{"id":18152,"date":"2023-11-22T15:23:59","date_gmt":"2023-11-22T15:23:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=18152"},"modified":"2023-11-22T15:24:02","modified_gmt":"2023-11-22T15:24:02","slug":"13-10-a-frequencia-da-luz-que-nao-podemos-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=18152","title":{"rendered":"13.10. A frequ\u00eancia da luz que n\u00e3o podemos ver"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>A miniss\u00e9rie \u201cTudo o que n\u00e3o podemos ver\u201d, que estreou recentemente na Netflix, retrata a realidade vivida durante a ocupa\u00e7\u00e3o nazi numa pequena cidade francesa pouco tempo antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Marie-Laure e Werner Pfenning, divididos pelo conflito, na cidade fortificada de Saint-malo, em 1944, partilham a mesma frequ\u00eancia, onda curta 13.10.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Ana Raquel Pinto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o americana a tem\u00e1tica da Luz assume uma vertente filos\u00f3fica, algo que \u00e9 aparentemente inalcan\u00e7\u00e1vel por todos os intervenientes. Em v\u00e1rios trechos da narrativa, todas as personagens acabam por mostrar a falta de f\u00e9 que t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. A dada altura, um dos protagonistas, que \u00e9 avisado que as suas a\u00e7\u00f5es podem ser punidas com a morte, refere, de olhos vazios, que de qualquer das formas, a sua vida vai acabar. Isto corrobora que, apesar de ser um soldado e estar do lado da superioridade, o mesmo espelha medo e falta de esperan\u00e7a num futuro pr\u00f3spero. N\u00e3o sendo caso \u00fanico, um dos superiores nazis est\u00e1 a morrer e, na sua \u00f3tica, salvar-se a si mesmo \u00e9 a \u00fanica coisa que importa, mesmo que isso implique matar pessoas inocentes. Neste sentido, a s\u00e9rie n\u00e3o tenta apenas representar a retic\u00eancia de muitos soldados que lutavam pela sua p\u00e1tria de forma for\u00e7ada, mas que muitos deles tinham \u00e9tica e conflitos interiores que se sobrepunham \u00e0 defesa da sua na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na outra perspetiva, a aus\u00eancia de luz e de esperan\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m patente, todavia por quest\u00f5es diferenciadas. Os franceses est\u00e3o sujeitos a condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis impostas pelos alem\u00e3es. As suas vidas s\u00e3o como uma bomba-rel\u00f3gio, e a incapacidade de agir em rela\u00e7\u00e3o aos nazis real\u00e7a ainda mais a vulnerabilidade f\u00edsica e mental ao qual os franceses estavam suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar de perto a vida e o contexto sociocultural de ambos os lados, \u00e9 mais f\u00e1cil de perceber o porqu\u00ea de n\u00e3o haver esperan\u00e7a nesta realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A est\u00e9tica das cenas e dos planos acompanha a sensibilidade dos temas predominantes. A presen\u00e7a de luz \u00e9 escassa e mais evidente quando a hist\u00f3ria remonta ao passado, onde a vida de todos os intervenientes era diferente e \u201cclaramente\u201d mais pac\u00edfica. Neste sentido, assume-se que a presen\u00e7a e a aus\u00eancia da luz tamb\u00e9m t\u00eam uma componente comunicadora na s\u00e9rie. Quando centrada no presente, a narrativa tende a ser pouco iluminada, tamb\u00e9m para corroborar e acompanhar a tens\u00e3o eminente no enredo. Em pequenos saltos para o passado, a claridade \u00e9 mais percet\u00edvel e enfatiza a calma e a paz contrastante. Temas mais brancos tentam comunicar que naquela altura, a vida era pac\u00edfica e nada evidenciaria um conflito armado \u00e0 escala mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os mais atentos, a s\u00e9rie subentende v\u00e1rias mensagens que podem ter percecionadas de diferentes formas e que podem ser tidas em conta como li\u00e7\u00f5es de moral. A protagonista da s\u00e9rie \u00e9 cega, no entanto, \u00e9 ela que transporta a luz de que todos falam, todos querem e que todos procuram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miniss\u00e9rie \u201cTudo o que n\u00e3o podemos ver\u201d, que estreou recentemente na Netflix, retrata a realidade vivida durante a ocupa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":18153,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[421,420],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18152"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18152"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18154,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18152\/revisions\/18154"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/18153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}