{"id":11642,"date":"2021-02-08T14:24:30","date_gmt":"2021-02-08T14:24:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=11642"},"modified":"2021-02-08T14:24:31","modified_gmt":"2021-02-08T14:24:31","slug":"quem-diz-que-nao-gosta-de-futebol-feminino-e-porque-ainda-nao-viu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=11642","title":{"rendered":"&#8220;Quem diz que n\u00e3o gosta de futebol feminino \u00e9 porque ainda n\u00e3o viu&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Num desporto onde o principal princ\u00edpio \u00e9 a uni\u00e3o, a desigualdade entre os g\u00e9neros que praticam o futebol \u00e9 um assunto que continua a existir. A pr\u00e1tica das mulheres na modalidade \u00e9 um tema presente na sociedade de hoje devido \u00e0s variadas diferen\u00e7as que ainda s\u00e3o verificadas atualmente dentro e fora de campo. No entanto, as atletas que praticam a modalidade mant\u00eam a esperan\u00e7a na valoriza\u00e7\u00e3o e no reconhecimento do desporto que gostam de praticar. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Patr\u00edcia Rodrigues <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O futebol \u00e9 uma modalidade desportiva muito presente, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, devido \u00e0 sua longa hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, como em todo o mundo. Est\u00e1dios cheios de adeptos a aplaudir os jogadores preferidos, e na impossibilidade de ser em est\u00e1dios, ser\u00e1 nos caf\u00e9s e nas casas onde as fam\u00edlias e amigos se re\u00fanem para verem o futebol. Mas quando se \u00e9 referido futebol, muitas mentes voam para o futebol masculino. Com esta afirma\u00e7\u00e3o entra a pergunta, qual \u00e9 a relev\u00e2ncia do futebol feminino na sociedade atualmente? <\/p>\n\n\n\n<p>Teresa Torres, de 19 anos, jogadora no Clube Desportivo Feirense, est\u00e1 pratica futebol feminino e, por acompanhar o percurso do mesmo, comenta sobre as desigualdades no reconhecimento e na transmiss\u00e3o do futebol que continuam a existir. \u201cVejo que o futebol masculino tem muita mais visibilidade do que o futebol feminino, apesar de, ano ap\u00f3s ano, a margem de visibilidade do futebol feminino aumentar. Queria tamb\u00e9m vincar este ponto: a n\u00edvel de transmiss\u00e3o de jogos, agora v\u00ea-se muitos mais jogos de futebol feminino na televis\u00e3o, mas nem se compara ao futebol masculino, pois qualquer canal faz transmiss\u00e3o desses&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as salariais est\u00e3o ainda muito presentes no futebol atualmente e esta \u00e9 outra ideia que Teresa Torres salienta. \u201cO n\u00edvel de sal\u00e1rio \u00e9 das principais diferen\u00e7as entre os g\u00e9neros no futebol. Um jogador recebe muito mais do que uma jogadora e, ao fim ao cabo, ambos fazem a mesma coisa com o mesmo objetivo, por isso acho que todos deviam de ter o mesmo direito, apesar da desigualdade que ainda existe. Nem tudo depende das jogadoras, mas sim de quem est\u00e1 acima de n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O foco positivo da pr\u00e1tica das mulheres na modalidade <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, s\u00e3o muitos os que olham para a pr\u00e1tica das mulheres nesta modalidade e tentam focar os aspetos positivos, relativamente ao crescimento do futebol feminino e \u00e0 sua vis\u00e3o na sociedade. <\/p>\n\n\n\n<p>Filipe P\u00e1dua, de 41 anos, \u00e9 treinador da equipa s\u00e9nior feminina do Clube Desportivo Feirense e enuncia algumas raz\u00f5es para ainda existir desvaloriza\u00e7\u00e3o do futebol feminino na sociedade, mas apresenta uma convic\u00e7\u00e3o de como cada vez mais isso est\u00e1 a mudar. \u201cO futebol \u00e9 atualmente um neg\u00f3cio gigante e o futebol feminino ainda \u00e9 um desporto. Dificilmente o futebol feminino ter\u00e1 o estatuto do masculino enquanto n\u00e3o movimentar os milh\u00f5es que movimentam os homens. Embora, de h\u00e1 uns tempos para c\u00e1, existam atletas femininas que s\u00e3o profissionais e que joguem no estrangeiro. Isso j\u00e1 \u00e9 muito bom, mas \u00e9 uma gota no oceano que \u00e9 o futebol masculino&#8221;, considera o t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" width=\"456\" height=\"244\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fut-femin.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11644\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fut-femin.jpg 456w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fut-femin-300x161.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><figcaption>Equipa s\u00e9nior feminina do Feirense<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p>O treinador ainda acrescenta sobre as poss\u00edveis raz\u00f5es pelas quais as pessoas n\u00e3o se interessam pelo tema. \u201cCostumo dizer que quem diz que n\u00e3o gosta de futebol feminino \u00e9 porque ainda n\u00e3o viu. Ainda h\u00e1 muita gente que n\u00e3o deu esse passo. E enquanto houver essa percentagem de gente que n\u00e3o viu, dificilmente poderemos equiparar ambos os g\u00e9neros. Acima de tudo, quem est\u00e1 nesta modalidade deve respeitar o futebol feminino e todos juntos o faremos crescer, mais e mais&#8221;, afirma Filipe P\u00e1dua.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9bora Costa, com 18 anos, joga na equipa do Atl\u00e9tico Clube de Cucuj\u00e3es e pratica a modalidade desde cedo. Comentando as principais diferen\u00e7as de vis\u00e3o entre os g\u00e9neros, admite que h\u00e1 esperan\u00e7a na valoriza\u00e7\u00e3o do futebol feminino. \u201cNota-se a diferen\u00e7a na import\u00e2ncia que d\u00e3o, a n\u00edvel de ser falado, de ser visto e de ser transmitido. Nota-se que o futebol feminino \u00e9 muito mais lento que o masculino, mas que \u00e9 uma coisa que est\u00e1 a ser melhorada com o tempo e que, um dia, penso que poder\u00e1\u0301 estar mais equivalente ao do masculino nesse aspeto. Pois, com mais tempo, e com mais investimento no futebol feminino, este ainda pode dar muito mais. \u00c9 um futebol bonito de se ver.\u201d <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" width=\"425\" height=\"240\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fut-femin1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11645\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fut-femin1.jpg 425w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fut-femin1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><figcaption>D\u00e9bora Costa (\u00e0 esquerda) com as cores do Cucuj\u00e3es<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC, em 2015, o secret\u00e1rio-geral da FIFA (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol), Joseph Blatter, comentou sobre como o futebol ainda \u00e9 \u201cdemasiado masculino\u201d, e como \u00e9 preciso que as mulheres comecem a ter mais cargos de influ\u00eancia na modalidade. Blatter enalteceu o seu descontentamento por ainda existir falta de ligas em diversos pa\u00edses e justifica isto como uma raz\u00e3o para o lento desenvolvimento na modalidade. \u201c\u00c9 dif\u00edcil conseguir novos parceiros para o futebol feminino, porque o foco est\u00e1 sempre no masculino&#8221;, sublinhou o respons\u00e1vel ao canal brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crescimento na modalidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da diferen\u00e7a entre ambos os g\u00e9neros, as mulheres continuam a aderir \u00e0 modalidade e a querer jogar cada vez mais. O aumento dos n\u00fameros comprova-se n\u00e3o s\u00f3 pela ades\u00e3o \u00e0s equipas, como tamb\u00e9m, por exemplo, pela arbitragem. De acordo com um artigo de opini\u00e3o da Tribuna Expresso, escrito por Ana Bispo Ramires, em 2017 houve um crescimento de 6% no n\u00famero de inscri\u00e7\u00f5es das mulheres em equipas de futebol, uma diferen\u00e7a de mais 1,67milh\u00f5es de atletas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca de 2015\/2016. Sobre a ades\u00e3o na arbitragem, no mesmo per\u00edodo, houve um aumento de 17% e, para treinadoras, um crescimento de 36% de credenciais. <\/p>\n\n\n\n<p>Bernardo Nogueira, de 16 anos, jogador do Seia Futebol Clube, \u00e9 um exemplo de um dos muitos atletas masculinos na modalidade que reconhecem as desigualdades. Ainda assim, o jovem acredita na evolu\u00e7\u00e3o das mulheres no futebol e reconhece a sua qualidade. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO futebol masculino, ao longo dos anos, tem tido sempre superioridade em rela\u00e7\u00e3o ao feminino por v\u00e1rios fatores como, ter tido o seu in\u00edcio mais cedo, as capacidades f\u00edsicas dos homens serem superiores \u00e0s das mulheres, na maioria dos casos, e tamb\u00e9m pelo facto de a percentagem de homens que assistem e praticam futebol ser significativamente superior \u00e0 das mulheres. No entanto as jogadoras t\u00eam lutado cada vez mais contra a desigualdade entre g\u00e9neros, o que leva a que as pessoas mudem a sua mentalidade em rela\u00e7\u00e3o ao futebol feminino. Posto isto, eu acredito que o futebol feminino pode vir a ser mais valorizado no futuro e que, com toda esta evolu\u00e7\u00e3o, a desigualdade entre o feminino e o masculino vai acabar por ser nula, ou quase nula.\u201d <\/p><cite>Bernardo Nogueira, jogador do Seia Futebol Clube<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O suspiro de esperan\u00e7a dos que acreditam na mudan\u00e7a <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A esperan\u00e7a no futuro do futebol feminino \u00e9 not\u00f3ria por parte de quem o pratica. O desejo da sua valoriza\u00e7\u00e3o e do seu reconhecimento s\u00e3o os maiores pedidos das jogadoras. Beatriz Ferreira, de 20 anos, joga no escal\u00e3o s\u00e9nior do Clube Desportivo Feirense e \u00e9 um dos exemplos desta esperan\u00e7a. \u201cO futebol feminino \u00e9 muito desvalorizado a n\u00edvel mundial, mas sinto que aos poucos isso est\u00e1 a mudar. No caso de Portugal, de uma forma mais lenta, mas j\u00e1 se consegue ver progressos, at\u00e9 agora com as equipas profissionais nos campeonatos. Isto vem dar um ritmo muito diferente ao futebol feminino.\u201d A atleta acrescenta: \u201cvou sempre trabalhar para continuar a jogar futebol. Vou dar o meu melhor, e, se calhar, talvez v\u00e1 jogar para uma equipa fora de Portugal, onde eu sinta que seja mais valorizada e reconhecida.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>A jogadora da equipa do AC Cucuj\u00e3es, D\u00e9bora Costa, manifesta esse mesmo desejo. \u201cPenso que no futuro vamos ter muita qualidade presente no futebol feminino e gostava que fosse poss\u00edvel que uma mulher pudesse apenas jogar futebol. Penso que isso acontecer\u00e1 em breve.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>O treinador do CD Feirense tamb\u00e9m fala sobre a notabilidade do futebol feminino e como a sua evolu\u00e7\u00e3o tem vindo a acontecer, n\u00e3o s\u00f3 por causa do n\u00famero de atletas e equipas, mas em termos da qualidade das mesmas, da maneira de como trabalham e como uma equipa feminina \u00e9 atualmente preparada. \u201cO futebol feminino tem vindo, por si pr\u00f3prio, a ganhar um estatuto e o seu espa\u00e7o, a muito custo, e a pulso, mas tem vindo a ganhar notoriedade e pode-se dizer, ganhar tamb\u00e9m respeito. Atualmente \u00e9 visto, acompanhado, comentado, noticiado e tem tido espa\u00e7os em diretos na televis\u00e3o. Esta situa\u00e7\u00e3o era impens\u00e1vel h\u00e1 uns anos. Agora, ainda existe muita coisa a fazer. O melhor de tudo \u00e9 que os alicerces est\u00e3o bem firmes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Portugal, as coisas encaminham-se para a evolu\u00e7\u00e3o das mulheres na pr\u00e1tica do futebol, com a exist\u00eancia do Campeonato Nacional de Futebol Feminino, uma liga de futebol no pa\u00eds que foi fundada em 1993, onde hoje jogam 12 equipas profissionais.  <\/p>\n\n\n\n<p>Imagem de <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/planet_fox-4691618\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3682353\">planet_fox<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3682353\">Pixabay<\/a><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num desporto onde o principal princ\u00edpio \u00e9 a uni\u00e3o, a desigualdade entre os g\u00e9neros que praticam o futebol \u00e9 um<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,13],"tags":[3371,3370,2207],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11642"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11642"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11642\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11647,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11642\/revisions\/11647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}