{"id":17264,"date":"2023-02-07T15:13:07","date_gmt":"2023-02-07T15:13:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=17264"},"modified":"2023-02-07T15:13:09","modified_gmt":"2023-02-07T15:13:09","slug":"os-direitos-humanos-nao-foram-ate-ao-catar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=17264","title":{"rendered":"Os direitos humanos n\u00e3o foram at\u00e9 ao Catar"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>O mundial que decorreu de dia 20 de novembro a 18 de dezembro de 2022 pode ser considerado um dos mais pol\u00e9micos que j\u00e1 existiu. Direitos LGBTQIA+, direitos humanos e das mulheres, quest\u00f5es religiosas e pol\u00edticas causaram pol\u00e9mica mesmo antes deste come\u00e7ar.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Beatriz Saraiva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a organiza\u00e7\u00e3o deste que foi um dos eventos mais impactantes a n\u00edvel mundial morreram aproximadamente 6,5 mil migrantes nas constru\u00e7\u00f5es e melhorias dos oito est\u00e1dios relacionados com a competi\u00e7\u00e3o. Segundo o <em>The Guardian<\/em>, o motivo das mortes mais frequente foi dado como \u201ccausas naturais\u201d. No entanto muitas das v\u00edtimas n\u00e3o receberam aut\u00f3psia, sendo-lhes atribu\u00eddos diagn\u00f3sticos pouco cred\u00edveis. O calor intenso sentido no pa\u00eds foi uma das grandes causas das mortes, o que obrigava os trabalhadores a come\u00e7ar muito cedo. Outros faleceram devido a paragens card\u00edacas, acidentes de trabalho, Covid-19 ou at\u00e9 mesmo suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contacto com o <em>The Guardian<\/em>, os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do Mundial pronunciaram-se em rela\u00e7\u00e3o a todas as vidas perdidas, alegando que o mesmo n\u00e3o se voltar\u00e1 a repetir e que sempre foram transparentes em rela\u00e7\u00e3o a todos os acontecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;<strong>Lamentamos profundamente todas as trag\u00e9dias e investigamos cada incidente para garantir que as li\u00e7\u00f5es foram aprendidas. Sempre mantivemos a transpar\u00eancia em torno dessa quest\u00e3o e contestamos as afirma\u00e7\u00f5es imprecisas sobre o n\u00famero de trabalhadores que morreram nos nossos projetos&#8221;<\/strong><\/em><strong><em> &#8211; Os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do Mundial para o The Guardian<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crime ou discrimina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds que foi casa deste mundial v\u00ea a comunidade LGBTQIA+ como \u201charam\u201d-\u201cpecado\u201d. Ser homossexual no Catar pode levar a pena de pris\u00e3o, sendo considerado um crime no pa\u00eds. \u00c9 um facto que a comunidade n\u00e3o foi convocada para este mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Um jornalista de nacionalidade brasileira foi lesado por civis cataris e membros da pol\u00edcia, isto porque carregava consigo a bandeira do estado de Pernambuco, que tem cont\u00e9m cores id\u00eanticas \u00e0s da comunidade LGBTQIA+. Jogadores de v\u00e1rias equipas que levavam consigo bra\u00e7adeiras com a bandeira da comunidade foram obrigados a remov\u00ea-las, caso n\u00e3o fizessem seriam admoestados com um cart\u00e3o amarelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista para o canal ZDF, na televis\u00e3o alem\u00e3, o embaixador do mundial e ex-jogador da equipa nacional do Catar, Khalid Salman, afirmou que ser homossexual \u00e9 estritamente proibido pela lei do Isl\u00e3o, acrescentando que o considera como \u201ctranstorno mental\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas ONG\u2019S realizaram protestos para que a FIFA demonstrasse o seu apoio e se comprometesse com os direitos da comunidade no Catar, ainda assim nada foi feito a respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Bianca Le\u00e3o, finalista do curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Viseu, afirma que o Catar foi a pior escolha em termos humanos para a realiza\u00e7\u00e3o deste mundial, isto por ser um pa\u00eds fechado em termos sociol\u00f3gicos, acrescentando que \u201c<em>foi um atentado a todos os n\u00edveis<\/em>\u201d. A futura jornalista desportiva admite que teria sentido receio caso cobrisse o mundial, alegando que enquanto mulher trans poderia ser \u201c<em>mortalmente punida<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cEnquanto jornalista desportiva e mulher trans poderia ter sido mortalmente punida. Humanamente falando, o Catar foi a pior escolha para a realiza\u00e7\u00e3o do mundial!\u201d<\/em>&#8211; Bianca Le\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, mulheres tiveram oportunidade de arbitrar pela primeira vez um mundial masculino, ao que Bianca Le\u00e3o alega \u201c<em>ser s\u00f3 para ingl\u00eas ver<\/em>\u201d, comparando o acontecimento com a apresenta\u00e7\u00e3o de Cristiano Ronaldo na Ar\u00e1bia Saudita onde uma mulher dirigiu a cerim\u00f3nia, em que at\u00e9 h\u00e1 pouco era estritamente proibido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viver ou Sobreviver?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o e a limita\u00e7\u00e3o de direitos das mulheres s\u00e3o not\u00e1veis no Catar. O pa\u00eds \u00e9 extremamente conservador e subdesenvolvido no que toca a progressos culturais. Mulheres s\u00e3o diariamente desvalorizadas e humilhadas no seu pa\u00eds natal, onde n\u00e3o conseguem viver sem a autoriza\u00e7\u00e3o de um tutor, que por norma \u00e9 o marido ou o pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivana Knoll foi interdita de assistir aos jogos por estar vestida de maneira arrojada, sendo a a\u00e7\u00e3o considerada um desrespeito para com a sociedade catari. A ex-influencer foi proibida de entrar no est\u00e1dio para presenciar o jogo entre a Cro\u00e1cia e a Argentina, das meias-finais, sendo que foi expulsa durante o jogo com o Brasil. A croata desafiou as leis do Catar, somente pelas roupas que vestia, no pa\u00eds que recebeu turistas de todas as partes do mundo, habituados a um estilo de vida totalmente diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong><em>Um dos principais motivos dela ser expulsa foi o facto de ser uma mulher, acima de todo o resto!<\/em><\/strong>&#8221; &#8211; <strong>Ana Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ana Almeida, Ana Costa e Damiana Costa, alunas universit\u00e1rias, consideram que a \u201cfalta de roupa\u201d n\u00e3o seria um motivo suficientemente forte para a expuls\u00e3o da adepta croata. Apontam ainda o machismo presente no pa\u00eds, alegando que se se tratasse de um homem as provid\u00eancias n\u00e3o seriam tomadas da mesma maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong><em>Foi um desrespeito \u00e0 cultura ou um ato de machismo?<\/em><\/strong>&#8221; &#8211; <strong>Damiana Costa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As estudantes optaram por n\u00e3o dar visibilidade ao mundial 2022, n\u00e3o dar gosto ou partilhar publica\u00e7\u00f5es nas redes sociais relacionadas com a competi\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo visualizar os jogos. Esta atitude foi fundada pelo facto do pa\u00eds onde decorriam os jogos ser ultraconservador e n\u00e3o respeitarem os direitos humanos. Uma manifesta\u00e7\u00e3o interna com o intuito de n\u00e3o dar visibilidade ao evento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong><em>Optamos por n\u00e3o ver nenhum jogo, nem compactuar com a visibilidade da competi\u00e7\u00e3o. Pior mundial de sempre!<\/em><\/strong>&#8221; &#8211; <strong>Ana Costa e Ana Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010 quando o Catar foi escolhido como sede do mundial 2022, assumiu-se que num pa\u00eds com caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias os direitos humanos n\u00e3o iriam ser respeitados. Doze anos depois as previs\u00f5es estavam corretas, sendo esta considerada por muitos a competi\u00e7\u00e3o que manchou a hist\u00f3ria do futebol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundial que decorreu de dia 20 de novembro a 18 de dezembro de 2022 pode ser considerado um dos<\/p>\n","protected":false},"author":36,"featured_media":17267,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13,21],"tags":[4475,4550,3548],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17264"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17264"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17269,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17264\/revisions\/17269"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}