{"id":11566,"date":"2021-02-05T14:21:48","date_gmt":"2021-02-05T14:21:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=11566"},"modified":"2021-02-05T14:21:49","modified_gmt":"2021-02-05T14:21:49","slug":"covid-19-como-sobrevivem-os-comerciantes-a-um-segundo-confinamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=11566","title":{"rendered":"Covid-19: Como sobrevivem os comerciantes a um segundo confinamento?"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>A chegada do Novo Coronav\u00edrus a Portugal ocorreu a 2 de mar\u00e7o de 2020, altura em que foi confirmado o primeiro doente infetado com a doen\u00e7a Covid-19. Tamb\u00e9m em mar\u00e7o, os portugueses viveram uma das alturas mais complicadas das suas vidas, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel psicol\u00f3gico como financeiro, face ao confinamento que os obrigou a fechar os seus neg\u00f3cios. O mesmo voltou a acontecer em janeiro de 2021. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem de Catarina Relva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre a tristeza, o desespero, os &#8220;positivos&#8221; e os &#8220;isolados&#8221;, Portugal voltou a entrar em confinamento em janeiro deste ano. Segundo a Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade, Portugal atingiu o maior n\u00famero de pessoas infetadas com covid-19 em janeiro de 2021 com 14647 casos. Cerca de 73,7% da popula\u00e7\u00e3o afetada est\u00e1 recuperada, mas ainda assim h\u00e1 mais de 10 mil \u00f3bitos. A crise de sa\u00fade espoletou uma crise econ\u00f3mica, devido \u00e0 pandemia que afetou todos os setores. <\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o muitos os que desde o in\u00edcio do primeiro confinamento, em mar\u00e7o de 2020, n\u00e3o voltaram a abrir as portas dos seus neg\u00f3cios, como \u00e9 o caso de Jo\u00e3o Louren\u00e7o, empres\u00e1rio na \u00e1rea da organiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de eventos. H\u00e1 10 meses que a incerteza e a inseguran\u00e7a dominam o seu dia a dia. Jo\u00e3o Louren\u00e7o afirma que o governo n\u00e3o ajudou o tipo de com\u00e9rcio onde trabalhava. \u201cAs ajudas dadas foram poucas. Fomos os primeiros a fechar e provavelmente vamos ser os \u00faltimos que a abrir\u201d, lamenta, salientando \u201cprimeiramente uma preocupa\u00e7\u00e3o na parte financeira: pagar rendas, os ordenados aos funcion\u00e1rios e contas. Depois tamb\u00e9m a sanidade mental\u201d, acrescenta o empres\u00e1rio. <\/p>\n\n\n\n<p>O setor da restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos que mais sofre e protesta, visto que apenas podem estar abertos com servi\u00e7o takeaway, o que para muitos restaurantes n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel. Ricardo Pinto, propriet\u00e1rio h\u00e1 27 anos do Caf\u00e9 Snack-Bar \u2013 \u2018O Emigrante\u2019, no concelho de Castro Daire, viu-se obrigado a fechar portas e n\u00e3o v\u00ea o takeaway como uma possibilidade. \u201cDurante a pandemia n\u00e3o tem entrado dinheiro em casa, porque como o meu estabelecimento apenas servia refei\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, n\u00e3o se justifica o takeaway\u201d, afirma Ricardo Pinto. O \u2018Emigrante\u2019 era alvo de uma grande procura por parte dos clientes, sobretudo dos mais velhos. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA economia neste momento est\u00e1 p\u00e9ssima, n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s, mas tamb\u00e9m para os nossos clientes. O poder de compra est\u00e1 muito pouco favor\u00e1vel. Tenho clientes que v\u00eam tomar o seu caf\u00e9 e perguntam se podem pagar no dia seguinte. \u00c9 aterrorizante ver pessoas que anteriormente n\u00e3o tinham qualquer tipo de dificuldades a esse n\u00edvel, estarem a estabelecer prioridades naquilo que compram e estamos a falar de 0.60\u20ac\u201d.<\/p><cite>Ricardo Pinto, propriet\u00e1rio do Caf\u00e9 Snack-Bar O Emigrante<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O propriet\u00e1rio do espa\u00e7o de restaura\u00e7\u00e3o reclama ajudas do governo, sobretudo para estes neg\u00f3cios que n\u00e3o t\u00eam margem de manobra para fazer mais dinheiro. \u201cN\u00e3o posso simplesmente aumentar um caf\u00e9 para 1\u20ac\u201d, sublinha Ricardo Pinto. <\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Oliveira, gerente de um estabelecimento fotogr\u00e1fico em Castro Daire, coloca os momentos mais especiais da vida das pessoas em fotografia e v\u00eddeo. Os casamentos e batizados tiveram de ser adiados e s\u00e3o poucos os que se mantiveram. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" width=\"374\" height=\"292\" src=\"https:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/conf-CD.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11710\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/conf-CD.jpg 374w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/conf-CD-300x234.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><figcaption>Manuel Oliveira Fotografia, em Castro Daire<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As sess\u00f5es fotogr\u00e1ficas foram inferiores a outros anos, mas, ainda assim, o fot\u00f3grafo n\u00e3o baixou os bra\u00e7os. \u201cA nossa empresa basicamente \u00e9 prestadora de servi\u00e7os, como houve poucos eventos, n\u00e3o h\u00e1 como dar a volta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, mas fui vendendo alguns produtos online e entregas por CTT ou transportadoras\u201d, refere. Todavia, nem tudo \u00e9 mau para Manuel Oliveira, que considera que o poder de compra n\u00e3o reduziu. \u201cO poder de compra se n\u00e3o estiver melhor, estar\u00e1 igual ao que estava antes da pandemia\u201d. O fot\u00f3grafo considera, ainda assim, que as ajudas do Governo n\u00e3o deviam ir apenas para as grandes empresas, mas para todas. \u201cTem de haver dinheiro para as pequenas e m\u00e9dias empresas. A forma de ajudar \u00e9 n\u00e3o atrasarem os apoios que j\u00e1 deram. H\u00e1 ainda muito dinheiro para receber por parte das empresas\u201d defende. <\/p>\n\n\n\n<p>Os gabinetes de est\u00e9tica s\u00e3o locais de uma grande procura durante todo o ano, mas tamb\u00e9m estes locais foram afetados com a pandemia. Ana Paula Ribeiro tem 29 anos e \u00e9 maquilhadora e esteticista. Abriu o seu neg\u00f3cio em dezembro de 2018 e com a pandemia foi obrigada a fazer altera\u00e7\u00f5es nos seus servi\u00e7os, para garantir a sua seguran\u00e7a e das clientes. Ana Paula Ribeiro teve um n\u00famero reduzido de clientes no seu sal\u00e3o, pois a t\u00e9cnica que utilizou foi \u201calargar o tempo entre uma cliente e outra\u201d, lamenta. Ao falar do seu neg\u00f3cio admite que \u201cest\u00e1 fraco, as pessoas t\u00eam receio relativamente a pandemia\u201d. A empres\u00e1ria salienta ainda que o neg\u00f3cio pelo qual lutou com esfor\u00e7o talvez n\u00e3o continue de portas abertas se os confinamentos continuarem. \u201cSinceramente, se tiver de ficar mais do que um m\u00eas em casa e a pagar tudo, penso que o neg\u00f3cio n\u00e3o sobreviver\u00e1\u201d, refere a maquilhadora, sublinhado que o governo podia ajudar o com\u00e9rcio local \u201cdando algum dinheiro para combater as despesas ou baixando os impostos\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Anabela Louren\u00e7o tem 41 anos e trabalha h\u00e1 tr\u00eas na Pastelaria \u2018Central\u2019, em Penalva do Castelo. M\u00e3e solteira e com dois filhos estudantes, sem poder recorrer ao teletrabalho, admite o receio de ficar sem emprego. \u201cEu trabalho numa pastelaria e quando se fecha uma pastelaria \u00e9 imposs\u00edvel estar em teletrabalho. Estivemos completamente fechados e, muito honestamente, se j\u00e1 n\u00e3o vend\u00edamos muito, agora ainda vendemos muito menos. As receitas continuam a cair. Muito provavelmente vou ficar sem trabalho\u201d desabafa. O primeiro confinamento trouxe bastantes dificuldades econ\u00f3micas para a funcion\u00e1ria da pastelaria \u2018Central\u2019, embora nunca deixando que faltasse comida na mesa, confessa que atravessou um per\u00edodo dif\u00edcil a n\u00edvel econ\u00f3mico. \u201cN\u00e3o deixei que os meus dois filhos passassem fome, mas foi muito dif\u00edcil. S\u00f3 tenho o meu ordenado para nos sustentarmos e de repente, a covid-19 entra nas nossas vidas e cria um bloqueio. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fic\u00e1mos todos bloqueados, inclusive as nossas contas banc\u00e1rias\u201d, frisa Anabela Louren\u00e7o, real\u00e7ando o medo que este segundo confinamento lhe causa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEst\u00e1 muito dif\u00edcil e n\u00e3o sei como vai ser a minha vida de hoje para amanh\u00e3. A pastelaria esteve quase 3 meses fechada, sem render, mas as contas chegavam na mesma e as despesas tinham de ser pagas. Quando abrimos a diferen\u00e7a foi not\u00f3ria, ningu\u00e9m apareceu. Havia medo e n\u00e3o havia dinheiro, nem para os clientes nem para n\u00f3s\u201d. <\/p><cite>Anabela Louren\u00e7o, funcion\u00e1ria da Pastelaria Central<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoios e resili\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Fernandes, chefe da Divis\u00e3o das Finan\u00e7as e Contabilidade da C\u00e2mara Municipal de Lamego, acredita que os lamecenses v\u00e3o ultrapassar o confinamento mantendo os seus neg\u00f3cios ativos. \u201cConstatou-se no com\u00e9rcio local, aquando do primeiro confinamento, uma grande resili\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es introduzidas, o que augura um bom sinal para a sua sobreviv\u00eancia\u201d refere, considerando que a economia dos habitantes de Lamego n\u00e3o sair\u00e1 afetada. \u201c\u00c9 claro que se prev\u00ea um recuo face ao ano transato, mas considerando que ser\u00e1 de curta dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o colocar\u00e1 em perigo a sustentabilidade econ\u00f3mica do concelho\u201d salienta. <\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o delicada que Portugal atravessa, levou a que a C\u00e2mara Municipal de Lamego tenha introduzido medidas para apoiar o com\u00e9rcio. Por isso, o munic\u00edpio suspendeu o Regulamento Municipal das Zonas de Estacionamento de Dura\u00e7\u00e3o Limitada e consequente pausa das respetivas taxas (Parc\u00f3metros). Foi tamb\u00e9m interrompida a aplica\u00e7\u00e3o das taxas e cobran\u00e7a de mensalidades aos comerciantes e arrendat\u00e1rios do Mercado Municipal e aplicadas redu\u00e7\u00f5es no consumo de \u00e1gua. No Natal, o munic\u00edpio realizou o concurso de montras, onde atribuiu um pr\u00e9mio de participa\u00e7\u00e3o de 50\u20ac, al\u00e9m de pr\u00e9mios para os 3 primeiros classificados (500\u20ac para o 1o, 300\u20ac para o 2o e 100\u20ac para o 3o). \u201cOferecemos 2160 vouchers em compras no com\u00e9rcio local, no valor de 10\u20ac cada\u201d, acrescenta Paulo Fernandes, apressando-se a revelar que \u201cas medidas n\u00e3o ficam por aqui, pois, foi aprovado pelo munic\u00edpio a redu\u00e7\u00e3o do IMI para 0,365, isen\u00e7\u00e3o da derrama das empresas com um volume de neg\u00f3cio abaixo dos 150.000,00 e aplica\u00e7\u00e3o de uma taxa de 1,30 \u00e0s restantes\u201d, real\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de inscritos nos centros de emprego em todo o pa\u00eds aumentou no m\u00eas de dezembro e registam-se, atualmente, mais de 400 mil desempregados. Mais de 80% dos 308 concelhos do continente registaram aumentos nos n\u00fameros do desemprego desde o in\u00edcio da pandemia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chegada do Novo Coronav\u00edrus a Portugal ocorreu a 2 de mar\u00e7o de 2020, altura em que foi confirmado o<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11709,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,399],"tags":[1556,3049,2662,157,1005,271,3356],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11566"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11566"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11711,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11566\/revisions\/11711"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}