{"id":18711,"date":"2024-01-24T10:14:45","date_gmt":"2024-01-24T10:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=18711"},"modified":"2024-01-24T21:47:34","modified_gmt":"2024-01-24T21:47:34","slug":"o-crime-da-poca-das-feiticeiras-um-mergulho-na-historia-de-viseu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=18711","title":{"rendered":"O Crime da Po\u00e7a das Feiticeiras: Um mergulho na hist\u00f3ria de Viseu"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>O \u201cCrime da Po\u00e7a das Feiticeiras\u201d \u00e9 um romance. O autor da obra, Paulo Bruno Alves, docente na ESEV (Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Viseu), motivado pela sua paix\u00e3o pela escrita e pelo facto de residir em Ranhados, local do crime, decidiu explorar este marco no seu livro. O crime da po\u00e7a das feiticeiras \u00e9 um mergulho nas emaranhadas perip\u00e9cias deste caso que abalou Viseu e transcendeu fronteiras, marcando uma presen\u00e7a duradoura na memoria coletiva.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Marco Granja e Gon\u00e7alo Bastos (alunos do 1\u00ba ano de Comunica\u00e7\u00e3o Social)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que motivou a escrita deste livro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou porque escrever foi uma paix\u00e3o que eu ganhei desde cedo e j\u00e1 tinha escrito pequenas hist\u00f3rias, pequenos contos, poesia&#8230; mas ainda n\u00e3o tinha entrado no romance. Como residia em Ranhados e \u00e9 precisamente nessa freguesia que acontece o crime, em 1925, j\u00e1 tinha ouvido falar dele, as pessoas diziam que tinha abalado a alta sociedade visiense de h\u00e1 100 anos e a verdade \u00e9 que ainda faz parte do imagin\u00e1rio de muitas pessoas que recordam os seus pais e ainda que falam desse tema. &nbsp;\u00c9 uma hist\u00f3ria que passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas dos vizinhos, mas de muitos que acompanharam o caso ao longo do pa\u00eds inteiro, porque o caso teve repercuss\u00f5es em Coimbra, no Porto, em Lisboa e foi muito badalado.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um caso que abalou Viseu e apaixonou o pa\u00eds porque se constitu\u00edram grupos de apoio numa esp\u00e9cie de ativismo ainda imberbe, mas de apoio aos condenados que estavam a vender os livros a publicit\u00e1-los e a vend\u00ea-los depois fazendo com que esse dinheiro pudesse ajudar a pagar as custas judiciais que foram imensas. O caso ficou judicialmente fechado apenas em 1932, com os recursos ao julgamento que aconteceu em 1927, em Viseu, no tribunal que existia, onde hoje \u00e9 a C\u00e2mara Municipal de Viseu, no Rossio. Entretanto, o que surgiu foi que o crime sempre fez ecoar em mim alguma coisa de criar uma hist\u00f3ria sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como poderia descrever a mensagem central ou tema predominante do seu livro e como espera que ele impacte os leitores?<br><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O crime acontece na noite 16 para 17 de julho de 1925. Na manh\u00e3 17 de julho aparece a boiar na po\u00e7a das feiticeiras um corpo, que d\u00e1 o nome ao crime. \u00c9, entretanto, nesse nessa mesma manh\u00e3, que a filha Silvina, o genro Claudino e a criada Albina s\u00e3o levados para a pol\u00edcia sem que houvesse uma acusa\u00e7\u00e3o formal, mas levaram-nos. O caso rapidamente fez nascer duas vis\u00f5es perfeitamente antag\u00f3nicas: uma vis\u00e3o que acusava precisamente a filha Silvina e Claudino, o marido, de serem os assassinos de Jo\u00e3o Trindade, e Albina, a criada de ambos, sendo encobridora. Mas, a outra tese afirmava que os autores eram outros, e os intuitos eram que tinha sido montado um compl\u00f4 contra a filha e contra o genro de forma que a fortuna passasse para outras m\u00e3os. Esta ideia alimentou a trama. No fundo, eu li o processo judicial e os livros todos, foi um per\u00edodo de v\u00e1rios meses. Por exemplo, s\u00f3 a an\u00e1lise do processo, que tem mais de quatro mil p\u00e1ginas, demorou mais quatro meses a fazer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"763\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/PBA-e1706091083122-763x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18712\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/PBA-e1706091083122-763x1024.jpg 763w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/PBA-e1706091083122-223x300.jpg 223w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/PBA-e1706091083122-768x1031.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/PBA-e1706091083122-1144x1536.jpg 1144w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/PBA-e1706091083122.jpg 1285w\" sizes=\"(max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><figcaption>Paulo Bruno Alves, autor do livro &#8220;O Crime da Po\u00e7a das Feiticeiras&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>No que toca ao processo de escrita, houve algum desafio em particular durante a cria\u00e7\u00e3o do livro?<br><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este <s>este<\/s> romance estabelece-se em tr\u00eas elementos espec\u00edficos de cria\u00e7\u00e3o, um deles \u00e9 a fic\u00e7\u00e3o pura, o outro uma realidade ficcionada e depois uma an\u00e1lise que vai cronologicamente apresentando os elementos, ou seja, a longa narrativa em que o leitor se confronta com acontecimentos que os v\u00e3o transportar para Viseu, num Portugal antigo. Portanto, estamos a falar de uma cidade em 1925, que ficava muito longe de Coimbra, de Lisboa, do Porto. No texto criei duas hist\u00f3rias paralelas: uma hist\u00f3ria real em que se vai avan\u00e7ando sobre o livro desde o momento em que o outro caso surge, portanto h\u00e1 um pr\u00f3logo em que o mesmo \u00e9 criado sobretudo na fase que \u00e9 a \u00faltima noite de Jo\u00e3o Trindade e depois ao longo do texto a parte real fala ele pr\u00f3prio, ou seja, uma analepse. Eu vou buscar informa\u00e7\u00f5es dele pr\u00f3prio e de outro que vou recriando em termos ficcionais, este \u00e9 um ponto. A outra parte \u00e9 precisamente uma narrativa criada a partir de uma fic\u00e7\u00e3o total, que \u00e9 a de um inspetor da pol\u00edcia judici\u00e1ria do Porto, chamado Gabriel Malafaia, que recebe de heran\u00e7a uma caixa do av\u00f4, entretanto falecido, que aponta dire\u00e7\u00f5es sobre o caso. O que me parece interessante \u00e9 a viagem que Gabriel faz numa Viseu que eu apresentei em 2007, o ano em que decidi escrever, em que Viseu se apresentava de uma forma um pouco diferente do que \u00e9 hoje, mas que vai mostrar as partes de uma Viseu antiga na parte real e mais atual na parte ficcionada. Depois, vai juntar-se a Rita Figueiroa, uma personagem tamb\u00e9m muito interessante para a hist\u00f3ria, pois ambos v\u00e3o descobrir, mais ele do que ela, que se calhar houve interven\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m para fazer desaparecer o tesouro. Portanto, n\u00e3o vou dizer mais do que isso, at\u00e9 para suscitar interesse&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como espera que os leitores se conectem com a obra? Existe uma mensagem espec\u00edfica que fa\u00e7a com que eles o levem consigo ap\u00f3s a leitura?<br><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma imagem que eu quero que fique. A verdade, neste caso, foi sempre question\u00e1vel. Desde as primeiras horas, quando o corpo de Jo\u00e3o Alves Trindade foi descoberto, que se criou a ideia de que havia os culpados, que eram para as pessoas que tinham sido levadas para a pol\u00edtica, e outros que diziam que n\u00e3o podia ser e tinham de ser outras pessoas. Por isso, criaram-se estas duas vis\u00f5es antag\u00f3nicas. Este romance n\u00e3o pretende contestar, de forma alguma, o que ficou provado em tribunal e que depois seguiu para tr\u00e2mites superiores com os recursos. No entanto, eu n\u00e3o deixo de levantar quest\u00f5es, de expor contradi\u00e7\u00f5es que aconteceram no caso, e estes elementos s\u00e3o primordiais para que o leitor consiga conhecer estes elementos e consiga tamb\u00e9m criar a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma d\u00favida crescente, que vai naturalmente acompanhar o leitor at\u00e9 ao momento em que ele pr\u00f3prio diz, perante o que eu escrevo, perante os factos que s\u00e3o os autos da justi\u00e7a, perceber o que \u00e9 que realmente aconteceu, e a mensagem que eu deixo \u00e9 que h\u00e1 em todos n\u00f3s a ideia de que podemos olhar para a mesma realidade e ter perce\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de que convido os leitores a descobrir uma cidade que n\u00e3o conhecem, at\u00e9 por alguns mitos urbanos, que s\u00e3o reais, como \u00e9 o caso dos t\u00faneis de Viseu, que existem. Ali\u00e1s, eu j\u00e1 estive dentro de um, portanto confirmo que eles realmente existem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o suas expectativas ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro? H\u00e1 algo que gostaria que os leitores fizessem ou sentissem ao terminarem a leitura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, criar a expectativa olhar para uma Viseu antiga, voltarem a olhar para a cidade que habitam e que dizem conhecer. Eu pr\u00f3prio, no processo de escrita e anos mais tarde, vejo uma cidade diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 consigo ver alguns casos e alguns locais e imagino as personagens que eu criei e os leitores tamb\u00e9m poder\u00e3o faz\u00ea-lo. \u00c9 isso que pretendo, que olhem para uma cidade diferente e que conhe\u00e7am um pouco deste caso que realmente foi tremendo, talvez at\u00e9 o primeiro super caso que aconteceu em Viseu ou o primeiro mega processo, como se diz atualmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cCrime da Po\u00e7a das Feiticeiras\u201d \u00e9 um romance. 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