{"id":15080,"date":"2022-02-14T10:15:29","date_gmt":"2022-02-14T10:15:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=15080"},"modified":"2022-02-14T10:15:31","modified_gmt":"2022-02-14T10:15:31","slug":"ainda-ha-clientes-fieis-que-viso-eu-e-a-fuga-a-um-artesanato-adormecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=15080","title":{"rendered":"\u201cAinda h\u00e1 clientes fi\u00e9is\u201d. Que Viso Eu? e a fuga a um artesanato adormecido"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 2015, a Que Viso Eu? tem sido a cara da tradi\u00e7\u00e3o das terras beir\u00e3s, que d\u00e1 a qualquer guloso a oportunidade de se deliciar com as receitas das duas irm\u00e3s que d\u00e3o palco a esta mercearia. Em terras de Viriato, \u00e9 uma loja de venda de produtos artesanais e situa-se na Rua Nunes de Carvalho, junto \u00e0 Porta do Soar. Desde o queijo da serra aos vinhos do D\u00e3o, Cristina e In\u00eas Pessanha mostram o que de melhor produzem, para uma comunidade onde \u201cainda h\u00e1 clientes fi\u00e9is\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem por Patr\u00edcia Louren\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a ajuda da irm\u00e3 Cristina, o dia a dia da viseense In\u00eas Pessanha passa pelo neg\u00f3cio de fam\u00edlia. As ra\u00edzes da empresa nasceram com o bisav\u00f4 e desenvolveram-se nas m\u00e3os da m\u00e3e das propriet\u00e1rias, Teresa Cabral. Foi em 1982, quando abandonou a capital e come\u00e7ou a residir em Viseu, que a m\u00e3e de Cristina e In\u00eas Pessanha decidiu \u201cformar-se\u201d, naquele que \u201cfoi dos primeiros cursos de jovens agricultores\u201d. Com um projeto de \u201creestrutura\u00e7\u00e3o da quinta\u201d deixada pelo pai, Teresa Cabral reabriu as portas da herdade da fam\u00edlia, a Quinta da Igreja, em Povolide, que se mant\u00e9m at\u00e9 aos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cProdutora de mat\u00e9rias artesanais\u201d, In\u00eas Pessanha confessa que os habitantes \u201cna generalidade j\u00e1 n\u00e3o ligam tanto aos produtos de fabrico pr\u00f3prio\u201d, e o padr\u00e3o de clientes \u201cn\u00e3o \u00e9 de gente nova\u201d. O queijo da serra, o requeij\u00e3o, os frutos secos, os legumes, os vinhos do D\u00e3o e as outras op\u00e7\u00f5es que a loja disp\u00f5e, s\u00e3o a montra de sucesso da Que Viso Eu?, que est\u00e1 a ser \u201cmais reconhecida\u201d com os \u201cseguidores novos\u201d nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Que-viso-eu-Ines-Pessanha-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15082\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Que-viso-eu-Ines-Pessanha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Que-viso-eu-Ines-Pessanha-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Que-viso-eu-Ines-Pessanha-768x512.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Que-viso-eu-Ines-Pessanha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Que-viso-eu-Ines-Pessanha.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>In\u00eas Pessanha<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O projeto que levou \u00e0 independ\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A celebrar 7 anos no pr\u00f3ximo m\u00eas de fevereiro, a Que Viso eu? come\u00e7ou \u201capenas como uma experi\u00eancia\u201d de vender \u201cos rebentos que a quinta dava\u201d para a \u201caltura do Natal\u201d, em 2014, relembra Cristina Pessanha. No entanto, com uma \u201cgrande coragem\u201d, associaram-se \u00e0 medida, o \u201cCom\u00e9rcio Investe\u201d, apoiado pelo IAPMEI, e financiada pelo Minist\u00e9rio da Economia, para dar continuidade \u201cao formato diferente e independente\u201d que a loja estava a ganhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, foi realizado um estudo de mercado com \u201cuma prospe\u00e7\u00e3o de vendas\u201d do que seria previs\u00edvel para 5 anos obrigat\u00f3rios de \u201cestabelecimento ativo\u201d, explica a empres\u00e1ria. Ao fim de pouco tempo, e sem In\u00eas Pessanha \u201cesperar\u201d, a loja conseguiu \u201cas vendas previstas\u201d e, ainda, \u201catingiu os valores que eram prognosticados no estudo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo IX, pelo olhar dos guerreiros crist\u00e3os que perguntavam \u201cQue viso (vejo) eu?&#8221; ter\u00e1 surgido o nome da cidade de Viseu. A genealogia da cidade \u00e9 o nome da loja de artesanato. Para In\u00eas Pessanha, \u201ca resposta a esta pergunta n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de encontrar\u201d, pois a loja \u201ctornou-se num espa\u00e7o que se dedica a promover o que de melhor se encontra na cidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Das vinhas aos queijos artesanais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A propriedade da fam\u00edlia, a Quinta da Igreja, era abastada de vinhas que, inicialmente, fariam parte do projeto do curso profissional da m\u00e3e das empres\u00e1rias. No entanto, os terrenos \u201cn\u00e3o eram adequados \u00e0s maquinarias atuais\u201d, os caminhos de acesso eram \u201cestreitos\u201d e \u201cn\u00e3o passavam tratores\u201d, para al\u00e9m de que, a manuten\u00e7\u00e3o era \u201cmuito elevada\u201d. Com a certeza de que \u201cn\u00e3o teria possibilidades econ\u00f3micas\u201d, Teresa Cabral, mudou de rumo e colocou m\u00e3os \u00e0 obra nas \u00e1rvores aveleiras que componham grande parte da quinta.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, os vinhos \u201cn\u00e3o s\u00e3o produzidos\u201d pelas irm\u00e3s, mas, como salienta In\u00eas Pessanha, procuram \u201cvinhos de pequenos produtores\u201d com o objetivo de \u201capoiar o microcom\u00e9rcio\u201d e diferenciarem-se das \u201cgrandes garrafeiras\u201d, ao vender vinho \u201cexclusivo\u201d na loja. Com vinhos da regi\u00e3o, refer\u00eancias do Alentejo e outras do D\u00e3o e do Douro, a Que Viso Eu?, constitui uma vasta variedade de vinhos para todos os gostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao projeto das \u00e1rvores aveleiras, estas \u201creavivaram\u201d a produ\u00e7\u00e3o na quinta e contribu\u00edram para a \u201cgrande base\u201d do estabelecimento artesanal. Na evolu\u00e7\u00e3o da quinta, surgiram novos animais, como vacas, e mais tarde ovelhas, que deram origem \u00e0 atual queijaria. Com a ideia de \u201ctransformar as mat\u00e9rias-primas dadas pelos animais\u201d, a queijaria, \u201centrou em funcionamento\u201d em 2009, com \u201c120 cabe\u00e7as\u201d que proporcionavam leite para vender \u201cem f\u00e1bricas de queijo industrial da Serra da Estrela\u201d, relembra In\u00eas Pessanha. Contudo, no ano de 2016, um ano ap\u00f3s a abertura da loja que \u201crequeria muita aten\u00e7\u00e3o\u201d, e com o \u201cenvelhecimento\u201d dos pais de Cristina e In\u00eas Pessanha, o rebanho foi vendido e o leite come\u00e7ou a depender de \u201cum produtor\u201d que, diariamente, trabalha com 20 mil litros de leite para a confe\u00e7\u00e3o dos queijos particulares do estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a queijaria \u201cser artesanal\u201d e com muita \u201cutiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra\u201d, tamb\u00e9m a \u201cmaquinaria\u201d, veio trazer \u201cmaior produ\u00e7\u00e3o de queijo\u201d, mesmo este sendo confecionado a uma \u201cescala menor\u201d da generalidade. Na horta, Teresa Cabral \u201cplanta, trata e colhe\u201d, os legumes e as frutas que nascem da \u201cterra fresquinha\u201d, \u201csem qualquer tipo de qu\u00edmico\u201d, e que, no dia a seguir, s\u00e3o vendidos na Que Viso Eu?.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sabores que v\u00e3o al\u00e9m dos tradicionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTudo depende de n\u00f3s e em termos de recursos humanos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d, revela a propriet\u00e1ria que durante as feiras da cidade, sabe o qu\u00e3o \u201cdif\u00edcil \u00e9 manter a loja aberta ao mesmo tempo que uma feira decorre\u201d. Com a \u201cpouca presen\u00e7a\u201d nas feiras e nos eventos da cidade, os produtos que t\u00eam como, o queijo de ovelha, o queijo de cabra, o queijo amanteigado, o requeij\u00e3o, as compotas, os legumes, as frutas e as \u201csopas de produtos org\u00e2nicos com um salgado a acompanhar\u201d, s\u00e3o servidos ao almo\u00e7o no pr\u00f3prio estabelecimento ou pelo servi\u00e7o de <em>take-away. <\/em>de forma a \u201cconvidar mais gente para o neg\u00f3cio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos sabores tradicionais da regi\u00e3o, \u201cos riss\u00f3is de tinta de choco e berbig\u00e3o, s\u00e3o os mais distintos dos t\u00edpicos croquetes e riss\u00f3is\u201d na loja das irm\u00e3s. Outra das especialidades, s\u00e3o os biscoitos de requeij\u00e3o, uma iguaria \u00fanica, produzida pelas propriet\u00e1rias, assim como, as compotas dos frutos \u201cunicamente criados\u201d na Que Viso Eu?, acrescenta Cristina Pessanha. De \u201cuma forma mais sustent\u00e1vel\u201d, tamb\u00e9m os clientes \u201cpodem trazer o seu tupperware\u201d para levar as \u201crefei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias\u201d, de baixo custo econ\u00f3mico e \u201cgenuinamente portuguesas\u201d. Quanto ao futuro, \u201cquem sabe\u201d, n\u00e3o vir\u00e1 o \u201cqueijo com trufa e outros sabores a descobrir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEstamos num nicho de mercado\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O setor artesanal \u201ctem vindo a ser desvalorizado\u201d, e para In\u00eas Pessanha \u201ch\u00e1 muitos fatores que contam para que isso aconte\u00e7a\u201d, tais como, \u201cfatores globais, do panorama nacional e locais\u201d, que \u201cenfraquecem a receita do com\u00e9rcio tradicional\u201d. Do fator nacional, a propriet\u00e1ria coloca \u201cem primeiro de tudo\u201d, a pandemia Covid-19, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 maneira de acabar\u201d e faz com que as \u201cpessoas n\u00e3o saiam de casa para visitarem o com\u00e9rcio local\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo problema enfrenta a \u00e1rea do turismo, que \u201catualmente \u00e9 muito residual\u201d e n\u00e3o tem \u201cqualquer tipo de express\u00e3o,\u201d mas \u201cantes tinha bastante\u201d, para al\u00e9m de que, a Que Viso Eu?, \u00e9 \u201cvirada para clientes que venham de fora\u201d, e que procuram, sobretudo, \u201cprodutos bons como os artesanais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Cristina Pessanha, a sensa\u00e7\u00e3o de insucesso \u00e9 a mesma. \u201cO turismo foi muito abaixo\u201d e, antes da pandemia, a \u201cfatura\u00e7\u00e3o da loja estava a crescer muito&#8221;. O t\u00edpico turista, \u201csenta-se, toma um copo de vinho e pede uma t\u00e1bua de queijo\u201d, no entanto, \u201cj\u00e1 n\u00e3o acontece essa din\u00e2mica\u201d, o que dita, assim, \u201co fim do turismo de fim de semana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema de natureza econ\u00f3mica est\u00e1 na \u201cfalta de apoios pelo Minist\u00e9rio da Agricultura\u201d, que \u201cn\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia aos pequenos com\u00e9rcios\u201d e \u00e0 \u201cm\u00e3o de obra de produtores artesanais\u201d. Na Que Viso Eu?, os queijos \u201cs\u00e3o feitos com leite cru, sem pasteuriza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cn\u00e3o \u00e9 colocado na casca um l\u00edquido para o queijo n\u00e3o gretar\u201d como acontece nas \u201cqueijarias das grandes empresas\u201d. Por isso, \u201cqualquer pessoa do setor que olhe para o queijo desta loja, percebe perfeitamente o que est\u00e1 ali\u201d, sem \u201cnada embarretado\u201d, explica In\u00eas Pessanha. Contudo, este processo \u201cpressup\u00f5e muito mais trabalho\u201d e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque as lojistas trabalham \u201cem pequena escala\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, In\u00eas Pessanha afirma: \u201cestamos num nicho de mercado\u201d, em que \u201cn\u00e3o h\u00e1 grande apoio em Portugal\u201d. No caso do queijo da Serra da Estrela, \u201ceste \u00e9 uma figura de convite\u201d, mas as \u201cf\u00e1bricas alteram a forma de o produzir, para trabalhar em grande escala\u201d e, \u201cclaro\u201d, o Estado \u201capoia\u201d, uma vez que, \u201cprecisa de queijo que seja produzido em grandes quantidades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Viseu, as lojas artesanais, diferenciam-se pelo \u201ctrabalho manual\u201d, que se foi influenciando, \u201cpelo contexto cultural de tradi\u00e7\u00f5es antigas, como os t\u00eaxteis, o barro e os instrumentos em madeira\u201d. Contudo, como salienta In\u00eas Pessanha, \u201cpara este continuar\u201d, \u00e9 necess\u00e1ria \u201cuma maior divulga\u00e7\u00e3o para algo que \u00e9 t\u00e3o bom e importante na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A estagna\u00e7\u00e3o de um artesanato que outrora era riqueza<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No centro hist\u00f3rico de Viseu encontra-se aquela que j\u00e1 foi a rua mais movimentada da cidade, a Rua Direita. \u00c9 aqui, que Ana Amaral, comerciante por conta pr\u00f3pria da loja Cadopa h\u00e1 mais de 30 anos, observa \u201ccada vez menos o movimento\u201d pela \u201cfalta de remodela\u00e7\u00e3o\u201d. Com a venda de vestidos de batizado, comunh\u00e3o, fatos de cerim\u00f3nias, acess\u00f3rios e roupa para beb\u00e9s e crian\u00e7as, acredita que a sua loja se distingue \u201cporque os artigos cerimoniais n\u00e3o se encontram t\u00e3o facilmente em centros comerciais comuns\u201d, para al\u00e9m de que, \u201cs\u00e3o produtos nacionais, com muita elabora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra\u201d. Mas mesmo com estas vantagens, \u201cas ruas est\u00e3o a ficar desertas\u201d, \u201cos lucros continuam a diminuir, e o neg\u00f3cio est\u00e1 p\u00e9ssimo com a pandemia a acontecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"567\" height=\"319\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Cadopa-Ana-Amaral.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15081\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Cadopa-Ana-Amaral.jpg 567w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Cadopa-Ana-Amaral-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Ana Amaral<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Sobre o desfalecimento do artesanato, Ana Amaral, considera que o problema est\u00e1 no \u201cenvelhecimento dos comerciantes\u201d que t\u00eam as \u201clojas abertas h\u00e1 40, 50, 60 anos\u201d, assim como a \u201cprefer\u00eancia que os jovens t\u00eam pelo F\u00f3rum, o Pal\u00e1cio do Gelo e os outros centros comerciais\u201d, que apagaram \u201co h\u00e1bito de ir \u00e0s boutiques tradicionais\u201d.&nbsp; Como solu\u00e7\u00e3o, a empres\u00e1ria, acredita que pode estar na \u201cremodela\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios\u201d, e na \u201cparticipa\u00e7\u00e3o de jovens\u201d que \u201ctragam inova\u00e7\u00e3o\u201d, e \u201cinvistam no com\u00e9rcio tradicional que Viseu ainda tem para oferecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado de fora da zona hist\u00f3rica da S\u00e9, Fernando Neves, fundador da Retrosaria Neves, afirma que a \u201ctradicionalidade tem tend\u00eancia em desaparecer\u201d e \u201cs\u00f3 as lojas artesanais que sobreviverem \u00e0 crise\u201d, s\u00e3o as que \u201cainda valer\u00e1 a pena, prosseguirem com a tradi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a ajuda da esposa, Carla Neves, realizam todo o tipo de arranjos de costura, como \u201capertar, alargar, coser, tapar buracos e outros servi\u00e7os\u201d, s\u00e3o \u201cmanualmente feitos\u201d, apoiados pelas m\u00e1quinas de costura que se avistam ao fundo da loja. Desde l\u00e3s, fitas, emblemas, bot\u00f5es, tecidos, algod\u00f5es, a acess\u00f3rios de roupa e de decora\u00e7\u00e3o, a retrosaria, tem uma forte presen\u00e7a nas redes sociais para \u201cpromo\u00e7\u00f5es e descontos\u201d. Fernando Neves, gostaria de \u201cexpandir\u201d o neg\u00f3cio, ao \u201cfazer venda direta online\u201d no Facebook, mas da mesma forma que todos os outros setores, \u201cvender est\u00e1 a ser um exerc\u00edcio muito complicado\u201d perante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"886\" height=\"498\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Retrosaria-Fernando-Neves.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15084\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Retrosaria-Fernando-Neves.jpg 886w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Retrosaria-Fernando-Neves-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Retrosaria-Fernando-Neves-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption>Fernando Neves<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ao longo dos tempos, como testemunhou In\u00eas Pessanha, as v\u00e1rias lojas de com\u00e9rcio artesanal, revolucionaram o urbanismo da cidade-jardim e, ir \u00e0 zona hist\u00f3rica de Viseu, em que \u201ctradi\u00e7\u00f5es arcaicas se d\u00e3o a conhecer\u201d, era \u201co maior motivo que as pessoas tinham de vir para a rua\u201d. Inicialmente idealizada apenas para fazer a venda de Natal de 2014, a Que Viso Eu? representa, nos dias de hoje, o exemplo real de que o artesanato \u201ccontinua a ter muito poder\u201d, ainda para mais, quando \u201ca hist\u00f3ria muito antiga \u00e9 cultura popular portuguesa, \u00e9 a hist\u00f3ria dos lugares e das pessoas que o produzem\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 2015, a Que Viso Eu? tem sido a cara da tradi\u00e7\u00e3o das terras beir\u00e3s, que<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[399],"tags":[4146,75,4145,271,4147,621,76],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15080"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15080"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15339,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15080\/revisions\/15339"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}