{"id":14272,"date":"2021-12-02T15:37:08","date_gmt":"2021-12-02T15:37:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=14272"},"modified":"2021-12-02T15:37:10","modified_gmt":"2021-12-02T15:37:10","slug":"deficiencia-no-curriculum-vitae-as-desigualdades-no-acesso-ao-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=14272","title":{"rendered":"Defici\u00eancia no curriculum vitae: as desigualdades no acesso ao emprego"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Num mundo que se afirma cada vez mais inclusivo, pessoas como o Tiago, a Isabel, a Mariana e a Alias continuam a ser esquecidas. Colocados de parte por serem diferentes, carregam consigo o peso das palavras discriminat\u00f3rias, os olhares de quem n\u00e3o os v\u00ea como pessoas e o carimbo da defici\u00eancia em destaque no seu curriculum vitae.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por<\/strong> <strong>Ana Catarina Correia e Daniel Fernandes Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Magano tem 23 anos e uma palavra-chave para descrever a sua inf\u00e2ncia: bullying. Marcado por insultos que iam desde \u201cdeficiente\u201d a \u201canormal\u201d, o jovem chegou a ver a sua sensibilidade ser testada com pioneses que lhe colocavam na cadeira. Ainda que tenha sido for\u00e7ado a andar de m\u00e3os dadas com a viol\u00eancia verbal e n\u00e3o-verbal que sempre sofreu, nada o impediu de vencer nos estudos e mostrar que ter uma defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de n\u00e3o conseguir chegar mais longe.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"435\" height=\"395\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14275\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report1.jpg 435w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report1-300x272.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><figcaption>Tiago Magano, 23 anos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Marcada pela exclus\u00e3o e pelos insultos foi, tamb\u00e9m, a inf\u00e2ncia de Mariana Machado. \u201cDeficiente, anormal e tecla tr\u00eas &#8211; men\u00e7\u00e3o \u00e0 tecla tr\u00eas dos telem\u00f3veis da d\u00e9cada passada onde estava inscrita a sigla DEF que muita gente associava \u00e0 palavra \u2018deficiente\u2019 &#8211; foram palavras que me marcaram de uma forma bastante negativa ao longo da minha vida de estudante\u201d, refere a jovem de 28 anos. Exclu\u00edda de todos os grupos na principal fase do seu desenvolvimento, Mariana Machado lembra que \u201cfoi particularmente doloroso na parte da adolesc\u00eancia e mesmo do lado dos rapazes o \u00fanico feedback que eu recebia era relativo \u00e0 quest\u00e3o de existir, ou n\u00e3o, cura para a minha doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma perspetiva mais pragm\u00e1tica da sua inf\u00e2ncia, Isabel Calheiros, de 21 anos, cresceu habituada \u00e0 ideia de que, j\u00e1 na vida adulta, n\u00e3o iria ser f\u00e1cil encontrar emprego. Sempre de p\u00e9s assentes na terra, a rec\u00e9m-licenciada em Comunica\u00e7\u00e3o Social, encara o mundo do trabalho como um jogo no qual as pessoas com defici\u00eancia (PcD) precisam de \u201cmostrar as suas capacidades para &#8220;jogar&#8221; muito antes de chegarem \u00e0 casa de partida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quando a defici\u00eancia tem lugar de destaque no curriculum vitae?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Magano tem 23 anos, um mestrado em Turismo e Hotelaria e est\u00e1, neste momento, a frequentar um doutoramento na \u00e1rea de Gest\u00e3o. Diagnosticado com espinha b\u00edfida, uma doen\u00e7a cong\u00e9nita n\u00e3o-adquirida, heredit\u00e1ria e, sobretudo, motora, Tiago Magano \u00e9 um dos mais de 14 mil portugueses (segundo dados disponibilizados pelo Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Portugu\u00eas para o m\u00eas de mar\u00e7o deste ano) com defici\u00eancia e sem emprego em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"425\" height=\"234\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report5-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14282\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report5-1.jpg 425w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report5-1-300x165.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"425\" height=\"185\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report6-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14283\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report6-1.jpg 425w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report6-1-300x131.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"425\" height=\"165\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report7-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14284\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report7-1.jpg 425w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report7-1-300x116.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>E se a sua inf\u00e2ncia foi marcada por momentos dif\u00edceis, tamb\u00e9m a sua entrada na vida adulta e no mercado de trabalho trouxe desafios e dificuldades. \u201cEntrar no mercado de trabalho \u00e9 muito dif\u00edcil. Ningu\u00e9m nos facilita nada nas entrevistas de emprego\u201d, afirma Tiago Magano, real\u00e7ando ainda que chega a falar nas vantagens que as empresas conseguem ao contratarem uma pessoa com defici\u00eancia e, nem assim, recebe uma chamada de volta. \u201cEles dizem que v\u00e3o telefonar e depois acabam por n\u00e3o dizer nada, nem se fomos selecionados ou n\u00e3o\u201d. O pior, segundo o estudante de Gest\u00e3o, \u00e9 mesmo quando o discurso da entidade empregadora muda ao ser referida uma defici\u00eancia. O jovem afirma que, a partir do momento em que refere a sua defici\u00eancia at\u00e9 \u201ca recetividade \u00e0s ideias propostas muda e elas deixam de ser bem aceites\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isabel Calheiros cresceu com as hist\u00f3rias de outras pessoas com defici\u00eancia que n\u00e3o conseguiam arranjar emprego, dado o elevado n\u00famero de entraves que lhes colocavam \u201cquando, porventura, demonstraram interesse em fazer parte da equipa de uma determinada empresa\u201d.&nbsp; Afetada a n\u00edvel motor pela sua defici\u00eancia (paralisia cerebral), a jovem afirma estar radiante com a sua entrada no jogo onde dificilmente se consegue entrar: \u201cEstou em vias de iniciar, formalmente, a minha entrada no mercado de trabalho &#8211; atrav\u00e9s de um est\u00e1gio profissional do IEFP, direcionado a pessoas com defici\u00eancia &#8211; e n\u00e3o podia sentir-me mais concretizada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rec\u00e9m-licenciada e prestes a formalizar a sua entrada no mundo do trabalho, Isabel Calheiros acredita que, apesar de todas as barreiras que lhes colocam \u00e0 frente, as PcD\u2019s \u201ct\u00eam outras viv\u00eancias e a sua diversidade funcional pode trazer riqueza a uma empresa. A sua vis\u00e3o da realidade, ao ser distinta, pode ajudar a organiza\u00e7\u00e3o a adquirir novos pontos de vista e isso \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As estat\u00edsticas e os testemunhos de quem as consegue contrariar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, em 2018, havia mais de 1 milh\u00e3o e 700 mil pessoas com algum tipo de defici\u00eancia. Os dados relativos ao desemprego registado pelo IEFP mostram que, nesse mesmo ano, do total de pessoas inscritas como desempregadas, 3,85% tinham defici\u00eancia. \u201cA compara\u00e7\u00e3o com 2009 revela um aumento da propor\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia desempregadas, que nesse ano constitu\u00edam 1,71% do total de desempregados\/as\u201d, pode ler-se <a href=\"http:\/\/paisemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Relatorio_ODDH-2019-1.pdf\">no relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio da Defici\u00eancia e Direitos Humanos (ODDH)<\/a> do Instituto Superior de Ci\u00eancias Sociais e Pol\u00edticas da Universidade de Lisboa (ISCPS)\u00a0Pessoas com Defici\u00eancia em Portugal &#8211; Indicadores de Direitos Humanos 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A contrariar as <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/12\/13\/sociedade\/noticia\/numero-desempregados-deficiencia-aumentou-41-decada-1897220\">estat\u00edsticas<\/a>, Mariana Machado, de 28 anos, trabalha atualmente em consultoria na \u00e1rea da tecnologia, ao mesmo tempo que faz uma especializa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada em servi\u00e7o social. Nasceu com uma paralisia cerebral esp\u00e1stica, com \u00eanfase nos membros inferiores, algo que dificulta o seu equil\u00edbrio e a elasticidade do seu corpo. A defici\u00eancia foi provocada pelo seu nascimento prematuro e pelo tempo em que o seu c\u00e9rebro ficou sem receber oxig\u00e9nio at\u00e9 que a colocassem numa incubadora.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"510\" height=\"505\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14285\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report2.jpg 510w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report2-300x297.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><figcaption>Mariana Machado, 28 anos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A entrada no mercado de trabalho, para Mariana Machado, aconteceu h\u00e1 quatro anos e a consultora admite, ao contr\u00e1rio de Tiago Magano, n\u00e3o ter encontrado qualquer dificuldade. \u201cSinto-me bem no emprego que tenho e n\u00e3o tive muita dificuldade em ser aceite, uma vez que o facto de ser totalmente aut\u00f3noma tamb\u00e9m me facilitou essa entrada no mundo de trabalho\u201d, afirma Mariana Machado, ainda que reconhe\u00e7a os estigmas que a rodeiam, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s supostas vantagens da pessoa com defici\u00eancia. \u201cEst\u00e1 muito presente a ideia, principalmente dos meus colegas de trabalho, que se eu tenho uma defici\u00eancia ent\u00e3o tamb\u00e9m devo ter uma s\u00e9rie de descontos e regalias\u201d. Esta \u00e9 uma ideia que deixa Mariana entre risos pela ironia da situa\u00e7\u00e3o, uma vez que, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa, a incapacidade tem de ser superior a 60% para que a pessoa com defici\u00eancia tenha acesso aos seus direitos. Ali\u00e1s, os 30% de defici\u00eancia de Mariana Machado, n\u00e3o lhe d\u00e3o direito nem a ter estacionamento priorit\u00e1rio, nem a descontos dirigidos a pessoas com fraca mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Num outro ponto da Europa est\u00e1 Alias Elise, natural da Als\u00e1cia e a trabalhar em Paris na \u00e1rea de design gr\u00e1fico e da fotografia, a jovem conta que a entrada no mercado de trabalho foi f\u00e1cil, mas que h\u00e1 muitas outras barreiras para ultrapassar. \u201cEm Fran\u00e7a, n\u00e3o falamos o suficiente sobre a independ\u00eancia das pessoas com defici\u00eancia, da sua vida social e profissional ou da sua sexualidade, que \u00e9 um grande tabu. As pessoas com defici\u00eancia tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o presentes em programas de televis\u00e3o e h\u00e1 muita pena e validismo ao nosso redor\u201d, afirma a fot\u00f3grafa.<\/p>\n\n\n\n<p>Alias Elise deixa ainda claro que as quest\u00f5es da acessibilidade para as pessoas com mobilidade reduzida est\u00e3o longe de ser ultrapassadas, em Fran\u00e7a. Nem sempre esteve agarrada a uma cadeira de rodas, mas desde ent\u00e3o as dificuldades t\u00eam sido imensas. \u201cA acessibilidade ainda \u00e9 muito complicada. Muitas lojas, mas tamb\u00e9m locais p\u00fablicos s\u00e3o inacess\u00edveis. Ent\u00e3o, n\u00f3s pessoas com mobilidade reduzida sa\u00edmos cada vez menos porque sabemos que vamos acabar por ficar presos em algum lugar. Muitas vezes eu quero fazer uma viagem de comboio, mas nem todas as carruagens est\u00e3o adaptadas para receber uma cadeira de rodas, al\u00e9m de que na minha localidade existem apenas 3 esta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o acess\u00edveis para pessoas com mobilidade reduzida. Al\u00e9m disso o facto de n\u00e3o existirem profissionais nas esta\u00e7\u00f5es de comboio para nos ajudarem a entrar ou sair das carruagens n\u00e3o facilita a nossa mobilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Estrat\u00e9gia Europeia para a Defici\u00eancia e o que ainda est\u00e1 a falhar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o deste ano a Comiss\u00e3o Europeia apresentou uma nova <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/social\/main.jsp?catId=738&amp;langId=en&amp;pubId=8376&amp;furtherPubs=yes\">Estrat\u00e9gia Europeia para a Defici\u00eancia<\/a>, assente em princ\u00edpios como a cidadania, direito \u00e0 vida digna e vida independente, e elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o. No entanto, a opini\u00e3o da eurodeputada Marisa Matias, permanece firme desde 2014: \u201ch\u00e1, ainda, uma l\u00f3gica muito orientada para o institucionalismo e pouco orientada para as pessoas e para os direitos das pessoas\u201d, afirma. Para a eurodeputada do Bloco de Esquerda, o caminho para o sucesso destas estrat\u00e9gias passa por ouvir as pessoas e as organiza\u00e7\u00f5es que representam essas mesmas pessoas. \u201cMuitas vezes o desenho das pol\u00edticas falha ou porque n\u00e3o existe, pura e simplesmente essas preocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1, s\u00e3o inexistentes, ou porque s\u00e3o desenhadas de cima para baixo sem ter em conta aquilo que s\u00e3o os contributos de quem vive essas realidades e que pode ajudar a desenhar. Portanto, do ponto de vista das pol\u00edticas para a defici\u00eancia, eu acho que a maior falha \u00e9 mesmo o envolvimento das popula\u00e7\u00f5es afetadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report3-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14286\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report3.jpg 1304w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Marisa Matias<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Marisa Matias destaca que, segundo os testemunhos que tem recolhido nos centros de vida independente, a integra\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho tem sido dif\u00edcil, pois h\u00e1 uma \u201cgrande resist\u00eancia\u201d em empregar estas pessoas. \u00c9, por isso, importante a aplica\u00e7\u00e3o de \u201cmetas legais e vinculativas pois, infelizmente, n\u00e3o podemos esperar que a sociedade mude por si mesma, porque as l\u00f3gicas de reprodu\u00e7\u00e3o, da discrimina\u00e7\u00e3o e das desigualdades s\u00e3o imensas e, tamb\u00e9m nas empresas, h\u00e1 uma ideia feita de que as quest\u00f5es da produtividade est\u00e3o mais ligadas a um determinado tipo de trabalhadores e trabalhadoras, nas quais n\u00e3o cabem pessoas com defici\u00eancia, sublinha a eurodeputada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um longo caminho at\u00e9 \u00e0 igualdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Num momento em que o mundo inteiro sofre com as consequ\u00eancias de uma pandemia pela qual ningu\u00e9m esperava, Helena Dalli, comiss\u00e1ria europeia para a igualdade, admite que, \u201cembora a pandemia nos tenha afetado a todos, as pessoas com defici\u00eancia foram as mais atingidas\u201d. A pandemia da Covid-19 eliminou milhares de empregos, muitos deles ocupados por pessoas com defici\u00eancia, o que fez aumentar o risco de pobreza extrema por parte das mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa Uni\u00e3o Europeia onde \u201co caminho para a igualdade ainda \u00e9 longo e a pandemia agravou as desigualdades existentes, as pessoas com defici\u00eancia ainda est\u00e3o em desvantagem quando a sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 comparada \u00e0 das pessoas sem defici\u00eancia. Devido a desigualdades estruturais, o acesso aos cuidados de sa\u00fade, \u00e0 aprendizagem ao longo da vida, ao emprego e \u00e0s atividades recreativas continua a ser dif\u00edcil, a participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica \u00e9 limitada\u201d, afirmam Helena Dalli e Nicolas Schmit, comiss\u00e1rio europeu do emprego e dos direitos sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14287\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report4-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report4-768x512.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/report4.jpg 1304w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Nicolas Schmit e Helena Dalli<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o da UE pro\u00edbe a discrimina\u00e7\u00e3o e estabelece que os empregadores devem proporcionar adapta\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis al\u00e9m de a Uni\u00e3o Europeia ter uma das mais extensas legisla\u00e7\u00f5es antidiscrimina\u00e7\u00e3o do mundo. Apesar disso e, segundo os dois comiss\u00e1rios, apenas metade das pessoas com defici\u00eancia est\u00e1 empregada, em compara\u00e7\u00e3o com 75% das pessoas sem defici\u00eancia. Garantem, no entanto, que a Comiss\u00e3o Europeia, em conjunto com as organiza\u00e7\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia, ir\u00e1 desenvolver medidas para melhorar a participa\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por parte dos comiss\u00e1rios, Helena Dalli e Nicolas Schmit, fica ainda a garantia de que a \u201cComiss\u00e3o ir\u00e1 continuar a promover a economia social, que oferece servi\u00e7os e oportunidades de emprego para as pessoas com defici\u00eancia. At\u00e9 ao final deste ano, a Comiss\u00e3o ir\u00e1 adotar um Plano de A\u00e7\u00e3o para a Economia Social, aproveitando o potencial deste setor para criar empregos de qualidade e contribuir para um crescimento justo, sustent\u00e1vel e inclusivo para todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>87 milh\u00f5es de pessoas na Uni\u00e3o Europeia t\u00eam algum tipo de defici\u00eancia. Ainda assim, quest\u00f5es como a igualdade e como o direito \u00e0s mesmas oportunidades no mundo do emprego continuam a ser esquecidas pela sociedade em geral, que n\u00e3o \u00e9 educada para compreender os entraves existentes para a pessoa com defici\u00eancia. Os planos e os investimentos j\u00e1 come\u00e7am a ser vis\u00edveis, <\/strong><strong>mas h\u00e1 ainda um longo caminho a percorrer para que estes sejam suficientes e justos, sobretudo em tempos de pandemia.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num mundo que se afirma cada vez mais inclusivo, pessoas como o Tiago, a Isabel, a Mariana e a Alias<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":14290,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,11],"tags":[1829,30,3739,665],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14272"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14272"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14289,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14272\/revisions\/14289"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}