{"id":15400,"date":"2022-03-07T10:28:43","date_gmt":"2022-03-07T10:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=15400"},"modified":"2022-03-07T10:28:44","modified_gmt":"2022-03-07T10:28:44","slug":"e-importante-que-os-jovens-se-emancipem-mas-que-fiquem-no-pais-com-o-melhor-estilo-de-vida-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=15400","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 importante que os jovens se emancipem, mas que fiquem no pa\u00eds com o melhor estilo de vida poss\u00edvel\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Portugal \u00e9 o quinto pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia onde os jovens saem mais tarde de casa dos pais, com uma m\u00e9dia de 30 anos, Portugal encontra-se acima da m\u00e9dia europeia de 26,4 anos. Apenas pa\u00edses como a It\u00e1lia, Malta, Eslov\u00e1quia e Cro\u00e1cia apresentam uma m\u00e9dia superior a Portugal.<\/em><\/strong> <strong><em>Qual \u00e9, afinal, o futuro dos jovens portugueses?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Tiago Campos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian em 2018 demonstra que 64% dos jovens entre os 18 e os 34 anos ainda vivem em casa dos pais. Isto acontece devido a v\u00e1rios fatores, principalmente econ\u00f3micos, como os sal\u00e1rios baixos, os pre\u00e7os imobili\u00e1rios elevados e incapacidade financeira. Tatiana Caiado, estudante do terceiro ano na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, atribui este fen\u00f3meno \u00e0 dificuldade dos jovens portugueses conseguirem um emprego nas suas \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas vezes os jovens s\u00f3 saem de casa dos pais em idades t\u00e3o tardias por dificuldade em arranjar emprego na sua \u00e1rea profissional, ou em qualquer outra. Hoje em dia, qualquer que seja o emprego, exige uma vasta experi\u00eancia profissional que jovens rec\u00e9m-licenciados n\u00e3o t\u00eam\u201d, afirma a estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo \u201cOs Jovens em Portugal, Hoje\u201d da funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos, dos 4904 jovens inquiridos (em representa\u00e7\u00e3o dos 2,2 milh\u00f5es de jovens portugueses), 35% estudam\/estudaram no ensino superior, e 77% dos estudantes do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio querem ir para a universidade, a principal raz\u00e3o para ir para a universidade \u00e9 a procura de melhores empregos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diana Vilas Boas, aluna do terceiro ano de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, explica que decidiu ir para a universidade por achar ser a melhor op\u00e7\u00e3o para conseguir ter um melhor estilo de vida. \u201cPenso que seja das melhores hip\u00f3teses de arranjar um emprego que me permita viver e n\u00e3o s\u00f3 sobreviver pois grande parte dos empregos atualmente pagam mal, mas com um curso superior melhoramos as chances de conseguirmos um emprego que seja bem remunerado&#8221;, sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Tatiana Caiado esclarece que ingressou na universidade para conseguir ser independente, mas n\u00e3o s\u00f3: \u201cgostava muito de um dia poder retribuir aos meus pais tudo aquilo que j\u00e1 fizeram por mim. Para tal, ingressar num curso superior \u00e9 uma porta aberta para novas oportunidades e, principalmente, uma forma de concretizar essa retribui\u00e7\u00e3o que tanto ambiciono\u201d, refere.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter um bom sal\u00e1rio, um bom emprego, ser independente e construir uma fam\u00edlia, s\u00e3o fatores que, segundo Afonso Costa, estudante do segundo ano de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na Universidade de Aveiro, levam os jovens portugueses a optar por ir para a universidade. \u201cApesar das propinas serem elevadas impedindo muitos jovens de continuar a estudar, \u00e9 a \u00fanica forma de conseguirmos ter mais oportunidades para ter um bom futuro em Portugal. Desde cedo que temos de nos preocupar como vai ser o nosso futuro, para conseguirmos ser independentes temos e ter um bom emprego que nos ofere\u00e7a um sal\u00e1rio que nos permita viver com as condi\u00e7\u00f5es adequadas e talvez no futuro constituir uma fam\u00edlia&#8221;, reitera.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cada vez mais jovens no estrangeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo da funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos, refere ainda que 53% dos jovens que trabalham recebem menos de 770 euros mensalmente, e que apenas 24% dos jovens t\u00eam profiss\u00f5es com forma\u00e7\u00e3o superior. Jos\u00e9 Carvalho, estudante do terceiro ano de Gest\u00e3o Comercial na Universidade de \u00c1gueda, est\u00e1 preocupado com o futuro dos jovens em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUltimamente reparo em not\u00edcias a referir que existem cada vez mais jovens portugueses a irem para o estrangeiro, acho que \u00e9 algo preocupante n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s, mas tamb\u00e9m para o pa\u00eds. H\u00e1 cada vez mais pessoas formadas em Portugal com boas qualifica\u00e7\u00f5es a emigrarem, o que me leva a concluir que n\u00e3o tenho um caminho f\u00e1cil \u00e0 minha frente. Acho que uma licenciatura n\u00e3o basta, tenho de tirar um mestrado ou um doutoramento para conseguir uma vida boa no meu pa\u00eds, sen\u00e3o tamb\u00e9m terei de procurar uma oportunidade no estrangeiro, ou continuar a viver em casa dos meus pais at\u00e9 conseguir ser independente financeiramente\u201d, afirma Jos\u00e9 Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017 as Na\u00e7\u00f5es Unidas estimaram que Portugal continuava a ser o pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com mais emigrantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o residente, 2.3 milh\u00f5es de emigrantes que equivale a 22% da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. Apesar de grande parte da emigra\u00e7\u00e3o ser pouco escolarizada e de m\u00e3o de obra barata, a emigra\u00e7\u00e3o qualificada tem vindo a aumentar. A falta de oportunidades e melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o dos principais motivos que levam \u00e0 \u201cfuga dos c\u00e9rebros\u201d em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>A OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) definiu um valor de 69,5 mil euros para formar um diplomado em Portugal, segundo um estudo das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra no \u00e2mbito do projeto \u201cBrain Drain and Academic Mobility from Portugal to Europe<strong>\u201d <\/strong>existiram em 2011, 146 mil emigrantes qualificados portugueses, ao multiplicarem estes valores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que Portugal tinham um preju\u00edzo acima de 8 mil milh\u00f5es de euros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m disso, 52% dos emigrantes inquiridos, consideraram pouco ou nada prov\u00e1vel regressarem a Portugal; 70% dos inquiridos recebiam menos de mil euros por m\u00eas em Portugal, depois de emigrarem 51% passou a receber mais de dois mil euros.<\/p>\n\n\n\n<p>Com este estudo conclui-se tamb\u00e9m que para al\u00e9m de Portugal ficar em preju\u00edzo, n\u00e3o s\u00f3 grande parte dos portugueses ganham em emigrar, como tamb\u00e9m os pa\u00edses recetores beneficiam a custo zero da entrada destes emigrantes qualificados portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Afonso Costa, Jos\u00e9 Carvalho e Diana Vilas Boas, referem que n\u00e3o p\u00f5em de parte a op\u00e7\u00e3o de emigrar para outro pa\u00eds caso n\u00e3o consigam seguir uma carreira profissional em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o meu pa\u00eds n\u00e3o mostra interesse em que eu fique c\u00e1, dando-me poucas ou nenhumas oportunidades, a op\u00e7\u00e3o de ir para o estrangeiro \u00e9 sempre vi\u00e1vel. Acho que Portugal se devia preocupar mais com este assunto, pois para al\u00e9m de n\u00f3s termos de sair do nosso pa\u00eds e mudar de vida, Portugal tamb\u00e9m perde muito do dinheiro investido na nossa educa\u00e7\u00e3o, e acredito que n\u00e3o deve ser um valor baixo\u201d, explica Diana Vilas Boas.<\/p>\n\n\n\n<p>Afonso Costa refere que \u201capesar de gostar muito de Portugal, emigrar cada vez mais tem o significado de novas oportunidades e melhor estilo de vida. Ainda por mais a l\u00edngua n\u00e3o seria mais uma barreira, em Portugal aprendemos desde cedo a falar ingl\u00eas, e existem diversos pa\u00edses, n\u00e3o s\u00f3 na europa, com comunidades portuguesas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Tatiana Caiado diz que dificilmente escolheria emigrar, mas n\u00e3o p\u00f5e de parte essa op\u00e7\u00e3o. \u201cEmigrar \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a tenho como principal, no sentido em que, gosto muito do pa\u00eds onde vivo e, muito dificilmente recorreria \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma \u00e1rdua decis\u00e3o para quem escolhe faz\u00ea-lo. Por\u00e9m, se, eventualmente, n\u00e3o conseguisse seguir uma carreira profissional na minha \u00e1rea em Portugal, tentaria encontrar outras solu\u00e7\u00f5es que de algum modo se enquadrassem no curso superior que possuo e que me permitissem o melhor estilo de vida poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Diana Vilas Boas diz n\u00e3o estar confiante em Portugal para diminuir os preju\u00edzos do pa\u00eds com os emigrantes qualificados, e na melhoria da qualidade de vida dos jovens portugueses, dizendo que devem ser feitas reformas em diversos setores. <\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Tatiana Caiado considera que o pa\u00eds deve tomar medidas que melhorem as oportunidades de emprego e facilitem o aumento dos sal\u00e1rios, referindo a import\u00e2ncia de os jovens permanecerem em Portugal. \u201cPenso que seria importante que Portugal tomasse medidas neste sentido, como por exemplo, diminuindo impostos \u00e0s entidades empregadoras que dessem oportunidade a jovens rec\u00e9m-licenciados, ou at\u00e9 mesmo atrav\u00e9s da atribui\u00e7\u00e3o de pequenos incentivos a essas mesmas entidades. \u00c9 importante que os jovens se emancipem, mas, para al\u00e9m disso, que fiquem no pa\u00eds que desde sempre os acolheu com o melhor estilo de vida poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Afonso Costa diz ser importante haver uma mudan\u00e7a no pa\u00eds que permita aos jovens ter mais oportunidades, mas que a mudan\u00e7a tem de come\u00e7ar atrav\u00e9s dos jovens. \u201cTemos de ser conscientes e ter a no\u00e7\u00e3o de que n\u00f3s somos capazes de fazer a mudan\u00e7a, atrav\u00e9s da elei\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos que invistam em medidas de longo prazo. Atualmente vemos uma aposta maior em medidas de curto prazo que gerem empregos com pouca remunera\u00e7\u00e3o, como o turismo, acaba por gerar mais emprego, mas n\u00e3o nos permitem ser independentes, sobretudo financeiramente\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal \u00e9 o quinto pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia onde os jovens saem mais tarde de casa dos pais, com uma<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,11],"tags":[30,1306,3215],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15400"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15400"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15400\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15402,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15400\/revisions\/15402"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}