{"id":1001,"date":"2017-02-20T15:13:35","date_gmt":"2017-02-20T15:13:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=1001"},"modified":"2017-03-06T15:36:26","modified_gmt":"2017-03-06T15:36:26","slug":"no-momento-em-que-eu-sentir-que-nao-tenho-capacidades-para-continuar-no-mundo-da-musica-e-o-momento-de-mudar-e-de-girar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/?p=1001","title":{"rendered":"\u201cNo momento em que eu sentir que n\u00e3o tenho capacidades para continuar no mundo da m\u00fasica \u00e9 o momento de mudar e de girar\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O m\u00fasico Filipe Pinto, vencedor do programa televisivo \u00cddolos, em 2009, esteve recentemente em Cinf\u00e3es, para apresentar a crian\u00e7as e jovens o projeto \u201cO Planeta Limpo do Filipe Pinto\u201d, dedicado \u00e0s quest\u00f5es ambientais. Numa entrevista concedida a Jo\u00e3o Pereira, Filipe Pinto relembra o in\u00edcio da sua carreira no programa \u00cddolos, a passagem por Londres, mas tamb\u00e9m fala do regresso a Portugal e do percurso no mundo da m\u00fasica. Licenciado em Engenharia Florestal pela Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro, Filipe falou sobre a liga\u00e7\u00e3o com o meio ambiente, algo que est\u00e1 sempre presente na sua vida, e tamb\u00e9m na m\u00fasica, como \u00e9 o caso deste projeto musical infanto-juvenil, \u201cO Planeta Limpo do Filipe Pinto\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pereira \u2013 O seu percurso na m\u00fasica acaba por conhecer o seu in\u00edcio no programa televisivo \u201c\u00cddolos\u201d. Em que medida o concurso foi importante na sua forma\u00e7\u00e3o enquanto cantor, m\u00fasico, compositor?<br \/>\nFilipe Pinto \u2013 Relativamente ao programa, ele deu-me uma op\u00e7\u00e3o, ele encostou-me \u00e0 parede, foi isso que aconteceu: \u201cou te dedicas \u00e0 m\u00fasica e segues este caminho, ou ent\u00e3o esquece a m\u00fasica e vai para engenharia florestal\u201d. Isso fez-me pensar e decidir, porque a m\u00fasica sempre fez parte de mim e eu sempre tive algum receio de correr esse risco. A verdade \u00e9 que as coisas correram bem no programa, as pessoas acreditaram, muitos portugueses acreditaram e fizeram com que eu come\u00e7asse a perceber um bocadinho do que \u00e9 o backstage dos palcos. N\u00e3o aprendi tudo no programa, mas o programa permitiu-me ver o outro lado das c\u00e2maras, perceber que o monstro que existia na minha cabe\u00e7a dependia muito da minha personalidade e da forma como n\u00f3s encaramos o nosso trabalho e a nossa vida. Sobretudo aprendi a lidar com as entrevistas, com os t\u00e9cnicos de som, com os apresentadores, com variad\u00edssimas personalidades e entidades que estavam \u00e0 volta do programa e isso enriqueceu-me. Depois a digress\u00e3o que tivemos, a Idolomania, deu-me um lado mais profissional e s\u00f3 a\u00ed \u00e9 que eu comecei a perceber que tinha de chegar a horas aos locais, que tinha que ensaiar previamente, que tinha de perceber mais da parte t\u00e9cnica, que tinha de ter uma forma de comunicar com os m\u00fasicos, no fundo que tinha de ser mais profissional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1068\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-2-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-2-300x187.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-2-768x478.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-2-1024x637.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>JP \u2013 Em setembro de 2010 vai para Londres estudar na London Music School, usufruir do pr\u00e9mio de vencedor da edi\u00e7\u00e3o dos \u00cddolos 2009. Que mem\u00f3rias tem dessa experi\u00eancia?<br \/>\nFP \u2013 O curso foi importante como come\u00e7o. Eu senti que a escola me recebeu de bra\u00e7os abertos. Inclusive, o primeiro encontro que tive com o meu diretor foi num bar e eu aproveitei logo para lhe dizer: \u201cMartin, eu quero ter mais do que um curso aqui. Eu quero ter curso de guitarra, de piano e do que me puderes dar!\u201d. Ele respondeu: \u201cOk, Filipe!\u201d. Isso fez-me logo sentir que podia absorver o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel naquela escola. Aos poucos, comecei a perceber que a escola me direcionou para um n\u00edvel que me permitiu ter as bases para come\u00e7ar a estudar e a dedicar-me mais \u00e0 m\u00fasica, porque eu n\u00e3o tenho forma\u00e7\u00e3o musical e tudo o que aprendi foi sozinho e por via desse curso. Tenho no\u00e7\u00e3o que n\u00e3o estou nos 100% das minhas capacidades, h\u00e1 muita coisa que desconhe\u00e7o no mundo da m\u00fasica e a linguagem musical para mim ainda continua a ser uma descoberta.<\/p>\n<p>JP \u2013 Regressou a Portugal e logo para promover o Festival Super Rock Super Bock pelo pa\u00eds, em junho de 2011, num projeto denominado \u201cBand in a Van\u201d. Sentiu que era um reconhecimento do trabalho que j\u00e1 tinha vindo a desenvolver?<br \/>\nFP \u2013 Senti que foi uma oportunidade que devia aproveitar. Come\u00e7ava a sentir (e quando estava em Londres esse foi o meu mote para voltar para Portugal) que estava a perder muito trabalho aqui em Portugal e, por outro lado, tamb\u00e9m tinha o disco quase pronto. Depois da London Music School fui para outra escola, a Merlin College, estive l\u00e1 alguns meses e tamb\u00e9m foi uma escola muito espec\u00edfica: basicamente selecionei alguns cursos que queria fazer para aprofundar um bocadinho mais os meus conhecimentos, mas houve uma altura em que comecei a sentir que estava h\u00e1 demasiado tempo em Londres. Esse foi um dos grandes motes para regressar, al\u00e9m do disco, naturalmente. A digress\u00e3o Band in a Van foi muito interessante, porque foi tudo feito numa carrinha em que n\u00f3s aparec\u00edamos sem aviso pr\u00e9vio em cidades, de Norte a Sul, e come\u00e7\u00e1vamos a tocar can\u00e7\u00f5es de bandas conceituadas que iriam ao festival nesse ano. Paralelamente a isso pude apresentar temas originais e, portanto, tinha uma comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico muito pr\u00f3xima, n\u00e3o havia palcos, era tudo na rua e para mim foi uma grande aventura que gostei muito.<\/p>\n<p>JP \u2013 No mesmo ano, subiu ao palco de um dos maiores festivais de m\u00fasica do pa\u00eds e da Europa, o Sudoeste, na Zambujeira do Mar. O que \u00e9 que sentiu quando sabia que ia atuar para milhares de pessoas?<br \/>\nFP \u2013 Subir ao palco do Festival Sudoeste foi muito importante para mim. H\u00e1 filmagens que eu agora revejo e ainda estava muito \u201cverdinho\u201d, mais foi uma oportunidade de poder mostrar can\u00e7\u00f5es originais, fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es ao vivo e pisar grandes palcos \u00e9 sempre uma boa sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>JP \u2013 Acaba por regressar \u00e0 televis\u00e3o, \u00e0 SIC, para apresentar o primeiro tema da sua autoria \u201cCrua Carne\u201d, que viria a fazer parte do seu primeiro \u00e1lbum, \u201cCerne\u201d, lan\u00e7ado em 2012. Como descreve esse seu primeiro trabalho discogr\u00e1fico?<br \/>\nFP \u2013 Em tr\u00eas etapas: antes, durante e depois do programa \u00cddolos. Antes, porque tem uma can\u00e7\u00e3o ou duas que foram feitas antes de eu sequer pensar que ia para um concurso de televis\u00e3o; o durante foi o processo todo que fez parte do disco e daquela intera\u00e7\u00e3o com os concorrentes, com as pessoas, com a exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica; e o depois, o lado mais solit\u00e1rio que eu tive em Londres. \u201cCerne\u201d \u00e9 um disco que reflete um bocadinho os meus tr\u00eas estados de viv\u00eancia dessa fase da minha vida.<\/p>\n<p>JP \u2013 Em 2013 competiu com M\u00f3nica Ferraz, Os Azeitonas, Richie Campbell e The Fift no MTV Europe Music Award para Melhor Artista Portugu\u00eas que acabou por vencer. Que significado teve para si a conquista deste pr\u00e9mio?<br \/>\nFP \u2013 Devo dizer que quando recebi a not\u00edcia estava na Rua de Cedofeita, que \u00e9 uma rua muito movimentada no Porto, estava muita gente e dei l\u00e1 um grande berro! Fiquei muito feliz, naturalmente, porque estavam artistas nomeados que est\u00e3o c\u00e1 h\u00e1 mais anos do que eu e n\u00f3s devemos ter respeito por quem trabalha h\u00e1 mais anos e por artistas que, no fundo, fazem diferentes trabalhos do nosso. Nessa altura fiquei muito feliz por representar Portugal em Amesterd\u00e3o e \u00e9 um pr\u00e9mio que eu guardo com muito carinho, foi o reconhecimento de um trabalho desenvolvido logo no primeiro disco que foi um processo que correu bem e que n\u00e3o podia terminar de melhor forma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1071\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-3-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>JP \u2013 Na biografia dispon\u00edvel no seu site \u00e9 descrito como algu\u00e9m que \u201cprocurou sempre um ref\u00fagio na m\u00fasica e uma liga\u00e7\u00e3o com o meio ambiente\u201d e, por isso mesmo, em dezembro de 2013, \u00e9 editado o seu segundo \u00e1lbum, de cariz ambiental e educativo, que veio apresentar ao Audit\u00f3rio de Cinf\u00e3es \u2013 \u201cO Planeta Limpo de Filipe Pinto\u201d que se baseia num CD\/DVD e tamb\u00e9m num livro e jogo. Pedia que nos falasse um pouco desta sua liga\u00e7\u00e3o com o ambiente e tamb\u00e9m deste projeto musical.<br \/>\nFP \u2013 Este projeto \u00e9 muito simples: \u00e9 tentar passar uma mensagem de que a pedagogia ambiental pode ser interativa, pode ser musical e pode ser did\u00e1tica. Conjuntamente com a empresa Betweien desenvolvemos este projeto, que consiste num livro, num jogo, num CD\/DVD que remete para as quest\u00f5es ambientais. A poupan\u00e7a da \u00e1gua, a quest\u00e3o das florestas, a reciclagem, os solos, tudo isso \u00e9 muito importante transmitir aos mais novos e esse foi um lema que na altura sentia com muita garra. Hoje continuo a sentir, mas sinto que as crian\u00e7as j\u00e1 t\u00eam muita sensibilidade para estas quest\u00f5es, mas falta refor\u00e7ar esta ideia da poupan\u00e7a da \u00e1gua. A tem\u00e1tica da reciclagem j\u00e1 \u00e9 um t\u00f3pico muito referenciado, j\u00e1 sentimos que as crian\u00e7as diferem bem a separa\u00e7\u00e3o do lixo, mas com as crian\u00e7as tudo acontece num momento sabem tudo, noutro momento esquecem e passam para outra. E por isso, n\u00f3s temos que estar sistematicamente \u00e0 frente das crian\u00e7as e a projetar estes conte\u00fados para que n\u00e3o se esque\u00e7am em idades futuras.<\/p>\n<p>JP \u2013 \u00c9 indissoci\u00e1vel ligarmos a m\u00fasica ao seu curso superior em Engenharia Florestal. Olhou sempre para os estudos como algo que gostaria de fazer ou como uma segunda op\u00e7\u00e3o no caso de a m\u00fasica n\u00e3o correr bem?<br \/>\nFP \u2013 Eu \u201ccalhei\u201d em Engenharia Florestal, foi a minha quinta op\u00e7\u00e3o. A minha primeira op\u00e7\u00e3o sempre foi audiovisuais e tudo o que fosse ligado \u00e0 m\u00fasica, mas felizmente entrei num curso pelo qual me apaixonei desde o in\u00edcio. Foi um curso muito pr\u00e1tico, que tinha poucos alunos e os professores tratavam-nos como filhos, o que nos fez sentir que as nossas aulas eram sempre muito pr\u00e1ticas, no campo, algo que ajudou a perceber as din\u00e2micas dos ecossistemas. Era tudo t\u00e3o pr\u00e1tico e t\u00e3o interessante que me fez apaixonar. Eu vi sempre o curso como um aliado e este projeto \u00e9 a prova disso, vi sempre o curso como uma mais valia, um conhecimento que pode ser canalizado para aquilo que \u00e9 o meu trabalho, que \u00e9 a m\u00fasica e, por isso, acho que vai estar sempre aliado. J\u00e1 no \u201cCerne\u201d tive essa preocupa\u00e7\u00e3o, porque esse disco \u00e9 feito em material 100% recicl\u00e1vel e sempre que eu puder vai sempre haver qualquer coisa que vai ter uma mensagem ambiental.<\/p>\n<p>JP \u2013 Sei que tem percorrido muitas escolas pelo nosso pa\u00eds e contactado com muitas crian\u00e7as e jovens. Qual \u00e9 a marca que pensa que tem deixado ou que pelo menos gostava de deixar a quem o vem ouvir?<br \/>\nFP \u2013 Eu acho que o que poderemos deixar aos meninos, al\u00e9m da parte f\u00edsica do CD\/DVD, \u00e9 a mensagem e a import\u00e2ncia do ambiente. Vivemos num planeta cada vez mais desigual, n\u00e3o se percebe como \u00e9 que no S\u00e9culo XXI ainda h\u00e1 pessoas que morrem com sede, que t\u00eam dificuldade em aceder a zonas mais limpas, que t\u00eam tanta polui\u00e7\u00e3o no ar que t\u00eam que usar m\u00e1scaras, que vivem em aut\u00eanticas lixeiras, portanto, vivemos num mundo que pode ser muito. \u00c9 preciso saber respeitar todos os seres vivos, porque faz sentido todos eles existirem. Eu n\u00e3o estou a dizer que sou 100% correto e fa\u00e7o tudo direitinho, porque tamb\u00e9m tenho os meus erros, cometo as minhas falhas, mas o importante nisto tudo \u00e9 a consci\u00eancia, \u00e9 no final do dia sabermos aquilo que fizemos de errado ou n\u00e3o. O mais importante n\u00e3o \u00e9 tanto passar a ideia de que o mundo vai agora transformar-se numa coisa maravilhosa, mas sim perceber quais s\u00e3o os problemas e perceber tamb\u00e9m que cada um de n\u00f3s tem que fazer o seu papel. N\u00f3s falamos muito da reciclagem, mas a reciclagem n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os ecopontos, nem \u00e9 s\u00f3 dizer \u00e0s crian\u00e7as para separarem o lixo. A reciclagem \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do lixo que vai para os ecopontos em material novo e, de facto, n\u00f3s temos que passar essa mensagem aos mi\u00fados: \u00e9 preciso reduzir a quantidade de lixo. O ser humano tem tal capacidade de criar e inventar materiais acess\u00f3rios, que \u00e9 dif\u00edcil o planeta suportar isso num espa\u00e7o a que chamam aterro, ou nas lixeiras. Os oceanos e as praias s\u00e3o aut\u00eanticos dep\u00f3sitos de lixo, infelizmente. Al\u00e9m disso, o Homem est\u00e1 a exagerar na quantidade de pl\u00e1stico que produz e o pl\u00e1stico \u00e9 algo que \u00e9 muito dif\u00edcil de identificar quando \u00e9 degradado. Estamos a tornar o planeta num s\u00edtio complicado para vivermos e, no fundo, estas mensagens s\u00e3o muito importantes e o lema deste projeto \u00e9, atrav\u00e9s da simplicidade de can\u00e7\u00f5es, de mensagens, de teatro e de ilustra\u00e7\u00f5es dar-lhes [\u00e0s crian\u00e7as] um bocadinho desta sensibilidade.<\/p>\n<p>JP \u2013 Em 2016, \u201cO Planeta Limpo de Filipe Pinto\u201d atinge os 18\u00a0000 livros vendidos, chegando \u00e0 7\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um sinal da aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico?<br \/>\nFP \u2013 \u00c9 um sinal muito positivo. O projeto est\u00e1 a ter esta longevidade muito por culpa das pessoas e das crian\u00e7as que gostam, que d\u00e3o os seus sorrisos e dos professores que tamb\u00e9m t\u00eam tido um papel fundamental na divulga\u00e7\u00e3o do projeto nas institui\u00e7\u00f5es, nas autarquias. Este projeto \u00e9 muito institucional e \u00e0s vezes perguntam-me porque \u00e9 que n\u00e3o ouvem este projeto nas r\u00e1dios ou nas televis\u00f5es e eu acho que isso tem a ver com momentos: o projeto teve uma fase medi\u00e1tica, de exposi\u00e7\u00e3o, mas as coisas agora s\u00e3o t\u00e3o acess\u00edveis na internet e a partir da\u00ed o passa palavra funciona t\u00e3o bem que acabamos por conseguir chegar a mais e a mais crian\u00e7as.<\/p>\n<p>JP \u2013 \u201cE tudo gira\u201d \u00e9 o seu terceiro \u00e1lbum, lan\u00e7ado no ano passado e editado pela Sony Music. \u00c9 um disco diferente d\u2019 \u201cO Planeta do Filipe Pinto\u201d, mais de encontro ao primeiro ao \u00e1lbum ou nem por isso?<br \/>\nFP \u2013 O Planeta Limpo \u00e9 um projeto distinto, n\u00e3o o posso enquadrar como um terceiro disco. Eu, Filipe Pinto, como autor, tento escrever can\u00e7\u00f5es para todos, n\u00e3o especifico um setor ou um p\u00fablico e, portanto, este disco, \u201cE tudo gira\u201d, \u00e9 o meu segundo disco. \u00c9 um disco que d\u00e1 continuidade ao \u201cCerne\u201d, \u00e9 mais alegre e a sensa\u00e7\u00e3o que eu tive era de que seria um disco sorridente, que conseguisse transmitir essa mensagem do sorriso e de for\u00e7a, de que as coisas muitas vezes correm mal, mas n\u00f3s temos que super\u00e1-las e n\u00e3o partir s\u00f3 para as palavras, partir para a a\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o mais dif\u00edcil. Participaram muitos m\u00fasicos neste disco, eu quis que fosse um disco que tivesse mais de trinta m\u00fasicos, no fundo para ter uma maior abrang\u00eancia de diferentes rasgos musicais. Espero continuar a promover este CD, a mostr\u00e1-lo \u00e0s pessoas. Estou agora a promover o meu terceiro single, e em princ\u00edpio vou agora fazer um novo videoclipe para ele e espero que este come\u00e7o de ano seja favor\u00e1vel para um disco cuja mensagem \u00e9 que a nossa vida est\u00e1 sempre a girar, h\u00e1 ciclos altos, h\u00e1 ciclos baixos. At\u00e9 o planeta gira, tudo gira, e essa \u00e9 a mensagem que eu queria transmitir. \u00c0s vezes sou um bocadinho \u201cfala-barato\u201d e esse lado meu sempre foi muito evidente, n\u00e3o no programa [\u00cddolos], mas quando contacto com as pessoas e esse \u00e9 um lado que eu quero transmitir nos concertos, como se fosse uma conversa em fam\u00edlia, ou quase uma sala de ensaio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1070\" src=\"http:\/\/www.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pinto-1-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>JP \u2013 Qual a import\u00e2ncia para si de dar concertos, estar em palco, de sentir o p\u00fablico? \u00c9 o mais importante na vida de um m\u00fasico ou prefere a parte mais intimista de compositor ou at\u00e9 de estar em est\u00fadio a gravar?<br \/>\nFP \u2013 Eu gosto das duas, porque ambas s\u00e3o componentes do meu trabalho. Eu gosto da parte em que estou em est\u00fadio ou que estou a compor, gosto muito da sensa\u00e7\u00e3o de ir a est\u00fadio, de trabalhar ideias, de estar com o produtor e vermos a m\u00fasica, trabalharmos a letra, que tenho feito, confesso, de uma forma muito solit\u00e1ria e agora estou a tentar abrir esse espectro e, na parte de cria\u00e7\u00e3o e de composi\u00e7\u00e3o, ser um bocadinho mais aberto nessa frescura de outras ideias. A sensa\u00e7\u00e3o de estar em est\u00fadio \u00e9 muito boa, mas tamb\u00e9m o palco \u00e9 \u00f3timo. N\u00f3s tivemos uma digress\u00e3o no ano passado que tamb\u00e9m foi maravilhosa, porque estivemos em diferentes coretos do pa\u00eds com o apoio da SIC, da Vis\u00e3o e da Delta Q. N\u00f3s temos coretos lind\u00edssimos que muitas vezes s\u00e3o esquecidos e foi uma oportunidade para eu estar com as pessoas, cantar os temas originais, l\u00e1 est\u00e1, esse palco que \u00e9 quase rua, esse palco que \u00e9 quase n\u00e3o haver estrados \u00e9 o melhor palco para mim, \u00e9 o que eu mais gosto. A sensa\u00e7\u00e3o de energia do p\u00fablico quando a recebes \u00e9 fundamental para que sintas o teu trabalho reconhecido.<\/p>\n<p>JP \u2013 Falou h\u00e1 pouco do terceiro single que vai agora promover. Para al\u00e9m disso, h\u00e1 algum projeto novo para breve?<br \/>\nFP \u2013 Sim, estou a tentar fazer um projeto ligado a teatro musical, mas que ainda est\u00e1 um na gaveta porque tenho que dar agora prioridade ao terceiro single e ao Planeta Limpo. Tenho tamb\u00e9m alguns concertos que est\u00e3o a ser agendados e que tenho que preparar e, por isso, agora estou-me a focar tamb\u00e9m nessa vertente quase de int\u00e9rprete, de compositor, de entrevistado, portanto, \u00e9 tudo um pouco, mas isso faz parte do meu quotidiano e tenho-me habituado assim.<\/p>\n<p>JP \u2013 Est\u00e1 a fazer aquilo que um dia imaginou que ia estar a fazer? Que balan\u00e7o \u00e9 que faz da sua carreira at\u00e9 agora?<br \/>\nFP \u2013 N\u00e3o imaginei. Tudo o que n\u00f3s imaginamos, \u00e9 fruto da nossa imagina\u00e7\u00e3o, vai sair sempre um bocadinho diferente, mas o que eu disse desde o inicio \u00e9 que estou muito feliz pelo trajeto que tenho feito. H\u00e1 muitas pessoas que me dizem \u201cagora j\u00e1 n\u00e3o apareces na televis\u00e3o\u201d e eu tento explicar que n\u00e3o sou apresentador de televis\u00e3o, que sou m\u00fasico. Explicou \u00e0s pessoas que elas ouvem as minhas can\u00e7\u00f5es nas novelas, mas eu n\u00e3o estou l\u00e1 e a verdade \u00e9 essa: eu tento ao m\u00e1ximo dedicar-me a uma profiss\u00e3o que \u00e9 sazonal, mas vivo neste momento, desde o programa [\u00cddolos], ligado \u00e0 m\u00fasica e espero continuar. No momento em que isso n\u00e3o acontecer, em que eu sentir que n\u00e3o tenho capacidades para continuar, ou que come\u00e7o a sentir mais tristeza do que alegria, \u00e9 o momento de mudar e de girar. Isso faz parte da nossa vida, termos a consci\u00eancia de que a vida n\u00e3o est\u00e1 estagnada, n\u00f3s n\u00e3o vamos fazer uma coisa para sempre. H\u00e1 muitas coisas que eu gostava de fazer na vida e espero ter oportunidade de as fazer, por isso, vamos ver.<\/p>\n<p>JP \u2013 Obrigado Filipe!<br \/>\nFP \u2013 Obrigado eu!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00fasico Filipe Pinto, vencedor do programa televisivo \u00cddolos, em 2009, esteve recentemente em Cinf\u00e3es, para apresentar a crian\u00e7as e<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1004,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15,1],"tags":[44,323,325,72,326],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1001"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1001"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1072,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions\/1072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.esev.ipv.pt\/dacomunicacao\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}