{"id":13281,"date":"2021-07-02T13:03:07","date_gmt":"2021-07-02T13:03:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=13281"},"modified":"2021-07-02T13:05:27","modified_gmt":"2021-07-02T13:05:27","slug":"o-termo-mulher-brasileira-e-tao-forte-que-muitos-esqueceram-que-nos-temos-personalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=13281","title":{"rendered":"&#8220;O termo &#8216;mulher brasileira&#8217; \u00e9 t\u00e3o forte, que muitos esqueceram que n\u00f3s temos personalidade&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Brasileiras falam sobre as suas experi\u00eancias como imigrantes, estere\u00f3tipos, e tamb\u00e9m sobre o desafio de ser uma &#8216;mulher brasileira&#8217; no dia a dia, a mostrar que apesar da evolu\u00e7\u00e3o, ainda existe muita luta pela frente para acabar com a vis\u00e3o da mulher do Brasil. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Fernanda Sant&#8217;Ana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade Brasileira em Portugal \u00e9 uma das maiores comunidades de imigrantes (sen\u00e3o a maior) e \u00e9 composta por mulheres em sua maioria. Quando se fala em mulher brasileira, a sua imagem, n\u00e3o apenas em Portugal, mas no mundo, \u00e9 de mulheres hiper sexualizadas, sensuais e simp\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Gilberto Freyre, cientista social brasileiro, a propaga\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o da mulher brasileira vem de h\u00e1 muito tempo, desde o per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o, a passar pela literatura portuguesa e tamb\u00e9m pela segunda fase da ditadura salazarista, onde a constru\u00e7\u00e3o estereotipada das brasileiras torna-se forte ao ponto dos seus corpos serem tratados como algo &#8220;dispon\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros estudos feitos mostram que a constru\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica da mulher brasileira tem conex\u00e3o tamb\u00e9m com a &#8220;tropicalidade&#8221; e os resqu\u00edcios coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas enfrentados pelas mulheres brasileiras imigrantes variam desde ass\u00e9dio em seu local de trabalho e tamb\u00e9m em locais p\u00fablicos, at\u00e9 ao momento em que a sua capacidade de exercer a sua fun\u00e7\u00e3o em seu local de trabalho \u00e9 constantemente questionada. <em>&#8220;Eu trabalhava num escrit\u00f3rio e um dia tive uma d\u00favida em determinada papelada, e perguntei a minha colega como preencher. Ela ensinou-me e depois disse &#8216;estes brasileiros s\u00e3o mesmo muito burros&#8217;; eu apenas agradeci e continuei a fazer o meu trabalho<\/em>&#8220;, relata Ana Albuquerque, 39 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como v\u00e1rios outro imigrantes, as mulheres brasileiras tamb\u00e9m v\u00eam para Portugal em busca de uma melhor qualidade de vida, por\u00e9m, apesar dos seus esfor\u00e7os, coment\u00e1rios como &#8220;vieram c\u00e1 para roubar os nossos maridos&#8221; s\u00e3o frequentes em seu dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Monica Ribeiro, 35 anos, natural do Recife, vive atualmente em Lisboa e compartilha um pouco da sua viv\u00eancia sobre o que \u00e9 ser uma mulher brasileira em Portugal: &#8220;<em>O termo &#8216;mulher brasileira&#8217; \u00e9 t\u00e3o forte, que muitos esqueceram que n\u00f3s temos personalidade, capacidades, temos uma vida, somos pessoas. Muitas olham para n\u00f3s e dizem &#8216;ah, a brasileira&#8217;, como se n\u00e3o houvesse mais nada al\u00e9m de ser &#8216;a brasileira&#8217;<\/em> &#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Casos de ass\u00e9dio s\u00e3o motivo de p\u00e2nico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas que as mulheres brasileiras encaram v\u00e3o al\u00e9m da sexualiza\u00e7\u00e3o. Durante a jornada de procura de emprego, muitas mulheres do Brasil trabalham em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, mesmo com a situa\u00e7\u00e3o regularizada no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de ass\u00e9dio no ambiente de trabalho s\u00e3o motivo de p\u00e2nico para muitas destas mulheres, que sofrem, quase diariamente, dos seus empregadores e tamb\u00e9m de seus colegas de profiss\u00e3o. &#8220;<em>Trabalho em restaura\u00e7\u00e3o, e estava a ter mais um dia no trabalho, at\u00e9 que, ao fim do meu expediente, o meu chefe d\u00e1 um tapa em minha bunda. Fiquei muito constrangida e n\u00e3o soube como reagir no momento, ele percebeu como eu estava e disse &#8216;ora, \u00e9s brasileira, pensava que ias gostar&#8217;, sa\u00ed imediatamente do restaurante e pedi demiss\u00e3o no outro dia<\/em>&#8220;, relata a estudante Andrea Ferreira, de 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte das brasileiras que sofrem ass\u00e9dio em ambiente de trabalho t\u00eam medo de fazer den\u00fancias, por receio de repres\u00e1lias, especialmente das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estere\u00f3tipos e xenofobia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 18 anos, foi feito por mulheres portuguesas um movimento intitulado &#8220;M\u00e3es de Bragan\u00e7a&#8221;, que surgiu como uma maneira de protesto \u00e0 chegada de mulheres brasileiras que se prostituiam, por\u00e9m, o movimento vai muito mais al\u00e9m no que se trata a refor\u00e7ar estere\u00f3tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo publicado por Ester Amaral de Paula Minga, a doutorada em ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o retrata a estereotipiza\u00e7\u00e3o da mulher brasileira no jornalismo portugu\u00eas. O estudo mostra que o movimento &#8220;M\u00e3es de Bragan\u00e7a&#8221; n\u00e3o se tornou apenas um \u00edcone de representa\u00e7\u00f5es de xenofobia, mas a forma que as not\u00edcias foram conduzidas refor\u00e7aram ainda mais essa vis\u00e3o deturpada n\u00e3o s\u00f3 sobre as mulheres, mas tamb\u00e9m sobre o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Michelly Almeida, 42 anos, reside no Porto e, ao lembrar do epis\u00f3dio das M\u00e3es de Bragan\u00e7a, comenta que a vis\u00e3o sobre as mulheres brasileiras tem &#8220;<em>preconceitos baseados em um passado distante, e tamb\u00e9m machista<\/em>&#8220;.  &#8220;<em>N\u00f3s, mulheres brasileiras, n\u00e3o viemos roubar homens de ningu\u00e9m, pois temos a nossa pr\u00f3pria autonomia e n\u00e3o precisamos disto<\/em>&#8220;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres imigrantes brasileiras s\u00e3o v\u00edtimas de diferentes tipos de estere\u00f3tipos e essa vis\u00e3o sobre as mesmas tem uma forte carga hist\u00f3rica, o que torna mais dif\u00edcil o processo de livrar-se desta vis\u00e3o, visto que no Brasil, a imagem da mulher do Brasil ainda \u00e9 perpetuada de maneira sensual.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, apesar dos problemas enfrentados, a nova gera\u00e7\u00e3o contribuiu para a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento e, apesar de todos os problemas, a popula\u00e7\u00e3o portuguesa tem-se mostrado cada vez mais aberta a mudan\u00e7as. A estudante Aline Vieira, de 23 anos diz que nunca teve &#8220;maiores problemas&#8221; por ser mulher e brasileira em sua cidade, afirma tamb\u00e9m que nunca foi &#8220;desrespeitada, e sim respeitada&#8221; pelos portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Brasileiras n\u00e3o se calam&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"390\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/109665904_100790175052382_4703511014194603718_n-1024x390.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13429\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/109665904_100790175052382_4703511014194603718_n-1024x390.png 1024w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/109665904_100790175052382_4703511014194603718_n-300x114.png 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/109665904_100790175052382_4703511014194603718_n-768x292.png 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/109665904_100790175052382_4703511014194603718_n-1536x584.png 1536w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/109665904_100790175052382_4703511014194603718_n-2048x779.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A comunidade das mulheres brasileiras em Portugal est\u00e1 cada vez mais unida. Com o intuito de ajudar umas \u00e0s outras e tamb\u00e9m de partilhar relatos e acontecimentos, a p\u00e1gina &#8220;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/brasileirasnaosecalam\">Brasileiras n\u00e3o se calam&#8221;<\/a> foi criada nas redes sociais. Os relatos s\u00e3o enviados pelas v\u00edtimas e publicados de forma an\u00f3nima. A conta no Instagram possui mais de 35 mil seguidores, e se tornou uma das maiores ferramentas de den\u00fancia e apoio \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das p\u00e1ginas no instagram e no facebook, o projeto conta com um website, onde est\u00e3o todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para as v\u00edtimas pedirem ajuda e suporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do apoio de suporte das brasileiras entre si, mulheres portuguesas t\u00eam prestado apoio as brasileiras v\u00edtimas de xenofobia. A estudante Cristiana Gomes, 21 anos, diz: &#8220;n\u00f3s os portugueses, temos de lutar contra o preconceito e a xenofobia. Manter-se na ignor\u00e2ncia impede que n\u00f3s avancemos como pa\u00eds e como sociedade. As mulheres lutam lado \u00e0 lado, n\u00e3o importa o pa\u00eds de onde vem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00f5es como a APAV (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de apoio \u00e0 V\u00edtima), APMJ (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Mulheres Juristas pelos Direitos Humanos das Mulheres), e Associa\u00e7\u00e3o Mulher Migrante, d\u00e3o assist\u00eancia a mulheres de todas as nacionalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aceder a lista de associa\u00e7\u00f5es completa, basta carregar no link <a href=\"feminista.pt\/organizacoes\">feminista.pt\/organizacoes<\/a> . Para aceder o site do Brasileiras N\u00e3o se Calam, poder\u00e1 entrar na p\u00e1gina do instagram de mesmo nome, ou atrav\u00e9s do link <a href=\"https:\/\/brasileirasnaosecalam.com\/\">https:\/\/brasileirasnaosecalam.com\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Imagem de <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/belkacemyabadene-6023381\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4486806\">yabadene belkacem<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4486806\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasileiras falam sobre as suas experi\u00eancias como imigrantes, estere\u00f3tipos, e tamb\u00e9m sobre o desafio de ser uma &#8216;mulher brasileira&#8217; no<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":13428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,11],"tags":[2544,299,578,920],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13281"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13281"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13431,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13281\/revisions\/13431"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}