{"id":13302,"date":"2021-06-30T13:32:36","date_gmt":"2021-06-30T13:32:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=13302"},"modified":"2021-06-30T13:32:37","modified_gmt":"2021-06-30T13:32:37","slug":"harmonia-em-pano-branco-uma-producao-tradicional-que-retrata-a-natureza-em-tibaldinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=13302","title":{"rendered":"Harmonia em pano branco, uma produ\u00e7\u00e3o tradicional que retrata a natureza em Tibaldinho"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Se \u00e9 Primavera e o sol rompe, elas sentam-se no rebate das suas portas e bordam. No granito da escada, que d\u00e1 acesso \u00e0 varanda, juntam-se \u00e0s duas e tr\u00eas e bordam. Pelo Ver\u00e3o, procuram a frescura de um alpendre ou de uma latada e bordam.<br>Na sombra de uma oliveira, enquanto outros comem a merenda, bordam.<br>Pelo Outono, d\u00e3o uma fugida a ajudar nas vindimas, mas logo recome\u00e7am, serenas, e bordam.<br>Se \u00e9 Inverno e o frio aperta, juntam-se \u00e0 lareira e, quer de dia quer de noite ao ser\u00e3o, bordam.<br>Bordam tal como as suas m\u00e3es, e av\u00f3s, e as m\u00e3es de suas av\u00f3s&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Mariana Mendes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sabedoria popular dos mais antigos moradores de uma terra no centro do pa\u00eds Lusitano, reavive mem\u00f3rias de um peda\u00e7o cultural que, at\u00e9 hoje, mant\u00e9m o seu valor simb\u00f3lico. O <a href=\"https:\/\/www.bordadodetibaldinho.pt\/index.php\">Bordado de Tibaldinho<\/a>, reconhecido pela harmonia refletida atrav\u00e9s dos desenhos feitos em pano branco, \u00e9 considerado um bordado \u00fanico, pelo seu valor a n\u00edvel tradicional, mas tamb\u00e9m pela import\u00e2ncia que tem como patrim\u00f3nio cultural e imaterial para o pa\u00eds. Tal como o nome indica, o bordado nasceu em Tibaldinho, no concelho de Mangualde e, ainda hoje, a sabedoria das m\u00e3es, av\u00f3s e tias \u00e9 passada para os rebentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os exemplares mais antigos da produ\u00e7\u00e3o tradicional t\u00eam, aproximadamente, 150 a 200 anos. A popularidade do Bordado de Tibaldinho cresceu no s\u00e9culo passado, quando deixou a sua marca em eventos como a exposi\u00e7\u00e3o comemorativa do I Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro, e no IV Congresso Beir\u00e3o, realizado em Castelo Branco. Anos mais tarde, em 1948, d\u00e1-se o aparecimento de escolas t\u00e9cnicas com cursos de forma\u00e7\u00e3o feminina, onde era incorporado o ensino t\u00e9cnico de bordar, como forma tentar manter a arte viva. Atualmente existem 20 bordadeiras que d\u00e3o continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, 5 s\u00e3o certificadas e as restantes n\u00e3o s\u00e3o certificadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A arte de bordar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fio de linho na m\u00e3o, a passar entre a agulha e a fazer cada ponto cuidadosamente, \u00e9 assim que s\u00e3o passadas as manh\u00e3s e as tardes de Cid\u00e1lia Rodrigues, bordadeira e formadora. \u201cA paix\u00e3o come\u00e7ou aos 6 anos quando eu vi um pano sem nada e abri os buracos para formar os desenhos\u201d, revela a bordadeira. Com a sua \u201csegunda casa\u201d aberta h\u00e1 32 anos, a variedade de pontos e a inspira\u00e7\u00e3o retirada de elementos da natureza caracter\u00edsticos de Tibaldinho despertaram o gosto de Cid\u00e1lia Rodrigues pela arte de bordar. Para a formadora, \u201co que enriquece o bordado mais antigo de Tibaldinho \u00e9 a variedade de pontos\u201d, tornando-o num \u201cdos mais ricos e mais antigos de Portugal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"463\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tibaldinho-1024x463.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13402\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tibaldinho-1024x463.png 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tibaldinho-300x136.png 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tibaldinho-768x347.png 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tibaldinho.png 1292w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cAs pe\u00e7as mais antigas eram todas feitas em linho\u201d, conta Cid\u00e1lia Rodrigues. Mais tarde come\u00e7am a ser fabricados bordados em algod\u00e3o, algo considerado uma \u201cporta aberta\u201d para quem n\u00e3o \u00e9 financeiramente capaz de comprar linho. Apesar da compra e fabrica\u00e7\u00e3o em algod\u00e3o ser mais acess\u00edvel, na opini\u00e3o de Cid\u00e1lia Rodrigues, o bordado \u00e9 \u201cmais rico em linho\u201d. Uma tradi\u00e7\u00e3o que a bordadeira leva consigo at\u00e9 aos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Preservar a tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Partilham-se hist\u00f3rias que contam o nascimento do Bordado de Tibaldinho. Uma delas relata que, a primeira bordadeira contornou com uma agulha e fio de linho o buraco que avistou numa camisa, de modo a evitar a sua inutiliza\u00e7\u00e3o. Depois de ponto, atr\u00e1s de ponto, d\u00e1-se a transforma\u00e7\u00e3o do primeiro ilh\u00f3 no centro de uma flor. Com o passar dos anos, a arte de bordar come\u00e7a a perder a sua ess\u00eancia e, a fim de n\u00e3o deixar a tradi\u00e7\u00e3o morrer, iniciou-se a certifica\u00e7\u00e3o dos bordados. Foi um processo demorado que, segundo Nelson Almeida, presidente da Junta de Freguesia de Alcafache, come\u00e7ou em 2012, \u201ccom o registo da marca Bordado de Tibaldinho\u201d. Um ano depois, o Munic\u00edpio de Mangualde entra em contacto com as entidades autorizadas a certificar. \u201cO processo de certifica\u00e7\u00e3o resultou de v\u00e1rias reuni\u00f5es entre a Junta de Freguesia de Alcafache, a C\u00e2mara Municipal de Mangualde e v\u00e1rias bordadeiras para tentar perceber o que t\u00ednhamos, o que quer\u00edamos fazer e como ir\u00edamos fazer\u201d, descreve Nelson Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em colabora\u00e7\u00e3o com a funcion\u00e1ria da autarquia, Fernanda Mendes, o processo de certifica\u00e7\u00e3o deu mais um passo em frente e, a 27 de dezembro de 2016, foi aprovada a inclus\u00e3o do Bordado de Tibaldinho no Registo Nacional de Artesanais Tradicionais Certificadas. Em 2017, durante a Feira dos Santos, que acontece anualmente no cora\u00e7\u00e3o da cidade de Mangualde, as v\u00e1rias pe\u00e7as j\u00e1 eram devidamente identificadas. Jo\u00e3o Lopes, vereador da cultura na C\u00e2mara Municipal de Mangualde, n\u00e3o deixa de enfatizar que \u201ca certifica\u00e7\u00e3o desta arte \u00e9 o garante da contribui\u00e7\u00e3o para o aparecimento de novas bordadeiras e da preserva\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o que estava a morrer, de forma a que cada pessoa que pretenda iniciar-se nesta arte tenha a certeza de que est\u00e1 a trabalhar num produto que respeita as tradi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Neg\u00f3cio mais lento e pe\u00e7as num monte. A nova realidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a atual pandemia a consumir cada vez mais o nosso dia-adia, afastando-nos daquilo que consider\u00e1vamos \u201cnormal\u201d, Cid\u00e1lia Rodrigues confessa que o neg\u00f3cio de venda dos bordados est\u00e1 mais lento. Apesar de n\u00e3o sentir a falta de trabalho, a bordadeira informa que muitas das pe\u00e7as encomendadas para celebra\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o foram entregues. \u201cAquelas pe\u00e7as com datas marcadas est\u00e3o \u00e0 espera que as venham buscar\u201d, exprime Cid\u00e1lia Rodrigues. \u201cTrabalhei nelas e est\u00e3o num monte\u201d, completa. <\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a visibilidade dos Bordados de Tibaldinho nunca desapareceu. Ainda com as limita\u00e7\u00f5es enfrentadas a n\u00edvel pand\u00e9mico, os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social continuaram a divulgar a cria\u00e7\u00e3o dos bordados. A formadora revela que a arte de bordar atravessou o atl\u00e2ntico quando participou num programa para a Tv Globo, no Brasil, onde teve a oportunidade de expor o seu trabalho. O Bordado de Tibaldinho tamb\u00e9m deixou a sua marca no programa \u201c7 Maravilhas da Cultura Popular\u201d, do canal televisivo RTP 1, em 2020, acabando como finalista do distrito de Viseu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c\u00cdamos para o Porto, \u00edamos para Lisboa, \u00edamos para todo o lado\u201d. A <\/strong><strong>exposi\u00e7\u00e3o de uma arte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A difus\u00e3o e partilha de sabedoria sobre a arte de bordar, \u00e9 um ato que existe desde os tempos em que ainda n\u00e3o se pensava em ter uma televis\u00e3o a cores. Lib\u00e2nia Morais Mendes, bordadeira de 80 anos, recorda que, de m\u00e3o dada com a sua m\u00e3e, viajou pelo pa\u00eds para dar a conhecer a tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o caracter\u00edstica da terra onde nasceu e estabeleceu as suas ra\u00edzes. \u201c\u00cdamos para o Porto, \u00edamos para Lisboa, \u00edamos para todo o lado\u201d, conta a bordadeira. Os tempos long\u00ednquos em que trabalhou nas termas de Alcafache, onde vendia e aproveitava todo o tempo livre para atravessar a agulha pelos panos brancos, s\u00e3o recorda\u00e7\u00f5es que Lib\u00e2nia Morais Mendes guarda e leva consigo at\u00e9 ao dia do seu \u00faltimo suspiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que o bordado seja reconhecido pelos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, os verdadeiros pilares s\u00e3o as bordadeiras que, apesar de carregarem nas suas m\u00e3os uma heran\u00e7a intemporal, come\u00e7am a desaparecer gradualmente. Com o passar dos dias, anos e esta\u00e7\u00f5es, a bordadeira sente o desinteresse por parte das pessoas. \u201cH\u00e1 pessoas que hoje preferem outra coisa\u201d, exp\u00f5e. \u00c9 uma arte e uma sabedoria passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, mas a bordadeira partilhou que a indiferen\u00e7a dos mais novos tem vindo a crescer. \u201cA malta nova n\u00e3o tem paci\u00eancia, \u00e9 uma pena\u201d, desabafa Lib\u00e2nia Morais Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o deixar a tradi\u00e7\u00e3o morrer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de n\u00e3o perder o peda\u00e7o de cultura que constitui a imagem de marca para Tibaldinho, foram criadas v\u00e1rias iniciativas em acordo com a C\u00e2mara Municipal de Mangualde e a Junta de Freguesia de Alcafache. \u201cPara al\u00e9m do processo de certifica\u00e7\u00e3o, t\u00eam sido ministrados diversos cursos de forma\u00e7\u00e3o que ajudam a preparar novas bordadeiras e temos procedido a algumas campanhas de divulga\u00e7\u00e3o\u201d, partilha Jo\u00e3o Lopes. Em concord\u00e2ncia, Nelson Almeida exprime que \u201ctem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o da Junta de Freguesia e da C\u00e2mara Municipal garantir forma\u00e7\u00f5es anuais para que novas pessoas possam aprender a bordar, o que fomenta que novas bordadeiras possam bordar e comercializar o produto\u201d. Atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de selos comprovativos do produto certificado, distribu\u00eddos de igual forma por todas as bordadeiras certificadas, a produ\u00e7\u00e3o de <em>merchandising <\/em>proporciona uma maior autenticidade na cria\u00e7\u00e3o de novas pe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Lopes n\u00e3o deixa de real\u00e7ar o valor simb\u00f3lico que o Bordado de Tibaldinho disp\u00f5e. \u201cDevem representar um motivo de orgulho de uma arte que \u00e9 \u00fanica, que n\u00e3o existe em nenhum outro territ\u00f3rio do pa\u00eds, \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que deve ser preservada e encarada como um poss\u00edvel meio de subsist\u00eancia que a certifica\u00e7\u00e3o lhe veio conferir\u201d, refor\u00e7a. A certifica\u00e7\u00e3o ofereceu ao Bordado de Tibaldinho um sentido de identidade, anteriormente n\u00e3o identificado, servindo de homenagem \u00e0s bordadeiras, os alicerces que, durante anos, perpetuaram a produ\u00e7\u00e3o de um marco caracter\u00edstico da sua terra natal.<\/p>\n\n\n\n<p>De um simples peda\u00e7o de pano nasce uma tradi\u00e7\u00e3o com mais de 200 anos de hist\u00f3ria. A cria\u00e7\u00e3o de in\u00fameras pe\u00e7as trabalhosas pode chegar a cerca de 16 horas, e o valor monet\u00e1rio varia entre os 15 e os 7500 euros. Cada ponto, linha e buraco carregam neles elementos caracter\u00edsticos e emblem\u00e1ticos da localidade de Tibaldinho, o seu ber\u00e7o. Quem os compra leva consigo um peda\u00e7o de cultura que \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se \u00e9 Primavera e o sol rompe, elas sentam-se no rebate das suas portas e bordam. 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