{"id":22017,"date":"2026-06-24T10:23:13","date_gmt":"2026-06-24T10:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22017"},"modified":"2026-06-24T10:23:14","modified_gmt":"2026-06-24T10:23:14","slug":"o-abandono-animal-agrava%e2%80%91se-entre-o-testemunho-de-um-resgate-e-a-indignacao-de-quem-observa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=22017","title":{"rendered":"O abandono animal agrava\u2011se: entre o testemunho de um resgate  e a indigna\u00e7\u00e3o de quem observa"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Todos os anos, com a chegada do calor e a proximidade das f\u00e9rias de ver\u00e3o, as estradas e&nbsp;as cidades&nbsp;portuguesas&nbsp;tornam-se o cen\u00e1rio de um drama silencioso.&nbsp;O abandono de animais de estima\u00e7\u00e3o mant\u00e9m\u2011se como um ciclo persistente e cruel.&nbsp;Nos \u00faltimos anos, o fen\u00f3meno n\u00e3o tem abrandado pelo contr\u00e1rio, o abandono animal tem vindo a agravar\u2011se, tornando\u2011se cada vez mais vis\u00edvel e preocupante.&nbsp;Mas o que leva algu\u00e9m a descartar uma vida? E o que sente quem tenta travar esse ciclo?&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Lara Nascimento (aluna do 1\u00ba ano de Coumunica\u00e7\u00e3o Social)<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o impacto desta realidade na primeira pessoa, fomos escutar duas vozes com perspetivas distintas: Teresa Gra\u00e7a, que transformou o quintal da sua nova casa num ref\u00fagio, e\u00a0Dulce\u00a0Oliveira, uma cidad\u00e3 sem animais de estima\u00e7\u00e3o que observa, com crescente preocupa\u00e7\u00e3o, a desumaniza\u00e7\u00e3o deste fen\u00f3meno na sociedade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A linha da frente: o resgate\u00a0<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Teresa Gra\u00e7a partilha que a sua jornada come\u00e7ou quando se mudou para uma nova rua, onde se deparou com um cen\u00e1rio desolador: v\u00e1rios animais abandonados \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte. Movida pela compaix\u00e3o, come\u00e7ou por lhes dar alimento,&nbsp;criando assim&nbsp;um v\u00ednculo especial&nbsp;com os gatos&nbsp;e&nbsp;acabando mesmo por ficar com&nbsp;dois<s>&nbsp;<\/s>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O primeiro estava muito magrinho, com falta de comer, pulgas&#8230; estava uma desgra\u00e7a. O segundo, a m\u00e3e teve-o l\u00e1 no quintal e abandonou-o tamb\u00e9m<em>&#8220;<\/em>,&nbsp;recorda&nbsp;Teresa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo&nbsp;esta testemunha&nbsp;os animais foram deixados para tr\u00e1s pelos antigos moradores da zona quando&nbsp;se mudaram. Apesar das dificuldades&nbsp;iniciais,&nbsp;que&nbsp;inclu\u00edram despesas veterin\u00e1rias e&nbsp;longos tratamentos&nbsp;com o gato mais&nbsp;velho,&nbsp;Teresa conseguiu estabilizar a sa\u00fade dos felinos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com esta experi\u00eancia,&nbsp;retirou uma li\u00e7\u00e3o dura sobre a natureza humana:&nbsp;&#8220;As pessoas querem os animais enquanto s\u00e3o pequenos, depois come\u00e7am a crescer e j\u00e1 os abandonam. Para mim, abandonar um animal \u00e9 como abandonar um filho.&#8221;&nbsp;A sua recomenda\u00e7\u00e3o para quem pondera a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: se n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o ou capacidade de cuidar, \u00e9 prefer\u00edvel n\u00e3o os acolher. Al\u00e9m disso, apela a que se evite a compra&nbsp;massiva, priorizando os animais de rua que tanto precisam de um lar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A vis\u00e3o de quem observa a sociedade<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Afastada da linha direta de&nbsp;resgate, mas igualmente tocada pelo problema, Dulce&nbsp;Oliveira&nbsp;oferece&nbsp;uma perspetiva puramente&nbsp;c\u00edvica.&nbsp;Sem&nbsp;animais em casa,&nbsp;Dulce&nbsp;olha para o abandono n\u00e3o como um infort\u00fanio, mas como um crime de desumanidade que viola a lei e a \u00e9tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nota-se mais nas alturas em que as pessoas v\u00e3o de f\u00e9rias, que \u00e9 quando aumenta drasticamente o abandono dos animais. As pessoas j\u00e1 n\u00e3o veem o animal como um elemento da fam\u00edlia, mas como um objeto&#8221;, aponta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise da cidad\u00e3 foca-se na facilidade com que se descarta uma vida assim que ela passa a exigir responsabilidade, espa\u00e7o ou quando &#8220;suja a casa&#8221;. Sendo um problema vis\u00edvel no dia a&nbsp;dia,&nbsp;inclusive&nbsp;com animais deixados \u00e0 sua sorte em plena&nbsp;autoestrada,&nbsp;Dulce defende que as pessoas ignoram deliberadamente as alternativas existentes, como o recurso a canis, associa\u00e7\u00f5es ou o pr\u00f3prio poder de partilha do Facebook e de outras redes sociais para encontrar adotantes respons\u00e1veis.&nbsp;Num plano mais&nbsp;ut\u00f3pico, sugere mesmo uma mudan\u00e7a&nbsp;\u201cradical\u201d: se cada habita\u00e7\u00e3o acolhesse obrigatoriamente um animal, o problema das ruas deixaria de existir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Duas margens, o mesmo apelo<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Teresa Gra\u00e7a e&nbsp;Dulce Oliveira&nbsp;partam de realidades&nbsp;destintas,&nbsp;uma&nbsp;focada no amor pr\u00e1tico do cuidar e a outra na indigna\u00e7\u00e3o c\u00edvica de quem observa a sociedade, as suas vozes fundem-se num aviso id\u00eantico para o futuro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ter um animal de estima\u00e7\u00e3o requer assumir os custos, as doen\u00e7as, o espa\u00e7o e o tempo. Ambas concluem que, se a inten\u00e7\u00e3o for vacilar perante a primeira dificuldade, a melhor decis\u00e3o ser\u00e1 sempre a de n\u00e3o adotar. O abandono, mais do que um problema de superpopula\u00e7\u00e3o nas ruas, continua a ser um espelho desconfort\u00e1vel da falta de empatia humana.&nbsp;Juntos devemos lutar para uma sociedade melhor e mais&nbsp;emp\u00e1tica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abandono animal tem vindo a agravar\u2011se nos \u00faltimos anos, tornando\u2011se cada vez mais vis\u00edvel nas ruas portuguesas. Entre quem resgata e quem observa, permanece a mesma conclus\u00e3o: quando a responsabilidade falha, os animais tornam\u2011se v\u00edtimas silenciosas de uma sociedade que ainda os trata como objetos descart\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":22040,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,11],"tags":[5215,5214],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22017"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22017"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22202,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22017\/revisions\/22202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}