{"id":18748,"date":"2024-02-01T15:36:28","date_gmt":"2024-02-01T15:36:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=18748"},"modified":"2024-02-01T15:36:30","modified_gmt":"2024-02-01T15:36:30","slug":"castro-daire-um-concelho-marcado-pela-intensa-filarmonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=18748","title":{"rendered":"Castro Daire: um concelho marcado pela intensa filarmonia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>No concelho de Castro Daire moram quatro bandas filarm\u00f3nicas, o que perfaz uma significativa m\u00e9dia de uma banda por cerca de tr\u00eas mil habitantes. A filarmonia tem um papel importante numa regi\u00e3o envelhecida e fortemente marcada pela emigra\u00e7\u00e3o, ao fornecer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o momentos de lazer e de descontra\u00e7\u00e3o. No meio deste desenlace cultural, a Sociedade Filarm\u00f3nica de M\u00f5es destaca-se por ser uma das sociedades musicais mais antigas do pa\u00eds.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Ricardo Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo Portugal um pa\u00eds em que est\u00e3o intr\u00ednsecas a m\u00fasica e a sinfonia, as 720 bandas filarm\u00f3nicas no ativo \u2013 de acordo com os dados da Confedera\u00e7\u00e3o Musical Portuguesa \u2013 representam um n\u00famero que se assinala por consequente. Apenas depois da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa foram solidificadas aquelas que s\u00e3o hoje conhecidas como sociedades ou bandas, mas a atividade musical \u00e9 precedente deste evento, e em terras lusitanas n\u00e3o existe uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde que os seres humanos come\u00e7aram as lutas fratricidas, com uso de meios b\u00e9licos, eis que a m\u00fasica foi aliada, como meio de incentivar a for\u00e7a, a coragem e, como forma de lazer, l\u00fadica, nos intervalos entre as guerras\u201d, refere Delmar Domingos de Carvalho, escritor e associativista, em texto para o f\u00f3rum Meloteca. A princ\u00edpio, o objetivo em Portugal passava tamb\u00e9m por instruir uma popula\u00e7\u00e3o que procurava fugir \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com o avan\u00e7ar da extin\u00e7\u00e3o do analfabetismo, as bandas deixaram de apenas cumprir uma nobre fun\u00e7\u00e3o social para serem, segundo Delmar Carvalho, \u201cmeios dinamizadores culturais com fun\u00e7\u00f5es socioecon\u00f3micas de grande valor que urge saber aproveitar e incentivar\u201d. Com isso, o aumento do n\u00famero de jovens m\u00fasicos foi exponencial e, hoje, praticamente todas as sociedades musicais contam com uma escola, que permite preparar o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em M\u00f5es mora a sexta banda mais antiga do pa\u00eds<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Criada quase 50 anos depois da primeira banda filarm\u00f3nica do pa\u00eds \u2013 a Banda de M\u00fasica de Santiago de Riba-Ul \u2013 a Sociedade Filarm\u00f3nica de M\u00f5es (SFM) \u00e9 a sexta mais antiga de Portugal. Segundo Jos\u00e9 Manuel Ferreira, ex-presidente e atualmente o mais antigo m\u00fasico dos quadros da institui\u00e7\u00e3o, o surgimento da SFM foi id\u00eantico ao de entidades da mesma \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm grupo de pessoas reuniu, criou a associa\u00e7\u00e3o e contratou um maestro que ensinou m\u00fasica. Foi necess\u00e1rio adquirir instrumentos e a banda foi para a rua animar as festas religiosas que naquela altura proliferavam\u201d, refere o tamb\u00e9m coordenador de estabelecimento da Escola B\u00e1sica de M\u00f5es. Ainda que dadas as devidas dist\u00e2ncias para o per\u00edodo temporal da cria\u00e7\u00e3o, as festividades relacionadas com a religi\u00e3o continuam a ser \u201co principal mercado da banda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundada em 1771 e atualmente presidida por Rafael Pinto, a tamb\u00e9m conhecida de forma carinhosa como \u201cbanda de M\u00f5es\u201d funcionou sem interrup\u00e7\u00f5es at\u00e9 aos in\u00edcios do s\u00e9culo XX, at\u00e9 que a instabilidade pol\u00edtica e a diminui\u00e7\u00e3o de participantes viessem desfeitear o trabalho realizado at\u00e9 ent\u00e3o. Em 1935 viria a reativar-se at\u00e9 aos dias de hoje, aquando da \u201celabora\u00e7\u00e3o dos estatutos aprovados \u00e0 \u00e9poca pelo Governador Civil de Viseu\u201d, conta Jos\u00e9 Manuel Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a Sociedade Filarm\u00f3nica de M\u00f5es conta com quase meia centena de m\u00fasicos, n\u00famero que j\u00e1 foi maior antes da pandemia. A reconcilia\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e o lazer rapidamente foi reposta, posteriormente aos confinamentos. \u201c\u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o muito reconhecida na freguesia de M\u00f5es e no concelho de Castro Daire, sendo que quase todas as crian\u00e7as passam pela escola de m\u00fasica\u201d, reitera o tamb\u00e9m professor de Portugu\u00eas do terceiro ciclo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"567\" height=\"377\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18751\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2.jpg 567w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Sociedade Filarm\u00f3nica de M\u00f5es perfilada em Massam\u00e1, em mais uma das longas desloca\u00e7\u00f5es habitualmente realizadas, desta feita para o II Interc\u00e2mbio Cultural, evento que faz parte dos Concertos de S\u00e3o Martinho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Recentemente, a coletividade musical mudou-se para novas instala\u00e7\u00f5es, dando mais condi\u00e7\u00f5es para os afazeres habituais, tanto para a SFM como para a escola de m\u00fasica. Com atua\u00e7\u00f5es em quase todos os cantos do pa\u00eds, na Espanha e na Su\u00ed\u00e7a, a \u201cbanda de M\u00f5es\u201d sente-se agora muito mais respeitada do que nunca, uma vez que antigamente as bandas eram, de acordo com o mais experiente instrumentista, para quem \u201cbebia muito vinho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cPertencer a uma banda proporciona o desenvolvimento da disciplina e da responsabilidade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois da forma\u00e7\u00e3o da Sociedade Filarm\u00f3nica de M\u00f5es e da Banda de M\u00fasica dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de Castro Daire, surgiu a Banda Musical Rerizense (BMR), em 1876. Fundada por Valentim Augusto Marques, auxiliado por Rozende de Almeida Lima \u2013 financiador, a banda esteve quase sempre em atividade, excetuando alguns anos do s\u00e9culo XX. Mais tarde, em 1998, reativaram-se as atividades musicais com a cria\u00e7\u00e3o de uma escola de m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>Elisabete Figueiredo, clarinetista desde os 9 anos na BMR, considera que \u201cpertencer a uma banda filarm\u00f3nica proporciona uma oportunidade para o desenvolvimento das habilidades musicais e para a expans\u00e3o das capacidades cognitivas, sendo uma forma valiosa de fazer parte do meio cultural e art\u00edstico\u201d. Para al\u00e9m disso, a m\u00fasica revela ainda que fazer parte de uma banda \u201cfortalece o desenvolvimento da disciplina e da responsabilidade, devido aos ensaios regulares e apresenta\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"567\" height=\"378\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18750\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3.jpg 567w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Elisabete Figueiredo (\u00e0 esquerda), para al\u00e9m de clarinetista, \u00e9 ainda licenciada em Gest\u00e3o de Recursos Humanos, pelo Instituto Polit\u00e9cnico da Guarda<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O grupo filarm\u00f3nico dirigido artisticamente por Paulo Martins faz parte de um contexto geogr\u00e1fico em que a filarmonia se estabelece como tema por m\u00faltiplas vezes. Em Castro Daire, a tradi\u00e7\u00e3o musical \u00e9 forte e as bandas filarm\u00f3nicas ajudam a que esse paradigma se mantenha sempre atual. \u201cExiste uma competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel entre as bandas, o que incentiva \u00e0 procura pela excel\u00eancia musical e pela inova\u00e7\u00e3o das performances\u201d, acrescenta a instrumentista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para uma freguesia como Reriz (em agregado com Gafanh\u00e3o), com apenas 883 habitantes, segundo dados de 2011, a posse de uma banda filarm\u00f3nica \u00e9 assinal\u00e1vel. A antiga vila e sede de concelho, conforme foral de 1514, v\u00ea o seu nome \u201celevado e levado a v\u00e1rias partes do pa\u00eds atrav\u00e9s da Banda Musical Rerizense, o que \u00e9 motivo de orgulho para a localidade\u201d, afirma Elisabete Figueiredo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A magia da novidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mais recente \u201caquisi\u00e7\u00e3o\u201d castrense a n\u00edvel filarm\u00f3nico foi a Associa\u00e7\u00e3o Cultural Flor do Rio que, ap\u00f3s abrir portas em 2017, cresce visivelmente no par\u00e2metro regional. Atualmente, rege-se uma parceria com a Junta de Freguesia de Cavern\u00e3es, que consiste na presen\u00e7a de uma escola de m\u00fasica na localidade viseense, em que o objetivo \u00e9 o de uma expans\u00e3o quantitativa e qualitativa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"567\" height=\"332\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18749\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4.jpg 567w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Associa\u00e7\u00e3o Cultural Flor do Rio no concerto anual da Festa de Natal da Junta Freguesia de Moledo, em 2023.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com cerca de quarenta m\u00fasicos, a banda \u00e9 dirigida por Gon\u00e7alo Almeida desde outubro de 2021. O agora diretor art\u00edstico da Banda Flor do Rio iniciou a carreira na Sociedade Filarm\u00f3nica de M\u00f5es, onde percebeu que a m\u00fasica iria ser o caminho mais indicado a seguir. Frequentou escolas profissionais e no Conservat\u00f3rio Dr. Jos\u00e9 de Azeredo Perdig\u00e3o, em Viseu, tendo culminado o trajeto curricular com a licenciatura em M\u00fasica na Universidade de Aveiro, onde conquistou alguns pr\u00e9mios.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o maestro do grupo filarm\u00f3nico correspondente \u00e0 freguesia de Moledo, cuja sede \u00e9 local para ensaios, a for\u00e7a da filarmonia est\u00e1 \u201cmuito assente no conv\u00edvio\u201d. \u201c\u00c9 cada vez mais necess\u00e1ria uma plataforma que nos fa\u00e7a respirar e refugiar daquilo que \u00e9 o <em>stress<\/em> do quotidiano, sendo que a m\u00fasica desempenha nitidamente esse papel\u201d, cimenta. A mais nova das bandas castrenses tem, segundo o licenciado em M\u00fasica, \u201cprovas dadas de que n\u00e3o est\u00e1 nada atr\u00e1s na componente musical em rela\u00e7\u00e3o aos restantes grupos filarm\u00f3nicos, apesar da ainda curta exist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00e3o Rodrigues, ex-m\u00fasico da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Flor do Rio, conta a sua experi\u00eancia enquanto instrumentista na institui\u00e7\u00e3o. \u201cAndar na banda foi um sentimento especial, uma vez que a oportunidade de representar a freguesia \u00e9 sempre um enorme orgulho. Foram cinco anos de experi\u00eancias inesquec\u00edveis, colegas para a vida e momentos para recordar. A arte \u00e9 imprescind\u00edvel para a vida e a m\u00fasica \u00e9 a arte mais bonita que h\u00e1, e foi com esse sentimento que a passagem acabou e um dia ir\u00e1 retomar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No concelho de Castro Daire moram quatro bandas filarm\u00f3nicas, o que perfaz uma significativa m\u00e9dia de uma banda por cerca<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":18752,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[1548,1556,4747,4748],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18748"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18748"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18754,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18748\/revisions\/18754"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/18752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}