u00e3o continua a ser um percurso marcado por desafios constantes, mas tamb\u00e9m pela esperan\u00e7a de um futuro melhor.Em Viseu, a integra\u00e7\u00e3o dos refugiados acontece longe dos holofotes. Faz-se em salas de aula onde se aprende portugu\u00eas, em entrevistas de emprego, em consultas m\u00e9dicas, em quartos de hotel transformados temporariamente em casa e em longos processos burocr\u00e1ticos que procuram devolver estabilidade a quem perdeu quase tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>No final da entrevista, Destiny Omoaregba deixou uma mensagem que resume aquilo que o levou a abandonar a Nig\u00e9ria: &#8220;Fa\u00e7am tudo o que puderem para procurar uma vida melhor. Sei o que senti quando sa\u00ed. &#8220;As hist\u00f3rias de Abdala Bah e Destiny Omoaregba mostram que a integra\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m dos procedimentos administrativos ou dos apoios sociais. Trata-se de um percurso profundamente humano, marcado por perdas, desafios, adapta\u00e7\u00f5es e conquistas. Ambos chegaram a Portugal sem saber o que os esperava. Ambos enfrentaram momentos de solid\u00e3o, incerteza e dificuldade. E ambos conseguiram, gradualmente, construir uma nova vida.Nem todas as hist\u00f3rias terminam da mesma forma. <\/p>\n\n\n\n<p>Algumas fam\u00edlias conseguem atingir rapidamente a autonomia; outras continuam a enfrentar obst\u00e1culos dif\u00edceis de ultrapassar. Mas todas partilham uma caracter\u00edstica comum: a procura de seguran\u00e7a, estabilidade e dignidade.Por detr\u00e1s de cada pedido de asilo existe uma hist\u00f3ria interrompida pela guerra, pela persegui\u00e7\u00e3o, pela viol\u00eancia ou pela pobreza. Hist\u00f3rias que n\u00e3o terminam quando a fronteira \u00e9 atravessada. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 muitas vezes nesse momento que come\u00e7a um novo desafio: reconstruir uma vida em Viseu, esse processo continua a escrever-se todos os dias. Entre dificuldades e conquistas, permanece a esperan\u00e7a de quem procura uma segunda oportunidade para recome\u00e7ar e voltar a chamar casa ao lugar onde vive.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Viseu, longe das manchetes e dos grandes debates pol\u00edticos sobre imigra\u00e7\u00e3o, o acolhimento concretiza-se atrav\u00e9s de pequenos gestos quotidianos:<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":22347,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21,5153,12,11],"tags":[5106,168,5258,5259,2066,568,2027,76],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22233"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22233"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22346,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22233\/revisions\/22346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}